segunda-feira, agosto 28, 2017

O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS (XIX Parte (a)- continuação

O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS 
(XIX Parte (a)- continuação)

  “Os cidadãos começam a perceber que informação é poder


UM MEMORANDO PROSPECTIVO SOBRE O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS

(Publica-se a primeira parte de um “memorando” que se destinava a um melhor “apetrechamento” da negociação de um “previsível contrato de concessão do serviço público fluvial de transporte de passageiros no rio Tejo)


ANEXO: UMA PROSPECTIVA DO SERVIÇO DE TRANSPORTE FLUVIAL NO RIO TEJO (satisfação de um pedido de uma entidade privada que pretendia fazer um investimento no serviço publico de transporte de passageiros no rio Tejo – Fevereiro de 2012)

A verdadeira dificuldade não está em aceitar ideias novas, mas escapar das antigas.” (John Maynard Keynes)



“MEMORANDO


 PROPOSTA DE SUGESTÕES PARA “BUSINESS PLAN” E “CONTRATO DE CONCESSÃO” DE APOIO Á NEGOCIAÇÃO DUMA POSSIVEL CONTRACTUALIZAÇÃO (Fev. 2012) ([1])


Após o nosso encontro/reunião de 14 de Fevereiro de 2012, entendi remeter-lhe algumas “SUGESTÕES”, não só numa perspectiva de enquadramento de eventuais contributos, com vista à construção e elaboração do “BUSINESS PLAN” e da proposta de “CONTRATO DE CONCESSÃO”, tendo como base, dados já publicados([2]), mas também dos ainda não publicados e de conhecimento restrito,  de responsabilidade da actual administração da empresa, complementados com alguma informação recolhida junto de técnicos do Grupo Transtejo e, deste modo um melhor apetrechamento de instrumentos que “facilitem” a respectiva negociação.

Decorrendo deste contexto, ressalva-se desde já que:

·         A provável não fiabilidade de alguns dos elementos, que podem “criar”algumas dificuldades de extrapolação para o futuro e “gerar enviesamentos significativos nas previsões”;
·         Como consequência, ressalva-se deste modo, a necessidade de ajustamentos e revisão das previsões, logo que conhecida a realidade objectiva da actividade.

Assim, atendendo a esta realidade, embora de modo sintetizado, vamos procurar uma abordagem que possa enquadrar sobretudo, uma diferente aposta, com uma diferente visão estratégica para a actividade do serviço de transporte fluvial de passageiros, em contraponto, às “bases estratégicas” constantes no Plano de Actividades para 2012, propostos e aprovados pelo actual administração do Grupo Transtejo([3]). 
Conforme podemos verificar nesse instrumento previsional, para além de não apresentar medidas que permitam alterar a situação de desequilíbrio financeiro, e inverter a situação progressiva de agravamento do endividamento, que urgia alterar num olhar diferente, enquadrável numa visão empresarial com responsabilidades sociais, mas também onde prevaleça uma maior racionalização dos meios e recursos operacionais de modo a poder potenciar as disponibilidades dos recursos humanos e técnicos, numa actividade que detêm enormes potencialidades e vantagens competitivas sobre os outros modos de transporte de passageiros, o que tem como consequência que as medidas e acções propostas para 2012, conduzem a um agravamento da situação financeira, como retratam os próprios dados previsionais, sendo algo estranho que nas suas “bases estratégicas”, esteja formulado “como principio geral, a empresa considerou medidas de optimização por forma a atingir um EBITDA tendencialmente nulo, meta que em 2012 não será concretizável”([4]), faz-nos  lembrar e reproduzir a célebre máxima, segundo a qual "é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma".([5]) Isto é, parte-se do principio de que o futuro será idêntico ao passado.

Daqui resulta algumas considerações gerais, em especial nas áreas seguintes:

  • Actual situação de desequilíbrio financeiro do grupo Transtejo e respectivo endividamento;
  • Fusão da Soflusa com a Transtejo/Encerramento total da actividade da Soflusa;
  • Reestruturação/Reorganização do modelo empresarial e da actividade do serviço de transporte fluvial de passageiros no Rio Tejo;


ALGUMAS CONSIDERAÇÕES GERAIS

1.      SITUAÇÃO DE ENDIVIDAMENTO DA EMPRESA ([6]) ([7])

O grupo TRANSTEJO apresenta uma posição financeira desequilibrada com um passivo de 192  milhões de euros, e encargos com juros de aproximadamente 4,7 milhões de euros.Relatório e Contas de 2010 .” (in Diário da República, 1.ª série — N.º 216 — 10 de Novembro de 2011 pág.4802).

Conforme podemos verificar no Plano de Actividades para 2012 ([8])   em 31 de Dezembro de 2011 o PASSIVO do Grupo Transtejo atingiu cerca de 209,7 milhões de euros. (PASSIVO não corrente (médio/longo prazo de cerca de 116 milhões de euros) e o PASSIVO corrente (curto prazo), de cerca de 93,5 milhões de euros.). No mesmo documento previsional, podemos constatar que  as respectivas medidas e estratégia proposta pelo CA do grupo Transtejo conduzirá a que no final de 2012, o PASSIVO deverá atingir cerca de 218,7 milhões de euros (uma agravamento de mais cerca de 9 milhões de euros em relação a 2011, cerca de + 4,3%). Com uma estrutura de PASSIVO não corrente (médio/longo prazo de cerca de 112 milhões de euros) e o PASSIVO corrente (curto prazo), de cerca de 106 milhões de euros.
Podemos também verificar que o modelo de financiamento,  assentou ao longo dos exercícios no recurso ao endividamento bancário como forma de financiar os défices recorrentes de tesouraria e parte do plano de investimentos, não coberto por apoios financeiros do Estado . Isto é no Médio e Longo Prazo a dívida  do Grupo Transtejo, decorre da consolidação da dívida de curto prazo e da cobertura financeira do investimento, cingindo-se a um financiamento sob a forma de empréstimo obrigacionista contratado em 2007, no montante de 55 milhões de euros.([9]) As obrigações ao abrigo deste empréstimo foram emitidas em 1 de Fevereiro de 2007, com maturidade de 10 anos, e taxa de cupão indexada à Euribor a 6 meses acrescida de um spread a 2 pontos base anuais. O reembolso das obrigações será efectuado integralmente na data de vencimento, 1 de Fevereiro de 2017. O financiamento de curto prazo da Empresa é constituído fundamentalmente por contas-correntes caucionadas (CCC) e por descobertos bancários (DB) contratados com diversas instituições financeiras nacionais, o que nos leva a concluir que em 31 de Dezembro de 2011 o endividamento bancário de curto prazo atinge cerca de 100 milhões de euros!

RESUMINDO  – Com um endividamento bancário de cerca de 155 milhões de euros, sendo que as necessidades de financiamento determinadas pelo Tribunal de Contas (Dez. 2010) era de cerca de 165 milhões de euros, a previsão para 2012, conforme podemos verificar, nos Instrumentos Previsionais de Gestão 2012, elaborados e de responsabilidade da actual administração do grupo,  ( esteja previsto como suprimentos recebidos do accionista 60,9 milhões de euros e  parte restante obtido por financiamento  crédito bancário de 41 milhões de euros), isto  é a previsão das necessidades de financiamento da actividade serão cerca de 100 milhões de euros).  
Numa actividade onde os Custos com pessoal, CMVM e Fornecimento e Serviços Externos atingiram, uma média anual, dos últimos 5 anos (2007-2011)  mais de 34,7 milhões de euros, e no mesmo período com encargos financeiros, em média de 4,7 milhões de euros, e com receitas da actividade de apenas cerca de 14,1 milhões de euros (média, no mesmo período), gerou um EBITDA negativo (média, mesmo período) de mais de 8,6 milhões de euros e um EBIT negativo de mais de 12,1 milhões de euros, sendo atribuídas indemnizações compensatórias, em média no mesmo período, anual de cerca de 11 milhões de euros e cujas medidas propostas para 2012, prevêem uma agravamento da situação da respectiva posição financeira desequilibrada, não pode ser só explicável, segundo melhor conhecimento desta matéria, apenas e só com uma situação de “má gestão de meios e recursos” – entendível como um claro desconhecimento e incapacidade de aplicação de instrumentos de gestão e organização de processos de trabalho e de uma completa ausência de responsabilização, desorganização laboral e desierarquização da estrutura organizativa, com especial incidência a partir do 2º semestre de 2002, mas que na realidade deve ser imputável, em especial ao “modelo de gestão e organização das empresas de serviço público de transporte fluvial de passageiros”,  que pode ser considerado inadequado  (“caducado”) face aos princípios e estratégia de gestão e organização duma unidade empresarial! 

O grave problema  assenta fundamentalmente na ausência de uma estratégia e de medidas de políticas (comerciais e laborais), que conduzam a alterações estruturantes em especial na organização laboral (horários de trabalho, efectividade do tempo de trabalho, sistema remuneratório, polivalência funcional), bem assim como a  reestruturação/actualização/reajustamento do sistema de repartição das receitas dos passes intermodais([10]) e promover hábitos e usos dos serviços de transporte de passageiros, pela via fluvial, que sirva os interesses dos clientes (rapidez, segurança, comodidade e preço), que as sucessivas administrações não conseguiram implementar.
Salvo melhor opinião e conhecimento desta actividade a opção de “reduzir de custos operacionais  com medidas de redução de serviços e despedimento de trabalhadores”, (embora seja reconhecido a existência de trabalhadores em excesso) não conduz à sustentabilidade da actividade, não reduz os custos e gera ainda um agravamento da situação financeira do grupo Transtejo, para além da “manutenção” de instabilidade sócio-laboral que torna impeditivo as alterações adequadas e necessárias à sustentabilidade da actividade. Aliás como se pode constatar no documento referido.

Finalmente a situação de desequilíbrio financeiro do Grupo Transtejo terá que ser necessariamente enquadrado no quadro de solução para o endividamento do sector empresarial do estado e totalmente avocada e assumida pelo Estado no âmbito da dívida pública.

No entanto, chamamos a atenção que, em média anual (2007-2011), o deficit “do financiamento da actividade” tem sido de cerca de 17,4 milhões de euros, incluindo os encargos financeiros de cerca de 4,7 milhões de euros.  Anotamos que em média, tem sido concedido 13 milhões de euros de subsídios à exploração (indemnizações compensatórias e mais outros subsídios).  Neste período o EBITDA, negativo médio situou-se nos 8,6 milhões de euros.
A partir destes dados, com a ressalva já anteriormente referida, podemos constatar que as necessidades de financiamento da actividade, em termos médios, se situa nos 30,3 milhões de euros/ano!

Dados a ter em conta na proposta de negociação do “contrato de gestão”.

(continua)



[1]   Com base em dados da própria empresa e da Direcção Geral do Tesouro e Finanças
[2]   O último Relatório e Contas aprovado foi o de 2009
[3]   O grupo Transtejo é constituído pela Transtejo e pela Soflusa, tendo como missão a prestação do serviço publico de transporte fluvial integrado no sistema global da área Metropolitana de Lisboa, assegurando o transporte público entre as duas margens do Tejo” ( in D.R. , 1ª serie , nº216 de 10 de Novembro de 2011,pág. 4802)

[4]  Cf. consta “Bases estratégicas para preparação dos IPG´s 2012”
[5]     “ O Grupo Transtejo, composto pelas empresas Transtejo e Soflusa, transporta anualmente cerca de 24 milhões de passageiros, possui 35 embarcações e cerca de 530 trabalhadores.”
[6]   A Soflusa é participada a 100% pela Transtejo, o que implica que os dados sejam consolidados
[7]  “Um relatório do Tribunal de Contas revelou que a Transtejo e a Soflusa estão em falência técnica e que em 12 anos as empresas perderam quase metade dos utentes. De acordo com o documento, citado pela Lusa, vão ser necessários 167 milhões de euros para recapitalizar o grupo Transtejo, composto pelas empresas Soflusa, que faz a ligação fluvial entre Barreiro e Lisboa, e a Transtejo, responsável pelas restantes ligações no rio Tejo.
  (Janeiro 2011)(Auditoria ao Grupo Transtejo – Tribunal de Contas- Dezembro de 2010). 

[8]  Instrumentos Previsionais de Gestão de 2012, aprovados pelo CA Transtejo/Soflusa em 15.12.2011

[9]      Gestão de Risco Financeiro (55.000.000 euros). Ainda em 2007, sobre o empréstimo obrigacionista contraído junto do Depfa Bank, a Empresa contratou, duas operações de cobertura de risco de taxa de juro.   A Transtejo alargou o prazo de cobertura de risco de taxa de juro até Fevereiro de 2013, fixando em 3,75% a taxa máxima que poderá ser obrigada a pagar
[10]  A repartição com as restantes operadoras de transporte público da receita dos passes intermodais, que representava, em 2009, 34% dos proveitos da venda de títulos das empresas, processa-se de acordo com as quotas resultantes de um inquérito realizado em 1989, o que, poderá estar a prejudicar as empresas do Grupo Transtejo, face a outras operadoras com perdas de passageiros mais acentuadas.

domingo, agosto 27, 2017

O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS (XVIII Parte - continuação)

O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS 
(XVIII Parte - continuação)

  “Os cidadãos começam a perceber que informação é poder

“Quando o Governo não cumpre nem  faz cumprir a lei, algo não está bem

UM MEMORANDO PROSPECTIVO SOBRE O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS

“O passivo das empresas de transportes públicos de passageiros não pára de subir e no final do ano passado já superava os 11 mil milhões de euros, verba que seria suficiente para pagar os grandes projectos do novo aeroporto internacional de Lisboa e da rede de alta velocidade ferroviária”([1])

Como se sabe na área metropolitana de Lisboa cerca de 2 milhões de pessoas são clientes potenciais dos transportes públicos  por isso relembro aqui , que “nas suas Bases Programáticas o Governo,  assumiu um “ compromisso de governo para 2005-2009”, daí destacamos apenas a parte respeitante ao serviço publico de transporte de passageiros:Na área dos Transportes e Obras Públicas, o Governo  propõe uma política à luz do conceito de mobilidade sustentável, assumindo alguns objectivos principais. Em primeiro lugar, aumentar a qualidade de vida dos portugueses, através da criação, ajustada aos desígnios de coesão nacional, de um sistema de mobilidade mais solidário, com mais conforto, mais segurança, menores tempos totais de deslocação e maior fiabilidade. Em segundo lugar, requalificar a mobilidade urbana, promovendo políticas de transporte sustentável integradas em novas políticas de cidade. Em terceiro lugar, promover o respeito pelo ambiente, seja pela transferência para modos menos poluentes seja pelo recurso a tecnologias menos agressivas, tendo em atenção as metas estabelecidas no Protocolo de Quioto. Em quarto lugar, diminuir os custos totais de transporte, mediante o fomento e reforço da intermodalidade e da utilização racional dos modos de transporte e ligações de maior eficiência. Finalmente, integrar de forma eficiente as redes de transportes ibéricas, europeias e transatlânticas, dando-lhes coerência e condições de interoperabilidade.”
 O Governo propôs-se ainda, “reduzir os tempos de deslocação, nas relações mais significativas da mobilidade nacional e das áreas urbanas, e intensificar a intermodalidade, optimizando o desempenho global do conjunto dos modos de transporte e promovendo a sua utilização e a redução do congestionamento”.

Perante tudo isto não é entendível, para qualquer profissional de gestão, muito menos para o cidadão comum, que “sofreu o rigor da acção governativa”, como é possível não ter ainda sido tomada qualquer tipo de medidas estratégicas de saneamento económico financeiro, mas sobretudo orgânico-estrutural ( a gravíssima deficiência de gestão nestas empresas assenta sobretudo na degradação da sua estrutura organizacional laboral)  de sete empresas do sector empresarial do estado na área do serviço publico de transporte de passageiros ([2]) (CP, Refer, Metro, Carris e Transtejo/Soflusa de Lisboa e STCP e Metro do Porto) que, com referência a 31 de Dezembro de 2006 geraram resultados negativos de cerca de 760 milhões de  euros ( + 11,9 % do que em 2005) ( em média mais de 2,1 milhões/dia de prejuízo ) o seu  endividamento de médio/curto prazo atingiu mais de 12,7 mil milhões de euros ( + 9,7% em relação a 2005) , isto é num ano sofreu um aumento de mais de 1,2 mil milhões de euros ( em média mais de 3,1 milhões de euros/dia) , que perderam mais de 7,6 milhões de passageiros  ( - 1,3%) – ( em média mais de 25 mil passageiros/dia), apesar de o  esforço financeiro do Estado, anual, ter  atingido mais de 311,3 milhões  de euros ( + 1,14%) e as indemnizações compensatórias atingiram cerca de 198,8 milhões de euros ( 20,4 % em relação a 2006 e cerca de mais 246,1% em relação a 2001), apesar de se ter verificado o maior  aumento dos títulos de transporte atingiu nos últimos dois anos mais de  13,2% ( o maior aumento desde sempre no serviço público de transportes).

Como se compreende que um sector que gera , por dia, mais de 2 milhões de euros de prejuízo e um endividamento de mais de 3,5 milhões de euros/dia não tenha até hoje sido objecto de qualquer  medida estratégica ?   Como se pode “aplicar” o rigor orçamental que atingiu os cidadãos do nosso País quando se permite estas situações?

No tocante ao serviço publico de transporte fluvial, estratégico para a área metropolitana de Lisboa, mas que foi completamente destruído pela inacção da responsável governamental dos transportes e ao “comboio na ponte “, seria importante saber qual a razão porque em  1998 mais de 52 milhões de passageiros  utilizaram o serviço público fluvial enquanto em 2006 apenas cerca de 28,5 milhões o fizeram, isto é cerca de 24 milhões de passageiros abandonaram o serviço fluvial de transportes públicos., só entre 2001 e 2006 este serviço público perdeu cerca de 10 milhões de passageiros .
 No tocante ao “comboio na ponte” e ao “Metro Sul do Tejo”, como sabemos   estão ,muito longe de atingir as previsões então feitas , apesar de se “ter destruído” completamente a nível empresarial” e a operacionalidade das empresas Transtejo e Soflusa . Sendo notório que a avaliação custo/beneficio ( Metro Sul do Tejo – será que terá sido feita ? ) gera mais uma situação de “delapidação de dinheiros públicos”. Terá sido um erro de estratégia de desenvolvimento do serviço de transporte público de passageiros?
 Diremos em síntese que este projecto estratégico tinha como base e fundamento a ligação á “Terminal Fluvial de Cacilhas – na Doca 13 – que deveria ser construída pela Margueira Capital no âmbito de uma parceria publico privado negociada com a Transtejo SA, que cedia o seu património na zona velha de Cacilhas. Agora constata-se que o mesmo vai privilegiar a ligação ao comboio “na ponte”?

É que, em 1999 cerca de 29 milhões de passageiros utilizavam as ligações Cacilhas – Lisboa , a que há que juntar mais cerca de 2,6 milhões com origem no Seixal   e se actualmente apenas cerca  de 20 milhões utilizam este mesmo  trajecto, estamos perante uma perda  de cerca de 12 milhões de passageiros . Se considerarmos  que o accionista  das empresa operador do comboio, é  o mesmo que da empresa transportes rodoviários, que devia realizar e garantir o serviço publico intermodal com o serviço fluvial, mas  que  “retirou ilegalmente mais de 500 ligações ao transporte fluvial”, com a “clara conivência” da Direcção Geral do Transportes Terrestres, não se vê onde estão os  ditos ganhos? A única “coisa visível” é que o Estado esta ano “ pagou a privados” mais de 20 milhões de euros a título de indemnizações compensatórias !
Estamos certos que não há nenhuma  “ mensagem de uma campanha publicitária  que “apague” a completa degradação do serviço público de transportes. Mas será que alguém assume as responsabilidades políticas por estas situações ? Ou será que a tutela  apenas existe para “colocar em lugares de administradores” das  respectivas empresas os “amigos” sem cuidar de cumprir as normas sobre esta matéria. É que  de acordo com os requisitos legais “ os gestores públicos são escolhidos de entre pessoas com comprovadas idoneidade, capacidade  e experiência de gestão, bem como sentido de interesse público “ ( arº 12º do DL 71/2007) . Segundo sabemos de ouvir dizer,  em nenhuma das inúmeras nomeações feitas, este requisito  foi sequer cumprido, dado que, nas empresas referidas, a maior parte dos nomeados , se por um lado não tem habilitações na área de gestão, por outro nem sequer tinham exercido essas funções. Certo é que os resultados estão á vista! .Como se pode verificar,  a obrigação legal de publicitação  “dos elementos curriculares de todos os membros dos órgãos socais” (  nº 25 ( Anexo)  à Resolução do Conselho de Ministros nº 49/2007 de 28 de Março de 2007) , nem sequer, foi até hoje cumprida ([3])  
O que não podemos aceitar que pelo facto de uma empresa ser do sector público   possa ser sinónimo" de "mal gerida", e se aceite que exercício após exercício seja "aceite a inevitabilidade da acumulação de prejuízos no exercício da sua actividade de prestação de  serviços públicos.  Pretendemos apenas exemplificar que os “males são outros”, o problema dos desequilíbrios de gestão destas empresas assenta não só numa clara “ má gestão das empresas,” mas também no sistema que permite " a continuidade de indivíduos sem qualquer capacidade ou conhecimentos "travestidos" de administradores e uma completa ausência de responsabilização etc.
Como se pode continuar a exigir rigor e transparência nas contas públicas se em algumas das empresas do sector empresarial do Estado, a superficialidade, falta de rigor e muitas vezes incorrecções e erros graves com que assuntos fundamentais, como reestruturações sectoriais, opções de expansão de negócios específicos, fusões ou modelos de planeamento e desenvolvimento estratégico económico global ou sectorial são tratados, torna-se assim a prática corrente de deixar "andar" e um completa desresponsabilização pelos resultados negativos alcançados, sendo que muitas das situações se podem configurar e tipificar como gestão danosa fruto de uma completa irresponsabilidade?


"O que realmente devem procurar, num mundo que sempre nos confronta com surpresas desagradáveis, é a integridade intelectual: a predisposição de encarar os factos, mesmo quando eles estão em desacordo com as nossas ideias, e a capacidade de admitir erros e de mudar de rumo.”Paul Krugman- economista )



[1]http://diarioeconomico.com/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/empresas/pt/desarrollo/1156380.htm

  (19.08.2008)


[2]   Cf Relatório do Sector Empresarial do Estado ( Julho 2007) in   http://www.dgtf.pt/see.htm)

sábado, agosto 26, 2017

SERÁ UM ASSUNTO TABU? PORQUÊ?

SERÁ UM ASSUNTO TABU? PORQUÊ?

“Se aos médicos e outros profissionais se pede – sempre responsabilidades quando é presumido que erraram - porque não aos magistrados?”

Segundo a imprensa já foram presos mais de uma centena de criminosos que andam a “deitar” fogo ao nosso País. No entanto, para nossa surpresa, e certamente para muitos portugueses, quase ou nada se fala, ou se discute sobre os problemas destes fogos criminosos, mais de 90%, segundo as estatísticas, o que quer dizer que em cada 100 fogos, 90 tem origem em “mão criminosa”!
Segundo julgamos saber a investigação dos fogos de origem criminosa é da competência da Polícia Judiciária através de um gabinete permanente de acompanhamento e apoio do plano nacional para a prevenção e investigação do crime de incêndio florestal, que dá origem a um inquérito criminal, dirigido pelo Ministério Público, para apurar as causas. Será que perante os mais de uma centena de presumíveis incendiários criminosos, alguns apanhados em flagrante não era já tempo de termos uma explicação publica da senhora Procuradora Geral da República?
Todos nós sabemos que nem todos os fogos tem mão criminosa, alguns até acontecem por causas naturais, mas tantas vezes ouvimos os bombeiros e outras autoridades a falarem na vertente criminosa de muitos fogos (segundo os dados estatísticos 90 em cada 100), que nos tem de surpreender a tão pouca atenção que não só é dada pela “imprensa tão atenta a certos casos”, mas ainda mais surpreendente a “aparente” pouca atenção dada por quem tem o dever de “defender o interesse publico e os cidadãos das acções desses presumíveis criminosos?
Somos dos que pensamos que o principal problema não é um aumento da duração das penas, mas a eventual “falta de senso e de sentido da responsabilidade” de muitos magistrados, ao aplicar essas penas, que embora de acordo com as normas legais já existentes, não são adequadas ao enquadramento que deve ser feito de tais crimes. Este é mais um dos temas, que até agora, tem sido inexplicavelmente um “assunto tabu”. Além de não se cumprir, na nossa óptica,  a legislação, estes ainda justificam, quase sempre altivamente, a sua atitude com injustificadas referências a outro nível de responsabilidades que também não são cumpridas. As penas a aplicar a criminosos, desta dimensão senhores juízes, como deveriam saber, são dissuasoras para o próprio, mas também para os eventuais seguidores. A benignidade inaceitável das sentenças não serve nem ao criminoso nem à sociedade, já são demasiadas vezes, que sabemos de ouvir dizer ou ler na imprensa que um “pirómano comprovado” se deixou levianamente “cá fora”. A falta de apoio ao tratamento que, cientificamente falando, nem sempre pode ser eficaz não serve de desculpa. Se aos médicos e outros profissionais se pede – se sempre responsabilidades quando eventualmente erram - porque não aos magistrados?

Talvez seja de concluir perante uma velha e conhecida hipocrisia nacional que sempre muda de sentido de acordo com os “ventos que sopram”, perante este assunto que parece ser já um “tabu”, como cidadão e certamente muitos outros cidadãos, gostávamos de saber o porquê? Sendo criminosa ou natural a origem dos fogos, temos direito a saber o que está a acontecer no nosso País?

quinta-feira, agosto 24, 2017

O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS (XVII Parte - continuação)

O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS 
(XVII  Parte - continuação)

  Os cidadãos começam a perceber que informação é poder

“Quando o Governo não cumpre nem  faz cumprir a lei, algo não está bem

UM MEMORANDO PROSPECTIVO SOBRE O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS. (continuação

  

“O conhecimento e a informação são os recursos estratégicos para o desenvolvimento de qualquer país. Os portadores desses recursos são as pessoas”. (Peter Drucker)


A questão que se coloca, salvo melhores conhecimentos, é o de saber se actual situação deve permanecer,  em que continuamos a “ fazer de ignorantes” perante as “inúmeras atrocidades “resultantes de incompetências e desconhecimento de instrumentos de gestão, em face da existência, que ninguém pode negar, de graves violações dos referidos deveres de uma “boa gestão do serviço publico de transporte de passageiros”, ou antes pelo contrario temos a obrigação e o dever de “denunciar”, propondo sugestões como um acto de participação e cidadania.([1])
 Por exemplo como certamente é do conhecimento, ou devia ser, nos termos do D.L. 558/99 (artº13) os administradores das empresas são ao obrigados a apresentar alguns instrumentos de gestão essenciais para o acompanhamento e controlo da respectiva actividade, entre os quais podemos realçar:

  • Projectos dos planos de actividades anuais e plurianuais;
  • Projectos dos orçamentos anuais, incluindo estimativa das operações financeiras com o Estado;
  • Documentos de prestação anual de contas;
  • Relatórios trimestrais de execução orçamental;
  • Estudo prospectivo de sustentabilidade (Económica, Financeira, Social e Ambiental)
  • A actualização periódica (anual) da análise SWOT  - fazer o diagnóstico estratégico da empresa - definindo as relações existentes entre os pontos fortes e fracos da empresa com as tendências mais importantes que se verificam na envolvente global da empresa, seja ao nível do mercado global, do mercado específico, da conjuntura económica, das imposições legais, etc,
  •  Quaisquer outras informações e documentos solicitados para o acompanhamento da situação da empresa e da sua actividade, com vista, designadamente, a assegurar a boa gestão dos fundos públicos e a evolução da sua situação económico-financeira. 

 Será que todas as administrações elaboraram ou tem elaborado estes documentos?

 É que salvo melhor entendimento nesta matéria, no caso de se consubstanciar a ausência daqueles instrumentos, essa situação constitui uma violação grave dos deveres de gestão e inobservância da lei. (O Ministro da Saúde, Dr. Correia de Campos, demitiu um gestor de um Hospital, precisamente porque não elaborou estes instrumento de gestão!).

Todos nós sabemos, que os prejuízos que um mau gestor acarreta para a sua organização e para o País, são incalculáveis. De ordem quantitativa - degradação dos ratios económico-financeiros - e de ordem qualitativa - promovendo uma cultura que não respeita o mérito e a competência. Como um dos exemplos,  caso último, da “denominada ruptura no stock de cartões das máquinas automáticas da Transportes de Lisboa” (Metro, Carris, Transtejo e Soflusa), com reflexos graves sobre uma “imagem negativa do serviço publico de transporte de passageiros, relatado na imprensa e que “segundo a OTLIS,( empresa que gere o sistema de bilhetes de transportes públicos de Lisboa) o motivo para este atraso é da responsabilidade dos operadores que, em contexto de crise económica, não quiseram actualizar os seus sistemas informáticos. “Nós já andávamos a alertar formalmente para esta situação desde 2012 – e informalmente desde 2010/2011 –, mas é preciso recordar como estava o país: em crise. Os operadores não puderam tomar essa opção e não avançaram com as 'obras' necessárias”, garante uma fonte na OTLIS.”
 Não podemos continuar a permitir que alguns dos ditos gestores de algumas empresas não atingindo as “performances” adequadas nos indicadores de gestão dessas empresas, conseguem, através de vários artifícios transmitir uma imagem completamente falseada de competência e empenhamento no exercício da sua profissão. As histórias destes pretensos “heróis” não seriam graves - a sociedade portuguesa está cheia de habilidosos - se não pusessem em causa o esforço e trabalho sério de dezenas de gestores profissionais que, com seriedade, verdade, competência e empenho, já desempenharam as suas funções nestas empresas. (Outubro 2005)


A NECESSIDADE DE APROVAÇÃO E REGISTO DA PRESTAÇÃO DE CONTAS

A aprovação das contas é um acto societário fundamental, e o seu registo essencial à segurança do comércio jurídico. Com efeito, a situação financeira das sociedades é basilar para a economia, dela dependendo também, em grande parte, a saúde financeira do país, tornando-se, assim, necessário disponibilizar a informação contabilística e financeira das entidades para conhecimento do mercado em geral.   
Tal situação comporta, entre outras coisas, uma séria desvantagem para as empresas cumpridoras, que publicitam a sua informação financeira, contribuindo para a transparência da actividade económica sem garantias de reciprocidade dos seus parceiros económicos, prejudicando a segurança do comércio jurídico e do desenvolvimento económico.


ALGUMAS DAS SITUAÇÕES QUE CARECEM DE UMA RESPOSTA


NÃO APROVAÇÃO DOS RELATÓRIOS E CONTAS NO “GRUPO TRANSTEJO” DESDE 2010([2])  - Tanto quanto sabemos, nota que se encontra no respectivo site da empresa Transtejo SA (www.transtejo.pt) , os relatórios e contas do “grupo Transtejo”, ainda não foram devidamente e legalmente aprovados desde 2010!!! Como é possível esta  situação? ([3]) Sendo certo que a responsabilidade dos membros do conselho de administração para com a sociedade está definida no artigo 72° do CSC cujo n°1 estabelece que os gerentes respondem para com a sociedade "pelos danos causados por actos ou omissões praticados com preterição dos deveres legais ou contratuais “ na verdade não conhecemos nenhum “gestor”, que até hoje tivesse sido responsabilizado pela incapacidade e desconhecimento e instrumentos de gestão, sendo certo que na sua quase maioria limitam-se a “fazer” a gestão da “coisa política”, quando devia ser da “coisa pública” , na chamada “gestão de costas voltadas” – ou seja “!hoje seguras-me tu , que amanhã seguro-te eu “. Como pode este serviço público de transporte de passageiros, ter recebido anualmente compensações financeiras do orçamento do estado e outras se não presta contas ou as respectivas contas anuais não foram aprovadas? ([4])

Como todos devemos saber o procedimento legal de aprovação de contas é um acto societário fundamental e o seu registo é essencial para a segurança do comércio jurídico.([5]) Acresce ainda o facto de as consequências da sua não realização poderem ser gravosas para a sociedade ou para seu o órgão de gestão. Ou será que o “denominado Grupo Transtejo” foi dispensado de apresentar as respectivo Relatório de Gestão, as contas do exercício e os demais documentos de prestação de contas? Com que base legal?
Por outro lado a não realização do registo da prestação de contas junto do Registo Comercial pode acarretar as seguintes consequências, entre outras: (i)Impedimento de registo de determinados factos relativos à sociedade, nomeadamente, do registo de alteração do pacto social; (ii)Se a omissão do registo da prestação de contas ocorrer durante dois anos consecutivos, é causa de dissolução autónoma da sociedade, para efeitos de instauração oficiosa de procedimento administrativo de dissolução.(iii) Na existência de um atraso superior a 9 (nove) meses na aprovação e depósito das contas, pode ser requerida a declaração de insolvência de sociedade devedora por parte de quem for legalmente responsável pelas suas dívidas, por qualquer credor ou ainda pelo Ministério Público.

E, AINDA:
“ Estar em causa a permanência em funções dos gestores públicos, uma vez que não tendo celebrado contractos de gestão, face à legislação em vigor, as respectivas nomeações são nulas, decorrido o prazo de três meses ([6]) Ø Ser questionável a legalidade dos actos de gestão, nomeadamente no domínio do investimento, dado o Estado accionista ([7]) não ter aprovado os planos de actividades e investimentos e os orçamentos; Ø Inexistirem objectivos claros e um quadro de previsibilidade para a gestão das empresas públicas, em consequência de o Estado não ter definido objectivos de gestão; Ø Impossibilidade de uma adequada responsabilização dos gestores públicos, devido à falta de contra tos de gestão e da inerente avaliação de desempenho; Ø Significativo défice de controlo do SEE, por parte do Estado.

Anote-se que o actual Regime Jurídico do Sector Público Empresarial (RJSPE) aprovado pelo Decreto-Lei n.º 133/2013, de 3 de Outubro, rege a relação entre o Estado e as suas empresas, prosseguindo objectivos de boa gestão, transparência, não distorção da concorrência, bem como de contratualização de serviço público e de controlo das finanças públicas. ([8])
“O procedimento legal de aprovação de contas é um acto societário fundamental e o seu registo é essencial para a segurança do comércio jurídico. Acresce ainda o facto de as consequências da sua não realização poderem ser gravosas para a sociedade ou para seu o órgão de gestão.

(continua)



[1]    A actual redacção o art.º 64 do Código das Sociedades Comerciais  tipifica como fundamentais os deveres de cuidado e de lealdade. Os administradores devem observar deveres de cuidado, revelando a disponibilidade, a competência técnica e o conhecimento da actividade da sociedade, adequadas às suas funções e empregando, nesse âmbito, a diligência de um gestor criterioso e ordenado, bem como, deveres de lealdade, no interesse da sociedade, atendendo ao interesse de longo prazo dos sócios e ponderando os interesses dos outros sujeitos relevantes para a sustentabilidade da sociedade, como os trabalhadores, clientes e credores
[2] Conforme se pode verificar (Agosto de 2017) os relatórios e Contas e outros documentos ainda não foram aprovados pelo accionista (2012 a 2016)
[3]  Inserto no Relatório de Gestão de 2014, proposta do Conselho de Administração para a aprovação conjunta dos relatórios e contas de 2010-2014!!!
[4]  TRANSTEJO-Transportes do Tejo, S.A. “Sem contas aprovadas relativamente a 2013 e a 2014. Sem PAO aprovados relativamente a 2013 e a 2014. Sem contractos de gestão.” (AUDITORIA AO CONTROLO DO SETOR EMPRESARIAL DO ESTADO EFETUADO PELO MINISTÉRIO DAS FINANÇAS NOVEMBRO 2016 – pag 24)
[5]  O Código das Sociedades Comerciais regula a responsabilidade pela apresentarão de contas assacando-a aos membros da administração — art. 65° n°1 do Código das Sociedades Comerciais
[6]   Art.º 18.º, do Decreto-Lei n.º 71/2007, de 27 de Março (Estatuto do Gestor Público)

[7]  Alínea b), do n.º 5, e n.º 6, do art.º 25.º, e n.º 9, do art.º 39.º, do Decreto-Lei n.º 133/2013, de 3 de Outubro (RJSPE
[8]  Tribunal de Contas Relatório n.º 16/2016 - 2.ª Secção Processo 24/15 – AUDIT , AUDITORIA AO CONTROLO DO SETOR EMPRESARIAL DO ESTADO EFETUADO PELO MINISTÉRIO DAS FINANÇAS NOVEMBRO 2016 http://www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2016/2s/rel016-2016-2s.pdf