quinta-feira, junho 04, 2020

SERÁ PRECISO RECONSTRUIR OU REABRIR A ECONOMIA?


SERÁ PRECISO RECONSTRUIR OU REABRIR A ECONOMIA?

Está lançada a discussão, e não só entre “economistas políticos”, a partir de duas palavras que “parecem esconder” o seu verdadeiro significado politico e que envolvem aqueles que defendem a “abertura imediata da economia” e os que “defendem que há que aproveitar para reconstruir a economia”. A realidade é que o conceito de “reabrir” está a ser conotado com os “economistas e políticos conservadores e neoliberais” e o conceito de “reconstruir” é defendido pelos “economistas e políticos inovadores e defensores do estado social”.
 Como alguém já disse “isto não está para brincadeiras, neste mundo em crise, e se nada fizermos o futuro será sombrio”. Para evitá-lo e pensar em soluções, devemos olhar para os mundos possíveis contidos na realidade que enfrentamos.
Antes de mais devo dar a conhecer a minha declaração de interesses como ex-profissional e estudioso destas relações sociais, e salvo melhor conhecimento e entendimento na minha opinião a economia não precisa de ser reaberta, ela precisa é de ser estrategicamente reconstruída. A discussão sobre quando reabrir a economia , perdoem-me  a linguagem directa,  e como alguém já disse,  “prima facie stupid”. A noção de que a economia pode ser reaberta com as coisas a voltar rapidamente ao normal, seja o que for, reflecte uma marca exclusivamente de “um tipo de pensamento mágico”, de todos aqueles que por princípios “neoliberais” defendem o sistema financeiro a todo custo em detrimento das pessoas. O que os países precisam  é de reconstruir o sistema económico, não apenas para recuperar dos danos causados pela “pandemia”, mas também e essencialmente para encontrar soluções para os problemas estruturais de longa data na economia,  e não reabrir a economia.  Como disse o filosofo alemão Immanuel Kant, “toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço
Não temos dúvidas que vivemos tempos de grande incerteza e esta bastante prolongada, incerteza que advém do “vírus coronavírus” e nas suas múltiplas faces e na previsão da possibilidade de novas vagas até aparecer uma vacina. Ate hoje o único refugio para essa incerteza são os cientistas e as suas investigações científicas sobre este vírus, e esperamos que os mesmos tenham uma rápida resposta. Temos de ter plena consciência que o método científico exige rigor, confrontação de hipóteses, validação cruzada da investigação, humildade no trabalho e ambição nas respostas. As nossas expectativas é que esta investigação irá marcar a história da ciência, torná-la mais aberta, com maior rapidez na disseminação da informação e maior cooperação e entreajuda dos cientistas a nível mundial, neste mundo em que vivemos com o notório excesso de informação e mas muito défice de pensamento.
Como sempre foi a nossa posição recusamos a admissão da qualificação de que “somos um país que não tem recursos”. Temos recursos, quer humanos, quer materiais e temos é de ter a capacidade de desenhar políticas públicas capazes de os produzir, criar valor, gerar riqueza e emprego e construir um futuro diferente .Neste sentido, o país tem que desenhar e pôr em funcionamento projectos-âncora capazes de evitar o colapso e transformar a economia. Tudo isto não justifica, já ouvi par aí uns “zunzuns” de por detrás de precisarmos de grandes projectos para a floresta e para o interior, os mesmos sejam quase exclusivamente baseados na construção de centrais de biomassa, com a justificação e fundamentação de valorização dos lixos florestais, de promover a limpeza da floresta, produzir  bioenergia, criar emprego e aumentar a coesão territorial. Trata-se de uma estratégia completamente com efeitos contrários conforme podemos ver no documentário produzido por Michael Moore “Planet of the Humans” de maio de 2020. Há uma razão, entre outras, para isto: damos muita ênfase nas nossas sociedades à economia e às finanças, que são sem dúvida muito importantes. Mas há que dar a devida atenção às Ciências Sociais como a Sociologia, à Biologia, à Epidemiologia e às Ciências da Saúde e muitas mais. São vitais para pensarmos a complexidade do mundo e sermos capazes de identificar e antecipar os riscos. Bombardeados continuamente por uma informação massiva, temos que ser capazes de pensar e discernir as tendências estruturais que marcam a mudança. O filósofo americano Nelson Goodman chamou a atenção para os “mundos possíveis que estão dentro do mundo real”. Nestes temos de crise, mais importante do que prever o futuro, que ninguém sabe o que vai ser, é olharmos para esses mundos possíveis que estão dentro da realidade sombria que vivemos e encontrarmos formas de minimizar os riscos que se nos colocam. Isto não está para brincadeiras.” Todos os dias, ao que parece, traz outro indicador de nosso declínio: a nação que pode fazer tornou-se numa terra que não pode lidar com uma pandemia…. Como tudo pode dar errado, tão rápido? Bem, nós sabemos a resposta. Como Joe Biden a colocou, "o pecado original da escravidão mancha o nosso país hoje". (Paul Krugman- economista norte-americano, vencedor do Nobel de Economia de 2008 sobre a actual situação nos Estados Unidos 3 jun 2020)