quinta-feira, janeiro 19, 2017

TSU ou os políticos da Pós-Verdade!

Vivemos num mundo de pró-mentira. A mentira é da “indústria, dos políticos, dos agiotas financeiros, da imprensa, dos jornalistas etc”

Diz a ciência que somos todos mentirosos. E o pior é que a mentira, que antes tinha perna curta, consta que agora, até compensa. A investigadora norte americana Bella DePaulo, que durante mais de duas décadas estudou a desonestidade, chegou à conclusão que as pessoas mentem todos os dias. Pelo menos uma vez por dia. Num dos estudos que realizou verificou que, mesmo quando alguém tentava passar uma semana inteira sem mentir, isso revelava-se muito difícil. E, nos políticos é  uma coisa inata que faz parte do seu dia a dia.
A mentira tornou-se norma na política, nos media e na publicidade. Mas também nas vidas correntes onde cada um, a cada momento, joga o papel mais conveniente e vantajoso. As redes sociais, onde se exageram as qualidades e se disfarçam os defeitos, só vieram confirmar o que já se sabia. A mentira é fácil e simples, enquanto a verdade é complexa e aborrecida.
 Tudo isto a propósito da “discussão” sobre a Taxa Social Única (TSU) é um encargo das empresas que incide sobre o salário mensal de cada trabalhador e que é encaminhado para a Segurança Social, na situação especifica com incidência sobre “o trabalhador que tem de estar vinculado à empresa por contrato de trabalho, a tempo completo ou a tempo parcial, celebrado em data anterior a 1 de Janeiro de 2017 e ter recebido, de Outubro a Dezembro de 2016, um salário entre os 530 euros (valor do salário mínimo em 2016) e os 557 euros (valor do salário mínimo em 2017) e não ter qualquer outro tipo de remuneração. Excepção feita a quem recebeu até 700 euros por trabalho suplementar e/ou trabalho nocturno.”
Como todos políticos “deviam explicar e saber” o valor da Taxa Social Única em Portugal é “ sobre o salário do trabalhador: 11% e  sobre as empresas com base no do trabalhador: 23,75%. No entanto até Janeiro de 2017 as empresas gozam de um desconto de 0,75 pontos percentuais sobre a taxa de 23,75%, no caso dos trabalhadores beneficiados com a subida da retribuição mensal mínima garantida.
Ora o actual governo aprovou com base num acordo no Conselho de Concertação Social uma redução, apenas para as situações atrás descritas e para o ano de 2017 uma redução de 1,25%, ficando apenas e só naquelas situações uma taxa reduzida para as empresas no valor de 22,5%.
Se isto é assim tão simples qual a razão desta discussão toda? A resposta numa palavra – MENTIRA- ou seja o “tempo da mentirinha dos políticos” que por interesses políticos pessoais em detrimento do interesse global da sociedade, omitem, falseiam para atingir os seus fins!
Deixamos aqui os números: De acordo com o INE existem em Portugal cerca de 630 mil trabalhadores abrangidos pelas remunerações mínimas garantidas (rmg), logo potencialmente beneficiadores desta redução, que já existiu até Janeiro de 2017 e assim feitas as contas, podemos concluir, resumidamente que há como previsão um ganho de mais de 10 milhões de euros para a Segurança Social, sendo que a um aumento do rendimento mínimo garantido de cerca de 5,09%, vai corresponder a um aumento de cerca de 8,92% do valor total arrecadado pela Segurança Social, que haverá ainda que considerar o que a mesma deixa de suportar com o pagamento dos diversos subsídios de desemprego, social ou outros.
  INCIDÊNCIA DA TSU (Taxa Social Única) s/ RMG  
   
  Nº Trabalhadores salário mínimo 630.000  
  remunerações mínimas 2016 530 333.900.000,00 €  
  remunerações mínimas 2017 557 350.910.000,00 €  
  TSU 2016 23,75 79.301.250,00 €  
  TSU 2016 23,00 76.797.000,00 €  
  TSU 2017 22,50 78.954.750,00 €  
  TSU Trabalhadores 2016 11,0 36.729.000,00 €  
  TSU Trabalhadores 2017 11,0 38.600.100,00 €  
  TOTAL  
        TSU 2016   113.526.000,00   
           TSU2017 117.554.850,00   
   
  Criação +5% postos trabalho 661.500 31.500  
  remunerações totais 557 17.545.500,00   
  TSU empregadores   23,75% 4.167.056,25   
  TSU trabalhadores  11,00% 1.930.005,00 €  
   
  TOTAL previsão TSU 2017 (rmg)   123.651.911,25 €  
  Aumento TSU 2017 8,92%  
  Aumento rmg 2017 5,09%  
         
  
A palavra do ano 2016 foi ‘pós-verdade’. Confesso que ainda não percebi bem o que significa e ela já foi interpretada das mais diversas maneiras: como um sinónimo de mentira, como uma indiferença pela verdade nos debates políticos, como a formação da opinião pública independentemente de factos… Talvez o melhor seja usar a definição do Dicionário de Oxford, que, precisamente, a escolheu como palavra do ano e iniciou a moda de a usar recorrentemente. Segundo a vetusta instituição, “pós- -verdade’ ocorre quando há ‘circunstâncias nas quais os factos objectivos são menos influentes na formação da opinião pública do que apelos a emoções e convicções pessoais” Ora, dito assim, o que tem isto de novo?

É por isso que eu acho que o termo não é muito correto. Devia antes dizer-se que  “Vivemos num mundo de pró-mentira. A mentira é da “indústria, dos políticos, dos agiotas financeiros, da imprensa, dos jornalistas etc”

domingo, janeiro 15, 2017

“Soares é fixe , o resto que se lixe "

 “Soares é fixe , o resto que se lixe "

Não acredito na eternidade, na imortalidade, na alma. O que fica de mim é um rodapé num livro de História”. (Mário Soares)

Aqui no “nosso canto”, eu soarista me confesso,  o assunto foi, evidentemente, o falecimento do homem que mais contribuiu para o nosso modelo político actual. A morte esperada trouxe à pedra todos os sentimentos dos portugueses sobre os acontecimentos pós 25 de Abril e também a eterna avaliação da descolonização. Houve comentários lamentáveis de ódio e ressentimento, mas sobretudo agradecimentos e louvores por uma figura cuja estatura é indiscutível.
Alguém relembrou que a filosofia de Mário Soares bem se resume nestas suas palavras: "Há uma certeza que sempre tive: a verdade não pertence em exclusivo a ninguém e não há nada que substitua a tolerância"
 Nós entendemos que se Mário Soares partiu, deixou no entanto um legado de liberdade, democracia e respeito. Estes três pilares da nossa sociedade estão para lá da partidocracia, que vive apenas da conjuntura, e devem merecer o respeito de todos cidadãos que se revêm numa democracia pluralista. E esses são pontos cardeais da bússola da cidadania. É no respeito pela pessoa humana, nos seus direitos, na liberdade individual e na força das convicções que devemos balizar comportamentos e pautar acções.  
Podemos ou não concordar (e foram muitos os que ao longo dos anos, fora e dentro do PS, manifestaram infindáveis discordâncias com as propostas e os caminhos seguidos por Soares). Podemos ou não considerar erradas as ideias defendidas (e ainda hoje, à esquerda e à direita, há quem expresse essa divergência). Podemos ou não considerar que, ao ser um homem de roturas, só podia ser acidentado o caminho por si trilhado, ao ponto de a determinação em chegar ser muitas vezes mais importante que o modo como chegar. Como escreve Daniel Oliveira no Expresso Diário, “o seu percurso, as suas lealdades, até as suas convicções foram muitas vezes sinuosas, tendo apenas a democracia como único valor constante, o que não foi pouco”. Nesta senda, também Sousa Tavares, no seu habitual registo, aconselha “alguns energúmenos que andam nas redes sociais a insultar a memória de Mário Soares que, independentemente das ideias políticas, leiam a imprensa estrangeira”, lembrando que é graças ao histórico socialista que estas mesmas pessoas “têm o direito” de escrever o que pensam.
Apesar de tudo temos que reconhecer que a  geração que tem hoje 40/50 anos não esteve à altura do legado do 25 de Abril. Falhou. Vai deixar aos filhos um país menos esperançoso. O adeus a Mário Soares serve para constatar essa dolorosa verdade. Repare-se que dizemos “obrigado” a Soares mais pelos seus primeiros 40 anos de percurso político do que pelos 30 anos que decorreram após a sua primeira presidência. É verdade que temos de agradecer ao Presidente Soares a onda “fixe” que libertou em vésperas da integração europeia. Mas o Soares presidente era já um homem de um tempo novo, um tempo de normalidade democrática que não quis ou não foi capaz de temperar. O lugar do sonho depressa foi ocupado por uma geração oca, deslumbrada com o novo-riquismo do dinheiro a crédito, sem densidade de vida nem de ideias, apenas ávida de facilitismo e propensa à cumplicidade venal com os amigos das negociatas 
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Agradecer a Soares pelo país que nos deixou é festejar a democracia sólida ou o Estado social eficaz. O país é hoje muito melhor, mas as suas injustiças, a dívida, o Estado capturado pelos interesses, a pobreza e o desemprego são a prova de que ficámos a meio caminho. Podíamos e devíamos ter andado mais. Dizer obrigado a Soares é um acto óbvio de reconhecimento pelo que nos deixou – a democracia liberal, o Estado social, a Europa. Mas pedir-lhe desculpa pelo muito que se falhou não é apenas uma forma de homenagear essa geração extraordinária de portugueses da qual Soares foi o mais completo representante: é também uma manifestação da vontade de recuperar os seus ideais e a sua energia, ranger os dentes, saber resistir às dificuldades sem propaganda nem demagogia e olhar com coragem para o futuro
Finalmente apetece-me deixar aqui esta citação “Vi amigos de esquerda e de Direita de olhos fixos na urna, mudos e gratos. Democratas, todos. Pessoas como Soares, com virtudes e defeitos, vergando -se perante a memória de alguém que esteve sempre do inequívoco lado da Liberdade. Vi homens fardados bater a continência a chorar, e  mulheres de avental a gritar " Soares é fixe , o resto que se lixe ".porque há despedidas que são o início de um caminho. E conseguir em vida (e na morte ) inspirar caminhadas de outros , é só para os maiores e os mais fixes.”(Rita Ferro Rodrigues)


Armindo Bento (economista aposentado)

sábado, janeiro 07, 2017

PARA QUE NÃO HAJA EQUÍVOCOS!

PARA QUE NÃO HAJA EQUÍVOCOS!

O meu corpo não se adapta a nenhum colchão, nem o meu espírito a nenhum sono” (Miguel Torga, Diário XI) “Não é bem a vida que faz falta – só aquilo que a faz viver” (Vergílio Ferreira, “Para sempre”).
Não será nenhuma novidade a afirmação de que “ as pessoas muitas vezes se precipitam a formar opiniões”. Já todos formámos opiniões apressadas e fomos demasiado lentos a mudar de opinião, é por isso, que a sabedoria popular nos ensina que precisamos de saber ir mais devagar e pensar sempre um pouco mais, antes de se extrair qualquer conclusão!
Isto tudo vem a propósito de que ao iniciar 2017, quero deixar bem claro que, sendo verdade que já “estive vida politica” e também já tive uma “agenda”, mas deixei de estar e a ela não vou voltar. Hoje em dia não tenho qualquer intervenção politica e sobretudo, não tendo “agenda”, nem clara, nem oculta. Participo nas chamadas redes sociais, facebook, twitter, e de tempos a tempos com alguns “escritos” num jornal local e num blogue,  como forma de contextualizar, emitir opinião e exercer o meu direito de cidadania, com sentido de responsabilidade e de respeito pela a opinião de terceiros, com a plena consciência que quando não sabemos ouvir os outros, não podemos esperar que nos oiçam.
Há aqueles que pensam, na generalidade os políticos, que o passar do tempo é uma “ponte” de amnésia, que tudo faz esquecer e tudo torna relativo, sem importância, dentro do velho principio que o que esquecemos não existe, em contraponto lembro-me sempre daquele velho lema: perdoar sim, esquecer nunca!
Parece-me que me posso considerar um “leitor” assíduo da mais diversa produção da “chamada informação” disponível nos mais diversos meios, seja ela escrita, televisiva, radiofónica ou nas redes sociais, por isso parece-me que conheço as  chamadas “regras do jogo”, pelo menos as mais básicas – como se manipula a noticia, como se fabrica a mentira, agora diz-se “pós-verdade”, como se inventam casos, como se silencia um escândalo, como se projecta este ou aquele politico, como se faz um “frete” a este ou aquele amigo de certo e determinado grupo de pressão.
Todos devíamos saber, muito poucos sabem, que hoje “fazer informação” livre e isenta fica muito caro. E, sejamos sérios a quem interessa a verdade? Já Oscar Wilde, com o seu sarcasmo imbatível bem nos avisava: “ se disseres a verdade, vais ver que, mais tarde ou mais cedo, vais ser descoberto!” É, por isso que acredito que criamos as nossas próprias circunstâncias através das escolhas que fazemos na nossa vida, sendo que, também há quem diga que se soubéssemos tudo sobre o presente, poderíamos prever tudo sobre o futuro, ou parafraseando um celebre juiz do Supremo Tribunal dos Estados Unidos (Learned Hand) “o espírito da liberdade é essencialmente o espírito que não tem muita certeza de que está certo.”

 Armindo Bento (economista aposentado)

terça-feira, janeiro 03, 2017

UM EQUIVOCO QUE NÃO POSSO DEIXAR PASSAR!


UM EQUIVOCO QUE NÃO POSSO DEIXAR PASSAR!


A propósito da “interpelação” de alguns “comentaristas” que “passam aqui pelo meu local”  quero ao iniciar 2017, deixar bem claro que, sendo verdade que já “estive na vida politica” e também já tive uma “agenda”, mas deixei de estar e a ela não vou voltar.
Hoje em dia não tenho qualquer intervenção politica e sobretudo, não tendo “agenda”, nem clara, nem oculta. Participo nas chamadas redes sociais, facebook, twitter, e de tempos a tempos com alguns “escritos” num jornal local e num blogue,  como forma de contextualizar, emitir opinião e exercer o meu direito de cidadania, com sentido de responsabilidade e de respeito pela a opinião de terceiros, com a plena consciência que “quando não sabemos ouvir os outros, não podemos esperar que nos oiçam”.

Precisamos de aprender a relativizar as preocupações, angústias, dramas e outros conflitos menores e não “fazer” das nossas discussões, opiniões e outros pensamentos um campo de batalha, transportada do “futebol” e que, na maior parte das vezes, por uma irracionalidade decorrente do enviesamento da realidade determinada pelo “cor clubista”.
Pior ainda, defendem-se como se fosse a mais importante coisa da vida e “agridem” os que, pelo mesmo tipo de razões, exprimem perspectivas contrárias!

Temos plena consciência que nunca o Mundo teve tanta informação e, paradoxalmente, nunca houve tantos ignorantes. A internet dá informação, não dá conhecimento, mas a fúria e a raiva das multidões sem rosto tem oprimido a razão, a irracionalidade está a destruir a moderação e a sã convivência que deveria presidir ao relacionamento dos cidadãos e no exercício da cidadania.

Maus políticos, maus gestores, maus jornalistas, maus comentadores estão a levar as democracias para o seu “hara-kiri” à vista de todos. Um editorial, hoje, vale menos que um post, um comentador televisivo tem menos influência e notoriedade que alguns que escrevem com verdade nas redes sociais. Mas a culpa é de quem promove a mentira e de quem escreve ou fala uma montanha de “pós-verdades”. De quem na sua mediocridade tece uma teia de protecção aos medíocres da sua igualha que, assim, vão sobrevivendo numa sociedade que nada tem a ver com a do século XX e que clama contra as fraudes e os vendedores de banha da cobra, que proliferam  nas redes sociais onde tem tido um campo fértil para a instalação e difusão da pós-verdade   que nos faz perder a verdade.”
 Faz sentido reflectirmos sobre onde fica a verdade quando em vez de factos o que temos são” interpretações”, que nestes tempos de modernidades que correm entre a verdade e a mentira, ou mais rebuscadamente entre a inverdade e a verdade ou ainda entre a verdade e a pos-verdade ouvimos frequentemente como um instrumento de argumentação – o insulto!

Mas também é evidente que há um grande número de pessoas que parecem desinteressadas da verdade como valor absoluto, preferindo ir pelo caminho das crenças ou convicções e a maior parte das vezes, a opinião sobrepõe-se à essência dos factos.

Como já certamente é do conhecimento de alguns foi a revista “The Economist “quem este ano fez ressurgir e disparar esta expressão pós-verdade ao assentar num editorial que “Donald Trump é o máximo expoente da política da pós-verdade” ao conseguir fazer valer “confiança em afirmações que são sentidas como verdadeiras mas que não estão conformes com a realidade”. A mentira tem-se imposto à verdade. E uma comunidade mentirosa e pouco escrupulosa, onde a opacidade se sobrepõe à transparência, é o lugar onde grassam o pior das emoções e sentimentos humanos.
É lamentável, é triste e até desolador sentir a facilidade com que, em especial a partir de 2011 na discussão politica, técnica, futebolística, religiosa etc, se vai directo ao carácter da cada um, à mingua de argumentos, como algo “normal” em todos os instrumentos de difusão da informação, em especial nos meios televisivos tornando-se endémico nas redes sociais, os políticos gritarem ao máximo, insinuar sem substância, afrontar sem nexo, denegrir como forma de abuso do poder.

Como nota final de esclarecimento  quero deixar bem claro que nada tenho contra, nem a favor do cidadão Passos Coelho, mas tenho tudo contra o politico que foi primeiro ministro deste País, Passos Coelho, não só porque a nível pessoal me saqueou, fanou, surripiou cerca de 30% dos meus rendimentos do trabalho de mais de 42 anos de descontos sociais, configurando-se como uma prática de “abuso do poder” e “abuso de confiança”, como as suas desastrosas politicas “serão um sério contributo” para a destruição de Portugal, enquanto País independente, ao “expulsar” mais de 500 mil jovens portugueses activos, ao empobrecer os portugueses e Portugal  e ao provocar as insolvências de muitas actividades empresariais, práticas politicas que se podem tipificar, salvo melhores conhecimentos nesta matéria,  como “indícios de atentado ao estado de direito, administração danosa de bens públicos, omissão negligente” etc.

Por último “Hoje fico-me pelo espanto que diariamente ainda consigo sentir: Como é que este rapaz chegou a primeiro-ministro? ( Daniel Oliveira)

terça-feira, novembro 29, 2016

CAIXA GERAL DEPÓSITOS - SÓ NÃO VÊ QUE NÃO QUER VER….!

SÓ NÃO VÊ QUE NÃO QUER VER….!

Não temos dúvidas que Passos Coelho, Montenegro, Maria Luís, Cristas e companhia, são “políticos” de mão dos predadores, são apátridas que querem acabar a obra de venda de Portugal ao estrangeiro que começaram e levaram a cabo na sua governação de saque. Daí tanto alarido e tanta histeria.
Depois do País ter perdido empresas emblemáticas como a PT, a EDP, a REN, a CIMPOR, a ANA, as seguradoras, a única empresa de jeito que nos resta é a CGD. Existem apetites enormes, internos e externos, para lhe pôr a mão. Estes episódios só incentivam a voracidade desses predadores. Como se viu ao longo de toda esta novela, temos Passos Coelho e o seu “grupo” em peso a trabalhar para entregar a Caixa nas mãos dos estrangeiros, já que não há capital nacional suficiente para a controlar, devido à sua dimensão.
Os predadores, expoentes dos grandes interesses financeiros, infiltrados que estão nas instituições europeias, devem estar a esfregar as mãos de contentes, e a murmurar em voz baixa uns para os outros: – Que excelente trabalho está a ser feito pelos nossos aliados que “ainda estão” no PSD e do CDS.
Compreende-se as limitações do Governo em todo este caso. Tinha que convencer Bruxelas a permitir que Portugal, um pequeno país, mantivesse um banco do Estado, o que contraria frontalmente a lógica neoliberal das instituições europeias, dando luz verde à recapitalização. Para convencer Bruxelas, tinha que dar sinais claros de que a CGD iria ter uma gestão que seria determinada pelos critérios da banca privada, fosse ao nível dos vencimentos, fosse ao nível das práticas de opacidade do sector.
Assim havia que escolher uma espécie de carta de apresentação dessas intenções. Pelo currículo e pelo perfil. Só que o Governo talvez se tenha esquecido, que esse “banqueiro”, apesar de tudo, não era senão isso mesmo: uma boa carta de apresentação e que, a CGD não era o BPI. E que após a recapitalização a política de crédito da CGD não seria orientada para aumentar os dividendos dos accionistas mas sim fomentar a economia do país, apoiar as empresas, manter o emprego, fomentar exportações, mesmo que tal implicasse ter uma rentabilidade mais baixa que aquela que haveria se a CGD fosse privada.
Acho que foi isso que o dito percebeu, só agora, e quando o percebeu bateu com a porta, talvez por não se sentir confortável, ou mesmo capaz, de estar à altura do desiderato.
Mas ainda bem que o fez. Ele não era o homem certo para a CGD, e antes sair agora, pouco ou nada tendo feito, do que colocar a CGD no rumo errado, seguindo políticas gestão idênticas às de qualquer outro banco privado. Porque, a fazê-lo, poder-se-ia de imediato perguntar: para quê manter a CGD na esfera pública?

Mas a novela é também uma lição para o Governo e para o PS: quando se navega em águas turvas, quando se governa a meia haste e se fazem pactos com o diabo, há sempre o perigo de se sair queimado.

sexta-feira, novembro 25, 2016

SERÁ QUE A RESPONSABILIZAÇÃO POLITICA, PODE IMPLICAR RESPONSABILIDADE CRIMINAL?

RESPONSABILIDADE POLITICA/RESPONSABILIDADE CRIMINAL
SERÁ  QUE A RESPONSABILIZAÇÃO POLITICA, PODE IMPLICAR RESPONSABILIDADE CRIMINAL?

A responsabilidade política nas democracias é um assunto estudado. Trata-se, resumidamente, de determinar a responsabilização do político por decisões que se desviem ou sejam opostas aos objectivos dos cidadãos que o elegeram, ou tenham impacto negativo sobre as suas vidas. Os titulares de cargos políticos têm um dever especial de defender os valores e os bens do Estado. A violação deste dever, além da responsabilização política, pode implicar responsabilidade criminal.
 A responsabilização criminal depende sempre da prática, por acção ou omissão, de factos considerados graves (ou mesmo muito graves) contra o país e a independência nacional (soberania nacional), a Constituição (a alteração ou suspensão das regras constitucionais por meios violentos ou antidemocráticos), o Estado de direito (violação grave dos princípios básicos do direito e também dos direitos fundamentais), os órgãos constitucionais (impedir ou constranger o livre exercício desses órgãos ou dos seus membros), a transparência e a legalidade das despesas públicas ou até a imparcialidade e a autonomia que devem ter as decisões públicas. Segundo a lei que regula os crimes de responsabilidade de titulares de cargos políticos  têm legitimidade para promover o processo penal o Ministério Público.
PERANTE O QUE HOJE FOI AMPLAMENTE NOTICIADO PELA IMPRENSA, QUE MEDIDAS VÃO SER TOMADAS PELA PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA?

"O que é absolutamente irresponsável, é a postura do PSD que, enquanto Governo, procurou esconder dos portugueses a situação em que se encontrava o sistema financeiro". "Por sua responsabilidade, destruiu um banco como o Banco Espírito Santo (BES), conduziu à destruição de um segundo banco, caso do Banif, e se não tivesse mudado o Governo gostava de saber quantos mais bancos teriam sido destruídos. Há um seguramente que teria sido destruído, “a CGD, ou, pelo menos, teria sido empurrado para uma privatização que privaria os portugueses de terem um instrumentos fundamental ao serviço da economia"  O PSD, "não contente com o seu passado de Governo na gestão do sistema financeiro, comporta-se agora na oposição com uma irresponsabilidade total, inventando casos sobre casos, falsas polémicas sobre falsas polémicas, “com um único objectivo, que é ver se evita a concretização dos programas de capitalização e de reestruturação da Caixa e a execução do novo plano de negócios".

 Costa acusa PSD de inventar polémicas para ... - Jornal de Negócios

www.tvi24.iol.pt/...acusa-o-psd-de-inventar-polemicas/583773430cf2884e7b21276a
sicnoticias.sapo.pt/.../2016-11-24-Costa-acusa-PSD-de-inventar-polemicas-para-travar...
www.destak.pt/.../286083-costa-acusa-psd-de-inventar-polemicas-para-travar-plano-d...
www.zerozero.pt/news_rss.php?id=2127
www.lusa.pt/default.aspx?page=home&lang=pt

www.jornaleconomico.sapo.pt/.../psd-quer-travar-plano-capitalizacao-da-cgd-acusa-a...

SERÁ QUE NÃO TEMOS SAÍDA? OU SOMOS OBRIGADOS A VIVER NO “POST-TRUPH”?

SERÁ QUE NÃO TEMOS SAÍDA? OU SOMOS OBRIGADOS A VIVER NO “POST-TRUPH”?


POST-TRUPH” – PÓS-VERDADE – é uma forma de desbrutalização da “aldrabice”, e só se justifica porque desvaloriza o conceito da palavra mentira.

Na leitura do Expresso Curto, (16Nov2016)- senão repararam ainda,  agora todos os jornais “enchem“ a nossa “caixa do correio” de mensagens deste tipo -  pode constatar-se esta frase, bem elucidativa do modo como somos tratados, diariamente, pela nossa imprensa falada e escrita" Alguém está empenhado em fazer dos portugueses atrasados mentais, forçando-os a suportar horas de emissão televisiva sobre o assunto”,  o assunto que a referida jornalista se referia “era a já famosa cuspidela ou não do presidente do Sporting”.
Esta situação que sem dúvida que corresponde a uma enorme verdade, que não é da agora, mas que existe há muitos anos em que a “especialidade informativa” cai na “desinformação e manipulação” das pessoas, dando-lhes o que elas querem ouvir, de acordo com a sua “formatação” mental previamente já estruturada, na convicção que as pessoas não se interessam pelos detalhes – na sua quase totalidade as pessoas apenas lêem ou ouvem os títulos sem se importarem ou se  interessarem por toda a “história”.
Como sabemos ou julgamos saber todos nascemos com um “cerebrozinho quase virgem” que será, ou deve ser ensinado cívica e culturalmente ao longo de alguns anos de vida, sobretudo pelo “ensinamento do exemplo”, pelos pais, família, professores, autoridades etc. E, é precisamente neste universo que se tem falhado redondamente o que dá azo a que se afirme que em Portugal “há muitos casos de atraso mental”. De facto os "ensinadores" e os "exemplos" são da pior qualidade. Mas são infelizmente tantos, tão vastos e premeditados, é bom termos memória e recordar esta frase lapidar, proferida por um “deputado” - “A nossa pátria foi contaminada com a já conhecida peste grisalha”- na sua descoberta de hereges  responsáveis pela “mentira da divida púbica” nos funcionários públicos e nos portadores de cabelos brancos.
A maior parte dos Portugueses estão cansados de ser espoliados, aldrabados, furtados, bifados, gamados, saqueados, surripiados, palmados…. sujeitos  à administração danosa de dinheiros públicos, de mentirosos compulsivos, de impunidades politicas, dos gastos injustificados, que tem conduzido ao completo descrédito da politica e dos políticos que, em vez de não darem cavaco dos seus actos, demonstram uma aparente abertura à opinião pública, cultivando a habilidade de "falar sem dizer nada", verdadeiros especialistas na arte de contar histórias para cidadão ouvir – compare-se a posição assumida por alguns políticos e “comentadores” no caso da devolução dos rendimentos, das reformas e pensões e quando os mesmos foram retirados, para “encher” o bolso dos agiotas financeiros e dos accionistas das grandes empresas, algumas das publicas, “vendadas” ao desbarato – não será que se pode tipificar como crime de administração danosa  a acção desses “desgovernantes”, que infringindo intencionalmente normas de controlo ou regras económicas de uma gestão racional, provocaram um  dano irreparável no património de interesse público?
 É que, salvo melhor conhecimento e segundo sabemos de ouvir dizer a  acusação por crime de administração  danosa poderá ser a única forma que a Justiça (Procuradora Geral da Republica) dispõe para, eventualmente, levar a tribunal os responsáveis pelos  actos praticados e  lesivos para o Estado, mas, por acaso no nosso País a Procuradoria Geral da Republica, alguma vez promoveu esta acção?

O problema é a classe jornalística que fazem parte dos debates e artigos de opinião, não questionarem os políticos de forma frontal o que fariam face á realidade actual. Estão mais interessados a opinarem e deforma veemente o que pensam sem verdadeiramente se discutir o essencial. É confrangedor a falta de rigor e isenção com que diariamente nos entretêm para formatar mentes que deveriam, isso sim, estar devidamente informadas para decidirem em consciência
Eu sou um ignorante no meio de isto tudo confesso, mas apesar de não haver regras a respeito de títulos que não têm nada a ver com o conteúdo da noticia, nós enquanto consumidores de informação não podemos colocar o respectivo jornal em tribunal por utilizar a mentira como forma de as pessoas comprarem exemplares? Não poderá isso ser uma burla? Não existirão associações que protejam os consumidores de informação nestas situações? E se existem onde estão? Onde está o povo português organizado de forma a defender-se dos interesses de quem nenhum carinho nutre pela nossa sociedade?

A não ser que mais vale ficar calado e passar por tolo, do que abrir a boca e desfazer qualquer duvida” (Abrahan Lincoln (1809-1865) 16º Presidente da USA

domingo, novembro 20, 2016

COMO VEJO A "NOVELA" DA CAIXA!

COMO VEJO A “NOVELA” DA CAIXA!

“Será um exagero dizer que o ridículo mata. Mas, mesmo que não mate, não deixa de ser ridículo”

A propósito da “actuação novelística” sobre a Caixa Geral de Depósitos, tenho estado atento, às muitas perguntas, digo até todas as perguntas, tem claramente uma intenção – obter uma resposta, fosse ela qual fosse, que implicasse o primeiro ministro na “denominada dispensa dos  os gestores da entrega de todas as declarações”  " nada mais. Qual tem sido de facto a intenção dos jornalistas? A demissão do primeiro ministro e possivelmente eleições antecipadas, como já “reivindica”, lá no fundo da sua mente o chamado mentiroso compulsivo? Não me refiro ao Trump!

Sabem ou não sabem a jornalista que o que foi alterado foi o Estatuto dos Gestores Públicos ( DL n.º 39/2016, de 28 de Julho que alterou o DL n.º 71/2007, de 27 de Março ESTATUTO DO GESTOR PÚBLICO) e  que, este diploma legal, não tem, nunca teve qualquer norma referente à apresentação da declaração de património e rendimentos – isso foi uma pura invenção, cuja repercussão tem vindo, quase diariamente a ser retransmitida por alguns pseudo jornalistas, pelo “mentor” Marques mentes Mendes?

Mas quero dizer  muito claramente que não vou discutir se juridicamente a declaração de Património e Rendimentos por parte da administração da CGD, deve ou não ser entregue ao Tribunal Constitucional, pois  julgo que o pomo da discórdia não está aí. O que está em causa é essas declarações serem ou não de consulta pública.
As declarações são entregues no Tribunal Constitucional para que numa primeira fase se veja se existem incompatibilidades entre a propriedade e o cargo e, numa segunda fase se veja se existe aumento de património incompatível com os rendimentos que foram auferidos durante o respectivo mandato.
Para isso não me parece necessário que a consulta da documentação seja pública (isto é ao alcance da coscuvilhice jornalista). A consulta desse tipo de documentação, seja da administração da CGD, seja de titulares de cargos políticos ou cargos públicos, deve ser restrita aos órgãos do Estado a quem compete as verificações acima referidas , como por exemplo a Procuradoria Geral da Republica ou o Tribunal Constitucional.
Ou será que para os tais “jornalistas”, já não será suficiente a existência de autoridades próprias para fiscalizar se as pessoas cumprem ou não as suas obrigações? Por outro lado, salvo melhor conhecimento nesta matéria, não compete aos governos, num estado de direito, o exercício dessa fiscalização?
Também sabemos que há alguns jurisconsultos que que argumentam que a Lei 4/83 que impõe as regras de fiscalização aos titulares de cargos públicos não se aplica ao caso concreto, há outros que são de opinião contrário, pode o Tribunal Constitucional decidir, ou não?  Então qual é a intenção da repetição da mesma pergunta ao primeiro ministro? Não é informar de certeza!
 Será assim tão difícil informar com verdade? Quando é que sabemos quem foram os    responsáveis pelo facto de os portugueses,  serem obrigados a pôr-se de cócoras e pagar milhares de milhões de euros, como aconteceu no desgoverno de Passos e Portas, que durante cinco anos nada fizeram, mas sobre isso nenhuma nenhum jornalista acha importante “investigar”, porquê?
O porquê do silêncio cúmplice, deliberadamente cúmplice, feito sobre o caso da “listagem dos pagamentos do Espirito Santo” e da “lista dos panama papers?”, 
Comungo da opinião de alguns de que temos hoje em Portugal um  problema na classe jornalística, nomeadamente os que fazem parte dos debates e artigos de opinião, não questionarem os políticos de forma frontal o que fariam face á realidade actual. Estão mais interessados a opinarem e que deforma veemente o que pensam sem verdadeiramente se discutir o essencial. É confrangedor a falta de rigor e isenção com que diariamente nos entretêm para formatar mentes que deveriam, isso sim, estar devidamente informadas para decidirem em consciência. É confrangedor quando os olhos se voltam para aquela triste figura de Passos Coelho, em seu sentar cinzento e aperreado, símbolo dum esbracejar tonto que nem a comunicação social consegue tirar da mediocridade oca.

Apesar disto, ainda sou um crente no estado de direito, mas começo a sentir algum cansaço, bem sei que é da idade!

Armindo Bento

Economista aposentado

sábado, novembro 19, 2016

AS “TRUMPULHICES” E OUTRAS COISAS MAIS….!

AS “TRUMPULHICES” E OUTRAS COISAS MAIS….!

Como todos, julgamos saber, ou de outro modo julgo que todos devemos saber, a política tem razões que a razão desconhece e, será por isso que vivemos em estado de negação.

Convêm relembrar que em democracia, ainda vale o voto individual, acima das opiniões dos comentaristas encartados e preconceituosos que sabem tudo, mas não sabem mesmo nada. Se toda esta gente que prolifera e vive à custa dos “meios de informação”, há quem prefira a palavra “desinformação”, ainda não percebeu que as pessoas estão infinitamente fartas dos políticos e do discurso político – lá como cá quer dizer, do Poder e da sua mentira – ou já não nos lembramos que acabamos de passar por longos cinco anos de desgoverno, que teve a mão leve a rapinar os rendimentos dos portugueses, quando durante o período eleitoral havia feito um rol de promessas que não cumpriu?
É preciso relembrar a alguns “esquecidos da tola” que a liberdade é um bem, a maldade um veneno, a recordação um perfume e  a memória um privilégio – daqui um apelo à memória dos povos, que surripiados em cada época, de uma maneira que reveste certos contornos: os “cegos profissionais preferem não ver, senão tarde demais…….ficamos com a sensação que lá as eleições foram a fingir! Isto é de ficar enjoado pelo cinismo e hipocrisia de alguém ter usado a mentira para conseguir ser eleito, mas será que não foi essa a postura de Passos Coelho em 2011? 
Todos já sabemos o que aconteceu depois – quem pagou as “favas”, através do saque, do palmar dos rendimentos foram todos aqueles que pagam impostos, isto é cerca de 40% dos portugueses que são eleitores, pois, como todos devemos ter a noção cerca de 50% dos eleitores não paga impostos e, cerca de 10% enriqueceu muito mais durante esse período de “escuridão” que passou por este canto peninsular.
Li algures  que, “O esquecimento é uma poderosa arma política que compõe a panóplia de mecanismos orwellianos que são uma parte importante da acção político-mediática dos nossos dias.”O esquecimento é muito importante exactamente porque faz parte de um contínuo entre a política e os media dominado por um “jornalismo” sem edição nem mediação centrado no imediato e no entretenimento, com memória abaixo de passarinho. “Ele vive hoje dos rumores interpares nas redes sociais, de consultas rudimentares no Google e não se dá ao trabalho sequer de ir ler ou ver como se passaram os eventos sobre os quais escreve e fala, há um ou dois anos. O tempo mediático é cada vez mais curto e isso é uma enorme oportunidade para uma geração de políticos assessorados por “especialistas em comunicação”, agências de manipulação e uma rede de influências no próprio círculo jornalístico, em que cada vez mais existe uma endogamia de formações, de habilidades e ignorância, de meios e métodos, e de confinamento social e cultural.”
É por isto que me causa alguma admiração que uma das maiores, senão a maior novidade politica da “ era Trump”, tanto quanto julgo saber de ouvir dizer é a formação do governo, que para além dos três filhos – impensável em Portugal ou na Europa – os restantes membros têm mais de 65 anos e sobre isto nem uma palavra dos ditos comentaristas – eu diria que talvez seja engulho de constatar que a denominada “peste grisalha” vai governar nos “states”?
Declaração de interesses: não engulo Trump e o que ele politicamente representa nem à força, mas tenho que reconhecer que as auto-designados “comentadores políticos camuflados”, tantas vezes cegamente agarradas às suas cartilhas sagradas, tendem a esquecer o cidadão comum e os problemas muito reais que ele enfrenta. De vez em quando, essas “pretensas elites” precisam de um abanão que as traga de regresso à realidade. Talvez esse seja o efeito mais positivo da eleição de Trump. Quanto à sua governação, vamos ver…… Ora, a minha convicção é que este modus operandi é apenas um refugio para se disfarçar um certo atrofiamento cerebral que eles mesmos têm a noção de possuir e que a lição sirva para alguma coisa neste lado de cá!
Há quem diga que o tempo é eterno, nesta nova era em que a manipulação se junta à tecnologia para favorecer os nossos preconceitos, mas nós não o somos. Talvez bem lá no fundo, em que todos os dias assistimos a um “chorrilho de mentiras” que são alegremente repetidas pelas televisões, comentaristas e outros artistas, ávidos de audiências prontos a devorar o discurso politicamente incorrecto, seja nosso desejo seguir o tempo. Mas, todos nós já sabemos que tal não é possível.

sexta-feira, novembro 04, 2016

SERÁ QUE FUI ROUBADO, FURTADO OU SAQUEADO?

 SERÁ QUE FUI ROUBADO, FURTADO OU SAQUEADO?
(Quem furta não se torna proprietário, limita-se a subtrair a coisa.)

Podem crer que já estou a ficar bastante “baralhado”, e já não sei se fui “roubado, saqueado ou furtado”, ou ainda mais uma série de “qualificativos” para os factos de os meus rendimentos provenientes do trabalho e dos descontos de mais de 42 anos, terem sofrido, ou do mesmo foram subtraídos uma parte, durante o desgoverno de Passos e Portas, com um “decréscimo acentuado” e não previsto, cativação pensava eu, mas  que afinal não foi restituída, embora tenha sido declarada inconstitucional pelo respectivo Tribunal Constitucional, mas que o dito desgoverno de Passos e Portas não cumpriu. E eu a pensar que a desobediência ao não cumprir uma lei era crime. Ou já não será?
Mas agora, tendo sido despachada aquela “trupe”, que nos “rapou” e se apoderou de parte dos rendimentos, reformas e pensões, e quando vivemos num clima de paz social, sem crispações entre órgãos de soberania, e com alguma esperança que possamos finalmente, fazer ouvir a nossa voz na Comunidade Europeia e no Mundo, ao contrário de Passos e Portas (entretanto substituído pela Cristas) que nos desgovernou, que não criou paz social, que “arranjou” conflitos sérios com o Tribunal Constitucional e que foram subservientes com a CE e o resto do Mundo, proclamam agora, qual virgem ofendida, a sua paixão pela justiça social e pela luta contra a pobreza e desigualdades, esquecendo-se que já não vamos em cantos de sereias, nem em hipocrisias de última hora.
Claro que temos memória e bem sabemos que com Passos Coelho, a “dita sobretaxa era para manter até 2019”. Esqueceram-se? Esqueceram-se convenientemente de “todas as malfeitorias” muitas vezes ilegais e inconstitucional no Governo PSD-CDS. Por isso, é essa a nossa convicção de que o governo actual, vai de facto “acabar” com esse “surripio” dos rendimentos dos portugueses, já em 2017, não no fim, mas no principio – ou como diria o outro “se rapinar é tanto subtrair com violência como "roubar ardilosamente", então rapinar pode ser sinónimo tanto de roubar como de furtar!”
Na verdade, na linguagem de todos os dias, furto e roubo significam o mesmo. Mas, para a lei, não. Se através do furto, alguém apropria-se de forma ilegítima de um bem de outra pessoa, já quanto ao roubo o mesmo é feito “por meio de violência contra uma   pessoa, de ameaça com perigo iminente para a vida ou para a integridade física, ou pondo-a na impossibilidade de resistir”. Em resumo, no roubo há uma subtracção com constrangimento ou violência; no furto a subtracção não comporta constrangimento ou violência.
A este propósito não deixa de ser “muito interessante” que o tão propalado inquérito parlamentar à Caixa Geral de Depósitos, a dita Auditoria Forense, à mesma ou até a tão noticiada acção do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) de um “ inquérito à Caixa Geral de Depósitos por suspeitas de gestão danosa”, tenha “desaparecido” da “nossa imprensa” e por isso, salvo melhor conhecimento nesta matéria, teríamos que perguntar: Para onde foi o dinheiro que “parece” que desapareceu? Quem foram os beneficiários desses empréstimos? O património pessoal dos principais responsáveis não responde, ou não tem que responder por esses “desvios”? Que garantias havia para esses empréstimos? Ou será que o tal “loby” tão poderoso tomou conta do assunto? Cumpre ainda perguntar, o que aconteceu com o desgoverno de Passos, neste quase cinco anos, que ignorou por completo a existência destes créditos e não fez nada para sanar esta situação?
Como alguém dizia “mentir várias vezes em benefício próprio vai diminuindo a reacção do nosso cérebro à desonestidade. E, assim, mente-se cada vez mais”.  Esperemos que não se trate de mais uma manobra cosmética para “inglês (alemão) ver”. Parece cada vez mais claro que a Europa precisa de um tribunal supra-nacional dedicado a combater crimes financeiros, possivelmente a funcionar nos moldes do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Não faz sentido serem os contribuintes a pagar resgates de bancos por gestão danosa em Portugal ou em qualquer outro País.
Daqui a minha duvida inicial o saber qual a diferença entre roubar e furtar e creio que instituições que empregam um português correcto e profissional também o não sabem!
É normalíssimo porque estamos a assistir a uma grande luta entre os vários grupos de pressão para dividir o que existe. Portugal é um país desenvolvido, é um país rico. Há muito para dividir. E é essa luta entre quem perde e quem ganha que se está a desenvolver. A defesa ideológica de certas posições é isso mesmo, daí tentar atacar.”
(http://expresso.sapo.pt/economia/2016-10-30-O-colapso-financeiro-de-Portugal-segundo-Joao-Cesar-das-Neves)

Sem comentários!!!!

sábado, outubro 29, 2016

SERIA “BURLESCO” SE NÃO FOSSE GRAVE!

SERIA “BURLESCO” SE NÃO FOSSE GRAVE!

Nunca será possível ultrapassar por lei a falta de ética das pessoas. Se alguém não é sério, é uma questão de tempo para isso surgir”. (Dr. Rui Rio ex-presidente da Camara Municipal do Porto)

Num País, como Portugal, onde a imprensa se diz “ livre” e o direito à liberdade de expressão é um valor que tem consagração na Constituição, somos levados a pensar que “vivemos no melhor dos mundos” com condições de exercício de cidadania claros e transparentes, sem ter a “sensação” de que uma prática insidiosa de propaganda politica é introduzida sistematicamente de forma dissimulada, diariamente, e quase sem excepções no chamado “jornalismo”, em “obediência” a suas estratégicas de clara manipulação, quer no tocante a falta de pluralidade de opinião nos painéis consultados, induzindo o público na errada percepção de que há apenas uma solução para um determinado problema; quer a nível opinativo, com opiniões enviesadas que são apresentadas como factos objectivos.
Aliás, cada vez é menos compreensível porque não é seguida a prática de outros países, onde este problema, que enfraquece a nossa democracia, e cuja responsabilidade não pode ser só assacada à classe politica, mas também à comunicação social e à justiça, é controlado através da declaração pública de interesses. Isto é, por cá isso não se passa, e os espaços de informação estão repletos de opinadores que são apoiantes de determinados partidos – muitas vezes, são até filiados nesses partidos –, mas não declaram a sua sensibilidade política.

 Segundo julgamos saber os deputados na Assembleia da República, tem em preparação um “novo pacote da transparência na vida pública”, sendo que na vida pública não se pode considerar apenas os políticos, mas também, “os magistrados, os detentores dos órgãos de comunicação social e os editores desses órgãos, e aqueles que condicionam o que sai, como sai e se saia quem deve ser exigido a respectiva declaração de interesses.

 Num país onde ainda há imenso a fazer pela literacia política e económica dos cidadãos, este tipo de propaganda política, disfarçada de jornalismo independente, é uma das maiores ameaças à nossa liberdade e formação intelectual. Isto é uma receita para o desastre, para a descredibilização do jornalismo. Nos jornais, os “opinadores televisivos” insistem na esquizofrénica teoria de que os trabalhadores devem ter menos direitos laborais e salários mais baixos, pois isso é para seu bem. Nos indicadores económicos, verificamos que a desigualdade distributiva – o fosso entre mais ricos e mais pobres – e o nível de vida dos portugueses têm vindo progressivamente a agravar-se. Se cortar direitos e salários fosse solução para a situação económica do país, Portugal estaria agora a viver uma prosperidade fulgurante. E, no entanto, sabemos que esta política trouxe apenas mais dívida pública, mais desemprego e mais pobreza. Paradoxalmente, hoje sabemos claramente que entre os economistas, tanto em Portugal como no estrangeiro, cada vez é mais forte o consenso em volta da constatação de que a austeridade foi um erro colossal, tendo causado estagnação crónica em alguns países e agravado ainda mais as contas públicas noutros, com impactos gravíssimos nos indicadores da actividade social e económica desses Estados

Mas cá, estranhamente ou talvez não, os zés e os camilos deste país insistem: “isto estava a correr bem e era preciso cortar ainda mais.” E, quando são contestados, lançam a carta da vítima, alegam que estão a ser pressionados e dizem que a Esquerda lida mal com a liberdade. Os tipos que usam o seu papel privilegiado no jornalismo económico português para fazer propaganda pela Direita são os mesmos tipos que alegam que a Esquerda lida mal com a liberdade. Isto é um pouco como a equipa de futebol que não têm capacidade para ganhar um jogo, a queixar-se de que perdeu o jogo por má arbitragem.

Vide nas Redes Sociais
Publicação  de um artigo de Camilo Lourenço e o vídeo com as declarações de José Gomes Ferreira podem ser consultados aqui: