quarta-feira, maio 26, 2021

“Carpe diem. Aproveitem o dia. Tornem suas vidas extraordinárias.” (Frase do filme A Sociedade dos Poetas Mortos)

“Carpe diem. Aproveitem o dia. Tornem suas vidas extraordinárias.” (Frase do filme A Sociedade dos Poetas Mortos) Aqui sentado no meu canto relembro os tempos em que havia espaço e tempo para as pessoas se dedicarem uns aos outros. A propósito do sistema de vacinação calhou-me a tão badalada AstraZeneca e, como a maioria dos vacinados com esta vacina, não tive qualquer efeito secundário.(Bem sei que ainda falta a 2ª dose). Receber a vacina e ver tanta gente a ser vacinada, parece-nos se como um “ rastilho” para dias melhores. Talvez por isso, sentimos que cada dia que passa, estamos mais perto de uma certa normalidade, enquanto o nosso espírito permanece vivo, como um sonho de documentar o passado e dar ritmo ao futuro , talvez, nestes tempos que não são os nossos, nos falte a preocupação pelo outro, pelo futuro e pelos grandes desígnios da vida. “Nunca deixe que alguém lhe diga que não pode fazer algo. Se tem um sonho, tem que protegê-lo. As pessoas que não podem fazer por si mesmas, dirão que você não consegue. Se quer alguma coisa, vá e lute por ela. Ponto final.” (Frase do filme À Procura da Felicidade) Por vezes sentimos como um dever e pensamos que talvez seja essa uma missão, espalhar as palavras, como um sinal de dar esperança às pessoas, porque se não tivermos esperança desistimos e não fazemos nada, enquanto as solicitações do consumismo nos toldam as mentes e o instinto de sobrevivência entra em modo de autodefesa o que nos leva a concorrermos uns com os outros por tudo e mais alguma coisa. E sentimos que não tempos tempo para viver a nossa vida. Como dizia Albert Einstein: “A imaginação é mais importante que a ciência, porque a ciência é limitada, ao passo que a imaginação abrange o mundo inteiro.” No meu entendimento faço os possíveis para não cair na tentação de achar que o passado pode ser mais relevante que o presente. Claro que toda a nossa história é importante, mas infinitamente menos do que o nosso presente, sendo claro também que sem a história não haveria presente. Por mais que se compreenda as razões sentimentais e históricas que levam a comportamentos, as implicações no presente de erros cometidos no passado, que impulsionam o incumprimento de todas as regras que salvam vidas, parece-me infelizmente incontornável. Como disse Seneca. ”Dedica-se a esperar o futuro apenas quem não sabe viver o presente.” Amanhã, dia 27 de Maio de 2021 passam 150 anos sobre a realização da 1ª. Sessão das Conferências Democráticas, realizadas no Casino Lisbonense, no dia 27 de Maio de 1871. Na sua entrevista publicada no jornal Público de 5 de março de 2021, o primeiro ministro Dr António Costa (pág 6)….”recomendo sempre vivamente a leitura das “Causas da Decadência dos Povos Peninsulares, de Antero de Quental, que ajuda bastante a explicar tudo o que ainda hoje nos acontece. Toda esta História só nos deve servir para a transformarmos em lição, de modo a não repetirmos no futuro os erros que cometemos no passado.” Antero de Quental pretendeu com o seu, que consta no livro recomendado e citado atrás, nada mais, nada menos do que explicar o atraso registado pelos dois países da Península Ibérica, Portugal e Espanha, desde o século XVII. Numa altura em que não só Portugal e Espanha, mas toda a Europa vive uma crise profunda dos seus valores e o projecto político e cultural da União Europeia cada vez se nos afigura mais adulterado, faz sentido relembrarmos essas causas de decadência que Antero apontou no século XIX e reflectir como certos atavismos podem infiltrar-se no tempo e corroer realidades aparentemente bastante diferentes. “Ninguém desconhece que se está dando em volta de nós uma transformação política, e todos pressentem que se agita, mais forte que nunca, a questão de saber como deve regenerar-se a organização social. (…) investigar como a sociedade é, e como ela deve ser; (…) e, por serem elas as formadoras do homem, estudar todas as ideias e todas as correntes do século”. (CAUSAS DA DECADÊNCIA DOS POVOS PENINSULARES, DE ANTERO DE QUENTAL)