sábado, junho 13, 2020

O que é sagrado na ciência é a verdade.”( Simone Weil)


“O que é sagrado na ciência é a verdade.”( Simone Weil)

Nestes tempos, em que alguém disse “que estranha e dolosamente, todas as catástrofes nos protegem de algo pior”, e leva-nos a mudanças de comportamento, individuais e colectivas, sendo que na realidade se nada se mudar na relação com a globalização e a natureza, as coisas podem vir a ficar mesmo estranhas, em que o vírus do medo, da violência e da ignorância, que  tem-se propagado com força nestes dias, a par do “covid19”, também este “vírus” pode estar a proteger-nos de algo muito pior.
Temos a percepção que a ciência, e os cientistas, nunca estiveram tão próximo das pessoas e a comunicação da ciência nunca foi tão imediata, como nestes tempos, o problema, para além dos grandes desafios que coloca é preciso assegurar a necessária massa critica de modo a garantir que os dados estão correctos – o que nem sempre tem acontecido com alguns estudos. Para além disto é a ciência escolhe o caminho da colaboração, mas, temos assistido que  algumas lideranças políticas escolhem a confrontação, as guerras ideológicas e comerciais, o nacionalismo das vacinas, para poderem dizer que “ganharam”. Fazem um jogo de soma nula, num caso de saúde pública global, o que é irracional. E isso injecta mais incerteza num mundo já de si incerto. Como disse o filósofo alemão Kant: “O mundo é governado pela paixão, pela irracionalidade e por males periódicos.” Isto acontece hoje como há 200 anos atrás. Estes são os tempos que temos que acordar todos para uma nova realidade e que não se cometerão os mesmos erros – é por isso que devemos conhecer a história e ao olharmos para o passado, no presente, não cometermos os mesmos erros.
 Como todos devíamos saber a História de Portugal e dos portugueses está repleta de feitos notáveis, mas também episódios lamentáveis! Nela há Figuras ímpares e de grande valor humano, mas também  personagens pouco recomendáveis! Como todas as histórias dos países neste Mundo!
Mas somos de opinião que ao tentar reescrever a história sob os olhares contemporâneos servirá apenas para o agudizar os extremismos de vários quadrantes contribuindo para o triunfo da ignorância e da “pobreza mental”!
Tudo isto a propósito da vandalização da estátua do Padre António Vieira ,  "Imperador da língua portuguesa" (nas palavras de Fernando Pessoa) e alguém que protegeu os índios sendo perseguido pela Inquisição por tal revela somente uma absoluta ignorância pela nossa história e desprezo pela nossa cultura! Relembramos que os escritores Stefan Zweig e Walter Benjamin suicidaram-se, de certa maneira, por não aguentarem mais o mundo em que viviam. Começa a ser muito difícil viver neste novo mundo que, aos poucos, se está a revelar: um "Admirável Mundo Novo" de ignorância, de fanatismo e de barbárie. A História ensinou-nos que quando regimes e ideologias de cariz totalitário começam a vandalizar estátuas depressa passam para a queima de livros e de pessoas, acabando nos Gulags e Auschwitz! Ainda há bem pouco tempo o mundo se indignou contra os jihadistas do Daesh que destruíram os Budas gigantes do Afeganistão e os monumentos de Palmira, que degolaram os americanos e fazem "limpeza" aos que não são da sua fé.
A nossa história é o nosso passado, as nossas raízes, urge pois estudá-la para que os erros do passado não se repitam e para que os valores da liberdade e da aceitação triunfem! E demonstrar a indignação para com esta “gente”, que não sabe conhecer o aceitar seu passado, com os seus defeitos e virtudes, estudá-lo e contextualizá-lo, preferindo destruí-lo e apagá-lo, é pouco mais  do que um bárbaro ignorante. Esquece-se que qualquer movimento que pense o contrário, vindo a cavalo noutra grande ideia, fará o mesmo auto-de-fé às suas ideias e convicções. E relembro uma frase de Henry Ford: “Quando tudo parece estar com ti, lembra-te que é contra o vento, e não com o vento a favor, que o avião descola”.

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