terça-feira, julho 14, 2020

“A persistência realiza o impossível.” (Provérbio Chinês)


A persistência realiza o impossível.” (Provérbio Chinês)
 
Todos nós passamos por momentos da nossa vida em que temos de ter sempre muita firmeza nas nossas  atitudes e persistência nos nossos ideais, mas temos, o que nem sempre acontece,  de ser pacientes. Não podemos querer que tudo nos chegue de imediato. Há tempo para todo propósito!  O que nós sabemos é que quanto mais fortes estivermos mais pedras vão colocar no nosso caminho, como disse Augusto Cury:”Sem sonhos, as pedras do caminho tornam-se montanhas, os pequenos problemas são insuperáveis, as perdas são insuportáveis, as decepções transformam-se em golpes fatais e os desafios em fonte de medo.”
Nestes tempos que não são os nossos em que vivemos neste lago de vidas paradas, com uma imensas reticências  que nos obrigam a viver , sem sabermos quando e como acaba, embora tendo a consciência plena de que somos  todos parte de um mesmo mundo e, quando um de nós fica melhor, todos melhoramos. Há um provérbio oriental que diz:”Quando se busca o cume da montanha, não se dá importância às pedras do caminho". Por tudo isto precisamos de perseguir os nossos mais belos sonhos. Desistir é uma palavra que tem de ser eliminada do dicionário de quem sonha e deseja conquistar, ainda que nem todas as metas sejam atingidas. Voltaire disse que os sonhos e a esperança foram-nos dado como compensação às dificuldades da vida. Os sonhos são bússolas do coração, são projectos de vida. Os desejos não suportam o calor das dificuldades. Os sonhos resistem às mais altas temperaturas dos problemas. Renovam a esperança quando o mundo desaba sobre nós. “Teria passado a vida  atormentado e sozinho  se os sonhos me não viessem  mostrar qual é o caminho.”(Agostinho da Silva)
A realidade é que mesmos que quiséssemos no dia de hoje, já nenhum de nós seria capaz de reproduzir com exactidão o que sentimos e como vivemos os primeiros tempos da situação que nos foi imposta de “confinamento”. Há claramente um antes e um depois, embora seja ainda cedo para definir quais as tendências,  sentimos que o tempo veio demonstrar que este vírus veio pôr as nossas vidas de pernas para o ar e mexer com os nossos valores e  comportamentos e ao “tentarmos”,  aceitar o querer transformar esta actual situação na “nossa nova normalidade” é um completo disparate que não corresponde a uma realidade que queremos viver, onde a única coisa que ficou até hoje foi o medo, o que não nos parece muito saudável, pois para prevenir a dor daquilo que é imprevisível , não podemos também entrar na dor da resignação. Porque a vida é efémera e esta pandemia veio lembrar-nos disso mesmo. Como disse Augusto Cury : “Apesar dos nossos defeitos, precisamos de ver que somos pérolas únicas no teatro da vida e compreender que não existem pessoas de sucesso ou pessoas fracassadas. O que existe são pessoas que lutam pelos seus sonhos ou desistem deles.”

quinta-feira, julho 09, 2020

"As long as life lasts, let's continue with the story." (Carmen Martín Gaite)

"As long as life lasts, let's continue with the story."
  (Carmen Martín Gaite)

We live in a context of total uncertainty, with a new virus and unpredictable behavior, indefinitely. Nothing is more terrible for citizens and especially for politicians, those in charge and others. To speak is almost always to speak too soon. To declare victory is to allow time for defeat in the next corner. To affirm is to make fingers crossed. Guiding is trying to keep things moving. Like many, I thought the pandemic would give me plenty of time to read. Like many, I ended up littered with texts and books about the virus and all its declines, social, political, economic, all matters that are already overwhelming me and do not give me any kind of "enjoyment". “The book has the advantage that we can be alone and at the same time accompanied.” (Mario Quintana)
Sometimes we can think that life is simpler in black and white, however it is much more complex than the answer to the question: whose fault is it? Perhaps that is why, in these moments of great discomfort, we recall what Marie Curie (the first woman to win the Nobel Prize) said: “Nothing in life should be feared, it must be understood only. Now is the time to understand more, to be able to fear less ”.
We have to be aware that sadness and depression are not the same, as we all feel sad at one time or another and that sadness usually has a limited duration and with appropriate emotional reactions to the situation. If we lose someone we love, if there is a separation or separation from someone or something we like, it is expected that we will be sad for a while, but little by little, our mood will improve and we will again want to do things that we give pleasure. It is different in depression. Negative feelings and symptoms do not disappear after a while and even intensify. As Friedrich Nietzsche said: "What does not cause my death makes me stronger." The philosopher's idea is to show how we are able to learn and become stronger emotionally from our life experiences, including (and especially) the most difficult and painful ones.
 Throughout my life I have always recognized that football was for me “a school of learning for life”, as Albert Camus wrote his most famous phrase about sport: “Everything I know with greater certainty about morality and the obligations of men owe it to football ”. Don't think of yourself first. Think of everyone. It is the only way for everyone to think about you. Neither panic nor relaxation. Just awareness of the seriousness of the situation. I quote here a sentence I read a few days ago: “This is a scary moment. But we have lived in scary times before. ”
And just as the use of reading helps us to relativize everything, this certainty also gives us a strange tranquility in such uncertain times. Perhaps because, as Alberto Caeiro (in the skin of Fernando Pessoa) said, better than anyone: "When spring comes, if I am already dead, the flowers will bloom in the same way and the trees will be no less green than last spring. "Reality doesn't need me. I feel enormous joy when I think that my death is of no importance. If I knew that tomorrow would die and spring was the day after tomorrow, I would die happy, because it was the day after tomorrow. If that's yours time, when would she come if not in her time? "

"Enquanto a vida durar, vamos continuar com a história". (Carmen Martín Gaite)


"Enquanto a vida durar, vamos continuar com a história".
  (Carmen Martín Gaite)

Vivemos num contexto de total incerteza, com um vírus novo e de comportamento imprevisível, por tempo indeterminado. Nada é mais terrível para os cidadãos e m especial para os políticos, os que dirigem e os outros. Falar é quase sempre falar cedo demais. Declarar vitória é dar tempo à derrota na curva seguinte. Afirmar é fazer figas. Orientar é tentar manter as coisas a andar. Como muitos, achei que a pandemia me ia dar tempo de sobra para ler. Como muitos, acabei atulhado em textos e livros sobre o vírus e todas suas declinações, sociais, políticas, económicas, tudo matérias que já me estafam e não me dão qualquer tipo de “gozo”. “O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.”(Mario Quintana)
Por vezes podemos pensar que a vida é mais simples a preto e branco, no entanto ela é bem mais complexa do que a  resposta à pergunta: a culpa de quem é? Talvez por isso, nestes momentos de muito desconforto, rememoramos o que disse Marie Curie (primeira mulher a ganhar o Prémio Nobel):  “Nada na vida deve ser temido, deve ser entendido apenas. Agora é a hora de entender mais, de poder temer menos ”.
Temos que ter a noção de que tristeza e depressão não são a mesma coisa, na medida em que todos nos sentimos tristes num momento ou noutro e essa tristeza tem geralmente uma duração limitada e com reacções emocionais adequadas à situação. Se perdemos alguém que amamos, se há uma separação ou afastamento de alguém ou de alguma coisa de que gostamos, é esperado que fiquemos tristes durante algum tempo, mas, aos poucos, o nosso humor vai melhorando e ganhamos novamente vontade de fazer coisas que nos dão prazer. Na depressão é diferente. Os sentimentos e sintomas negativos não desaparecem ao fim de algum tempo e até se intensificam. Como disse Friedrich Nietzsche:” O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte.”  A ideia do filósofo é mostrar como somos capazes de aprender e ficar mais fortes emocionalmente a partir das nossas experiências de vida, incluindo (e principalmente) as mais difíceis e dolorosas .
 Ao longo dos meus tempos de vida sempre reconheci que o futebol foi para mim “uma escola de aprendizagem para a vida”, tal como Albert Camus escreveu a sua frase mais famosa sobre o desporto: “Tudo quanto sei com maior certeza sobre a moral e as obrigações dos homens devo-o ao futebol”. Não pense primeiro em si. Pense em todos. É a única forma de todos pensarem em si. Nem pânico, nem descontracção. Apenas consciência da gravidade da situação. Cito aqui uma frase que li à dias: “Este é um momento assustador. Mas já vivemos tempos assustadores antes.
E tal como o recurso á leitura nos ajuda a relativizar tudo, também esta certeza nos dá uma estranha tranquilidade em tempos tão incertos. Talvez porque, como Alberto Caeiro (na pele de Fernando Pessoa) disse, melhor do que ninguém: "Quando vier a primavera, se eu já estiver morto, as flores florirão da mesma maneira e as árvores não serão menos verdes que na primavera passada. A realidade não precisa de mim. Sinto uma alegria enorme ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma. Se soubesse que amanhã morria e a primavera era depois de amanhã, morreria contente, porque ela era depois de amanhã. Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?"

quarta-feira, julho 08, 2020

“Quem quer só o que pode, pode tudo quanto quer.”( Proverbio português.)


“Quem quer só o que pode, pode tudo quanto quer.”( Proverbio português.)

Há um ditado popular que diz que “ a vida é a esperança nas linhas da palma das mãos.” Não tenho tantas certezas que me permitam dar alguma credibilidade a este dito popular, tanto mais que nestes tempos que agora passamos, as incertezas decorrentes de uma maior imprevisibilidade nos comportamentos individuais fazem aumentar os riscos. Somos campeões olímpicos da variação colectiva de estados de alma. Ainda assim, não devemos render-nos a esta fatalidade. Estamos a colher o que semeámos. No que gerámos de expectativas não cumpridas, no que não acautelámos no passo decisivo rumo ao desconfinamento que muitos consideraram com uma “libertação colectiva”, esquecendo-se o que era obvio , quando sentimos que ficamos sem chão, embora sentindo com o corpo todo, mas não temos medo de voar e o para sempre é muito pouco tempo. A vida é um relâmpago, passa num instante. E o tempo não sabe esperar. “A forma mais elevada da inteligência humana é a capacidade de observar sem julgar” (J.Krishnamurti)
Tenho a convicção que grande parte das pessoas se consciencializou da sua vulnerabilidade perante a vida, pelo que agora, quando tudo tende a estar mais tranquilo, pode ter a tendência de querer viver de forma mais intensa e imediata. Ultrapassando o receio da infecção, da morte, surge o desejo da vida, do prazer e inevitavelmente alguns excessos. Não tenha pressa de viver, tem tempo. Pratique uma atitude mais humana e empática. Não queira ser super-herói. Não queira voltar a fazer tudo nas primeiras semanas. É humanamente impossível. Pede-se responsabilidade e sublinhe-se que não é só em Portugal que há novos surtos e medidas de reconfinamento. Que atire a primeira pedra quem respeitou TODAS as regras ao longo de quatro meses – e não devemos precipitar-nos a estigmatizar quem contrai o vírus –, mas um surto com origem em situações deste tipo pode pôr em risco toda uma comunidade e a economia de um país. Este parece ser o novo normal: o vírus não vai desaparecer tão cedo e é provável que, até que esteja amplamente disponível uma vacina (ou um antivírico), os surtos de covid-19 vão desparecer da região ou país x para reaparecerem acolá, na localidade y. Que essa viagem não ocorra pelo menos por mera negligência. Divirta-se na jornada da vida, em que a alegria e a boa-disposição são fundamentais. Não deixe que nada nem ninguém lhe roube o sorriso. (…)Foque-se nas soluções e siga com tenacidade rumo à concretização dos seus sonhos. Não deixe que um obstáculo o/a derrube. “Feliz quem não exige da vida mais do que ela espontaneamente lhe dá, guiando-se pelo instinto dos gatos, que buscam o sol quando há sol”.(Fernando Pessoa)

sábado, julho 04, 2020

"Anyone who has something to live for is capable of supporting anything." (Friedrich Nietzsche)

"Anyone who has something to live for is capable of supporting anything." (Friedrich Nietzsche)

Some say that time is a sieve. It disperses the noise, makes all secondary things fall and leaves us what really matters. As I have already written, in these times that are not our times, sometimes we feel, in general, in a phase of a certain existentialism, in which we can never lose sense and be aware of our age, and it is in these moments that do we think strongly about what we are doing here? The reality is that regardless of the scientific issues, it is of elementary common sense to conclude that “many situations of gravity” are linked to situations of despair, frustrated expectations, lack of horizons, inability to overcome difficulties or as an attempt to escape from circumstances of life that he himself refuses to face. It is therefore reasonable to think of this statement attributed to Sun Tzu: "In the midst of chaos there is always an opportunity", which in many cases, it might have been possible to avoid the realization of tragic and irreversible outcomes, if someone had managed to mitigate the causes of so much We are in a time of crisis as a result of a pandemic that has turned the world inside out. As a result, we are at the door of an economic crisis that will turn the lives of many families inside out. behind every door or every cloth we use to hide our weaknesses?
What have we learned from this pandemic? This is an exercise that we probably all did and are still doing, because there will be no one who has not learned something that they will not forget, for the rest of their lives. A pandemic broke out in our lives and a feeling of fear and anxiety hit us. Which means that this is not for fun, we still cling to a chronic optimism that allows us to see the less dark side of these days full of uncertainty, but we live “one day at a time”, managing the routines and emotions of best way we know, but not always sure to be the best way. Perhaps for this reason, it will be very useful to recall here some of the teachings of Buddhism: “Do not live in the past, do not dream about the future, focus your mind on the present moment.” (Buddha)
We have the perception that income, or the lack of it, is certainly one of the biggest causes of suffering and despair within families and leads to extreme situations. In this society facing economic growth, where individual success is closely linked to the ability to accumulate wealth, and where loneliness is a journey that we cannot take on each other, situations of despair related to unemployment, precarious work or low wages are usually seen as collateral damage that the State, always he, can eventually help correct, having the ability to always bear in mind that loneliness is also part of life's experience, and that living life makes us feel well, that happiness of each one of us, cannot be full while the unhappiness is, and we without knowing it, right there beside us. That is why it is very good to have in mind what Eloi Laurent, an American economist, said: "Economic growth is a deadly paradox and it is also an illusion. Huge growth can hide human poverty, as we see in the USA"

“Quem tem algo por que viver, é capaz de suportar qualquer coisa.” (Friedrich Nietzsche)


“Quem tem algo por que viver, é capaz de suportar qualquer coisa.” (Friedrich Nietzsche) 

Há quem diga que o tempo é uma peneira. Dispersa o ruído, faz cair todas as coisas secundárias e deixa-nos o que realmente importa. Como já tenho escrito, nestes tempos que não são os nossos tempos, por vezes sentimo-nos, no geral, numa fase de certo existencialismo, em que nunca podemos perder o sentido e ter alguma consciência da idade que temos, e é nesses momentos que pensamos fortemente sobre o que andamos a fazer aqui? A realidade é que independentemente das questões científicas, é de elementar bom senso concluir que “muitas situações de gravidade” estão ligadas a situações de desespero, de frustração de expectativas, de falta de horizontes, de incapacidade de superar dificuldades ou como tentativa de fuga a circunstâncias de vida que o próprio se recusa a enfrentar. É por isso razoável pensar nesta afirmação atribuída a Sun Tzu: No meio do caos há sempre uma oportunidade", o que em muitos  casos, talvez fosse possível evitar a concretização dos desfechos trágicos e irreversíveis, caso alguém tivesse conseguido atenuar as causas de tanto sofrimento. Estamos num tempo de crise em resultado de uma pandemia que virou o mundo do avesso. Em consequência, estamos à porta de uma crise económica que irá virar do avesso a vida de muitas famílias. Quando e onde conseguimos destapar a realidade que está por detrás de cada porta ou de cada pano que usamos para esconder as nossas fragilidades?
O que aprendemos com esta pandemia? Este é um exercício que provavelmente todos nós fizemos e ainda estamos a fazer, porque não haverá quem não tenha aprendido algo que não irá esquecer, para o resto da vida. Uma pandemia entrou de rompante nas nossas vidas e abateu-se sobre nós um sentimento de medo e ansiedade. O que quer dizer que isto não está para brincadeiras, agarramo-nos ainda a um optimismo crónico que nos permite ver o lado menos negro destes dias carregados de incertezas, mas  vivemos “um dia de cada vez”, gerindo as rotinas e as emoções da melhor forma que sabemos, mas nem sempre certos de ser o melhor caminho. Talvez por isso, será de muita utilidade recordar aqui alguns dos ensinamentos do budismo: “Não viva no passado, não sonhe com o futuro, concentre a mente no momento presente.”(Buda)
Temos a percepção de que os rendimentos, ou a falta deles, é certamente uma das maiores causas de sofrimento e de desespero no seio das famílias e conduz a situações limite. Nesta sociedade virada para o crescimento económico em que o sucesso individual está muito ligado à capacidade de acumular riqueza, e em que a solidão é uma jornada que não podemos fazer uns aos outros, as situações de desespero relacionadas com o desemprego, a precariedade laboral ou as baixas remunerações são normalmente vistas como danos colaterais que o Estado, sempre ele, poderá eventualmente ajudar a corrigir, tendo a capacidade de ter sempre bem presente que a solidão também é parte da experiência da vida, e para que viver a vida nos faça sentir bem, essa felicidade de cada um de nós, não pode ser plena enquanto a infelicidade estiver, e nós sem o saber, ali mesmo ao nosso lado. Por isso, é muito bom termos presente aquilo que disse Eloi Laurent ,um economista, norte americano "O crescimento económico é um paradoxo mortal e também é uma ilusão. Um gigantesco crescimento pode esconder a pobreza humana, como vemos nos EUA"

quarta-feira, julho 01, 2020

“São capazes os que pensam que são capazes”. (Virgilio poeta roman


 “São capazes os que pensam que são capazes”. (Virgilio poeta romano)

“Temos uma vida cheia com muitos memórias, muitos momentos, alguns já passados, outros ainda para vir, há muito para aprender e a ver”. Mas nós é que temos que encontrar essa motivação e há sempre aquele recurso que aparece como uma “solução” para nos ajudar a enfrentar o dia a dia. Quantos não davam para ter estes privilégios?
A vida de cada um de nós corre apressada levando-nos para onde o acaso quer. Não conto como vida o tempo que existo, uma vida sem desafios, sem erros e acertos não passa de mera existência. A realidade é que todos, no geral, e por vezes sentimos que existir não basta, e que não podemos abrir mão de viver! Todos devemos ter uma noção de que a vida é feita de tentativas... de acertos e de erros, de esperanças com surpresas e decepções, de alegrias e tristezas, algumas vezes de sofrimentos que não valem a pena, mas que o coração insiste em esperar e sofrer... mas o que realmente importa é não desistir de viver. Como o próprio nome já diz, o passado ficou para trás e não volta mais. “O tempo que passa não passa depressa. O que passa depressa é o tempo que passou.”(Vergílio Ferreira) E, por isso viva o presente e aprenda com os seus erros e acertos. Nós construímos a nossa história a cada dia, e o passado serve para nos mostrar como a vida está em constante movimento e evolução. Nós fizemos o que fizemos, mas não fizemos tudo o que não fizemos. Como disse Osho:” Esqueça essa história de querer entender tudo. Em vez disso, viva, em vez disso, divirta-se! Não analise, celebre! Opte por aquilo que faz o seu coração vibrar... Apesar de todas as consequências”
 Nos últimos anos as neurociências e as ciências comportamentais têm mostrado que as capacidades de uma pessoa, a sua inteligência, personalidade e outras dimensões não são realidades fixas à partida, estabelecidas à nascença, que não mudem ao longo da vida. Pelo contrário, a pessoa é maleável, é plástica a vida toda. Um dos factores que mais potenciam a mudança, a melhoria, o bem-estar e a alta performance, sugerem por exemplo as investigações de Carol Dweck, da Universidade de Stanford e a sua grande descoberta que  aquilo em que as pessoas acreditam dá forma aquilo que alcançam”,  é do saber precisamente  que cada ser humano não é algo de fixo.
As nossas convicções acerca de nós próprios e da natureza das nossas capacidades, determinam a maneira como interpretamos as nossas experiências e saber que se pode mudar, que é natural mudar, que se nos esforçarmos, melhoramos, que nada no comportamento está predeterminado ou é uma fatalidade e que o grande modelador, de facto, é aquilo em que acreditamos, o que se visto na perspectiva certa pode libertar a pessoa para chegar onde se propuser. Confrontamos, “a contrario”, lembramos Virgílio, o poeta romano de há 2000 anos: “São capazes os que pensam que são capazes.”

sexta-feira, junho 26, 2020

Living is the rarest thing in the world. Most people just exist. ”(Oscar Wilde)

Living is the rarest thing in the world. Most people just exist. ”(Oscar Wilde)

 This time, which is not our time, is making us live our "life" in another way, it makes us live it to the limits of the possible. There are all those who have to work, there are all who have to sleep, there are all who have to eat, there are those who have to play, and even travel and visit so many things, all in the same space (in time and physical). That is why, we have to admit that this pandemic, may also be remembered, as an opportunity for many to know, the “most forgotten part” of their own life, and to start “talking” about quality of life, in an opportunity remote work space and “breathing space”. As Max Weber said: "History teaches us that man would not have achieved the possible if, repeatedly, he had not tried the impossible."
 We can never stop dreaming, but always respecting above all our identity and our roots, we all have roots that keep us standing. We all need to know and know what our roots are, because that alone gives us the feeling of living our life: there is any place in the world where we were born, where we learn to speak a language, where we discover how our ancestors overcame their problems. There will be a certain moment in our life, when we become responsible for that place! Sometimes we feel that we needed to have wings, because we wanted to show the endless horizons of the imagination, which lead us to our dreams, and lead us to distant places. These are the wings that allow us to know the roots of our fellow men, and learn from them. ” When the roots are deep there is no reason to fear the wind. ” (Chinese proverb)
Although the first impression is what remains, we must all realize that the essential is almost always invisible to the eye. Because how we feel inside is reflected externally, even if we are unable to have that perception, we cannot pretend that after a certain moment, that we do not know when, and we doubt that anyone knows, everything will be as it was before! I recall a Chinese proverb, demonstrating how ancient wisdom can inspire change. "No matter how many steps were taken back, the important thing is how many steps now we take forward".
For better or for worse it is my conviction that we have to turn this page of the relative loss of our individual and collective freedom that this virus (covid19) implied. It becomes evident that, perhaps this is not the only subject or design of society, as we must know and accept that “there is more life than the virus”, because we feel that we all have the right and as citizens to be free to pursue our life projects, our ambitions and aspirations, when uncertainty is particularly high about future behaviors. The question is to know when and how? “Here's my secret: you can only see well with your heart. The essential is invisible to the eyes. Men have forgotten this truth, but you must not forget it. You become forever responsible for what you captivate. ”(Antoine de Saint-Exupéry)

“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.”(Oscar Wilde)


 Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.”(Oscar Wilde)

 Este tempo, que não é o nosso tempo, está a fazer-nos viver a nossa “vida” de outra forma, faz-nos vivê-la nos limites do possível. Há todos aqueles que tem de trabalhar, há todos que tem que dormir, há todos que tem de comer, há  aqueles que tem de brincar, e até de viajar e visitar tantas coisas, tudo no mesmo espaço (de tempo e físico). É por isso, que temos que admitir que esta pandemia, pode também vir a ser lembrada, como uma oportunidade para muitos conhecerem, a “parte mais esquecida” da sua própria vida, e começar a “falar” em qualidade de vida, em oportunidade de trabalho remoto e “espaço para respirar”. Como disse Max Weber : “A história ensina-nos que o homem não teria alcançado o possível se, repetidas vezes, não tivesse tentado o impossível.”
 Nunca podemos deixar de sonhar, mas sempre respeitando acima de tudo a nossa identidade e as nossas raízes, todos nós temos raízes que nos mantém em pé. Todos nós precisamos de conhecer e saber quais as nossas raízes, pois só isso nos dá o sentir de viver a nossa vida: existe um qualquer  lugar no mundo onde nascemos, onde aprendemos a falar uma língua, onde descobrimos como nossos antepassados superavam seus problemas. Haverá um dado momento na nossa vida, em que passamos a ser responsáveis por esse lugar! Por vezes sentimos que precisávamos de ter asas, pois queríamos mostrar os horizontes sem fim da imaginação, que nos levam até aos nossos sonhos, e nos conduzem a lugares distantes. São essas as asas que nos permitem conhecer as raízes de nossos semelhantes, e aprender com eles.” Quando as raízes são profundas não há razão para temer o vento.” (Provérbio Chinês)
Apesar da primeira impressão ser a que fica, todos devemos ter a percepção, que quase sempre o essencial é invisível aos olhos. Pois como nos sentimos por dentro é reflectido exteriormente, mesmo que não consigamos ter essa percepção, não podemos fingir que a partir de determinado momento, que não sabemos quando, e duvidamos que alguém saiba, tudo voltará a ser como antes! Relembro um provérbio chinês, demonstrativo de como a sabedoria ancestral pode ser inspiradora da mudança. “Não importa quantos passos foram dados para trás, o importante é quantos passos agora damos para a frente".
Para o bem ou para o mal é a minha convicção que temos que virar esta página da perda relativa da nossa liberdade individual e colectiva que este vírus (covid19) implicou. Torna-se evidente que, talvez este não seja o único assunto ou desígnio da sociedade, pois temos de saber e aceitar que “há mais vida para além do vírus”, pois sentimos que todos temos o direito e como cidadãos ser livres de prosseguir os nossos projectos de vida, as nossas ambições e aspirações, quando a incerteza é particularmente elevada quanto a comportamentos futuros. A questão é o de saber quando e como? “Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”(Antoine de Saint-Exupéry)

domingo, junho 21, 2020

“O verdadeiro valor das coisas é o esforço e o problema de as adquirir.”(Adam Smith)


  “O verdadeiro valor das coisas é o esforço e o problema de as adquirir.”(Adam Smith)

 Parece que tudo mudou para que tudo ficasse na mesma nestes tempos estranhos em que vivemos. Tempos de crise sanitária, económica e social. Tempos em que o medo parece ter medo do próprio medo. O Sol morreu ao princípio da tarde, mas o mundo continuou a girar à sua volta como se nada tivesse acontecido, porque a vida segue e   certos momentos nem o tempo apaga. Mas todos devemos sentir que o Sol nunca tem vergonha da própria luz e que certas coisas o tempo não deve, nem pode apagar, porque de vez em quando precisamos olhar para trás e assim percebermos que precisamos continuar, como disse o economista Adam Smith : “O verdadeiro valor das coisas é o esforço e o problema de as adquirir.”
Acredito que a generalidade das pessoas conhece, ou já ouviu falar, na metáfora, do copo “copo meio-cheio ou meio-vazio”, o que talvez não saiba é que  diante de uma circunstância há duas formas de ver as coisas, comparando com um copo que está meio de água e somos levados a pensar que estamos a falar de água dentro do copo, que nós possuímos e que podemos beber, mas porém, a verdade é que não falamos realmente da água, falamos do copo, esta é a parte desconhecida da metáfora do copo “meio-vazio” ou “meio-cheio”?
 Nesta situação temos de reconhecer a falta de uma dado muito importante, que é a opinião do copo! E, por isso, temos de falar um pouco dele, pois sem ele não existiria esta metáfora, que toda a gente pensa que fala de água, quando na realidade fala de copos. Isto leva-nos a recordar uma frase que é usada  em” palestras motivacionais” e que diz mais ou menos o seguinte: “Ao olhar para um copo com água até a metade, o optimista vê o copo quase cheio. O pessimista vê o copo quase vazio. Já o realista vê o copo com metade de água.”
Na verdade, podemos focar-nos na parte dos problemas do que não temos, naquilo que nos impede de realizar o que pretendemos….estamos a olhar para a parte meio-vazia do copo, a parte da escassez, do que falta e da frustração.  Ou, por outro lado, podemos forcar-nos na parte das soluções ou da solução, nos nossos recursos,  na nossa valorização, no que nos poderá ajudar a realizar aquilo que pretendemos , os nossos sonhos….estamos a olhar para a parte meio-cheia do copo, a parte do que é real, da abundância e até da gratidão. Esta é a metáfora do “copo meio-vazio” ou do “copo meio-cheio”. Porém será que ela diz toda a verdade? Temos de admitir que esta metáfora pode esgotar-se na interpretação de quanta água temos no copo e no importante que possa ser termos mais ou menos água? Já dizia Mahatma Gandhi que “um erro não se converte em verdade pelo facto de que todo mundo acredite nele.”
 Voltamos ao principio há  coisas que o tempo não apaga.  O verão está à porta. O solstício de Verão terá lugar hoje ás 22,44 horas,  marcando o início da estação no hemisfério norte. As temperaturas vão começar a subir, assim como a tentação de disfrutar duma ida à praia. Mas atenção: ainda não foi descoberta nenhuma vacina nem nenhum medicamento capaz de fazer frente ao coronavírus. E o vírus não escolhe idades. Há coisas que não se podem esquecer! “ Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”.( Leon C. Megginson)

quarta-feira, junho 17, 2020

"We look, and another one sees." (popular saying)

"We look, and another one sees." (popular saying)

We don't see what we see, we see what we are, which makes us remember that sometimes we look, but we see nothing. Sometimes because things are too small, sometimes because they are too big, and sometimes because we decided not to want to see it! The truth is that perhaps it is because we do not want to accept, as the voice of the people says, “one does not want what the eye does not see”, regardless of the reasons, we always end up having a partial view of reality. As Mother Teresa of Calcutta said: “We often look but we don't see. We are just passing through this World. We need to open our eyes and see. ”
I think that we were all surprised by the events related to the impact of the “so-called new viruses” and suffered the consequences of having to find a new and different “model of living”. We all have our own vision of the “world around us” and we create our “own reality” - there are those who are ways of seeing the world that do not reveal reality and that we think we have an accurate view of the world, when in fact , we have a distorted view. As writer Vergílio Ferreira said, “a truth is only true when taken to the ultimate consequences. Until then it is not a truth, it is an opinion. ”
 We all feel that our societies were not and are not well prepared, or even minimally prepared, to face the unexpected; it is worth mentioning here in the specific case of this pandemic, the exemplary behavior of all those who are part of the National Health Service, with the exception of those who “want to destroy it”. We have to accept that in reality, and in general, “our politicians”, manage “daily political tricas” very well, omitting or “forgetting” that revolt is the language of those who are not heard. We all have an obligation to know how to listen, including politicians, because they are also citizens, with rights, but also with duties, it may be useful to remember that when we value other people's lives, we also value ours, and in these times, the our greatest fear is that after the pandemic is over, we will return to the usual, forgetting the subtle - however threatening it may be - to deal exclusively with the noisy: as a friend of mine says, "if we had to bet a dinner, I would say that we will learn (with this crisis), but little and late ".
I realize that the time has come for us to think a little about the complexity of the world in general (and not just what surrounds us) and be able to identify and anticipate risks. In these times when we are continually "bombarded" by massive information, we must be able to think and discern the structural trends that mark change. Or said in other words: Do what you have to do ... Regardless of the results in the future or the failures of the past, regardless of what others think of you. It is a pretentious way of saying "live your present", but put it another way ... it may be that someone overcomes the buzzword and really understands its meaning.
“Start over ... if you can. Without anguish. And without haste. And the steps you take, On this hard path, From the future Give them freedom. Until you reach. Don't rest. Of no fruit do you want only half. “(Miguel Torga Diário XIII).

"A gente olha, e outro é que vê." (provérbio popular)



"A gente olha, e outro é que vê." (provérbio popular)

Nós não vemos o que vemos, nós vemos o que somos o que nos leva a relembrar que por vezes olhamos, mas não vemos nada. Umas vezes porque as coisas são demasiado pequenas, outras por serem demasiado grandes, e outras ainda porque decidimos não querer ver! A verdade é que talvez seja por não querermos aceitar, como diz a voz do povo, “não se deseja o que o olhar não veja”, independentemente das razões acabamos sempre por ter uma visão parcial da realidade. Como disse Madre Teresa de Calcutá: “Muitas vezes olhamos mas não vemos. Estamos apenas de passagem por este Mundo. Precisamos de abrir os olhos e ver.”
Penso que todos nós fomos surpreendidos pelos acontecimentos relacionados com o impacto do “chamado novos vírus” e sofremos as consequências ao ter de encontrar um novo e diferente “modelo de viver”. Todos nós temos uma visão própria do “mundo que nos rodeia” e criamos a nossa “própria realidade” – há quem dia que são modos de ver o mundo que não revelam a realidade e que julgamos ter uma visão exacta do mundo, quando na verdade, temos uma visão distorcida. Como disse o escritor Vergílio Ferreira, “uma verdade só é verdade quando levada às últimas consequências. Até lá não é uma verdade, é uma opinião.”
 Todos nós sentimos que as nossas sociedades não estavam e não estão bem preparadas, ou nem sequer minimamente preparadas, para enfrentar o inesperado; ressalva-se aqui no caso concreto desta pandemia, o exemplar comportamento de todos os que integram o Serviço Nacional de Saúde, com a excepção para aqueles que o “querem destruir”. Temos que aceitar que na realidade, e no geral, os “nossos políticos”, gerem muito bem as “tricas políticas quotidianas”, omitindo ou “esquecendo-se” que a  revolta é  a linguagem daqueles que não são ouvidos. Temos todos uma obrigação de saber ouvir, inclusive os políticos, porque também são cidadãos, com direitos, mas também com deveres, talvez seja útil relembrar que quando valorizamos a vida de outras pessoas, também valorizamos a nossa,  sendo que , nestes tempos, o nosso maior receio  é que passada a pandemia voltemos ao habitual, esquecendo o subtil - por mais ameaçador que ele seja - para nos ocuparmos exclusivamente do ruidoso: como diz um amigo meu, "se tivéssemos de apostar um jantar, diria que vamos aprender (com esta crise), mas pouco e tarde".
Tenho a percepção de que chegou o momento de pensarmos um pouco na complexidade do mundo em geral, ( e não só no que nos rodeia) e sermos capazes de identificar e antecipar os riscos. Nestes tempos em que somos “bombardeados “continuamente por uma informação massiva, temos que ser capazes de pensar e discernir as tendências estruturais que marcam a mudança.  Ou dito por outras palavras: Faz o que tens de fazer… Independentemente dos resultados no futuro ou dos fracassos do passado, sem te importares com o que os outros pensam de ti. É uma forma pretensiosa de dizer “vive o teu presente”, mas dito assim de outra maneira… pode ser que alguém ultrapasse o chavão e compreenda realmente o seu significado.
“Recomeça...Se puderes. Sem angústia .E sem pressa. E os passos que deres ,Nesse caminho duro, Do futuro Dá-os em liberdade. Enquanto não alcances. Não descanses. De nenhum fruto queiras só metade. “(Miguel Torga  Diário XIII).

segunda-feira, junho 15, 2020

“TUDO NOS PARECE DE PERNAS PARA O AR NO MUNDO DE HOJE!” (Alexandre Dumas)


   
“TUDO NOS PARECE DE PERNAS PARA O AR NO MUNDO DE HOJE!” (Alexandre Dumas) 

Nestes tempos que agora passamos, somos ameaçados, pelo menos é isso que nos parece, por uma “geração de meninos mimada”, apostada em deitar lixivia para cima da nossa História, sem perceber que “sem conhecer as suas raízes” não sabe quem é??? Só nos resta esperar que, estudem um pouco a nossa História, que as mentes se iluminem e saibam o que foi diferente, pois não tenhamos dúvidas ou ilusões, se não soubermos resistir a esta espécie de vaga, que se denomina “libertadora e igualitária” mergulhamos rapidamente em novas eras obscurantistas. Como escreveu Alexandre Dumas (escritor francês) “por vezes a soma da sabedoria humana, encontra-se no saber esperar e na esperança”.
Parece-me que será o momento de recordar, que após o episódio fatal, (morte de George Floyd nos Estados Unidos) que ocorreu em 25 de maio, e perturbou a vida social e política dos Estados Unidos, alimentando o debate sobre o racismo e levantando novas questões sobre a actuação das forças policiais contra a comunidade negra e que inicialmente provocou a discussão sobre racismo para as ruas, com manifestações em cidades de todo o mundo, depois para o sofá da sala, com a interrupção de filmes e séries criados sob um olhar colonialista, e agora para os livros de História, com o questionamento das figuras que os países homenagearam em estátuas e monumentos. “Estranho destino que leva os homens a destruírem-se uns aos outros por interesses de pessoas que lhes são estranhas, e que na maior parte das vezes nem lhe sabem da existência.” (Alexandre Dumas)
Entendo ser admissível, e não será de agora “ que os heróis estão sempre a ser repensados, pois eles falam por esse momento da História, e é obrigação e  faz parte da tarefa do historiador desmontar certo tipo de olhar, dado que essas personalidades que marcaram um determinado tempo “não se destroem”, mas exigem que se olhe para elas com “espírito crítico”. Por isso, não se  percebe o derrube de monumentos de homenagem a figuras como Cristóvão Colombo, como não perceberia se acontecesse com o Parthenon. “A escravatura era a base do sistema social da Grécia Antiga.” Os monumentos da acrópole foram erguidos com esse suor e sangue. “Não vamos agora destruí-los. Ou vamos?
Para nós é inaceitável querer viver numa sociedade desprovida de valores, onde tudo é possível e permitido, e onde os que defendem esses valores são conotados como reaccionários, onde a recente onda de vandalismo é reveladora de fundamentalismo e ignorância, sectarismo e estupidez e revela como são “farinha do mesmo saco” aqueles que  querem impor uma razão, como se alguém dela fosse dono, e por isso, causa-nos uma natural indignação que se tentem censurar proibir e destruir estátuas, livros, monumentos e agora até filmes, que são obras-primas e testemunhos de um passado colectivo, que deviam permanecer como memórias de tudo aquilo que não devia voltar a acontecer (e que se repete, afinal, ao longo dos séculos), que nos permitem tirar lições e ilações, se não estivermos cegos pela ignorância e pela febre das redes sociais. “Os que cuidam que tudo sabem necessitam de mais advertências, porque erram mais torpemente por isso necessitam de mais conselhos, porque presumem que de nada carecem, cegueira em que os mais advertidos tropeçam”(Padre António Vieira)

sábado, junho 13, 2020

O que é sagrado na ciência é a verdade.”( Simone Weil)


“O que é sagrado na ciência é a verdade.”( Simone Weil)

Nestes tempos, em que alguém disse “que estranha e dolosamente, todas as catástrofes nos protegem de algo pior”, e leva-nos a mudanças de comportamento, individuais e colectivas, sendo que na realidade se nada se mudar na relação com a globalização e a natureza, as coisas podem vir a ficar mesmo estranhas, em que o vírus do medo, da violência e da ignorância, que  tem-se propagado com força nestes dias, a par do “covid19”, também este “vírus” pode estar a proteger-nos de algo muito pior.
Temos a percepção que a ciência, e os cientistas, nunca estiveram tão próximo das pessoas e a comunicação da ciência nunca foi tão imediata, como nestes tempos, o problema, para além dos grandes desafios que coloca é preciso assegurar a necessária massa critica de modo a garantir que os dados estão correctos – o que nem sempre tem acontecido com alguns estudos. Para além disto é a ciência escolhe o caminho da colaboração, mas, temos assistido que  algumas lideranças políticas escolhem a confrontação, as guerras ideológicas e comerciais, o nacionalismo das vacinas, para poderem dizer que “ganharam”. Fazem um jogo de soma nula, num caso de saúde pública global, o que é irracional. E isso injecta mais incerteza num mundo já de si incerto. Como disse o filósofo alemão Kant: “O mundo é governado pela paixão, pela irracionalidade e por males periódicos.” Isto acontece hoje como há 200 anos atrás. Estes são os tempos que temos que acordar todos para uma nova realidade e que não se cometerão os mesmos erros – é por isso que devemos conhecer a história e ao olharmos para o passado, no presente, não cometermos os mesmos erros.
 Como todos devíamos saber a História de Portugal e dos portugueses está repleta de feitos notáveis, mas também episódios lamentáveis! Nela há Figuras ímpares e de grande valor humano, mas também  personagens pouco recomendáveis! Como todas as histórias dos países neste Mundo!
Mas somos de opinião que ao tentar reescrever a história sob os olhares contemporâneos servirá apenas para o agudizar os extremismos de vários quadrantes contribuindo para o triunfo da ignorância e da “pobreza mental”!
Tudo isto a propósito da vandalização da estátua do Padre António Vieira ,  "Imperador da língua portuguesa" (nas palavras de Fernando Pessoa) e alguém que protegeu os índios sendo perseguido pela Inquisição por tal revela somente uma absoluta ignorância pela nossa história e desprezo pela nossa cultura! Relembramos que os escritores Stefan Zweig e Walter Benjamin suicidaram-se, de certa maneira, por não aguentarem mais o mundo em que viviam. Começa a ser muito difícil viver neste novo mundo que, aos poucos, se está a revelar: um "Admirável Mundo Novo" de ignorância, de fanatismo e de barbárie. A História ensinou-nos que quando regimes e ideologias de cariz totalitário começam a vandalizar estátuas depressa passam para a queima de livros e de pessoas, acabando nos Gulags e Auschwitz! Ainda há bem pouco tempo o mundo se indignou contra os jihadistas do Daesh que destruíram os Budas gigantes do Afeganistão e os monumentos de Palmira, que degolaram os americanos e fazem "limpeza" aos que não são da sua fé.
A nossa história é o nosso passado, as nossas raízes, urge pois estudá-la para que os erros do passado não se repitam e para que os valores da liberdade e da aceitação triunfem! E demonstrar a indignação para com esta “gente”, que não sabe conhecer o aceitar seu passado, com os seus defeitos e virtudes, estudá-lo e contextualizá-lo, preferindo destruí-lo e apagá-lo, é pouco mais  do que um bárbaro ignorante. Esquece-se que qualquer movimento que pense o contrário, vindo a cavalo noutra grande ideia, fará o mesmo auto-de-fé às suas ideias e convicções. E relembro uma frase de Henry Ford: “Quando tudo parece estar com ti, lembra-te que é contra o vento, e não com o vento a favor, que o avião descola”.

quinta-feira, junho 11, 2020

“PERCEBEMOS MESMO O QUE SE PASSOU OU PREFERIMOS VOLTAR AO PASSADO?”(Presidente da República, discurso de 10 Junho de 2020)


“PERCEBEMOS MESMO O QUE SE PASSOU OU PREFERIMOS VOLTAR AO PASSADO?(Presidente da República, discurso de 10 Junho de 2020)

“Uma crise séria nunca deve ser desperdiçada, elas são uma oportunidade para fazer as coisas  que antes pensávamos que não conseguiríamos fazer”. (Rahm Emannuel –chefe gabinete Obama). Talvez por isso o presidente da Republica Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, no seu discurso do dia 10 de Junho de 2020, tenha questionado se “percebemos mesmo o que se passou e se passa, ou, apesar de concordarmos com os desafios destes tempos, preferimos voltar ao passado naquilo em que ele já não serve ou já não é suficiente?” É muito provável que muitos de nós que nestes tempos que não são os nossos, somos levados a pensar que esta “crise viral” tem tudo a ver com “estes tempos”, sentimo-nos como “enlatados” e até furiosos, como num engarrafamento de trânsito em hora de ponta, procuramos uma escapatória à nossa volta e não vemos nada. Há uns dias li esta prece, num qualquer livro, e que nestes dias me vem por vezes ao pensamento. “Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios. “ (salmo 90:12). Talvez a causa próxima, nestes tempos de confinamento epidémico seja, na verdade porque não fazemos outra coisa que não seja contar: os dias, as horas e até os minutos, mas também somos, a todo o momento, quer nas tvs ou na imprensa, bombardeados com os mortos, infectados, contamos os curados, os internados, os resultados dos testes em falta, as faltas à escola, e tanta coisa mais, e o que queríamos ouvir ou ler quantos dias faltam para voltarmos “à nossa normalidade”? Normalidade que foi suspensa e não sabemos por quanto tempo.  Sonhamos que a contagem dos dias acabem, queremos alcançar um “coração sábio” que nos diga ou garanta que todo este sofrimento não seja em vão! “Nenhum homem é uma ilha isolada.” Uma frase de John Donne que, nestes tempos em que tantas vidas se perderam, podem ajudar-nos a recordar qual o real sentido da palavra “comunidade”, que de súbito nos assalta perante o “sentimento de medo”, que nos leva o olhar uns para os outros, o que antes muitas vezes nos era indiferente, mas agora, nestes tempos vemo-nos reflectidos como num espelho, porque vemos nele o que verdadeiramente importa: viver a vida, pois esta “é uma valor sem variações” (cardeal Tolentino de Mendonça)
  Na realidade com tudo isto não é o tempo para “brincadeiras” e temos de ter plena consciência se nada fizermos o nosso futuro será muito sombrio, para evitá-lo e pensar em soluções, devemos olhar para os mundos possíveis contidos na realidade que “nestes tempos” temos de enfrentar, o que nos obriga a ter de sofrer de um lado, e de recriar do outro ao mesmo tempo.  O filósofo americano Nelson Goodman chamou a atenção para os “mundos possíveis que estão dentro do mundo real”. Numa crise sistémica, mais importante do que prever o futuro, que ninguém sabe o que vai ser, é olharmos para esses mundos possíveis que estão dentro da realidade sombria que vivemos e encontrarmos formas de minimizar os riscos que se nos colocam. ”É um erro pensar uma geração como dispensável ou como um peso, pois não podemos viver uns sem os outros”(cardeal Tolentino de Mendonça)