terça-feira, setembro 29, 2020

“THE BEAUTY OF THINGS EXISTS IN THE SPIRIT OF THOSE WHO CONTEMPLATE THEM!”David Hume)

 “THE BEAUTY OF THINGS EXISTS IN THE SPIRIT OF THOSE WHO CONTEMPLATE THEM!”David Hume)

Some say that the greatness of a human being is not in how much he knows, but in how much he is aware that he does not know, perhaps that is why we are led to believe that it is with effort and work that we move from dreams to reality. What matters is how close we get to where we really want to go, and the person we become during the whole process, in these times that are not ours. As Paulo Coelho said. “Whoever wants to go a long way, has to learn that the first lesson is to overcome the disappointments at the beginning.”

Trust and a sense of security are built every day, in this “new and different normal” that includes living day to day with the “sense and perception that there is a virus that can be fatal”, but that we cannot let go of living. The paradox of all this is that we also realize that alone we will not go far, and that together we will have more resources and be stronger. Believing in people is to be grateful for the past, which is our life story, to live the present at all times and to relearn how to live life with wisdom in remembering how someone said that “people lose their health to save money, then they lose the money to regain health. And because they think anxiously about the future, they forget about the present so that they end up living neither in the present nor in the future. And they live as if they would never die ... and they die as if they had never lived. ”

 Never as today did we have a sense of responsibility that we will have to change the way we live on this planet. If we don't, we will pay a very high price, in these times that are difficult for everyone, when we are going through uncertain times and when we are “told” that we need to “avoid the street and human contacts in order to guarantee the control of this virus ”, because as someone said“ we will have to be aware that there are only two ways to face this pandemic: comply with hygiene rules and the appearance of a vaccine. ” And for now, only one of them is still within reach! “None of us knows what exists and what doesn't. We live by words …… There are times when we encounter another larger figure, who frightens us. Is that just life? ” (Raúl Brandão)

If we still don't know, nor does anyone know, how long this will last, but we cannot let fear occupy our minds. It is time to have hope and to believe that the better days will come, and we will all adapt to the “new model of living”. In the meantime, let's get the necessary strength - that corner we choose as our own - that comforts us and gives us security. We will call friends, the people we love and constantly remind them of how much we admire them and how important it is for everyone to take care of themselves and abide by health rules. Well, we have no doubt that all of this will be passed on and will be part of a history lived by our generations. May we make learning about life and ourselves in these difficult days. “Determination, courage and self-confidence are decisive factors for success. If we are possessed by unshakable determination, we will be able to overcome them. Regardless of the circumstances, we must always be humble, modest and stripped of pride. ”(Dalai Lama)

 “A BELEZA DAS COISAS EXISTE NO ESPIRITO DE QUEM AS CONTEMPLA!”(
David Hume)

Há quem diga que a grandeza de um ser humano não está no quanto ele sabe, mas no quanto ele tem consciência que não sabe, talvez por isso somos levados a acreditar que é com esforço e trabalho que passamos dos sonhos à realidade. O que importa é o quanto nos aproximamos onde realmente queremos chegar, e na pessoa em que nos transformamos durante todo processo, nestes tempos que não são os nossos. Como disse Paulo Coelho. “Quem deseja percorrer um caminho longo, tem que aprender que a primeira lição é superar as decepções do início.”

A confiança e sensação de segurança constroem-se todos os dias, neste “novo e diferente normal” que inclui viver o dia a dia com o “sentido e a percepção de que há um vírus que pode ser fatal”, mas que não podemos deixar de viver. O paradoxo de tudo isto é que também percebemos que sozinhos não iremos longe, e que unidos teremos mais recursos e seremos mais fortes. Acreditar nas pessoas é estar grato pelo passado, que é a nossa história de vida, viver o presente em todos os momentos e reaprender a viver a vida com sabedoria no relembrar como alguém disse que “as pessoas  perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido.”

 Nunca como hoje tivemos o sentido da responsabilidade de que teremos de mudar a forma como vivemos neste planeta. Se não o fizermos, vamos pagar um preço muito alto, nestes tempos que são difíceis para todos, em que estamos a atravessar momentos incertos e em que nos “dizem” que precisamos de “evitar a rua e os contactos humanos de modo a garantir o controlo deste vírus”, pois como alguém disse “teremos que ter consciência que só há duas maneiras de enfrentarmos esta pandemia: cumprir as regras de higiene e aparecimento de uma vacina.” E por agora, só ainda uma delas está ao nosso alcance! “Nenhum de nós sabe o que existe e o que não existe. Vivemos de palavras…… Há momentos em que deparamos com outra figura maior, que nos mete medo. A vida é só isto?” (Raúl Brandão)

Se  ainda não sabemos, nem ninguém sabe,  quanto tempo isto irá durar, mas não podemos deixar o medo ocupar as nossas mentes. É tempo de ter esperança e de acreditar que os  dias melhores irão chegar,  e todos nós nos iremos adaptar ao “novo modelo de viver”. Enquanto isso, vamos buscar as forças necessárias - aquele canto que escolhemos como nosso – que nos conforta e nos dá segurança. Vamos ligar para os amigos, as pessoas que amamos e lembrá-las constantemente do quanto as admiramos e de como é importante que todas se cuidem e cumpram as regras de saúde. Pois, não tenhamos dúvidas que tudo isto irá ser passado e fará parte de uma história vivida pelas nossas gerações. Que façamos destes dias difíceis uma aprendizagem sobre a vida e nós mesmos.“ Determinação, coragem e autoconfiança são factores decisivos para o sucesso. Se estamos possuídos por uma inabalável determinação, conseguiremos superá-los. Independentemente das circunstâncias, devemos ser sempre humildes, recatados e despidos de orgulho.”(Dalai Lama)

segunda-feira, setembro 28, 2020

“Os números governam o mundo.” (Platão)

 “Os números governam o mundo.” (Platão)

 Um número só por si nada significa, quando se junta a outra qualquer coisa carece sempre de interpretação o seu significado, e nada é mais forte para a expressão e comunicação humana do que as palavras convertidas em números. Como afirmou Pierre Laplace: “É notável uma ciência que começou com” jogos de azar” se tenha tornado o mais importante objecto do conhecimento humano.”

Nestes tempos que não são os nossos tempos, em que “nos é dito” que “estamos no principio do principio”, mas que nos pode demostrar que tantas vezes e em tantas circunstâncias o bem comum (o melhor interesse da sociedade) deve prevalecer sobre o bem individual (melhor interesse do indivíduo), e talvez por isso, por vezes apetece-me adaptar o conceito de Winston Churchill,  que quando os aliados ficaram eufóricos com a vitória na batalha de El Alamein, disse:” Não é o principio do fim, não é sequer o fim, é apenas e só o fim do principio”.


A este propósito hoje Portugal registou 899 infectados confirmados o que me deixou, não digo “pasmado” mas algo apreensivo, porque tenho a percepção que as pessoas  estão informadas e algumas só correm os riscos porque querem, põe em causa eles próprios,, mas o mais grave é colocar os outros! Assim com recurso aos dados estatísticos conhecidos até 23 de Setembro, podemos concluir que:

 

·        Foram registados um total de 71005 infectados com o coronavírus, para uma população total de 10 286 268 residentes em 2019 (com um grau de incidência global da infecção de 0,69%);

·        O maior numero global de infectados  11 706 ,situa-se no nível etário 30-39 anos, que representa cerca de 16,49% do total dos infectados e 12,16% do total da população residente, com um grau de incidência da infecção de 0.94%;

·        O maior e mais grave grau de incidência de infectados (1,04%) situa-se no nível etário de 20-29 anos, que representa 16,05% do total dos infectados e 10,62% do total da população residente em Portugal;

·        É no nível etário 70-79 anos (9,46% do total dos residentes em Portugal), que representam 6,73% do total dos infectados e o mais baixo grau de incidência 0,49%;

 

Em resumo podemos constatar que cerca de 48,9% do total dos infectados, até 23 de Setembro de 2020, quase metade, encontram-se no nível etário 20-49 anos e representam apenas cerca de 38% dos residentes em Portugal. E porque como disse Emile Lemoine: “Uma verdade matemática não é simples nem complicada por si mesma. É uma verdade. “

Também queremos deixar bem claro que não temos nenhuma recomendação específica, a não ser aquela que é as próprias pessoas fazerem a automonitorização dos seus sintomas, entre eles a temperatura, antes de se deslocarem para a escola ou para o trabalho”. Alguém já me disse que o que conta a inspiração que lhe surgiu  sobre como poderia usar “os três elementos mais importantes: a máscara, o sabonete e o álcool”. E, aqui quero relembrar que não  se ponha em causa o papel da escola  na oferta de conhecimentos que habilitem o jovem a formar, livremente, opinião sobre aquilo que o rodeia. Se a escola o não fizer, lá estará a Internet, lá estarão as redes sociais para ocuparem o seu lugar.

Sem dúvida que não se pode deixar estas ditas “ maleitas” sem qualquer tratamento, mas vamos dosear a medicação que conta, com peso e medida. Há muito medo e muita ansiedade nestes tempos de incerteza, como dizia Platão, “a coisa mais indispensável a um ser humano é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento”. A este propósito não deixo de dizer que até há um estudo que também nos descansa: cantar não contribui para a propagação do vírus, já o volume… O importante é respeitar as regras de distanciamento. Na minha opinião e para finalizar não podemos esquecer que serão necessárias duas coisas para controlar o vírus, este ou outro qualquer: medidas de higiene e uma vacina. A questão é que  não podemos ter uma sem o outra!  Haruki Murakami  também deixou uma afirmação para a posteridade: “Quando sairmos da tempestade, não seremos mais a mesma pessoa que havia entrado nela. É disso que  tratam as tempestades”

sexta-feira, setembro 25, 2020

TODOS DEPENDEMOS UNS DOS OUTROS….!”(Viriato Soromenho Marques)

 TODOS DEPENDEMOS UNS DOS OUTROS….!”(Viriato Soromenho Marques)

No meu entendimento a grande oportunidade nestes tempos de “instabilidade emocional” que todos sentimos, é podermos interrogarmo-nos  se conseguimos deixar ás gerações seguintes um “mundo” onde possam sonhar o futuro, do mesmo modo que as gerações do passado nos deixaram um “mundo” onde fomos capazes de sonhar o nosso futuro. Eu diria mais tivemos essa sorte na qual não estamos a ser dignos! Temos de merecer este planeta, pois não conhecemos outro, nem no sistema solar nem na galáxia, salvando-o para o futuro. Chegou o momento de pensarmos se somos capazes de deixar como herança a possibilidade de sonhar com o futuro para as gerações seguintes? Como disse Fernando Pessoa: “Para ser grande sê inteiro:  Nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és. No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive.

Chegou o momento de percebermos que um dos maiores erros que cometemos foi a arrogância do controle, a arrogância do saber, a arrogância de que nós resolvemos tudo, não podemos agora substituir a arrogância de um optimismo idiota pela arrogância de um pessimismo sem esperança. Temos de ter a percepção não só do saber e do ser, mas e fundamentalmente o saber ser optimista critico, o saber ter um optimismo voluntarista, o saber ser um optimista activo e um saber ter um optimismo transformador da sociedade onde vivemos. Temos de saber e querer acreditar no futuro através de actos que acompanhem e realizem as palavras. ”Temos de mudar de vida. Não temos de mudar apenas o modo como fazemos as coisas. Temos de mudar as coisas que fazemos.”(Viriato Soromenho Marques-filósofo)

Devemos ter em atenção de que o  que fazemos para os outros define quem somos, e o que  os outros fazem para nós depende do nosso ponto de vista, por isso a criação de oportunidades depende apenas de nós, mas se esperamos  que as mesmas apareçam é, na realidade depender dos outros, e que a melhor forma de vivermos nestes tempos é percebermos as nossas limitações.  A criação de uma oportunidade é uma libertação da nossa intuição criativa, esperar que apareçam é depender da sorte! Já li em qualquer lado que “não dependemos da opinião dos outros para conquistarmos os nossos ideais; dependemos é de nós mesmos para conquistarmos nossos sonhos”. Temos de saber viver  aceitando a nossa falta de controlo sobre a nossa própria vida, e percebendo que não controlamos tudo, ou no dizer do padre brasileiro Fábio de Melo: “ O que nos faz amigos é essa capacidade de sermos muitos, mesmo quando somos dois. É bom ter amigos. Eles são pontes que nos fazem chegar aos lugares mais distantes de nós mesmos.”  

segunda-feira, setembro 21, 2020

THE “SOCIAL FANATISM” - A “VIRUS” MUCH WORST THAN COVID19!

 THE “SOCIAL FANATISM” - A “VIRUS” MUCH WORST THAN COVID19!

Nowadays, “the so-called social fanaticism” appeared with the creation on social networks, which is nothing more than the combination of the different “classes of fanaticism” - religious, political and football ”. The fanatic has no thoughts or ideas of his own, it absorbs from others who in turn have absorbed them from others, and so on. For fanatics, he is not interested in the real facts or their origin and makes the ideas and thoughts of others as his own. Fanaticism generates hatred and does not limit it before it expands it, and it never cares or accepts the explanation of the real facts or the search for the truth since it has “assembled” its own narrative and there is no other “truth” other than his and , which he considers more convenient for his interests, does not change his mind, nor does he change the subject. "Fanaticism is the only form of will that can be instilled in the weak and the timid." (Friedrich Nietzsche)

The basis of fanaticism are the "so-called conspiracy theories" that always start from real facts, to distort, distort or "falsify" them according to what they believe to be "their thinking" and interests that foment anger and hatred in the society, based on the now wider use of social networks, where there is more and more time online, dependent on “likes” and ready to consume information that is neither verified nor confirmed, with terrible effects on society.

We can even accept that, in fact, new technologies have opened and expanded our minds, led to believe that the internet and social networks could serve to unite people and resolve disagreements, but today we feel trapped by the problems caused by the use intensive social networks, namely: addiction, deconcentration, isolation, falsification, misrepresentation, polarization and misinformation.

Some characteristics of the human being, which is based, in general, on some ideas of intolerance, which in confronting the opinions of others who dislike him, lead them to a greater conviction of their “reality” and which, in the end, generate fear, can only be modeled with the time. The amount of information circulating on the network is such that each group can find the facts and data they need to set up their own narrative. Today we have seen that people are less willing to listen and learn, less willing to give in, less willing to cooperate. This is "fanaticism" makes people much worse. That is why the best fight we can do against fanaticism is through knowledge. But, we must not forget that we are facing a question of Humanity and Life, where, ignorance of things and ignorance and opportunism in the same cry for knowledge and solutions that nobody has. As Jean-Jacques Rosseau said: “Generally those who know little speak a lot and those who know a lot speak little.”

We have a false notion that the use of social networks is free, but someone is paying for it: advertisers. They are, therefore, the real customers of these companies. And we think we are using a tool, but we are actually being sold. This is an old maxim of the market: "If you are not paying for the product, it is because you are the product." That social networks want to buy their users' data is something we should all be more or less aware of. But what some experts tell us goes a little further: this product is "the gradual change in our behavior and perception"; what social networks want is to "change what we do, what we think, what we are", gradually and imperceptibly, in an omission that citizenship solidarity, combined with shared knowledge, is the great civilizational trait in combating exclusions and building fairer societies. “One generation goes, and another generation comes; but the land remains forever. The sun rises, the sun sets, and hurries and returns to the place where it was born. ”(Ecclesiastes 1: 4,5) Biblical version Frederico Lourenço)

While it is true that not everyone has the same desires, and that life does not always make sense, personally, I think I am very attentive, I think I follow a kind of recreational game, as happened in primary schools, of my time: the "blind goat" . I try to continue, looking for the light that, I am aware that does not exist for anyone yet. I am concerned with those who walk and help without seeing credible solutions, I also know that the “boast” belongs to the manipulation of the media. We and ours are not even a cog. We are a zero on the left in the universe of such billions that have no soul, emotions or even a hint of humanity. “Never give up on being happy, always fight for your dreams. Be deeply passionate about life, because life is an unmissable show, even though there are dozens of factors showing the opposite ”. (Augusto Cury)

O “FANATISMO SOCIAL” – UM “VIRUS” MUITO PIOR QUE O COVID19!

 O “FANATISMO SOCIAL” – UM “VIRUS” MUITO PIOR QUE O COVID19!

 Nos tempos de hoje “apareceu” com a criação nas redes sociais o “chamado fanatismo social” que nada mais é que a junção das diversas “classes de fanatismo”- religioso, político e futebolístico”.O fanático não tem pensamento nem ideias próprias, absorve de outros que por sua vez já as absorveram de outros, e assim sucessivamente. Para os fanáticos não lhe interessa os factos reais, nem a sua origem e torna como suas as ideias e pensamentos de outrem. O fanatismo gera o ódio e não o limita antes o expande, e nunca lhe importa ou aceita a explicação dos factos reais ou a procura da verdade já que “montou” a sua própria narrativa e não existe outra “verdade” que não a dele  e, que julga mais conveniente para os seus interesses, não muda de ideia, nem muda de assunto. ”O fanatismo é a única forma de vontade que pode ser incutida nos fracos e nos tímidos.”(Friedrich Nietzsche)

A base do fanatismo são as” chamadas teorias da conspiração”  que partem sempre de factos reais, para os distorcer, deturpar ou “falsificar” de acordo com o que julgam ser o “seu pensamento” e interesses que fomentam a raiva e o ódio na sociedade, tendo como base, agora mais alargada a utilização das redes sociais, onde se está cada vez mais tempo online, dependentes de “likes” e prontos a consumir informação que não é verificada, nem confirmada, com efeitos terríveis na sociedade.

Podemos até aceitar que de facto, as novas tecnologias abriram e expandiram as nossas mentes, levados até a acreditar que a internet e as redes sociais poderiam servir para unir as pessoas e solucionar discordâncias, mas hoje sentimo-nos aprisionados com os problemas causados pelo uso intensivo das redes sociais, nomeadamente: vício, desconcentração, isolamento, falsificação, deturpação, polarização e a  desinformação.

Algumas características do ser humano, que assenta no geral em algumas ideias de intolerância, que na confrontação com opiniões alheias que  lhe desagradam os leva a uma maior convicção  da sua “realidade” e   que no fundo são geradoras do medo, só podem ser modeladas com o tempo. A quantidade de informação que circula na rede é tamanha que dá para cada grupo encontrar os factos e os dados de que precisa para montar sua própria narrativa. Hoje vimos que as pessoas estão menos dispostas a ouvir e aprender, menos dispostas a ceder, menos dispostas a cooperar. Isto é o “fanatismo” torna as pessoas muito piores. É por isso que o melhor combate que podemos fazer ao fanatismo é através do conhecimento. Mas, não podemos esquecer que estamos perante uma questão da Humanidade e da Vida, onde, a ignorância das coisas e a ignorância e o oportunismo na mesma clama por conhecimentos e soluções que ninguém tem. Como dizia Jean-Jacques Rosseau:Geralmente aqueles que sabem pouco falam muito e aqueles que sabem muito falam pouco.”

Temos uma falsa noção de que a utilização das redes sociais é gratuita,  mas alguém está a pagar por ela: os anunciantes. Eles são, portanto, os verdadeiros clientes destas empresas. E nós achamos que estamos a utilizar uma ferramenta, mas na verdade estamos a ser vendidos. Esta é uma velha máxima do mercado: "Se não estás a pagar pelo produto é porque tu és o produto." Que as redes sociais querem comprar os dados dos seus utilizadores é algo para o qual todos devemos estar mais ou menos despertos. Mas o que alguns especialistas nos dizem vai um pouco mais longe: este produto é "a mudança gradual no nosso comportamento e na nossa percepção"; o que as redes sociais querem é "mudar o que fazemos, o que pensamos, o que somos", gradualmente e de forma imperceptível, numa omissão de que a  solidariedade de  cidadania, aliada ao saber partilhado, é o grande traço civilizacional no combate às exclusões e na construção de sociedades mais justas. “Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece. Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu.”(Eclesiastes 1:4,5) versão Biblica Frederico Lourenço)

Sendo certo que nem todos possuem os mesmos anseios, e que  a vida nem sempre tem sentido, pessoalmente, julgo  estar muito atento, acho que sigo num jogo tipo de recreio , como acontecia nas escolas primárias, do meu tempo: a  "cabra cega". Tento seguir, procurando a luz que, tenho a consciência que ainda  não existe para ninguém. Preocupo-me com os que vão caminhando e ajudando sem visualizar soluções credíveis, também sei que a “ bazófia” pertence à manipulação dos media. Nós e os nossos nem somos sequer um dente da engrenagem. Somos um zero à esquerda no universo dos tais biliões que não têm alma, emoções ou, sequer, uma pontinha de humanidade. “Jamais desista de ser feliz, lute sempre pelos seus sonhos. Seja profundamente apaixonado pela vida, pois a vida é um espectáculo imperdível, ainda que se apresentem dezenas de factores a demonstrarem o contrário”. (Augusto Cury)

domingo, setembro 20, 2020

“And still what we are worth are the words, so that we have to hold on.” (Raul Brandão)

 “And still what we are worth are the words, so that we have to hold on.” (Raul Brandão)

Today I also decided to write what I think, in reality not everything, about the “football” news, I did not mean sports because that is another activity. And as in all things in life, in this area when “we have the courage” to move forward, we also have to take into account that it is dominated, at all levels, by the same fanaticism, whether it be political, religious or “football”, things get much worse when in an area as important to citizenship as justice, its employees decide to want to “become vigilantes”.

This all comes to the point and given that at a certain point in my life and professional activity I also received some invitations from football clubs, from what I see now, in these times it would be considered a “crime of undue receipt of advantages”, by the president of these clubs and duly "accused by the prosecutors of the public prosecutor", although as it becomes clear, after some years, such accusations would never reach any conviction in court, but in the "scope of football fanaticism" it had already produced its effects on those affected.

As stated in the “Strategic Vision Plan” for Portugal, one of the main problems we are facing is the “low technical competence” of the public services to which citizens are entitled, and in this specific case, the “public justice services that integrate the prosecutors of the public prosecutor ”, who, unlike other public servants, has salaries and others well above the average in Portugal, that is, they are highly paid. That is why it is not understandable the technical errors, which we want to think because of incompetence and incapacity and not for anything else. I leave here only two examples and each one thinks what he wants, but “first” I advise you to “get rid of any kind of fanaticism”. 1) How is it possible to attribute a crime of undue receipt of advantage, for having “offered” tickets for a football game, something that all clubs do? And for the other shows? (bullfighting, theaters, cinemas, etc.) 2) We all know that imputation of facts, which must have means of proof, is fundamental in any situation, much more when one wants to “do justice”, so it is not understood when one “mentions that a Portuguese football club was a finalist in the European Cup in 2014? Or as Mr. Álvaro Sobrinho, who was responsible for the payment of certain sums to Judge Rangel, the main accused, by the public prosecutor in this case, is no longer part of it, is it because he is the main and largest shareholder and investor in SAD do Sporting Club of Portugal?

 It is for this reason that one of the main indicators of backwardness and investment difficulties in Portugal is the Justice System and the credibility of its actions, which is very important from the point of view of social recognition of the functioning of our justice system and of which the Public Prosecution Service is an integral part, which is an organ of administration of justice, integrated in the judicial function of the State.

Once it is clear, it is the Courts who judge, and the Judges decide on them. As Plato said. ” The judge is not appointed to do favors with justice, but to judge according to the law. ” Not to mention the immense difficulty in answering the following question: what expectations should the judge live up to when deciding on a “case” years after it “has already been tried by the press”? Should it live up to the popular-punitivist expectations created, namely by the "press"? Are you responsible for "fighting impunity"? For "social cleansing"? Should it meet the political expectations created? Or should it correspond to constitutional expectations, as a guarantee of the effectiveness of the system of individual guarantees established by the Constitution?

Therefore, it is necessary to respect the Public Ministry as an accusing party. Not to mention that it will have to be a serious and solid institution, formed by people very well prepared and competent to accuse and prove their thesis. Furthermore, behind the MP there is still the entire judicial police to assist in the production of evidence. So, if the judicial police plus the prosecutor are not able to prove the accusation, should the judge "get down" in the dialectical structure to help them? The answer is obvious, under penalty of assuming that it is a "consortium of vigilantes", absolutely inquisitorial and that the criminal process has become a MMA to convict. If that is the case, then the criminal process in Portugal is over and what “is worth street justice” and, it seems that is what is happening today in our country. the wrong, but in discovering the right and sustaining it, wherever it is, against the wrong. ”(Theodore Roosevelt)

“E ainda o que nos vale são as palavras, para termos a que nos agarrar.”(Raul Brandão)

 “E ainda o que nos vale são as palavras, para termos a que nos agarrar.”(Raul Brandão)

 Hoje resolvi também escrever o que penso, na realidade nem tudo, sobre a actualidade “futebolística”, não quis dizer desportiva porque isso é outra actividade. E como em todas as coisas da vida, nesta área quando “temos a coragem” para avançar, temos também que ter em conta que a mesma é dominada, a todos os níveis, pelo fanatismo que é o mesmo, quer seja ele politico, religioso ou “futebolístico”, as coisas pioram bastante quando numa área tão importante para a cidadania, como a justiça, os seus servidores decidem querer “tornar-se justiceiros”.

Isto tudo vem a propósito e dado que a certa altura da minha vida e actividade profissional também recebi alguns convites de clubes de futebol, pelo que vejo agora tal, nestes tempos seria considerado um “crime de recebimento indevido de vantagens”, pelo presidente desses clubes e devidamente “acusados pelos procuradores do ministério público”, embora como se torna claro, passados alguns anos, tais acusações nunca chegariam a qualquer condenação em tribunal, mas no ”âmbito do fanatismo futebolístico” já havia produzido os seus efeitos sobre os atingidos.

Como consta no “Plano de Visão Estratégica” para Portugal, um dos principais problemas que nos debatemos é a “baixa competência técnica” dos serviços públicos a que os cidadãos tem direito, e no caso concreto os “serviços públicos de justiça que integram os procuradores do ministério público”, que ao contrário de outros servidores públicos tem remunerações e outras muito acima da média em Portugal, isto é são altamente bem pagos. Por isso não é compreensível os erros técnicos, que queremos pensar que por incompetência e incapacidade e não por outra coisa qualquer. Deixo aqui apenas dois exemplos e cada um pense o que quer, mas “primeiro” aconselho a que se “dispa de qualquer tipo de  fanatismo”. 1) Como é possível imputar um crime de recebimento indevido de vantagem, por ter “oferecido” bilhetes para um jogo de futebol, coisa que todos os clubes fazem? E para os outros espectáculos? (touradas, teatros, cinemas etc) 2) Todos sabemos que a imputação de factos, que tem que ter meios de prova é fundamental em qualquer situação, muito mais quando se quer “fazer justiça”, por isso não se entende quando se “menciona que um clube de futebol de Portugal foi finalista da Taça de campeões europeus em 2014? Ou como o senhor Álvaro Sobrinho a quem era imputável o pagamento de determinadas verbas ao Juiz Rangel, principal acusado, pelo ministério publico neste processo , já não consta do mesmo, será que é por ser o principal e maior accionista e investidor na SAD do Sporting Clube de Portugal?

 É por tudo isto que um dos principais indicadores do atraso e das dificuldade de investimento em Portugal é o Sistema de Justiça e da credibilidade dos seus actos o que é muito importante do ponto de vista do reconhecimento social sobre o funcionamento do nosso sistema de justiça e da qual faz parte integrante o Ministério Público, que é um órgão de administração da justiça, integrado na função judicial do Estado.

Chegados aqui que fique bem claro, quem julga são os Tribunais, e neles são os Juízes que decidem. Como disse Platão.” O juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis.” Sem falar na imensa dificuldade em responder à seguinte pergunta: a que expectativas deve corresponder o juiz quando tem que decidir sobre um “caso” anos depois de o mesmo “já ter sido julgado pela imprensa”? Será que ele deve corresponder às expectativas populares-punitivistas criadas, nomeadamente pela “imprensa”? É responsável pelo "combate a impunidade"? Pela "limpeza social"? Deve corresponder às expectativas políticas criadas? Ou deve corresponder às expectativas constitucionais, como garantidor da eficácia do sistema de garantias individuais estabelecidas pela Constituição?

Para tanto, é preciso que se respeite o Ministério Público enquanto parte acusadora. Sem falar que terá de ser uma instituição séria e sólida, formada por gente muito bem preparada e competente para acusar e provar a sua tese. Ademais, por detrás do MP ainda existe toda a polícia judiciária para auxiliá-lo na produção da prova. Então, se a polícia judiciária mais o Ministério Público não forem capazes de provar a acusação, será que deve o juiz "descer" na estrutura dialéctica para ajudá-los? A resposta é óbvia, sob pena de assumirmos que se trata de um "consórcio de justiceiros", absolutamente inquisitorial e que o processo penal virou um vale-tudo para condenar. Se for isso, então acabou o processo penal  em Portugal e o que “vale é  justiça da rua” e, parece que é o que se está a passar na actualidade no nosso País. “A justiça não consiste em ser neutro entre o certo e o errado, mas em descobrir o certo e sustentá-lo, onde quer que ele se encontre, contra o errado”.(Theodore Roosevelt)

sexta-feira, setembro 18, 2020

“NENHUM HOMEM É UMA ILHA”. (John Donne)

 NENHUM HOMEM É UMA ILHA”.  (John Donne)

 “Nenhum homem é uma ilha”, ensinou o poeta e religioso inglês John Donne, já lá vão alguns séculos, mas que  ensina agora a realidade travestida de pandemia de covid-19, de quarentena obrigatória, de isolamento e que, talvez nos ajude a compreender que a vida humana é convívio. Para o ser humano viver é conviver. É justamente na convivência, na vida social e comunitária, que o ser humano se descobre e se realiza enquanto um ser moral e ético. Ou talvez de outro modo todo o ser humano seja  uma pequena ilha de conhecimento ladeada por um imenso oceano de ignorância .Mas, na realidade nesta vida que vivemos nenhuma pessoa é uma ilha, mas algumas pensam que  são pequenos arquipélagos e, talvez por isso vivemos de tal modo obcecados com o que se passa para lá da janela que já nem sequer vemos a janela. Mas ela está lá! Tal como a nossa casa, as mesas, …os amigos. As pequenas coisas. Por vezes damos connosco a pensar nas pequenas coisas mais importantes da vida. Como dizia José Saramago:” Somos todos uma mera ilha desconhecida. Partilhamos o mesmo oceano, mas não partilhamos os mesmos rumos. Somo-nos desconhecidos. Não nos conhecemos a nós próprios, muito menos aos outros.

A este propósito, sendo agora o “tempo do regresso às aulas”, li que uma  “das futuras medidas do governo para o próximo ano lectivo; a partir de um certo ano de escolaridade, (penso que ainda a definir), os alunos deverão ter a responsabilidade de desinfectar ao fim do dia a mesa de trabalho de forma a que desempenhem  um papel activo no impedimento da propagação do vírus, não substituindo o papel do auxiliar de educação, mas sim, de ajudar a minorar uma questão que a todos diz respeito.”

Sobre isto acabei de ler o seguinte comentário a esta notícia;

"Filho meu não vai limpar nada porque não tem essa obrigação, as auxiliares que limpem porque ele não é empregado de ninguém".

Apetece-me contar-vos uma história que será de memória comum a muitos de nós.

No tempo dos meus pais, dos vossos pais, no meu tempo, as crianças que podiam ir à escola (poucas, porque na aldeia a abundância era inexistente), muitas delas iam descalças. Depois de terem acordado com as galinhas e de ajudarem os pais na lida da casa, de alimentarem o porco e os patos, as galinhas  que viviam no pequeno quintal, depois de ajudarem a mãe a dar o pequeno almoço aos irmãos mais novos, depois e só depois, descalços, iam por terra batida para a escola e em bandos como pardais, sem vigilância parental. Os pais tinham que ir bem cedo para os campos guardar gado, cavar de sol a sol. Já tinham a responsabilidade de cuidar, mas também a liberdade de usarem as asas.

A mochila dos Pokémons, Frozens, Patrulha Pata e o caraças era um cinto das calças que apertava os manuais escolares que imaculados e religiosamente poupados que nem peças de colecção, serviriam mais tarde para os irmãos mais novos.  As crianças já tinham responsabilidades de dar valor ao que tinham.

Na sala de aula tinham a responsabilidade de se portarem bem, de cuidarem do escasso material escolar disponível, de respeitarem a professora. Caso não acontecesse, estava prometida uma galheta pelas trombas o as mãos ardiam com aquela régua de madeira com nozes.

Tinham a responsabilidade de respeitar.

Muitas dessas crianças só tinham uma muda de roupa e sabiam que teriam que a poupar, não havia dinheiro para mais, a família era pobre e essa consciência já estava bem definida.

Hoje em dia alguns pais não querem que os filhos tenham responsabilidades (julgam  os mesmos demasiado "preciosos" para que o simples acto de limpar uma mesa seja somente a obrigação de alguns).

São estes burgueses de cocó armados ao pingarelho que acham que os filhos são pequenos príncipes (mesmo que tenham 18 anos). Os outros,  são os serviçais.

Um dia os "príncipes" serão os futuros cagões que perante a velhice dos pais, simplesmente desaparecem, porque não têm estofo para lidar com responsabilidades.

Se acho que antigamente tudo era bom? Não acho.

Se acho que antigamente é que era bom? Não acho.

Se acho que os pais de antigamente pecavam pelo exagero? Também acho.

Se acho que antigamente se respeitava mais o próximo? Ah... isso acho.

Não sou ninguém para opinar sobre como devem criar os vossos filhos, mas isto é só bom senso, gente!

Nada mais que isso. Bom senso.

Vou repetir; bom senso.

Porra pá, só vão pedir aos vossos filhos que passem um pano por cima de uma superfície plana que poderá estar contaminada e que, no pior dos cenários, poderá levar ao falecimento de alguém.  É assim tão descabido?

E já agora de ganhar cinco dedos de testa, ide. "

Desconheço autoria deste texto in facebook “Tocaprender Centro de Estudo e Ocupação de Tempos Livres “( O texto não é meu... mas concordo plenamente... )

segunda-feira, setembro 14, 2020

 Somos responsáveis por aquilo que fazemos, o que não fazemos e o que impedimos de fazer.”(Albert Camus)

 
Vivemos momentos nestes tempos que não são os nossos , e que a incerteza é o novo normal, essa mesma incerteza que nos leva a focar-nos no aqui e agora e que apela, ao silêncio e ao saber escutar. O que é mais curioso que muitos falam no “vírus silencioso”. Mas o vírus teima em ficar, como que a lembrar-nos que o importante são as pessoas. No geral somos repetitivos por natureza, não gostamos de mudar os nossos hábitos e, talvez por isso a nossa grande resistência a qualquer mudança, sendo que a mudança nunca é dolorosa, pois apenas a nossa resistência à mudança é dolorosa. Como disse o papa Francisco: “É preciso perder o espírito de resistência à mudança. Para mudar o mundo, é preciso fazer bem a quem não tem possibilidades de retribuir.”

 A este propósito com a chamada “pandemia da covid19” veio ao de cima “o problema dos velhos nos lares”, mas não sejamos hipócritas a pandemia apenas destapou uma realidade escondida há muito tempo, sendo que se não fosse a cegueira do mundo, talvez os que, no presente não são velhos tivessem tempo para pensar que um dia chegará a sua vez em qualquer “casa do empacotamento”. A pandemia confina, fecha, mas pode abrir os olhos. É certo que os olhos só vêem o que querem, mas se olharem e virem no presente o futuro aprenderão muito. A cegueira é a arma dos donos destes tempos muito agitados. Outros tempo virão. O que mais tem o tempo é tempo; os velhos, não. Os velhos não são “os que têm mais idade” mas os que têm “idade a mais”. Como disse Julian Barnes: Quando somos jovens, inventamos diferentes futuros para nós mesmos; quando somos velhos, inventamos diferentes passados para os outros.”

 É neste contexto, e está na “moda” potenciado pela “imprensa que temos” onde a “tentação” é apontar o dedo aos governantes, às autoridades de saúde, aos municípios, às administrações dos próprios lares e à segurança social por todas as situações, desde as mortes até às das más condições que se vive nos lares. Claro que todos eles têm aqui colossais responsabilidades, no entanto parece-nos inexplicável que , esta tragédia não tenha inspirado reflexões nem criticas a todos aqueles que consideramos os responsáveis por estas situações: os familiares que depositam  e abandonam os velhos nos lares, como no passado o faziam nos “asilos”! Porque  nunca se questiona a responsabilidade moral de quem pôs os velhos nos lares nem se aponta o egoísmo das famílias como causa principal dessas tragédias?

 É evidente que haverá sempre situações em que o recurso a lares será a única ou a melhor solução para muitos casos. Mas não são esses que estão em causa, até porque não representam a maioria. A maioria dos velhos vão para lares porque os familiares não estão disponíveis para sacrificar minimamente o seu estilo de vida, desculpando-se com a distância ou com os afazeres profissionais para justificar o alheamento de situações que também deveriam ser do seu conhecimento e a sociedade passou a considerar esta solução como moralmente aceitável.    Hoje os mais velhos estão mais sozinhos do que nunca nos lares que os acolhem. Precisamos, pois, de políticas mais consistentes para a terceira idade, de instituições mais confortáveis para os utentes, de profissionais mais habilitados para cuidar dos mais velhos e de uma família que olhe para os idosos como um bem precioso que deve merecer todos os cuidados, relembrando o que foi dito por Søren Kierkegaard: “A vida só pode ser compreendida, olhando-se para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se para frente.”

Sempre temi os últimos anos de vida, no sentido que lhe foi dado por Augusto Cury, “não tenha medo da vida, tenha medo de não vivê-la”, talvez porque esta “modernidade líquida suspensa” na juventude despreza os mais velhos, porque os filhos há muito deixaram de ter disponibilidade para cuidar dos pais, porque as instituições sociais vocacionadas para amparar a terceira idade mais parecem deteriorados sótãos para onde se atiram velharias que raramente revisitamos. Como escreveu no seu livro , “ANOS”, Annie Ernaux, faz-nos relembrar que por vezes, não construímos sequer  uma recordação de um «nós», num relato sobre o que fica quando o tempo passa: “Tudo se apagará num segundo [...] Nem eu nem mim. A língua continuará a pôr o mundo em palavras. Nas conversas à volta de uma mesa em dia de festa seremos apenas um nome, cada vez mais sem rosto, até desaparecermos na multidão anónima de uma geração distante.”

quinta-feira, setembro 10, 2020

 "No meio das dificuldades escondem-se as oportunidades."( Albert Einstein)

Estes tempos chamados “da pandemia de Covid-19” assusta a todos, mesmos os que dizem que não se assustam. É que todos podemos  ser infectados. Ninguém está isento. Não importa qual seja sua posição na vida, o seu status, o seu poder ou a sua popularidade, o vírus ainda pode sempre “agarrá-lo”. Esta possibilidade evoca um sentimento primordial de fragilidade e vulnerabilidade que a todos atinge. Esta frase atribuída a Albert Einstein que, titula esta “crónica”, pareceu-nos ser  o lema ideal para repetir-se quando o desânimo, após vários dias de urgência de confinamento nos “visitou”, no reconhecimento que tudo isto nos causa alguma ansiedade e até frustração. Como disse Oliver Wendell Holmes : “O mais importante da vida não é a situação em que estamos, mas a direcção para a qual nos movemos.”

Talvez nesta altura seja útil esclarecer, que a forma como escrevo é aquilo que sou, ou melhor dizendo naquilo eu me tornei, sinto uma enorme vontade de encontrar palavras que possam exprimir numa leitura precisa do que sinto e do que penso, no fundo dirão que “quero ser visto na minha coerência” ou como dizia Jean Paul Sartre:O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.”

No entanto, para mim coerência é uma coisa muito mais séria e profunda – acima de tudo é viver de acordo com os valores em que acreditamos –com verdade, honestidade, integridade e lealdade. No fundo ser para os outros como somos para nós mesmos. E é claro que podemos por vezes meter “a pata na poça” e não chegar, nem de perto, nem de longe, às metas, aos objectivos que nos propomos, mas acreditamos que é essa honestidade, integridade e lealdade para  connosco próprios e com o conteúdo dos “sermões” que lhes damos, que vai ajudar a que se definam como pessoas. E, para terminar, regresso aos medos, que li em qualquer lado, confessados no “ Questionário de Proust”, onde o  dramaturgo Ricardo Alves confessa: “O medo de já não ter desejos, de não sentir inquietação. O medo de cumprir as ânsias e os desejos desaparecerem.” Que a coerência, a inquietação e os desejos não desapareçam nunca! Ou no dizer de Max Weber:“O homem não teria alcançado o possível se, repetidas vezes, não tivesse tentado o impossível.”

E, nada melhor como “termino” destas “palavras de hoje”, como este poema  de José Jorge Letria.” Esta ausência não foi por nós pedida,/este silêncio não é da nossa lavra,/já nem Pessoa conversa com Pessoa,/com o feitiço sempre imenso da palavra./Este tempo só é o nosso tempo./porque é nossa a dor que nos sufoca;/e faz de cada dia a ferida entreaberta;/do assombro que esquivando-se nos toca,/Esta ausência é dos netos, dos filhos, dos avós,/é a casa alquebrada pelo medo,/é a febre a arder na nossa voz,/por saber que o mal a magoa em segredo,/Este silêncio é um sussurro tão antigo;/que mata como a peste já matava;/vem de longe sem nada ter de amigo/,com a mesma angústia que nos castigava,/Esta ausência é uma pátria revoltada,/que se fecha em casa sempre à espera,/que a febre não a vença nem lhe roube,/a luz mansa que lhe traz a Primavera,/Esta casa somos nós de sentinela,/à espera que a rua de novo nos console,/e que festeje debruçada à janela,/a alegria que só nasce com o sol,/Esta ausência mais tarde há-de ter fim,/por nada lhe faltar nem inocência;/que se escute o desejo de saúde,/anunciando que vai pôr fim à inclemência,/Que se abram as portas e as janelas,/que o medo, derrotado, parta sem destino,/por ser esse o sonho colorido/que ilumina o riso de um menino."(José Jorge Letria - 20 de Março de 2020)

terça-feira, setembro 01, 2020

“NÃO ENCONTRO DEFEITOS. ENCONTRO SOLUÇÕES. QUALQUER UM SABE QUEIXAR-SE!“ (Henry Ford)

“NÃO ENCONTRO DEFEITOS. ENCONTRO SOLUÇÕES. QUALQUER UM SABE QUEIXAR-SE!“ (Henry Ford)

 Todos sabemos que o dia tem 24 horas, o Sol aparece, há quem diga“nasce” todas as manhãs, a água ferve a 100 graus e nós….talvez por isso se diga, ou pense que a “nossa busca espiritual é satisfazer as saudades da alma”. Mas é bom relembrar que a vida pode ser linda quando valorizamos as pequenas coisas que já temos! E sentimo-nos muito bem, estivermos onde estivermos porque acreditamos que as coisas acontecem cada uma a seu tempo.  Nestes tempos, que não são os “nossos tempos” e nas actuais circunstâncias, ninguém se pode dar ao luxo de acreditar que seus eventuais problemas,  vão ser solucionados pelos outros. Cada um de nós tem a responsabilidade de ajudar a levar a sociedade onde vive para o rumo certo. Ter boa vontade não é o suficiente, é preciso envolvermos de forma activa e participativa.” Os problemas significativos que enfrentamos não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento em que estávamos quando os criámos.”(Albert Einstein)

O que assistimos nestes tempos é que, no geral, grande parte das pessoas, por motivações diversas, que muitos deles nem sequer sabem quais são, o problema das pessoas é que só querem ver em tudo problemas, antes de qualquer solução, fixam-se nos erros mais do que no que está certo e vivem mais o passado do  que o presente. Ora, vejamos o que está a  acontecer!

Os professores queixam-se, os médicos queixam-se, os enfermeiros queixam-se, os funcionários públicos queixam-se, todos apontam erros, todos clamam “que vergonha” , isto é “abrimos a televisão, lemos os jornais ou vemos as redes sociais, equase toda a gente só sabe é queixar-se? E soluções? Parece que todos  acordaram agora para a situação vergonhosa de muitos lares de idosos. Lamentam as mortes, mas não lamentam o abandono a que muitos foram votados depois de ali despejados como se de lixo se tratasse. Leio as críticas e fico sem perceber nada. Afinal os professores querem ou não que as escolas abram? Os médicos e enfermeiros querem ou não que os hospitais voltem à normalidade?

Agora também está na “moda” criticar uma “festa politica” como o “apocalypse” que a todos infectará, mas nada vejo sobre os “encontros jantares” de um “ideário politico” cuja profecia é proibida na nossa constituição da república, todos querem retomar a ida aos campos de futebol, à prática de todos os desportos, realização de touradas e concertos públicos etc etc. Reclama-se, protesta-se, exige-se, lamenta-se, diz-se tantos disparates que dava para encher milhares de “estádios de futebol”. Mas …soluções, há alguém que apresente algumas?

Como muitos dizem, errar é humano! Sim, todos nós cometemos erros em algum momento de nossas vidas. É impossível fugir de falhas, elas fazem parte de nós e só nos resta aceitá-las. Além dos nossos próprios erros, também precisamos lidar com os erros de outras pessoas. Estamos passíveis a errar mas também vulneráveis a sermos magoados e decepcionados. Então, se temos que conviver diariamente com isso, porque não tirar experiência e sabedoria dessas situações?

Será que acham que é com “ladainhas” para  inglês ver que controlam a epidemia?   Cada um rema de acordo com as suas conveniências, pessoais, politicas, sociais ou simplesmente ignorantes, mas todos temos a vantagem de criticar o facto da “embarcação” não seguir o rumo por si “desejado” e hoje o que interessa de facto é criticar.. ganhar uns “likes” e “matando a fome a egos famintos”. É por isso que os macacos andam confusos! Tirar conclusões precipitadas é eficaz se há grande probabilidade de que as conclusões estejam corretas e se o custo de um ocasional erro for aceitável.” (Daniel Kahneman)

 De uma coisa já tenho a certeza….... quanto mais confusão, quanta mais desinformação, quanta mais “estupidez espalharmos” mais difícil será é  retomarmos as nossas vidas para um patamar que as aproxime do que eram antes da pandemia, porque tenho a convicção que nada mais vai ser igual. Se para uns é a situação perfeita para jogadas politicas que a partidarite inibe de não usarem (bloqueados como se de um vírus se tratasse) para outros não passa de mera parvoíce e uma ignorância assustadora. “Se o problema tem solução, não tenha “dores” de cabeça, porque tem solução. Se o problema não tem solução, não tenha “dores” de cabeça, porque não tem solução.” (Provérbio Chinês)

sábado, agosto 29, 2020

 “É melhor fazer pouco e bem, do que muito e mal.” (Sócrates- o filósofo)

Li em qualquer lado que “a vida não era a mesma depois que se penetra no reino das palavras”. A realidade é que  depois de um tempo sozinho, cada coisa ganha um novo nome e cada momento vem com um novo sentido. Temos que ter a percepção de que as pessoas que se importam connosco são as que estão cá até hoje. Sentimos que o tempo é cada vez mais longo, que  as distâncias são cada vez mais curtas, tudo isto leva-nos a ter de continuar a encontrar coisas para estarmos ocupados. Umas das grandes lições que estes tempos do “covid19” nos deu é que não somos, como por vezes julgávamos, infalíveis. Hoje, todos temos a percepção de que somos muito mais frágeis do que pensávamos. Como há dias disse um amigo meu “o Covid19 tem sido para muitas e muitos de nós o grande medo das nossas vidas.

Um dos sintomas da sociedade moderna que todos nós já encaramos um dia, é que somos todos “muito bons a criticar”, mas poucos temos a coragem de apresentar alternativas.  Quando ouvimos que uma atitude vale mais que mil palavras, em geral deixamos essa frase passar como um  sintoma de “fala barato”, mas se pararmos para pensar, ter atitude faz toda diferença na nossa vida! Expressar a gratidão com palavras e atitudes e a nossa vida mudará muito de modo positivo. Como disse o Dalai Lama: ”É durante as fases de maior adversidade que surgem as grandes oportunidades de se fazer o bem a si mesmo e aos outros.”

 Ao contrário do que dizem “os profetas da desgraça” que por aí proliferam, hoje vivemos mais tempo e melhor. E no futuro  podemos talvez prever, ou será esse o nosso sonho, de que será muito mais o hospital ao domicilio,  os  cuidados continuados de saúde ao domicilio, isto é tentar cuidar das pessoas na sua própria casa. Acima de tudo devemos respeito aos nossos velhos, a maior parte da vezes, tão maltratados em lares, muitas vezes pagos a peso de ouro, e que apostar no vale-tudo é um sinal das desgraças que podem chegar. Há que pensar no modo como hoje a sociedade no seu conjunto trata os velhos, levando-os para as diversas despensas para “os empacotar” . Não quero ficar por aqui nestas palavras “talvez fortes e injustas para alguns”, mas responsabilidade é colectiva, é da sociedade que estamos a criar e cujas consequências fingimos não ver ou até não saber! Quando próximo, fingimos estar longe; quando longe, fingimos estar próximo.”(SUN TZE)

Há homens e mulheres que de tudo se servem para atingir os seus fins, o que até pode não o fazer por  mal,  mas quando para atingir um fim enveredam por certas condutas tornam-se tão ou mais rasteiros que os repteis. Há momentos da nossa vida que julgamos estar acima de tudo e de todos, não ouvimos nada, nem ninguém e seguimos em frente como nada conseguisse parar-nos nos nossos objectivos. E, a certa altura, caímos que nem tordos! Tinha razão o filósofo Heraclito, há dois milénios: “não é possível um homem banhar-se duas vezes nas águas do mesmo rio, porque já não é o mesmo rio nem o mesmo homem”.

Hoje já temos a noção de que a epidemia de Covid-19, na sua intensa estranheza e nas consequências nefastas que temos presenciado, forçará uma inevitável e até necessária alteração substancial no nosso modo de viver, dado que todos nós, ao nascer, somos, como naturalmente constatou Hannah Arendt, recebidos pelos mais velhos que nos protegem e educam. É esta a única harmonia possível, na vida de todo o ser humano – uma estreita intimidade entre Passado, Presente e Futuro. O horizonte parece cinzento e incerto e só nos resta sobreviver e ultrapassar esse ano que para nós, nesta altura “parece perdido”, ou talvez assim não seja?.

 Todos nós elegemos uma forma de agir em relação às circunstâncias da vida, e, em qualquer tempo histórico, os homens escolhem entre as possibilidades que se lhes apresentam. Ainda bem que o mundo está a acordar e a perceber que investir na saúde é investir na segurança e na estabilidade. “A vida não cessa. A vida é fonte eterna e a morte é jogo escuro das ilusões. O grande rio tem seu trajecto, antes do mar imenso. Copiando-lhe a expressão, a alma percorre igualmente caminhos variados e etapas diversas, também recebe afluentes de conhecimentos, aqui e ali, avoluma-se em expressão e purifica-se em qualidade, antes de encontrar o Oceano Eterno da Sabedoria.” (Chico Xavier)