segunda-feira, maio 22, 2017

A IRRESPONSABILIDADE TEM UM CUSTO?

A IRRESPONSABILIDADE TEM UM CUSTO?


Como já quase todos, ou a maior parte compreendeu a generalidade dos políticos ou são destituídos de dotes de raciocínio, ou tratam os portugueses como mentecaptos, ou ambas as coisas. Quando nos tempos que passam, diariamente somos “invadidos” pelas suas afirmações, declarações e outro género de intervenções que são motivo para que fiquemos apreensivos e, para não ficarmos seriamente deprimidos ao ponto de termos que meter baixa, aconselho que desopilemos com uma sonora gargalhada.
Considero que política, como exercício público, é algo de fabuloso - sobretudo no poder local, onde se está mais perto dos problemas das pessoas. Mas como exercício formal, institucional e de poder, é duma extrema pobreza. Não consigo perceber o fascínio de tanta gente que vive obcecada pelo mundo da política. Isto até era engraçado para ir, viver e desaparecer. A política é terrena, cheia de amuos, de mesquinhez, de carneirismos, de subserviência e de medos. O medo é, aliás, a palavra essencial para definir a política.
Na verdade a classe política, não é só em Portugal, tem patamares de reputação próximos do zero. As pessoas não se sentem representadas pelos que se sentam em Parlamentos ou ocupam cargos executivos e têm nojo dos que se servem da política – uma nobre e importante profissão – para fazerem negociatas ou que dali se promovem para saltar para empresas com opíparos salários que nunca alcançariam se não se servissem da mesma.
Maus políticos, maus gestores, maus jornalistas, maus comentadores estão a levar as democracias para o seu “hara-kiri” à vista de todos. Um editorial, hoje, vale menos que um post, um comentador televisivo tem menos influência e notoriedade que alguns que escrevem com verdade nas redes sociais. Mas a culpa é de quem promove a mentira e de quem escreve ou fala uma montanha de “pós-verdades”. De quem na sua mediocridade tece uma teia de protecção aos medíocres da sua igualha que, assim, vão sobrevivendo numa sociedade que nada tem a ver com a do século XX e que clama contra as fraudes e os vendedores de banha da cobra.
Mas há um labirinto que se se sobrepõe a esse. É o labirinto de pequenas e grandes explicações e pseudoexplicações que, no essencial, visam mais iludir-nos sobre o que se está a passar do que ajudar-nos a compreender. A mentira tem-se imposto à verdade. E uma comunidade mentirosa e pouco escrupulosa, onde a opacidade se sobrepõe à transparência, é o lugar onde grassam o pior das emoções e sentimentos humanos.
A política profissional pede também uma opinião pública e publicada exigente e interventiva. É verdade que a televisão e as redes sociais mataram os intelectuais públicos um pouco por todo o mundo. Já não há Vencidos da Vida nem grémios literários para refletir e exigir. Estamos no século dos pundits. Só que em Portugal contam-se pelos dedos de uma mão os pundits. O espaço público está totalmente dominado por políticos ao serviço das agendas partidárias ou do tráfico de influências. O debate é sempre dominado por generalidades e banalidades no modelo frente-a-frente. Não há debate especializado, sério e exigente. Os partidos já nem fazem o mais elementar esforço de ter porta-vozes temáticos.
Sem produção de conhecimento e sem pundits, tudo começa e acaba nos partidos. É nesse contexto que uma classe política profissional se torna um problema sério. Porque sem produção de conhecimento e sem pundits só há mesmo os jotinhas. E o resultado, como sabemos, não é muito agradável. Porque, infelizmente, nos falta tudo o resto!“ Há perigo de a vida económica e politica portuguesa ser dominada por grupo de interesses que se opõem às transformações substituíveis de beliscar os seus privilégios. Há muitos destes grupos de interesse com que devemos preocupar-nos, incluindo alguns dos sindicatos mais poderosos do sector público.” (prof. Doutor Silva Lopes in «Expresso» - Economia - de 4 de Setembro de 2004 Mas quem sou eu para dar conselhos? Nem conselhos e muito menos lições de moral! Mas, posso afirmar e dizer com toda a clareza que a vida tem um custo e somos nós que, quer concordamos quer não, que determinamos esse custo.  Mesmo quando não nos apercebemos disso, aprendemos à nossa custa a irresponsabilidade de uma decisão mal tomada! Ou como diz o ditado popular “o voto é a arma do povo, no fim de votar fica desarmado”

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