segunda-feira, maio 22, 2017

A IRRESPONSABILIDADE TEM UM CUSTO?

A IRRESPONSABILIDADE TEM UM CUSTO?


Como já quase todos, ou a maior parte compreendeu a generalidade dos políticos ou são destituídos de dotes de raciocínio, ou tratam os portugueses como mentecaptos, ou ambas as coisas. Quando nos tempos que passam, diariamente somos “invadidos” pelas suas afirmações, declarações e outro género de intervenções que são motivo para que fiquemos apreensivos e, para não ficarmos seriamente deprimidos ao ponto de termos que meter baixa, aconselho que desopilemos com uma sonora gargalhada.
Considero que política, como exercício público, é algo de fabuloso - sobretudo no poder local, onde se está mais perto dos problemas das pessoas. Mas como exercício formal, institucional e de poder, é duma extrema pobreza. Não consigo perceber o fascínio de tanta gente que vive obcecada pelo mundo da política. Isto até era engraçado para ir, viver e desaparecer. A política é terrena, cheia de amuos, de mesquinhez, de carneirismos, de subserviência e de medos. O medo é, aliás, a palavra essencial para definir a política.
Na verdade a classe política, não é só em Portugal, tem patamares de reputação próximos do zero. As pessoas não se sentem representadas pelos que se sentam em Parlamentos ou ocupam cargos executivos e têm nojo dos que se servem da política – uma nobre e importante profissão – para fazerem negociatas ou que dali se promovem para saltar para empresas com opíparos salários que nunca alcançariam se não se servissem da mesma.
Maus políticos, maus gestores, maus jornalistas, maus comentadores estão a levar as democracias para o seu “hara-kiri” à vista de todos. Um editorial, hoje, vale menos que um post, um comentador televisivo tem menos influência e notoriedade que alguns que escrevem com verdade nas redes sociais. Mas a culpa é de quem promove a mentira e de quem escreve ou fala uma montanha de “pós-verdades”. De quem na sua mediocridade tece uma teia de protecção aos medíocres da sua igualha que, assim, vão sobrevivendo numa sociedade que nada tem a ver com a do século XX e que clama contra as fraudes e os vendedores de banha da cobra.
Mas há um labirinto que se se sobrepõe a esse. É o labirinto de pequenas e grandes explicações e pseudoexplicações que, no essencial, visam mais iludir-nos sobre o que se está a passar do que ajudar-nos a compreender. A mentira tem-se imposto à verdade. E uma comunidade mentirosa e pouco escrupulosa, onde a opacidade se sobrepõe à transparência, é o lugar onde grassam o pior das emoções e sentimentos humanos.
A política profissional pede também uma opinião pública e publicada exigente e interventiva. É verdade que a televisão e as redes sociais mataram os intelectuais públicos um pouco por todo o mundo. Já não há Vencidos da Vida nem grémios literários para refletir e exigir. Estamos no século dos pundits. Só que em Portugal contam-se pelos dedos de uma mão os pundits. O espaço público está totalmente dominado por políticos ao serviço das agendas partidárias ou do tráfico de influências. O debate é sempre dominado por generalidades e banalidades no modelo frente-a-frente. Não há debate especializado, sério e exigente. Os partidos já nem fazem o mais elementar esforço de ter porta-vozes temáticos.
Sem produção de conhecimento e sem pundits, tudo começa e acaba nos partidos. É nesse contexto que uma classe política profissional se torna um problema sério. Porque sem produção de conhecimento e sem pundits só há mesmo os jotinhas. E o resultado, como sabemos, não é muito agradável. Porque, infelizmente, nos falta tudo o resto!“ Há perigo de a vida económica e politica portuguesa ser dominada por grupo de interesses que se opõem às transformações substituíveis de beliscar os seus privilégios. Há muitos destes grupos de interesse com que devemos preocupar-nos, incluindo alguns dos sindicatos mais poderosos do sector público.” (prof. Doutor Silva Lopes in «Expresso» - Economia - de 4 de Setembro de 2004 Mas quem sou eu para dar conselhos? Nem conselhos e muito menos lições de moral! Mas, posso afirmar e dizer com toda a clareza que a vida tem um custo e somos nós que, quer concordamos quer não, que determinamos esse custo.  Mesmo quando não nos apercebemos disso, aprendemos à nossa custa a irresponsabilidade de uma decisão mal tomada! Ou como diz o ditado popular “o voto é a arma do povo, no fim de votar fica desarmado”

segunda-feira, abril 17, 2017

VOLTAR À NORMALIDADE DO DIA A DIA!


Agora que aos poucos o nosso País retoma a normalidade não podemos nem devemos esquecer o que se passou neste nosso País entre 2011 e 2015 em que fomos vitimas de um dos lados mais execráveis da política económica que nos foi imposta por Passos Coelho e que, em certos aspectos “algo doentio” a forma como esse primeiro-ministro ia adoptando uma agenda económica, que não tinha sido apresentada aos eleitores. Passos Coelho não arranjou argumentos de natureza económica para justificar as suas medidas de austeridade extremas, optou por uma estratégia que visava quebrar a auto-estima dos portugueses.
Há grandes semelhanças entre a forma como o governo de Passos Coelho tratou os portugueses e o que se passa com as mulheres que são vítimas de violência doméstica. Nestas situações o abusador tenta quebrar a auto-estima da vítima incutindo-lhe um sentimento de culpa, que a condiciona na resposta. Muitas vítimas de violência doméstica sentem-se culpadas, chegam até a pensar que são vítimas de violência por culpa própria, acabam por se sujeitar e na maior parte dos casos são incapazes de quebrar esse círculo vicioso.
O argumento usado por Passos Coelho e alguns dos seus ideólogos foi o de que a austeridade foi consequência do excesso de consumo. Os portugueses tinham culpa e deviam espiar os seus pecados, eram culpados por gastar o que não tinham, por ter férias em excesso, por gozarem mais feriados do que os alemães. Durante meses fomos comparados com os alemães, de um lado os gandulos que gostam de consumir o que é dos outros, do outro um povo exemplar, trabalhador, poupadinho e amigo do patrão, era o próprio primeiro-ministro e os seus ideólogos que justificavam a suas medidas como castigo merecido.
“Não se tratava de uma política económica, era um castigo, uma auto-flagelação merecida por pecadores, os pobres e a classe média abusaram do crédito para consumirem acima do que podiam, tinham de expiar os seus pecados, a legislatura foi uma imensa semana santa, com um pecador convencido da culpa a assumir os seus pecados. O ministro das Finanças era o “bispo”, Passos Coelho o confessor que determinava o castigo que voltaria a abrir as portas do céu a um povo pecador.”
Aos poucos o País vai saindo do pesadelo que lhe foi imposto, da manipulação psicológica que lhe foi imposta, o cidadão comum deixou de sentir um peso na consciência por gozar férias ou por usar o cartão de crédito. Acabaram-se as intervenções idiotas de Gaspar, os discursos irritantes do agora rico Paulo Portas ou as baboseiras económicas da iletrada Maria Luís.  

Aos poucos o nosso País retoma a normalidade, pois  temos, como sempre tivemos, o Sol, fado e o futebol. E com algumas poucas virtudes e alguns defeitos, nomeadamente “dos nossos políticos”, contam-se pelos dedos de meia mão, aqueles que revelam colocar o primado da Lei democrática e da decência comunitária acima das paixões e da decadência. Que mais podemos querer?

sábado, abril 01, 2017

ATÉ QUANDO VAMOS FINGIR QUE NÃO PERCEBEMOS?


De acordo com a nossa percepção das coisas, a maior parte das pessoas sabem que na política há portuguesa há muito lugar para o combate trauliteiro e lugar nenhum para a sensatez e os compromissos no interesse público da generalidade dos cidadãos.
Ainda a propósito do sucesso politico na gestão das contas publicas em 2016, não me parece estranho que Passos Coelho tenha falta de memória, é que depois de ter prometido votar no PS se este respeitasse as metas do défice, de ter apelado à direita europeia que boicotasse o governo, de ter esperado a rejeição do OE pelo Eurogrupo, de ter exigido um plano B, de ter anunciado a vinda do diabo, não consegue aceitar os resultados! Mais parece um presidente de um clube desportivo mau perdedor, a dizer que houve um penalti por assinalar!!
Este e outros mais fazem parte daquele “grupo” de políticos, que “conseguiram capturar parte do poder politico” que gostam de navegar algures entre a ilusão e a irrealidade, o malabarismo e a irresponsabilidade, a propaganda e a manipulação e as inverdades e os factos alternativos, sem qualquer profissionalismo num reino de amadorismo, formando um grupo de políticos palavrosos e inconsequentes, na imitação de uma turma de liceais imprevisíveis, incoerentes e incapazes de perceber onde estão e ondem vivem.
Na verdade o que esta “gente” não quer aceitar é que o sucesso nesta redução do défice é extremamente positiva, e por várias razões: Demonstra à saciedade que existia alternativa ao “não havia alternativa”! Que essa alternativa não passava pela simples austeridade sempre sobre os mesmos, (reformados, pensionistas e os que vivem do salário), tidos por únicos responsáveis pelo descalabro das contas públicas. Porque se demonstra que os Bancos portugueses (melhor banqueiros) e internacionais, os verdadeiros grandes responsáveis tinham, não pés de barro, mas pés de areia e movediça… Que a paz social, as reversões e a confiança geral que, por si só, impulsionam a economia, são mais importantes que quaisquer discursos macroeconómicos, sempre discutíveis e dependentes de posicionamentos ideológicos já caducos.
Também é verdade que não basta ter descido em 2016. É preciso que a trajectória continue descendente, e o Governo assim promete e tem orçamentado. Porquê? Porque só assim se fundamenta sem quaisquer hesitações e suspeitas por parte das instituições europeias a sua sustentabilidade e a certeza de um caminho correcto para afirmação política deste Governo e desta solução governativa. E quando se fala em pelotões, como se de uma prova ciclista se tratasse, é bem melhor ir à frente, do que se ter que fazer um esforço de recuperação que pode ser inútil.
Por isso, neste momento, tendo-se alcançado aquilo que nunca se alcançou, tendo-se conseguido uma afirmação perante a CE que não existia, sendo possível apresentar argumentos, em suma, creio ser salutar continuar este caminho, para mim o caminho certo. Quem não estiver de acordo que objecte e apresente outro “Não são tempos para brincar, mas brinca-se!” Até quando vamos nadar a fingir que não vemos ou não percebemos?
Armindo Bento (Economista –aposentado)



terça-feira, março 28, 2017

O PAÍS ONDE TUDO ACONTECE OU NADA APARECE QUE ACONTECE !

O PAÍS ONDE TUDO ACONTECE OU NADA APARECE QUE ACONTECE !

Como bem avisou Oscar Wilde, com o seu sarcasmo imbatível, “se disseres a verdade, vais ver que, mais tarde ou mais cedo, vais ser descoberto”. Talvez sim ou talvez não, há por vezes esses sobressaltos que nos fazem pensar vivermos num País onde tudo acontece ou pode acontecer.

Quando na passada semana me encaminhava  para o Cais do Sodré,  apreciando o novo passeio ribeirinho, na Ribeira das Naus “olho o tejo” e vejo um cacilheiro, navegando lentamente, o que é normal em passeios turísticos,  o que me levou a reparar que se tratava do cacilheiro "Trafaria Praia", (que pertenceu à frota da Transtejo) que foi transformado em obra de arte pela artista Joana Vasconcelos, e terá em Maio de 2016 regressado ao rio Tejo,  “para uma operação turística combinada de percursos fluviais entre a Ribeira das Naus, no Cais do Sodré, o Terreiro do Paço e Belém “ (pesquisa no Google!!) Este cacilheiro, que representou Portugal na Bienal de Arte de Veneza de 2013, terá sido “adquirido” pela emresa DouroAzul e terá realizado cruzeiros no Tejo entre Abril e Novembro de 2014, tendo regressado a esta operação fluvial e, Maio de 2016.(recurso à Google….)

Ora acontece segundo julgamos saber a operação de navegação no rio Tejo carece de uma licença para esse efeito, que é concedida, ou era, pela Administração do Porto de Lisboa e por isso, causa-nos alguma surpresa dado que essa mesma licença “para ocupação e uso privativo dos bens imóveis do domínio publico hídrico e do domínio privado, exclusivamente afecto à exploração dos transportes fluviais no rio Tejo” foi cedida por “contrato de concessão” à Transtejo-Transportes Tejo SA, que também foi incumbida “ directa ou indirectamente através de sociedades por si dominadas ou controladas, a organização e gestão do serviço de transportes fluviais no estuário do Tejo”, como pode “legalmente” tal operador promover percursos fluviais no estuário do Tejo?
Por outro lado, tanto quanto eu sei as Autoridades Marítimas são rigorosas nas autorizações de navegação, muito mais no estuário do Tejo dado o elevado numero de operações fluviais regulares que operam em conjunto com os “gigantes marítimos” que nos visitam, quer a nível turístico, quer de carga por via marítima, e também penso que o bom senso não permite que as empresas operem sem os  certificados de autorização de navegabilidade no estuário do Tejo, o que nos pode levar a concluir, embora já todos certamente formámos opiniões apressadas e fomos demasiado lentos a mudar de opinião, que haverá mais um “operador fluvial no estuário do Tejo”?


Talvez por isso, não pude deixar de me lembrar da forma como José de Almada Negreiros, “Poeta d’Orpheu, futurista e tudo”, escreve num seu texto onde zurze sem dó nem piedade: “Entretanto, a nossa querida terra está cheia de manhosos, de manhosos e de manhosos, e de mais manhosos. ”. O texto foi publicado no Diário de Notícias em 3 de Novembro de 1933. E por isso, não vou escrever o óbvio!

quinta-feira, março 16, 2017

OS FACTOS ALTERNATIVOS NA DITA “Justiça” em PORTUGAL!!

Como era a voz do povo, em tempos idos “ a justiça come-se com pão e chouriça” ou "a injustiça feita a um, é uma ameaça para todos", isto a propósito da “diarreia” na imprensa portuguesa sobre o denominada “operação marquês”, que como se lembram é um caso judicial que há três anos envolve (além de mais de duas dezenas de outros arguidos) o antigo primeiro-ministro José Sócrates, sendo que há meses que o dia 17 de Março era apontado como decisivo, dado tratar-se do prazo limite fixado para a conclusão da investigação. Ou se acusa ou se arquiva, como disse o professor Freitas do Amaral “prender-se um antigo primeiro-ministro durante quase um ano, com vista a recolher provas para uma acusação, e depois já passou mais três anos e tal e não há acusação nenhuma, acho que isso é um mau exemplo da justiça portuguesa”.
Aqui, permitam-me  um ponto prévio. Independentemente da maior ou menor proximidade ideológica, da convicção pessoal de cada um em relação à culpabilidade ou inocência de José Sócrates, não devemos deixar de lamentar o tempo que toda esta investigação demorou. É, manifestamente, demais. Três anos sem uma acusação e com medidas de coação e até uma prisão preventiva pelo meio é algo que não abona a favor do nosso sistema judicial.
Entretanto, segundo alguma imprensa José Sócrates volta esta segunda-feira a ser ouvido pela equipa que investiga a Operação Marquês. O Ministério Público vai ter uma maratona de interrogatórios na próxima semana, para conseguir acabar a acusação ao processo. Contudo, ainda não é certo que o prazo imposto pela Procuradoria-Geral da República seja cumprido!! Para além de o advogado de José Sócrates dizer que por um lado “ não faz sentido ouvir antigo primeiro-ministro três dias antes de ser conhecida a acusação” e por outro o Dr João Araújo esclarece ainda que José Sócrates não foi notificado para o interrogatório de segunda-feira. A notificação foi feita apenas para o advogado.
Esta situação configura-se como o descrédito total do ministério publico e do “empenhado juiz...” Estou convencido que com a acusação adiam apenas o descrédito, para os poucos que ainda são crentes... Uma coisa é certa este caso foi um enorme fiasco e isso determina que o seu desfecho vai ser um fiasco ainda maior...As convicções, em direito, não fazem prova... Como é óbvio, o MP não pode afirmar peremptoriamente nada. Apenas pode "estar convicto de", "suspeitar de", em resumo, presumir actos ilícitos e juntar material de prova que, em Tribunal deverão servir, aí sim, para provar alguma coisa. Ninguém a não ser o Tribunal pode afirmar a culpa de alguém.  
 A justiça Portuguesa só pode ter uma saída deste processo para que não se ressalve a pouca credibilidade que tem aos olhos da maioria dos Portugueses. A única saída é incriminar/acusarem Sócrates, o que já fizeram na praça pública, para que os atropelos à justiça evidenciados neste processo pelos procuradores sejam branqueados. Quem pagou estas “imbecilidades” foram os impostos dos portugueses, enquanto deixavam “voar por entre as mãos” milhares de milhões para a  offshores!
Até hoje Nnda de novo. Para pasmo dos ingénuos e gáudio dos cínícos, é levantado um pouco o véu do que são a práticas frequentes no mundo dos negócios. Ao sabor da sorte e das circunstâncias (incluindo quem está por cima na política num dado momento crítico), uns acabam vilões enquanto outros acabam milionários e pilares da sociedade. Um outro exemplo, onde para o apuramento das responsáveis pelos milhares de milhões desbaratados na Caixa Geral de Depósitos?

 Duma coisa podemos ficar certos: terminada a selectiva, como tem sido aludido, ronda justiceira (com palmas!) no essencial nada vai mudar muito. Como dizia Tomasi di Lampedusa (Il Gatopppardo) "há sempre um momento ... em que é preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma".

quinta-feira, fevereiro 23, 2017

A VERDADE É COMO O AZEITE. “VÊM SEMPRE AO DE CIMA”

Pode-se muito legitimamente não gostar, nem concordar com determinadas opiniões. E eu não gosto da “tendência” actual e “maioritária” forma de “fazer noticia”, quem mais não é que uma tentativa de “criação de factos”, com objectivos de defesa de interesses privados em detrimento do interesse publico. Não temos duvidas que neste caso concreto do que se “designou chamar” – de inquérito parlamentar à CGD – mais não é que uma tentativa desesperada de determinados agentes políticos, maioritariamente do PSD e do CDS que procuram “ensarilhar” o sistema politico de modo a privatizar a Caixa Geral de Depósitos, prosseguindo o propósito enunciado pelo desgoverno de má memória de Passos Coelho.
Neste caso concreto está também, bem claro que o  PSD e o CDS-PP procuram explorar o nicho da devassidão da vida privada dos cidadãos, e isso é inconstitucional e por isso ilegal e para criar um facto político, violando a Constituição e a lei, que não permite o acesso a comunicações pessoais. a violação do segredo da correspondência ou das comunicações constitui inadmissível ataque ao direito à reserva da vida, estabelecendo-se no nº 4 do artigo 34° da CRP a sua inviolabilidade.
Todavia no meu exercício de cidadania não desvio as atenções para questões colaterais que acabam por constituir “faits divers”. E isso nunca faço, já que “A verdade é como o azeite: Vem sempre ao de cima”.
Os critérios editoriais (a hierarquia da informação e a abordagem aos factos) podem e dever ser questionados: Porque é que os mesmos jornais e tvs que ignoraram olimpicamente os números oficiais do défice e do crescimento económico ocupam agora a agenda com aquilo que, mais ou menos grave, se pode definir como uma trica, chicana, futilidade própria da revista numa “promoção acelerada” de “políticos” que queremos esquecer?
Temos que notar que há uma selva no panorama da imprensa no nosso Pais, que descobrimos diariamente num contorno da ausência de quaisquer valores e onde “vale tudo”, mas, não nos podemos admirar pois há muito que se instalou uma deriva de direita no mundo da informação. Estes dias têm sido particularmente vivos na exemplificação da inquinação reinante e no desaparecimento dos traços identificadores da qualidade da opinião, assente num carácter plural que garantia uma clara expressão democrática, de que a informação é causa e efeito.
Perfilho um sistema de valores que incluem a profunda convicção que o exercício da cidadania e em particular o direito de opinião, devem ter uma dimensão ética. Creio firmemente que os meios não justificam os fins, já que os meios utilizados podem pôr em causa valores universais que devem constituir a nossa matriz identitária e o nosso “corpus” doutrinário. À semelhança de José Saramago “Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro.”.
Pessoalmente, recuso-me a ser um iluminado, daqueles que tudo fazem para convencer os outros, ainda que o adagiário nos advirta que “O excesso de luz produz a cegueira”. A partir daí “Sonhava o cego que via” e o que é trágico é que “O pior cego é o que não quer ver”. O iluminado enquanto cego está fortemente condicionado, já que “Um cego não pode ser juiz em cores”, além de que “Um cego não pode ser guia de outro cego”, pois “Se o cego guia o cego, correm ambos o risco de cair”.

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

Outra vez, mais do mesmo? “Cegam” de só ver pensionistas!

 Outra vez, mais do mesmo? “Cegam” de só ver pensionistas!
Num relatório hoje publicado sobre a economia portuguesa, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) refere que as reformas de pensões em Portugal foram feitas à custa dos jovens e dos futuros reformados e que os pensionistas actuais, em particular no sector público, têm benefícios "significativamente mais generosos".
 É por todas estas “coisas” que já não sabemos se a opção de escolha será a “era da pós-verdade” se a de “factos alternativos”?
Para esta dita organização internacional, ao que sabemos sofre influência directa de “neoliberais” que de ex-ministros “falhados” foram ocupar “tachos” bem remunerados, os factos não importam, a veracidade das informações também não, o que interessa são as emoções que a divulgação destes “pseudo-relatórios”, ou supostos “estudos estatísticos” provocam. Começa a ser muito difícil, em tempos da pós-verdade, distinguir as verdadeiras mentiras de factos falsos, dado que há muito se instalou uma deriva da “direita neoliberal”, nesta selva no panorama da imprensa que os que ainda lêem os jornais descobrem todos os dias. 
É sempre a treta do costume. Pressão, chantagem sobre quem tem um pouco de melhores condições de vida e trabalhou e descontou para tal. O objectivo não é a defesa dos mais jovens, mas sim criar condições para reduzir os salários, as pensões de reforma, aumentar a precariedade laboral. Os ganhos, ou melhor os roubos da banca, dos banqueiros, todas as fraudes cometidas e ainda o planeamento fiscal que com a ajuda dos offshore roubam aos estados milhões e milhões de euros, quando o que  importava era que fossem divulgados, com urgência, as imparidades (uma nova forma de dizer as dividas) (as existentes, seus montantes, a identidade dos respectivos devedores, bem como os responsáveis   pela concessão desses créditos mal parados,  nomeadamente os milhões que “desapareceram “ na CGD e no BES. Mas, parece que  tudo isto é uma insignificância para a OCDE e quejandos. Grave, grave são as reformas e pensões o salário mínimo nacional ser de 557 euros!  
É ver as previsões da OCDE e de outros organismos internacionais para 2016 e ver a credibilidade das mesmas. Falharam em tudo e a direita neoliberal em Portugal agarra-se a isto para fazer futurologia e conta com o apoio da imprensa através dos seus  comentadores e em entrevistas sucessivas, onde “truncam” e “manipulam” dados e impõem os “chamados factos alternativos”, quando deviam realçar que os dados estatísticos obtidos foram melhores que as previsões, porque  o modelo de previsão e metodologias utilizadas pela OCDE é inadequado e conduziu a margens de erro graves por subestimar politicas que foram aplicadas, ou existe um enviesamento ideológico que torna impeditivo aos “actores estatísticos” aceitarem critérios adequados à realidade socio-economia portuguesa.
Talvez seja o momento de afirmar que os portugueses precisam de tudo, menos destes “diabinhos” e de outros que vivem da corrupção e das fragilidades do Estado, pois todos nós sabemos que quando se noticia um “facto” que começa a parecer-se com o que sentimos que “possa ser verdade”, torna-se muito difícil distinguir “factos “ verídicos de “factos” que não o são e, não pode ser normal assistirmos a políticos supostamente credíveis a promover mentiras (factos alternativos) apenas porque servem os seus interesses de momento, sem respeito pelo interesse publico, nem pelos cidadãos – já chega de mais do mesmo imputar as reformados e pensionistas os “desvarios” que foram cometidos para “salvar” os banqueiros e agiotas financeiros. Ao diabo que os carregue! Não há discurso possível sobre este assunto e muito menos feito por quem não honra a palavra e faz da vida pública trampolim para tudo, menos para salvar o País. Chega de embuste!

Armindo Bento (economista aposentado

quinta-feira, fevereiro 02, 2017

DONA ARITMÉTICA E OS PROBLEMAS DE MEMÓRIA

DONA ARITMÉTICA E OS PROBLEMAS DE MEMÓRIA!


“Há um proverbio grego que diz: que mais vale tarde do que nunca! Daí não nos admirarmos de que fosse encontrada a explicação de qual era o “diabo” de que Passos falava. Na verdade, eram as armadilhas e as bombas ao retardador que ele e a senhora Maria Luís tinham deixado nas contas públicas. O que eles não sabiam era que o Dr. António Costa e o Dr Centeno tinham o curso de “desactivação de explosivos perigosos e de minas e armadilhas”.  (anónimo)

Uma das constantes e repetidas situações da maior parte dos políticos é terem sérios problemas de memória, só isso explica Passos Coelho ter-se esquecido do perdão fiscal que com Portas lançou em 2013, para não referir os desvios colossais com que iam justificando as doses suplementares de cortes salariais e “fananços” nas reformas e pensões, com que pretendiam lançar a sua desvalorização fiscal do trabalho. O senhor Passos Coelho parece ignorar que em certas matérias lhe falta autoridade moral para questionar ou criticar este ou qualquer outro governo.
Passos anda agora por aí, com apoio da imprensa, e enquanto não seguir os seus conselhos que deu aos outros para emigrarem e saírem da sua zona de conforto, continua por cá, a atentar-nos a inteligência e a sacrificar o País e os portugueses, com retórica e estratégia do quanto pior melhor! É a política da terra queimada como faz qualquer incendiário!
Mas agora compreendemos que Passos Coelho nunca perdeu a esperança num segundo resgate, o que o levaria de novo ao poder par governar sem restrições constitucionais, estava convencido de que as coisas correriam mal. Passos Coelho e a sua Dona Aritmética sabiam muito bem que tinha armadilhado as contas orçamentais de 2016 com a ajuda de Maria Luis sua “fiel professora” . Eles sabiam que 2016 poderia ser dramático, um deslize orçamental tiraria o país dos mercados e forçaria a esquerda  a deixar de apoiar o governo.
Passos Coelho ainda insiste em não perceber que já nem “o diabo” aposta nele, já estamos quase em final de Janeiro, seis meses depois da vinda do mafarrico ter sido anunciada e o líder do que resta do PSD ainda tenta demonstrar que algo correu mal em 2016, mas só ele e sua especialista em aritmética é que o conseguem perceber.
Desde que o OE de 2016 foi aprovado que o Passos mais a Dona Aritmética sofrem de um fetiche relacionado com o plano B, só se excitam enquanto oposição quando lhes vem o dito plano à cabeça.
Mas a Dona Aritmética estava enganado, a armadilha que manhosamente deixou montada não funcionou e o diabo não apareceu. Desde então Passos Coelho anda desesperado para provar que houve mesmo um plano B, daí que agora tenha um fetiche com medidas extraordinárias. Ele que só governou com medidas extraordinárias, com sucessivas renegociações secretas do memorando para acomodar a sua  “pinochetada económica”, vê agora medidas extraordinárias em tudo.
As vigarices feitas com os reembolsos do IVA e com as retenções na fonte de IRS representavam um buraco orçamental digno de ser um “desvio colossal”, daí que Passos tivesse anunciado a vinda do diabo, quando o impacto do buraco fiscal se fizesse sentir na contas, o que sucederia depois de processados todos os reembolsos. A situação seria tornada pública com a divulgação do relatório da execução orçamental de Setembro

E Passos ainda não percebeu como é que conseguiram “que as bombas não explodissem

domingo, janeiro 29, 2017

O PIRUETAS NÃO CONHECE A LEI DE PARETO?

 O PIRUETAS NÃO CONHECE A LEI DE PARETO?

"Há quem se deleite com o triunfo da táctica sobre a substância, do golpe sobre a coerência, da necessidade de um posto de uma liderança partidária sobre o que interessa verdadeiramente aos trabalhadores e às empresas" (Dr. Vieira da Silva) 


Perante os factos…creio que ninguém foi surpreendido pela aprovação do “projecto do PCP e BE”, que cessa a vigência da redução da TSU e que foi aprovado com os votos a favor do BE, PCP,PEV e do PSD com a abstenção do CDS e PAN e os votos contra do PS, e por isso me apetece dizer que o “piruetas” – qualificação dada no debate a Passos Coelho – não conhece, o que também não admira – a Lei de Pareto.
Ao longo do debate, o PSD de Passos Coelho nunca conseguiu descolar da ideia de que a razão maior da birra contra a aprovação da baixa da TSU esconderia na verdade uma oposição ao aumento do salário mínimo, aliás o que ficou bem vincado que o PSD de Passos Coelho “ não está tanto contra esta medida mas contra o aumento do salário mínimo”. Nada disto enobrece ou contribuiu para uma democracia saudável. Este é o problema do PSD. Enredou-se numa teia de factos alternativos num tempo da já insuportável ideia da pós-verdade. Corre agora o risco de cair num mundo distópico, em que a verdade de ontem pode ou não ser a verdade de hoje. Depende das oportunidades e das conveniências Nada disto é normal…!
Quem ontem, teve a paciência necessária para acompanhar nas televisões em direto o debate parlamentar em que se discutiu se a TSU das entidades patronais ou dito de outro modo “dos patrões”, deve ou não baixar, para compensar a subida do salário mínimo (remunerações mínimas garantidas e não o impropriamente classificado como “salário mínimo”- fico na duvida se os “senhores políticos e jornalistas sabem isso?”) de 530 para 557 euros. Só os pode ter visto, mas não ouvido e muito menos escutado. Os dedos em riste, as expressões faciais vincadas, os sorrisos irónicos ou cínicos, os aplausos entusiasmados “aos chefes”. Foi isto o culminar de quatro semanas de troca de argumentos, de cambalhotas políticas e acrobacias retóricas. Os entendidos chamam a isto debate político. Olhando para as bancadas do Parlamento, assim, sem som, diria que é um teatro. Um teatro absurdo, se tivermos em conta que, na sua origem, está, afinal, se é ou não possível pagar mais um euro por dia a cerca de 650 mil trabalhadores. E já agora quanto terá custado está “sessão parlamentar – para lamentar- ao País e aos portugueses?
E a este propósito ficou claro que os “spindoctors” de Passos Coelho não conhecem, ou com a pressa toda não se lembraram dos conceitos transmitidos pela  Lei de Pareto (também conhecido como princípio 80-20).  A lei baseia-se na verdade no Princípio 80/20, descoberto em 1897 pelo economista italiano Vilfredo Pareto (1848-1923), segundo o qual 80% do que uma pessoa realiza no trabalho vêm de 20% do tempo gasto nesta realização, e num estudo sobre a distribuição da riqueza em diversas sociedades, Pareto notou em todas elas que uns poucos detinham uma grande parte da riqueza (20% da população detém 80% da riqueza), ao passo que cerca de metade da população detinha um valor muito reduzido (50% detêm 5%). Logo, 80% do esforço consumido para todas as finalidades práticas são irrelevantes. Para aqueles que já ouviram falar sobre a lei de Pareto e no seu impacto na gestão de tempo, gestão empresarial, economia, desenvolvimento pessoal, entre outros, e também agora   fomos confrontados com disciplinas na área das ciências sociais e neste caso concreto com a “gestão das expectativas da acção politica”.
É que para mim o que esteve em causa neste simulacro de debate politico foi tão só aquela fatia de eleitores que se exprimem, em cada momento, através do voto e de acordo com os seus interesses, cerca de 20% dos “eleitores considerados de direita e que “praticam o voto volante” e o objectivo do Partido Socialista foi dar espaço para que na comunicação social, em particular nas televisões, passasse a imagem do PSD a votar contra uma solução acordada em concertação social que favorecia as empresas. O Governo quis assim capitalizar politicamente a “fotografia” de Passos Coelho e os outros deputados do PSD a levantarem-se no hemiciclo de São Bento e a votar ao lado dos do BE, PCP e PEV e deste modo conseguir capitalizar esse voto. Isto é enquanto o Governo fez os seus cálculos, olhou para aquilo que têm sido as posições do PSD, que sempre afirma que “o interesse do país prevalece sobre o interesse do partido”, conseguir demonstrar que neste caso, o interesse de Passos Coelho com os seus deputados prevaleceu sobre o interesse do País! Muito estranha, a visão de Passos Coelho sobre a política e a sociedade. A sua raiva latente, que leva ao triunfo do populismo e da demagogia às raias do absurdo, tem saltado para a rejeição cada vez maior não só dos cidadãos, mas também do jornalismo e dos comentadores, e, por isso como disse Sá Carneiro, “A política sem risco é uma chatice, sem ética é uma vergonha”.


sábado, janeiro 28, 2017

NÃO LIXEM MAIS OS ADULTOS MAIS VELHOS!

NÃO LIXEM MAIS OS ADULTOS MAIS VELHOS!

"Yo soy yo y mi circunstancia". Liberdade e destino. A vida é isto, o que não é pouco. José Ortega y Gasset:

Há dias li num lado qualquer, que num estudo que foi publicado no Journal of Clinical Psychiatry os autores tentam demonstrar “que as pessoas mais velhas têm uma menor expectativa em relação à realidade e parecem ser melhores na regulação emocional e complexo processo de tomada de decisão e resolução de problemas do que os adultos mais jovens”.
Todos temos bem presente entre os compromissos assumidos pelo primeiro ministro Dr. António Costa, antes das eleições, consta a anulação das medidas de “saque das pensões e reformas”. A mesma proposta preliminar de orçamento para o próximo ano prevê que o regime desapareça em 2018. "A partir de 2018, o subsídio de Natal é pago integralmente, nos termos da lei “ Trata-se de uma intenção que terá de ser confirmada no próximo ano, embora seja reposta em 2017 o valor das reformas e pensões, cessando deste modo o surripio de parte das mesmas, levadas a efeito pelo desgoverno de Passos Coelho, o que determina por fim ao famigerado corte nas reformas e pensões.
Como sabemos as pensões acima de 842€ estão congeladas há 9 anos. Passaram pelo corte brutal que foi unilateralmente aplicado por Passos Coelho/Portas e que foi resultante do grande aumento de impostos desse desgoverno da muito má memória. Para além de acima de 1000€ passaram pelo "roubo", pelo “saque” da Contribuição Extraordinária de Solidariedade instituída pelo mesmo desgoverno.
Na realidade perdemos um subsídio de férias e um de Natal. Passámos depois a receber o subsidio de Natal em duodécimos para mascarar essa grande subida dos impostos e finalmente, em 2017, tínhamos a expectativa de não sofrer qualquer corte na pensão ou reforma, apesar de a mesma estar ao nível de 2008!
 Na verdade não pode ser considerada uma surpresa ao verificarmos que em Janeiro de 2017, para além de se continuar a aplicar uma “sobretaxa” juntamos um “rombo” de 50% no duodécimo do subsidio de Natal, que vai fazer falta a muita gente que, mensalmente, sente as dificuldades de um menor poder de comprar, bem sei que o mesmo vai ser recuperado em Novembro de 2017 e a sobretaxa cessa em Dezembro de 2017, o que não se podendo “acusar” o governo de incumprimento dos compromissos assumidos, pois cumpre em 2017, mas não deixa de “frustrar” as expectativas dos cidadãos mais velhos e abrangidos pelas pensões e reformas. Ou será que estas medidas só deveriam avançar quando fossem repostos os escalões do IRS?
Para concluir e mais uma vez estamos perante uma realidade politica, que não atentou às consequências e nos efeitos na redução das expectativas que foram geradas, reconhecendo que alguns afirmarão que “ que não será por aqui que o gato vai às filhoses”, mas não esquecendo queduo-duodécimos pagos a 50% farão encolher o rendimento mensal de 86% dos pensionistas,” o que nos leva a poder afirmar que  os políticos não sabem ou não percebem o que é que são “expectativas dos cidadãos” e a sua gestão para a aplicação de uma justa politica e participação dos cidadãos!


quinta-feira, janeiro 19, 2017

TSU ou os políticos da Pós-Verdade!

Vivemos num mundo de pró-mentira. A mentira é da “indústria, dos políticos, dos agiotas financeiros, da imprensa, dos jornalistas etc”

Diz a ciência que somos todos mentirosos. E o pior é que a mentira, que antes tinha perna curta, consta que agora, até compensa. A investigadora norte americana Bella DePaulo, que durante mais de duas décadas estudou a desonestidade, chegou à conclusão que as pessoas mentem todos os dias. Pelo menos uma vez por dia. Num dos estudos que realizou verificou que, mesmo quando alguém tentava passar uma semana inteira sem mentir, isso revelava-se muito difícil. E, nos políticos é  uma coisa inata que faz parte do seu dia a dia.
A mentira tornou-se norma na política, nos media e na publicidade. Mas também nas vidas correntes onde cada um, a cada momento, joga o papel mais conveniente e vantajoso. As redes sociais, onde se exageram as qualidades e se disfarçam os defeitos, só vieram confirmar o que já se sabia. A mentira é fácil e simples, enquanto a verdade é complexa e aborrecida.
 Tudo isto a propósito da “discussão” sobre a Taxa Social Única (TSU) é um encargo das empresas que incide sobre o salário mensal de cada trabalhador e que é encaminhado para a Segurança Social, na situação especifica com incidência sobre “o trabalhador que tem de estar vinculado à empresa por contrato de trabalho, a tempo completo ou a tempo parcial, celebrado em data anterior a 1 de Janeiro de 2017 e ter recebido, de Outubro a Dezembro de 2016, um salário entre os 530 euros (valor do salário mínimo em 2016) e os 557 euros (valor do salário mínimo em 2017) e não ter qualquer outro tipo de remuneração. Excepção feita a quem recebeu até 700 euros por trabalho suplementar e/ou trabalho nocturno.”
Como todos políticos “deviam explicar e saber” o valor da Taxa Social Única em Portugal é “ sobre o salário do trabalhador: 11% e  sobre as empresas com base no do trabalhador: 23,75%. No entanto até Janeiro de 2017 as empresas gozam de um desconto de 0,75 pontos percentuais sobre a taxa de 23,75%, no caso dos trabalhadores beneficiados com a subida da retribuição mensal mínima garantida.
Ora o actual governo aprovou com base num acordo no Conselho de Concertação Social uma redução, apenas para as situações atrás descritas e para o ano de 2017 uma redução de 1,25%, ficando apenas e só naquelas situações uma taxa reduzida para as empresas no valor de 22,5%.
Se isto é assim tão simples qual a razão desta discussão toda? A resposta numa palavra – MENTIRA- ou seja o “tempo da mentirinha dos políticos” que por interesses políticos pessoais em detrimento do interesse global da sociedade, omitem, falseiam para atingir os seus fins!
Deixamos aqui os números: De acordo com o INE existem em Portugal cerca de 630 mil trabalhadores abrangidos pelas remunerações mínimas garantidas (rmg), logo potencialmente beneficiadores desta redução, que já existiu até Janeiro de 2017 e assim feitas as contas, podemos concluir, resumidamente que há como previsão um ganho de mais de 10 milhões de euros para a Segurança Social, sendo que a um aumento do rendimento mínimo garantido de cerca de 5,09%, vai corresponder a um aumento de cerca de 8,92% do valor total arrecadado pela Segurança Social, que haverá ainda que considerar o que a mesma deixa de suportar com o pagamento dos diversos subsídios de desemprego, social ou outros.
  INCIDÊNCIA DA TSU (Taxa Social Única) s/ RMG  
   
  Nº Trabalhadores salário mínimo 630.000  
  remunerações mínimas 2016 530 333.900.000,00 €  
  remunerações mínimas 2017 557 350.910.000,00 €  
  TSU 2016 23,75 79.301.250,00 €  
  TSU 2016 23,00 76.797.000,00 €  
  TSU 2017 22,50 78.954.750,00 €  
  TSU Trabalhadores 2016 11,0 36.729.000,00 €  
  TSU Trabalhadores 2017 11,0 38.600.100,00 €  
  TOTAL  
        TSU 2016   113.526.000,00   
           TSU2017 117.554.850,00   
   
  Criação +5% postos trabalho 661.500 31.500  
  remunerações totais 557 17.545.500,00   
  TSU empregadores   23,75% 4.167.056,25   
  TSU trabalhadores  11,00% 1.930.005,00 €  
   
  TOTAL previsão TSU 2017 (rmg)   123.651.911,25 €  
  Aumento TSU 2017 8,92%  
  Aumento rmg 2017 5,09%  
         
  
A palavra do ano 2016 foi ‘pós-verdade’. Confesso que ainda não percebi bem o que significa e ela já foi interpretada das mais diversas maneiras: como um sinónimo de mentira, como uma indiferença pela verdade nos debates políticos, como a formação da opinião pública independentemente de factos… Talvez o melhor seja usar a definição do Dicionário de Oxford, que, precisamente, a escolheu como palavra do ano e iniciou a moda de a usar recorrentemente. Segundo a vetusta instituição, “pós- -verdade’ ocorre quando há ‘circunstâncias nas quais os factos objectivos são menos influentes na formação da opinião pública do que apelos a emoções e convicções pessoais” Ora, dito assim, o que tem isto de novo?

É por isso que eu acho que o termo não é muito correto. Devia antes dizer-se que  “Vivemos num mundo de pró-mentira. A mentira é da “indústria, dos políticos, dos agiotas financeiros, da imprensa, dos jornalistas etc”

domingo, janeiro 15, 2017

“Soares é fixe , o resto que se lixe "

 “Soares é fixe , o resto que se lixe "

Não acredito na eternidade, na imortalidade, na alma. O que fica de mim é um rodapé num livro de História”. (Mário Soares)

Aqui no “nosso canto”, eu soarista me confesso,  o assunto foi, evidentemente, o falecimento do homem que mais contribuiu para o nosso modelo político actual. A morte esperada trouxe à pedra todos os sentimentos dos portugueses sobre os acontecimentos pós 25 de Abril e também a eterna avaliação da descolonização. Houve comentários lamentáveis de ódio e ressentimento, mas sobretudo agradecimentos e louvores por uma figura cuja estatura é indiscutível.
Alguém relembrou que a filosofia de Mário Soares bem se resume nestas suas palavras: "Há uma certeza que sempre tive: a verdade não pertence em exclusivo a ninguém e não há nada que substitua a tolerância"
 Nós entendemos que se Mário Soares partiu, deixou no entanto um legado de liberdade, democracia e respeito. Estes três pilares da nossa sociedade estão para lá da partidocracia, que vive apenas da conjuntura, e devem merecer o respeito de todos cidadãos que se revêm numa democracia pluralista. E esses são pontos cardeais da bússola da cidadania. É no respeito pela pessoa humana, nos seus direitos, na liberdade individual e na força das convicções que devemos balizar comportamentos e pautar acções.  
Podemos ou não concordar (e foram muitos os que ao longo dos anos, fora e dentro do PS, manifestaram infindáveis discordâncias com as propostas e os caminhos seguidos por Soares). Podemos ou não considerar erradas as ideias defendidas (e ainda hoje, à esquerda e à direita, há quem expresse essa divergência). Podemos ou não considerar que, ao ser um homem de roturas, só podia ser acidentado o caminho por si trilhado, ao ponto de a determinação em chegar ser muitas vezes mais importante que o modo como chegar. Como escreve Daniel Oliveira no Expresso Diário, “o seu percurso, as suas lealdades, até as suas convicções foram muitas vezes sinuosas, tendo apenas a democracia como único valor constante, o que não foi pouco”. Nesta senda, também Sousa Tavares, no seu habitual registo, aconselha “alguns energúmenos que andam nas redes sociais a insultar a memória de Mário Soares que, independentemente das ideias políticas, leiam a imprensa estrangeira”, lembrando que é graças ao histórico socialista que estas mesmas pessoas “têm o direito” de escrever o que pensam.
Apesar de tudo temos que reconhecer que a  geração que tem hoje 40/50 anos não esteve à altura do legado do 25 de Abril. Falhou. Vai deixar aos filhos um país menos esperançoso. O adeus a Mário Soares serve para constatar essa dolorosa verdade. Repare-se que dizemos “obrigado” a Soares mais pelos seus primeiros 40 anos de percurso político do que pelos 30 anos que decorreram após a sua primeira presidência. É verdade que temos de agradecer ao Presidente Soares a onda “fixe” que libertou em vésperas da integração europeia. Mas o Soares presidente era já um homem de um tempo novo, um tempo de normalidade democrática que não quis ou não foi capaz de temperar. O lugar do sonho depressa foi ocupado por uma geração oca, deslumbrada com o novo-riquismo do dinheiro a crédito, sem densidade de vida nem de ideias, apenas ávida de facilitismo e propensa à cumplicidade venal com os amigos das negociatas 
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Agradecer a Soares pelo país que nos deixou é festejar a democracia sólida ou o Estado social eficaz. O país é hoje muito melhor, mas as suas injustiças, a dívida, o Estado capturado pelos interesses, a pobreza e o desemprego são a prova de que ficámos a meio caminho. Podíamos e devíamos ter andado mais. Dizer obrigado a Soares é um acto óbvio de reconhecimento pelo que nos deixou – a democracia liberal, o Estado social, a Europa. Mas pedir-lhe desculpa pelo muito que se falhou não é apenas uma forma de homenagear essa geração extraordinária de portugueses da qual Soares foi o mais completo representante: é também uma manifestação da vontade de recuperar os seus ideais e a sua energia, ranger os dentes, saber resistir às dificuldades sem propaganda nem demagogia e olhar com coragem para o futuro
Finalmente apetece-me deixar aqui esta citação “Vi amigos de esquerda e de Direita de olhos fixos na urna, mudos e gratos. Democratas, todos. Pessoas como Soares, com virtudes e defeitos, vergando -se perante a memória de alguém que esteve sempre do inequívoco lado da Liberdade. Vi homens fardados bater a continência a chorar, e  mulheres de avental a gritar " Soares é fixe , o resto que se lixe ".porque há despedidas que são o início de um caminho. E conseguir em vida (e na morte ) inspirar caminhadas de outros , é só para os maiores e os mais fixes.”(Rita Ferro Rodrigues)


Armindo Bento (economista aposentado)

sábado, janeiro 07, 2017

PARA QUE NÃO HAJA EQUÍVOCOS!

PARA QUE NÃO HAJA EQUÍVOCOS!

O meu corpo não se adapta a nenhum colchão, nem o meu espírito a nenhum sono” (Miguel Torga, Diário XI) “Não é bem a vida que faz falta – só aquilo que a faz viver” (Vergílio Ferreira, “Para sempre”).
Não será nenhuma novidade a afirmação de que “ as pessoas muitas vezes se precipitam a formar opiniões”. Já todos formámos opiniões apressadas e fomos demasiado lentos a mudar de opinião, é por isso, que a sabedoria popular nos ensina que precisamos de saber ir mais devagar e pensar sempre um pouco mais, antes de se extrair qualquer conclusão!
Isto tudo vem a propósito de que ao iniciar 2017, quero deixar bem claro que, sendo verdade que já “estive vida politica” e também já tive uma “agenda”, mas deixei de estar e a ela não vou voltar. Hoje em dia não tenho qualquer intervenção politica e sobretudo, não tendo “agenda”, nem clara, nem oculta. Participo nas chamadas redes sociais, facebook, twitter, e de tempos a tempos com alguns “escritos” num jornal local e num blogue,  como forma de contextualizar, emitir opinião e exercer o meu direito de cidadania, com sentido de responsabilidade e de respeito pela a opinião de terceiros, com a plena consciência que quando não sabemos ouvir os outros, não podemos esperar que nos oiçam.
Há aqueles que pensam, na generalidade os políticos, que o passar do tempo é uma “ponte” de amnésia, que tudo faz esquecer e tudo torna relativo, sem importância, dentro do velho principio que o que esquecemos não existe, em contraponto lembro-me sempre daquele velho lema: perdoar sim, esquecer nunca!
Parece-me que me posso considerar um “leitor” assíduo da mais diversa produção da “chamada informação” disponível nos mais diversos meios, seja ela escrita, televisiva, radiofónica ou nas redes sociais, por isso parece-me que conheço as  chamadas “regras do jogo”, pelo menos as mais básicas – como se manipula a noticia, como se fabrica a mentira, agora diz-se “pós-verdade”, como se inventam casos, como se silencia um escândalo, como se projecta este ou aquele politico, como se faz um “frete” a este ou aquele amigo de certo e determinado grupo de pressão.
Todos devíamos saber, muito poucos sabem, que hoje “fazer informação” livre e isenta fica muito caro. E, sejamos sérios a quem interessa a verdade? Já Oscar Wilde, com o seu sarcasmo imbatível bem nos avisava: “ se disseres a verdade, vais ver que, mais tarde ou mais cedo, vais ser descoberto!” É, por isso que acredito que criamos as nossas próprias circunstâncias através das escolhas que fazemos na nossa vida, sendo que, também há quem diga que se soubéssemos tudo sobre o presente, poderíamos prever tudo sobre o futuro, ou parafraseando um celebre juiz do Supremo Tribunal dos Estados Unidos (Learned Hand) “o espírito da liberdade é essencialmente o espírito que não tem muita certeza de que está certo.”

 Armindo Bento (economista aposentado)

terça-feira, janeiro 03, 2017

UM EQUIVOCO QUE NÃO POSSO DEIXAR PASSAR!


UM EQUIVOCO QUE NÃO POSSO DEIXAR PASSAR!


A propósito da “interpelação” de alguns “comentaristas” que “passam aqui pelo meu local”  quero ao iniciar 2017, deixar bem claro que, sendo verdade que já “estive na vida politica” e também já tive uma “agenda”, mas deixei de estar e a ela não vou voltar.
Hoje em dia não tenho qualquer intervenção politica e sobretudo, não tendo “agenda”, nem clara, nem oculta. Participo nas chamadas redes sociais, facebook, twitter, e de tempos a tempos com alguns “escritos” num jornal local e num blogue,  como forma de contextualizar, emitir opinião e exercer o meu direito de cidadania, com sentido de responsabilidade e de respeito pela a opinião de terceiros, com a plena consciência que “quando não sabemos ouvir os outros, não podemos esperar que nos oiçam”.

Precisamos de aprender a relativizar as preocupações, angústias, dramas e outros conflitos menores e não “fazer” das nossas discussões, opiniões e outros pensamentos um campo de batalha, transportada do “futebol” e que, na maior parte das vezes, por uma irracionalidade decorrente do enviesamento da realidade determinada pelo “cor clubista”.
Pior ainda, defendem-se como se fosse a mais importante coisa da vida e “agridem” os que, pelo mesmo tipo de razões, exprimem perspectivas contrárias!

Temos plena consciência que nunca o Mundo teve tanta informação e, paradoxalmente, nunca houve tantos ignorantes. A internet dá informação, não dá conhecimento, mas a fúria e a raiva das multidões sem rosto tem oprimido a razão, a irracionalidade está a destruir a moderação e a sã convivência que deveria presidir ao relacionamento dos cidadãos e no exercício da cidadania.

Maus políticos, maus gestores, maus jornalistas, maus comentadores estão a levar as democracias para o seu “hara-kiri” à vista de todos. Um editorial, hoje, vale menos que um post, um comentador televisivo tem menos influência e notoriedade que alguns que escrevem com verdade nas redes sociais. Mas a culpa é de quem promove a mentira e de quem escreve ou fala uma montanha de “pós-verdades”. De quem na sua mediocridade tece uma teia de protecção aos medíocres da sua igualha que, assim, vão sobrevivendo numa sociedade que nada tem a ver com a do século XX e que clama contra as fraudes e os vendedores de banha da cobra, que proliferam  nas redes sociais onde tem tido um campo fértil para a instalação e difusão da pós-verdade   que nos faz perder a verdade.”
 Faz sentido reflectirmos sobre onde fica a verdade quando em vez de factos o que temos são” interpretações”, que nestes tempos de modernidades que correm entre a verdade e a mentira, ou mais rebuscadamente entre a inverdade e a verdade ou ainda entre a verdade e a pos-verdade ouvimos frequentemente como um instrumento de argumentação – o insulto!

Mas também é evidente que há um grande número de pessoas que parecem desinteressadas da verdade como valor absoluto, preferindo ir pelo caminho das crenças ou convicções e a maior parte das vezes, a opinião sobrepõe-se à essência dos factos.

Como já certamente é do conhecimento de alguns foi a revista “The Economist “quem este ano fez ressurgir e disparar esta expressão pós-verdade ao assentar num editorial que “Donald Trump é o máximo expoente da política da pós-verdade” ao conseguir fazer valer “confiança em afirmações que são sentidas como verdadeiras mas que não estão conformes com a realidade”. A mentira tem-se imposto à verdade. E uma comunidade mentirosa e pouco escrupulosa, onde a opacidade se sobrepõe à transparência, é o lugar onde grassam o pior das emoções e sentimentos humanos.
É lamentável, é triste e até desolador sentir a facilidade com que, em especial a partir de 2011 na discussão politica, técnica, futebolística, religiosa etc, se vai directo ao carácter da cada um, à mingua de argumentos, como algo “normal” em todos os instrumentos de difusão da informação, em especial nos meios televisivos tornando-se endémico nas redes sociais, os políticos gritarem ao máximo, insinuar sem substância, afrontar sem nexo, denegrir como forma de abuso do poder.

Como nota final de esclarecimento  quero deixar bem claro que nada tenho contra, nem a favor do cidadão Passos Coelho, mas tenho tudo contra o politico que foi primeiro ministro deste País, Passos Coelho, não só porque a nível pessoal me saqueou, fanou, surripiou cerca de 30% dos meus rendimentos do trabalho de mais de 42 anos de descontos sociais, configurando-se como uma prática de “abuso do poder” e “abuso de confiança”, como as suas desastrosas politicas “serão um sério contributo” para a destruição de Portugal, enquanto País independente, ao “expulsar” mais de 500 mil jovens portugueses activos, ao empobrecer os portugueses e Portugal  e ao provocar as insolvências de muitas actividades empresariais, práticas politicas que se podem tipificar, salvo melhores conhecimentos nesta matéria,  como “indícios de atentado ao estado de direito, administração danosa de bens públicos, omissão negligente” etc.

Por último “Hoje fico-me pelo espanto que diariamente ainda consigo sentir: Como é que este rapaz chegou a primeiro-ministro? ( Daniel Oliveira)