segunda-feira, junho 10, 2019

No dia 10 junho os ex-combatentes não podem ser esquecidos?


A possibilidade de realizarmos um sonho é o que torna a vida interessante.” (Paulo Coelho)
“Os sonhos devem ser ditos para começar a se realizarem. E como todo projecto, precisam de uma estratégia para serem alcançados. O adiamento destes sonhos desaparecerá com o primeiro movimento.” (Paulo Coelho)

Neste sábado, 8 de junho de 2019, teve lugar perto da localidade de Chamadouro - Santa Comba Dão, mais um encontro, à semelhança de muitos outros, que todos os fins de semana tem um lugar no nosso País, de ex-militares,  que na sua juventude ( á volta dos 20 anos de idade)  foram recrutados e mobilizados para cumprir o seu serviço militar nas Forças Armadas Portuguesas na chamada, “guerra de África” nas  ex-províncias ultramarinas entre 1961-1974, em especial na Guiné, Angola e Moçambique, no nosso caso em  1970 e para Cabinda, onde na nossa juventude ,  passámos e vivemos na mata do Mayombe (Cabinda) durante 24 meses (julho 1970 a agosto de 1972). Ficou já previsto que o “encontro comemorativo dos 50 anos , 25 de julho de 2020, se irá realizar , previsivelmente no local onde tudo começou, - Abrantes”.
Como já foi escrito por alguém “existem homens que lutam um dia e são bons; existem outros que lutam um ano e são melhores; existem aqueles que lutam muitos anos e são muito bons. Porém, existem os que lutam toda a vida. Estes são os imprescindíveis.” Porque nunca vamos desistir, enquanto um de nós existir nesta vida”.
Cabe, talvez agora perguntar o que leva todos estes cidadãos, de um pequeno País,  que até pode não ser a coisa mais espectacular do mundo mas... é Portugal!,  já menos jovens, (idosos é a qualificação dada pela organização Mundial de Saúde)  em todos os anos, ou desde sempre, sem excepções, promover tais encontros anuais, talvez seja uma mistura de um sentir de saudade, pela possibilidade de rememorar não só os tempos difíceis de dor, e de incertezas, mas também de muita amizade, fraternidade e no cimentar de algo que, ainda ninguém descreveu, por pertence a cada um de nós - no sentir de injustiça, pelo não reconhecimento e gratidão  que houve , num período da nossa História que , talvez, mais de um milhão de jovens foi objecto de recrutamento para servir as Forças Armadas Portuguesas, e que deram tudo do melhor que tinham, incluindo a própria vida – ou talvez mais facilmente “um grupo de cidadãos que vive no presente o passado da sua história de vida.
Na realidade, também queremos evitar que aquele período,  da história de Portugal, seja esquecido, por hoje nos parecer irreal que o “futuro previsível temporal para milhares de jovens fosse limitado aos seus primeiros pouco mais de 20 anos de vida”! Paralelamente a isso, o País tem uma dívida de gratidão para com as várias milhares de jovens que, naquela época, foram furtados às famílias, às escolas, aos empregos e ao seu meio ambiente para irem combater por uma causa que, á época era entendida como um dever de ser português, e muitos deles dando a sua vida ou ficando estropiados ou deficientes, para todo o sempre.
Um sonho não basta sonhar. Temos que realizar. Não basta falar. Temos que agir. Não basta querer.  Temos que merecer. Os sonhos existem para serem realizados, por isso não olhamos para trás nem escutamos as  palavras de desânimo!
Isto tudo hoje, vêm também a propósito de pela, primeira vez, um ministro dum governo da nossa República reconhecer que, há ainda uma geração inteira que viveu o sofrimento das suas memórias quase em silêncio. Muitos deles nem à família contaram por o que passaram. Quanto muito, dividiram as lembranças com os seus camaradas de armas. E há milhares de homens com mazelas físicas ou psicológicas que o País foi ignorando e, em demasiados casos, deixando no mais absoluto dos abandonos. “Morrer pelo país ou por ele sacrificar o bem-estar ou a vida é um ato de bravura única, que coloca os combatentes num patamar de sacrifício que não é exigido em nenhum outra função do Estado”. (”Ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho)”.
Por isso a   proposta de lei relativa ao Estatuto do Antigo Combatente representa não apenas «um reconhecimento simbólico e material pelo serviço prestado pelos militares que combateram por Portugal», mas também «um reconhecimento formal há muito reclamado pelos antigos combatentes. Esta proposta de lei consagra medidas muito concretas como a criação do cartão do antigo combatente, «que se constitui como elemento facilitador na relação com o Estado», em concreto no acesso aos benefícios e apoios a que cada um tem direito e tem a vantagem de «clarificar e promover o conhecimento aos cidadãos do regime legal aplicável, e que muitos parecem ainda desconhecer».
Hoje dia -7 de Junho de 2019)- insertas na imprensa, noticias de que a “proposta do governo do Estatuto de Antigo Combatente é bem vista por todos os partidos mas,   baixa à especialidade sem votação para se encontrar "um denominador comum" que possa incluir benefícios concretos para os destinatários”, a ser realidade, constitui acima de tudo, um acto de coragem politica numa matéria politica-ideológica partidária que dividiu e divide muitos portugueses, configura-se , também, claramente como uma tentativa de praticar um acto politico de reconciliação no presente, com a nossa História, com o passado dos portugueses.
Como disse Agustina Bessa Luís :“As palavras não significam nada se não forem recebidas como um eco da vontade de quem as ouve”. Aguardamos que não aconteça o mesmo que aos combatentes portugueses na grande guerra na Europa de  2014-18 que só viram esse reconhecimento pela aprovação do Código dos Inválidos em 1929, isto é 11 anos após o fim do conflito, num período em que o tempo “ médio de vida era de menos de 40 anos”,( o qual, embora lhes tenha dado um estatuto digno após revisões sucessivas, não evitou que ficassem na miséria e que muito poucos ou quase nenhuns combatentes chegassem ao 25 de Abril de 1974, com pensões degradadas, sem direito à assistência médica ou quaisquer regalias sociais.)
Na verdade,  “O Estado tem obrigação de dar (aos ex-combatentes) apoio e às suas famílias nas dificuldades físicas e mentais que advêm da experiência da guerra, e tem responsabilidade de o fazer ao longo de toda a sua vida”.(Ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho)
Como disse Mia Couto “Não penso na velhice, tenho medo que a velhice pense em mim”. De forma construtiva aqui deixo algumas ideias que podem ser consagradas no enquadramento jurídico-constitucional,  de aplicação mediata, cujos impactos sociais e políticos ultrapassam em muito os “mínimos impactos de custos económicos e financeiros”,  que provavelmente, alguns procuraram “como justificativo” para “ a burocracia” usual no tempo de criação do suporte jurídico-constitucional para as mesmas:
a)     Criação de Centros de Acolhimento e Repouso exclusivo para ex-combatentes, aproveitando e adequando os aquartelamentos militares que tem sido abandonados, como contrapartida de  uma prestação adequada a parte do  rendimento da respectiva pensão ou reforma  de cada um - PROJECTO CASA-ABRIGO PARA EX-COMBATENTES DA GUERRA DO ULTRAMAR;
b)    Criação de uma Rede Nacional de Apoio aos ex-combatentes portugueses  portadores de perturbação psicológica crónica resultante da exposição a factores traumáticos de stresse no decorrer da sua participação nas comissões militares nas guerras nas ex-províncias ultramarinas;
c)     Permitir o acesso aos ex-combatentes, por meio da identificação, do cartão do combatente, a todos os serviços de saúde, exclusivo de militares, dos diversos ramos das Forças Armadas Portuguesas;
d)    Apoio económico e social efectivo a todos os ex-combatentes no processo de envelhecimento, com adequado apoio hospitalar, nomeadamente do hospital das Forças Armadas;
e)     Permitir o acesso, de acordo com o preçário praticado nas mesmas, aos ex-combatentes , ás respectivas messes de qualquer ramo das Forças Armadas;
f)      Criação da figura de “cuidadora de um ex-combatente” e determinação da concessão do respectivo subsídio inerente a essa função;
g)     Isenção do pagamento de qualquer verba pelos serviços prestados pelo serviço nacional de saúde, quer nos centros de saúde, quer nos hospitais públicos, para si e respectivo cônjuge;
h)    Concessão gratuita dos respectivos medicamentos, e dos meios necessários de apoio á sua saúde física e motora, não só para o próprio, mas também para a esposa;
i)       Isenção do imposto sobre o valor acrescentado (IVA), na aquisição de veículos próprios e apropriados para a sua locomoção;
j)       Isenção total do pagamento do imposto municipal sobre imóveis (IMI), da sua residência habitual;
k)     Isenção total do Imposto sobre rendimento de pessoas singulares (IRS) que recai sobre o rendimento das pensões dos ex-combatentes;
l)       Isenção total pela utilização dos meios públicos de transporte de passageiros;
m)  Direito de preferência de usufruir da utilização dos meios e recursos disponíveis nos hotéis pertencentes ao INATEL, contra o pagamento de 50% da prestação, diária, normal;

Sendo verdade que todos os povos cometem muitos erros, por ser inerente ao ser humano, mas com o erro há sempre alguém que beneficia – e nunca são as vitimas. Como diz a frase o “dinheiro não consegue comprar a história”, e a história faz-se sempre com alegrias ou tristezas, dramas ou glórias, sucessos e frustrações, trabalho ou preguiça. No fundo como a vida.
 Na realidade os políticos no nosso País trataram, até hoje, muito mal os Portugueses que viveram as guerras. Não é exclusivo de Portugal. Mas a expressão "ex-combatentes" foi um símbolo. E o poder politico , em geral, esqueceu-se dos milhares de cidadãos portugueses   por de trás    palavra – “ex-combatentes”. No entanto, temos que assumir que não se trata de um comportamento exclusivamente português. Acontece em todos os países quando as guerras não se ganham ou não se querem. As queixas dos veteranos portugueses da guerra no ex-províncias do ultramar português são as queixas dos veteranos americanos da guerra do Vietname e do Iraque: quando voltam a casa não os espera a gratidão dos seus compatriotas. Na melhor das hipóteses, espera-os a indiferença.
Concluindo: Temos a consciência e a noção que por muito que alguns tentem, e tem-no tentado, nunca conseguem alterar a verdade da história de um povo , como dizia a canção “há sempre alguém que resiste/há sempre alguém que diz não”. Tenho muito orgulho em ser português e tenho a noção clara que sou cidadão e vivo num dos melhores países do Mundo, como uma das mais antigas nações do Mundo, em todos os aspectos da vida de qualquer ser humano, apesar dos períodos negros de “porque temos passado na politica”, em  que em certos períodos, quase se destruiu o conceito de dignidade humana dos portugueses, e tentando apenas e só gerar o ódio entre gerações” nós sempre temos sabido sair com toda a dignidade humana. “A vida é o pouco que nos sobra da morte.“ (Walt Whitman)
Na realidade tudo isto parece tratar-se de um absurdo de “ausência de medidas politicas de justiça e cidadania”, a que esta proposta de lei pretende consolidar, não só o reconhecimento que “participámos numa guerra”, mas de todos os direitos de que podem usufruir os ex-combatentes, e por outro lado reconhecer   que  foi o "ex-combatente" que fez a revolução. Os soldados, os sargentos e os oficiais de baixa patente que fizeram a guerra foram os que nos trouxeram a liberdade - os que foram enviados para as “Guerras de África” ou os que estavam na iminência de o ser. Na verdade, a expressão "ex-combatente" foi sempre usada sem nunca se estar realmente a referir a pessoas. Ela foi um conceito político. E as pessoas concretas, com os seus dramas reais, acabaram por ser punidas por isso. Passados  mais de 45 anos, está chegada a hora do País fazer as pazes com a sua memória. E fazer justiça à geração da guerra. Sabendo que a “guerra do ultramar “não foi decidida por eles e que eles foram, com os povos das ex-províncias ultramarinas portuguesas, as suas principais vítimas. São eles que carregam as feridas do nosso passado. E o poder politico falhou ao ignorá-las!
Tudo isto parece hoje óbvio. Mas nem sempre foi. E é natural que não fosse. Os povos também precisam de tempo para sarar as feridas da guerra e começar a falar do assunto. E quando finalmente o conseguem fazer é muitas vezes tarde demais. Esperamos que à semelhança do que aconteceu aos jovens portugueses combatentes na guerra de 2014-18 não venha acontecer o mesmo aos, ainda vivos, talvez mais de 400 mil, combatentes nas guerras de Africa, dos mais de um milhão que por lá passaram.
"Dizem que o tempo muda tudo, mas, na verdade, somos nós que temos de fazer as mudanças." (Andy Warhol)

Armindo Bento – ex-combatente que serviu as Forças Armadas Portuguesas (Batassano –Floresta do Mayombe-Cabinda Julho de 1970 a Agosto de 1972)

Qual a razão porque o dia de Portugal se celebra a 10 de Junho?


Qual a razão porque o dia de Portugal se celebra a 10 de Junho? No dia 10 de Junho celebra-se em Portugal o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. O Feriado nacional, nesta data presta homenagem ao poeta Luís Vaz de Camões, autor d´Os Lusíadas, a maior obra épica de Portugal, que faleceu no dia 10 de junho de 1580.  
Até ao 25 de Abril, o 10 de Junho era conhecido como o Dia de Camões, de Portugal e da Raça, este último epíteto criado por Salazar na inauguração do Estádio Nacional do Jamor em 1944. A partir de 1978 este dia fica designado como Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
 No entanto, o 10 de Junho foi estipulado como feriado, na sequência dos trabalhos legislativos após a  implantação da República a 5 de Outubro de 1910. No decorrer desses trabalhos legislativos, foi publicado um  decreto a 12 de Outubro, que definia os feriados nacionais. Alguns feriados foram eliminados, particularmente os religiosos, de modo a diminuir a influência da  Igreja Católica e com o objectivo de consolidar a laicização da sociedade.
O decreto que definia os feriados nacionais dava ainda a possibilidade dos municípios e concelhos escolherem um dia do ano que representasse as suas festas tradicionais e municipais. Lisboa escolheu para feriado municipal o 10 de Junho, em honra de Camões, uma vez que a data é apontada como sendo a da morte do poeta.
 Durante o regime  do Estado Novo de 1933 até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974, o dia 10 de Junho era celebrado como o “Dia da Raça: a raça portuguesa ou os portugueses”. Foi aproveitado para exacerbar as características nacionais. Como Camões foi uma figura emblemática, associada aos Descobrimentos, foi usado como forma de o regime celebrar os territórios ultramarinos e o sentimento de pertença a uma grande nação espalhada pelo mundo, com uma raça e língua comum.

sexta-feira, maio 10, 2019

"Um sonho é um escrito, e muitos escritos não são mais do que sonhos." (Umberto Eco)


"Um sonho é um escrito, e muitos escritos não são mais do que sonhos."  (Umberto Eco)  

 Diz-se que aquele que sabe viver a vida percebe que vale mais a pena recordar os momentos felizes em vez de relembrar os seus erros e as suas mágoas. Como na generalidade toda a gente, também me lembro do passado, mas não com um sentido de melancólico, mas sempre com muita saudade, e também com a sabedoria da maturidade, o  que me faz projectar no presente aquilo que, sendo ou consideramos os melhores momentos e também os menos bons, não se perderam nem nunca se perdem. Devemos considerar que a maturidade permite-nos olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade, querer com mais doçura e perceber que não volta mais ao nosso convívio quem perdemos e que marcou de forma definitiva a nossa vida. Amadurecer significa deixar a nossa visão egocêntrica para compreender que existe um mundo maior e mais complexo, um mundo que muitas vezes nos coloca à prova e que nem sempre satisfará nossas expectativas, os sonhos e as ilusões da nossa vida. E, no entanto, quando amadurecemos, podemos viver em paz naquele mundo, aceitando tudo de que não gostamos, mas com a plena consciência que  não  podemos mudar o passado.  Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
É por isso que amadurecer talvez seja descobrir que sofrer perdas no nossa vida é inevitável, mas que não precisamos nos agarrar à dor para justificar nossa existência. Como disse William Arthur Ward : ” Cometer erros é humano e tropeçar é comum; a verdadeira maturidade é poder rir de si mesmo “.  
Na realidade a verdadeira maturidade psicológica surge quando somos capazes de ter a capacidade emocional de aceitarmos esses acontecimentos , e quando olhamos a realidade para os nossos olhos e, em vez de os descermos, e olhar-mos o chão,  nos perguntamos: ” Qual é o próximo passo? ” Isto significa que, embora a realidade possa ser dolorosa, não ficamos presos no papel de vítimas sofrendo em vão, mas protegemos o nosso equilíbrio emocional adoptando uma atitude proactiva, pois na generalidade a  maioria de nós não ouve com a intenção de entender o que nos está a ser dito, mas  ouvimos com a intenção de responder. “ A sabedoria não está em não falhar ou sofrer, mas usar nossas falhas para amadurecer e nosso sofrimento para compreender a dor dos outros.” (Augusto Cury)
Há quem diga que por vezes, viver na ilusão pode ser mais cómodo do que encarar “a triste realidade de viver a vida” . Aliás, é exactamente por isso que nos deixamos nos enganar. Por que muitas verdades doem na alma, esmagam o nosso coração e nos jogam , como diz o povo “na sargeta!. Então, é por isso que  mesmo sem se dar conta, a pessoa finge que não vê o que está bem claro, nega aquilo que é evidente e deixa-se enganar até por si mesma. Entretanto, ser ludibriado pela fantasia pode nos levar a um desperdício do nosso tempo, porque no mundo da lua não existe vida, e para seguir adiante no mundo real é preciso ter os pés no chão, e quanto mais firmes, mais largos os nossos passos em direcção a verdadeira felicidade de viver a nossa vida.  “Tenho a idade em que as coisas se olham com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo. Tenho os anos em que os sonhos começam a se acariciar com os dedos e as ilusões se tornam esperança. Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma louca labareda, ansiosa para se consumir no fogo de uma paixão desejada. E outras, é um remanso de paz, como o entardecer na praia. Quantos anos tenho? Não preciso de um número marcar, pois meus desejos alcançados, as lágrimas que pelo caminho derramei ao ver minhas ilusões quebradas. Valem muito mais do que isso. O que importa se fizer vinte, quarenta, ou sessenta! O que importa é a idade que sinto. Tenho os anos que preciso para viver livre e sem medos. Para seguir sem temor pelo atalho, pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus desejos.” (José Saramago)

“ Quando se sonha sozinho é apenas um sonho. Quando se sonha juntos é o começo da realidade.” (Miguel de Cervantes)


“ Quando se sonha sozinho é apenas um sonho. Quando se sonha juntos é o começo da realidade.” (Miguel de Cervantes)

Somos levados a admitir que “construção de uma vida” encontra-se, actualmente, mais em poder dos factos do que das convicções de cada um. E, é nesse sentido que penso que todos nós em certos momentos já nos interrogámos, qual a razão porque há algumas pessoas que parecem encantar toda a gente à sua volta mal abrem a boca e outras, que podem até ter coisas mais interessantes para dizer, mas cuja voz não chega sequer a ser ouvida. A nossa resposta poderá ser porque talvez sejam pouco assertivas, ou até tímidas, ou então não conseguem expressar bem as suas ideias. “A luz se foi e agora nada mais resta, a não ser esperar por um novo sol, um novo dia, nascido do mistério do tempo e do amor do homem pela luz.“ (Gore Vidal)
Lembrei-me de recuperar estes pensamentos porque muitos de nós lutam de vários modos durante a vida para permitir aparecer, ser vistos ou ser reconhecidos. Muitos de nós sentimos, em certos momentos, que talvez não tenhamos o direito de ser importantes. Muitos de nós sentimos até que não merecemos os nossos próprios sonhos ou presentes que sempre querem significar algum acontecimento. Muitos de nós sentimos que ao ocuparmos um espaço, isso significa deixar menos espaço para os outros fazerem o mesmo. E muitos de nós somos levados a  permanecer pequenos por toda a vida porque é mais fácil do que passar por nossa própria dúvida e aparecer, repetidamente, até começarmos a acreditar que realmente somos dignos de existir e viver a nossa vida, porque é o prazer de viver que dá todo o sentido à nossa vida. Como disse Alvin Toffler :"O futuro é construído pelas nossas decisões diárias, inconstantes e mutáveis, e cada evento influencia todos os outros."   
Quando nos perguntam como vai a vida, desde a família, aos filhos, à saúde, no geral respondemos que  tudo está, se não muito bem, no mínimo bem. É interessante que nessas alturas ninguém tem problemas com a esposa ou com o esposo, com os filhos, com os amigos, com os empregados, ou até com os vizinhos. O que transparece é que tudo é tão perfeito na vida dos outros, que não nos atrevemos sequer a nos queixar ou a lamentar sobre o que nos aborrece ou nos entristece. E há tantas coisas que nos aborrecem e outras tantas que nos entristecem!
 Quantas vezes é que não ouvimos alguém  queixar-se ou lamentar-se de que não se está sentindo muito bem, ou de que simplesmente que está triste? E muito menos que esse estado “de alma” se tem prolongado no tempo? Talvez porque achamos que  raramente conhecemos alguma pessoa de bom senso, além daquelas que concordam connosco. No entanto segundo JOSH BILLINGS “Bom senso é a capacidade de ver as coisas como são e fazê-las como devem ser feitas.”.
E porque assim é,  e se queremos estar  bem com todos no “nosso mundo e no mundo dessas pessoas”, sejamos então alegres, não falemos nunca de dramas, de problemas, da falta de dinheiro, de angústias várias. É que desta forma, ninguém nos vai achar problemático, complicado, ou um maçador e  ter de nos evitar a cada momento. Mas, quando ficamos exaustos de tanto nos contermos, sem podermos “abrir o coração e a boca”, até porque ninguém nos ouviria mesmo, não sabemos ainda as consequências de tanta contenção, pois se de facto preocupar-se é um hábito, que consideramos nocivo, e que se disfarça por trás de uma intenção real de resolver uma situação problemática, pelo contrário a resolução de problemas, a preocupação geralmente não leva a lugar algum e tem uma tendência a sair do nosso controlo. Além disso, os psicólogos apontam que a preocupação é quase sempre inútil, não nos devemos preocupar com o que ainda nem sequer aconteceu, e pode até mesmo atrapalhar os nossos processos de pensamento. Daí o conselho de  Winston Churchill “É bom ter livros de citações. Gravadas na memória, elas inspiram-nos bons pensamentos.”
É nesta altura cabe aqui perguntar: Será que só nós temos problemas? Ou será que há sempre alguém em pior situação que nós? A vida não é um “programa de computador” para ser vivida  de forma “ perfeita sem problemas e sem dramas”, temos que ter consciência que nem tudo nas nossas vidas tem de estar bem, nem da nossa , nem dos outros , que podemos e devemos falar dos nossos problemas, sejam eles de que natureza forem, que nem sempre estamos  alegres ou  de bom humor, como disse José Saramago :“A solidão é enriquecedora, mas isso depende directamente da possibilidade de se deixar de estar sozinho.“
Certo é que estamos, por cada dia que passa, a perder o que de melhor há na vida e nos relacionamentos humanos, que é a troca de experiências, de partilharmos o nosso modo de viver a vida, na troca de esperanças, de ideais - da vida, em suma - e ir  atrás do que na verdade nos interessa e que nenhum enfeite disfarça mas nos faz viver a vida. Como dizia Albert Einstein : “Só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem. A segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre.

“Enquanto houver sonho, amor e fantasia, haverá esperança." (William Shakespeare)


   “Enquanto houver sonho, amor e fantasia, haverá esperança." (William Shakespeare)  
 
Como acontece com grande parte das pessoas  vejo o tempo passar, e ao mesmo tempo “parece” começar a sentir uma “espécie de preguiça crónica” que nos quer fazer esquecer de olharmos para as coisas que nos rodeiam. Causa-me um certo espanto o tempo que agora passa. Cheguei à conclusão que o tempo é a única coisa terrível que existe. O tempo, que neste tempo passa sem quase dar por isso e leva de arrasto, aparentemente aleatório, a juventude que já foi nossa e a dos outros. Não é uma situação de  amargura, é apenas a realidade da vida. Como disse Josh Billings acerca da solidão como “ um lugar bom de visitar uma vez ou outra, mas ruim de adoptar como morada.”  É por isso, que temos que aprender a observar, porque a realidade sem o sonho e a fantasia não tem nenhuma utilidade para a nossa “estadia” e modo de viver a nossa vida. E continuamos a sonhar que venham novas histórias, novos sorrisos e novas pessoas!
Como todos já alguma vez sentimos a solidão nunca vem sozinha, pois como  devemos saber, ela traz consigo a dor, a saudade, a tristeza e o vazio.
Há quem diga que saudade é não saber! Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que parem o nosso pensamento, não saber como “parar” as lágrimas quando ouvimos uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio, naqueles momentos em  que nada nos preenche. Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos “machuca”, é não conseguir ver o futuro que nos convida! Saudade é sentir que existe o que não existe mais! “Aqueles que nunca sofreram não sabem nada, não conhecem nem os bens nem os males, ignoram as pessoas , ignoram-se a si próprios.”( François Fénelon)
Todos devemos saber que existem algumas formas de honrar a memória das pessoas. É um exercício interessante, porque estimula o significado das histórias compartilhadas, quando a pessoa não esteja mais cá, o que nos faz “relembrar” que o que vivemos juntos permanece vivo sob a forma de sabedoria, de crescimento, de motivação. Mesmo que exercícios como criar álbuns de fotografias, visitar locais especiais, celebrar até aniversários, etc, possam trazer lágrimas, também revelará sentidos que se “mantiveram” escondidos nos casos em que tais memórias, por um motivo ou outro “já se tinham dissipado” na nossa mente. Não apaguem nada, tentem compreender tudo, flutue livremente por entre as suas  histórias. Chore o que tiver que chorar, abrace tudo que surgir até que os primeiros sorrisos comecem a florescer.“A vida é apenas isto: um encadeamento de acasos bons e maus, encadeamento sem lógica, nem razão; é preciso a gente olhá-la de frente com coragem e pensar, mas sem desfalecimentos, que a nossa hora há-de vir, que a gente há-de ter um dia em que há-de poder dormir, e não ouvir, não ver, não compreender nada.”(Florbela Espanca)
Não foi por acaso que num destes dias surgiu-me a ideia de que  a “saudade” não se encaixa muito bem, ou mesmo nada com a  “solidão”, já que a “saudade” é bastante mais do que isso. Saudade é ver uma miragem no final de uma estrada deserta, é andar de braços dados com o sonho e esperança, é tentar enganar-se pela milésima vez caminhando no sentido contrário do tempo. Pelo contrário a solidão é uma espécie marcha lenta, é o degradar  de qualquer tipo de sentimento,  é o aprender a dançar sozinho, beber sozinho, sonhar de forma avulso sem sentido de coisa alguma,
 é o olhar para os lados e descobrir que a saudade continua a bater à porta, não a sua porta, mas sim a de qualquer outro.  “Nada é para sempre, dizemos, mas há momentos que parecem ficar suspensos, pairando sobre o fluir inexorável do tempo“.( José Saramago)
Considera-se que é de facto incrivelmente, um óptimo meio ou recurso de tratamento, como terapêutica adequada o conversar sobre os sentimentos que cada um sente. A morte da esposa ou do marido ou de outro qualquer familiar ou amigo mais chegado, é um evento fortemente traumático para o qual ninguém está preparado. Pode levar anos para processar todos os sentimentos que ficam e atribuir significado às histórias compartilhadas. Lembrar estas experiências pode trazer conforto e até alegria, um passo crucial para a solução e recuperação da vontade de viver. É por isso que, devemos de procurar não só as  pessoas que tenham ou estejam a passar pela mesma situação, mas também com sentimentos genuínos de compaixão para poder escutar o que tem ou quer dizer.  “A vida, que parece uma linha recta, não o é. Construímos a nossa vida só nuns cinco por cento, o resto é feito pelos outros, porque vivemos com os outros e às vezes contra os outros. Mas essa pequena percentagem, esses cinco por cento, é o resultado da sinceridade consigo mesmo”. (José Saramago)

Os cães vivem muito pouco, para o amor que lhes ganhamos “ (José saramago)


Os cães vivem muito pouco, para o amor que lhes ganhamos “ (José saramago)

Olhar esse animal que nos olha do outro lado do espelho do mundo mas todavia próximo de nós, significa pensar o que significa viver, falar, morrer, ser, ser feliz, estar no mundo e com o mundo. O animal que nos olha olhando-nos no desamparo da nossa solidão e nudez, para lá do bem e do mal, bem pode ser este cão de José Saramago. Deixou-nos com um pensamento basilar: “Há uma coisa em que as vitórias e as derrotas se parecem: É que, nem umas nem outras são definitivas”( José Saramago ).
Quantas vezes já ouvimos um dono a falar do seu cão, do cão da família, do seu cão que pensa que é um membro da família, tudo muito simples e até  engraçado, sem sabermos explicar o porquê? Não é que tal explicação tenha qualquer interesse, a realidade é que um dos benefícios inesperados de ter um cão é a forma como eles afectam a nossa vida, o nosso modo de sentir e  viver a vida, pondo uma certa beleza no mundo, como imortais na vivência pessoal dos que sabem ver e também sentir.
Como deixou escrito Cora Coralina : “Embora não possamos acrescentar dias à nossa vida, podemos acrescentar vida aos nossos dias.”
Como é agradável ao sentir aqueles benefícios mais fantásticos dos  cães que é a sua extraordinária capacidade de nos fazerem sentir calmos, o que tem um efeito brilhante na nossa saúde. Acariciar o nosso animal de estimação por apenas alguns minutos pode fazer o nosso cérebro libertar substâncias químicas que nos fazem sentir bem e, em alguns casos, até reduzir a nossa pressão arterial .
Tudo isto é óptimo para a nossa saúde em geral. A nossa pressão arterial tem um grande efeito no nosso bem-estar. Por isso, da próxima vez que sentir algum “stresse,” ou simplesmente precisar de parar, dedique algum tempo a mimar o seu animal de companhia. Ambos beneficiarão disso! Como disse  Milan Kundera “Os cães são o nosso elo com o paraíso. Eles não conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento. Sentar-se com um cão ao pé de uma colina numa linda tarde, é voltar ao Éden onde ficar sem fazer nada não era tédio, era paz.
Como muito bem sabemos o nosso  cão vai faz-nos sair de casa e experimentar coisas que nunca tínhamos considerado, nomeadamente o aumento de forma significativa da nossa actividade física regular, sem que se apercebamos disso, mas para além disto o que torna o nosso  passeio diário do nosso cão muito mais interessante, é conhecer novas pessoas .
É pouco provável que na nossa azáfama diária possamos parar para falar com um estranho que se cruza connosco na rua, mas ao contrário todos sabemos que tal não acontece quando passeamos o nosso cão e como é fácil falar com outras pessoas, enquanto o nosso cão  procura  fazer novos amigos. Na verdade temos algo em comum: os nossos cães são sociáveis e amigáveis. “Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas”. (Cora Coralina)
Por vezes não temos motivação para  fazer uma caminhada sozinhos, mas quando sabemos que o nosso cão precisa de fazer exercício, não pensamos duas vezes. Todos os passeios nos parques e aventuras no campo ou  praia são momentos extra de exercício físico. Um dos maiores benefícios de ter um cão é a forma como eles nos encorajam a ser mais activos, o que suporta tanto a nossa saúde como a deles.
É quase impossível sentir-se sozinho ao lado do seu cão e por uma boa razão. A maioria dos cães é muito sociável e adora ter companhia, seja canina ou humana. Quando o seu cão o recebe cheio de alegria, quando chega a casa, ou lhe mostra que quer dar o seu passeio preferido, sabe que terá sempre um amigo ao seu lado.
 Parece que os nossos cães estão sempre prontos para nos animar e nós também queremos que eles sejam o mais felizes possível. As relações maravilhosas que temos com os nossos cães são um testemunho das suas personalidade, lealdades e felicidade. Eles são de facto os melhores companheiros do mundo!
 Aqui fica um poema de Manuel Alegre para o seu cão Kurika: “Como nós eras altivo/fiel mas como nós desobediente./Gostavas de estar connosco a sós/mas não cativo/e sempre presente-ausente/como nós. Cão que não querias ser cão/e não lambias a mão/e não respondias à voz./Cão como nós.”
“ São precisamente as perguntas para as quais não há resposta, que marcam os limites das possibilidades humanas e que traçam as fronteiras de nossa existência. (A alma e o corpo, de A insustentável leveza do Ser-Milan Kundera)

sexta-feira, maio 03, 2019

Nada lhe pertence mais que seus sonhos.”
    Friedrich Wilhelm Nietzsche 
  “Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém, que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la. (Lispector , Clarice), trata-se tão só de um “sonho”, pois sabemos que essa realidade  não existe mais, mas é esta imaginação a razão do nosso viver.
Depois da morte de alguém que se ama, pode vir outra morte, a de quem fica. A realidade é que existe uma  “espécie de tabu natural” que envolve o único destino certo de todo ser humano. Ninguém quer falar, comentar, bate-se na madeira, fecha-se os ouvidos, e foge-se do assunto, tanto na hora de pensar na própria morte como de imaginar perder alguém próximo. 
 Alguns especialistas indicam que não se deve ter pressa em encerrar o ciclo do luto, nem se deve evitar a vontade de por vezes chorar. Assim como não há prazo para se livrar do luto, também voltar a sorrir não significa que a falta ou os sentimentos diminuíram. Permitir-se retomar a vida e reflectir sobre a existência não são antagónicos, e fazem parte da essência mais íntima de alguém. Na fé ou na razão, é necessário buscar o equilíbrio entre a retomar da  “nova”vida e a saudade de quem já cá não está, nem vai voltar. O grande sentido do luto, se podemos colocar desta forma, é aprender a permitir que os sentimentos venham e aprender o tempo real da vida. “Nas nossas vidas, a mudança é inevitável. A perda é inevitável. A felicidade reside na nossa adaptabilidade em sobreviver a tudo o que de ruim acontece na nossa vida”(Buda). 
 É por isso, que devemos usufruir sempre o presente da maneira mais serena possível: isto é sabedoria de vida. Em geral, porém, fazemos o contrário: fazemos planos e temos preocupações com o futuro ou também a saudade do passado ocupam-nos de modo tão contínuo e duradouro, que o presente quase sempre perde a sua importância e é negligenciado; no entanto, somente o presente é seguro, enquanto o futuro e mesmo o passado quase sempre são diferentes daquilo que pensamos. Sendo assim, iludimo-nos uma vida inteira, “esquecendo-se” que temos uma vida, e uma só - é essa que precisamos de viver.
Mas muitos julgam que há sempre muito tempo e, por isso, tantas vezes, decidimos adiar o importante para desperdiçar tempo com o que pouco vale, afinal, há é que ter paciência, dar tempo ao tempo, já devíamos ter aprendido, e de uma vez para sempre, que o destino tem de fazer muitos rodeios para chegar a qualquer parte.”   (José Saramago).
 A verdade é que todos nós temos a percepção que amaioria das pessoas não sabe lidar com a tristeza de quem perde um ente querido, e muito menos lidar com o sofrimento de quem acabou de perder um familiar. No geral, pretendem que as pessoas em situação de luto, consultem um médico e comecem a tomar depressivos!!! Pois, querem abreviar deste modo o tempo da dor. Mas, o uso indevido de  medicação antidepressiva ou calmantes no período de luto pode levar a uma “espécie de anestesia” emocional de repercussões devastadoras. Evitam o sentimento da dor, mas também vedam a capacidade de sentir a alegria. Tristeza não é depressão. Neste tempo de extremos, quando a vida nos empurra ao encontro da normalidade do quotidiano , pode acontecer momentos de alegria e satisfação e pode voltar a sorrir.
 “A vida que será conhecida a partir da perda nunca será a mesma de quando a pessoa amada estava viva. Para sair dessa caverna do luto é preciso cavar a própria saída.”(Ana Claudia Quintana Arantes, no livro “A morte é um dia que vale a pena viver”. Rio de Janeiro: Editora Casa da Palavra, 2016.)













“Os sonhos falam em nós, o que nenhuma palavra sabe dizer.” (Mia Couto)

Diz a sabedoria popular que um gesto vale por mil palavras. Certamente que assim é! Mas isto apenas vale se o gesto corresponder a uma verdade interior e não for mera encenação. Convencionou-se que as palavras não contam, que são superficiais e enganadoras. Mas é completamente falso. As palavras são o mais importante veiculo de comunicação e de troca entre humanos, e podem marcar tão profunda e duradouramente uma relação como um gesto, será o caso de não saber distinguir entre o “tratamento entre o chamar VELHO ou IDOSO”, será que estas palavras tem um mesmo significado? Como disse José Saramago, “as palavras proferidas pelo coração não tem língua que as articule, retém-nas um nó na garganta e só nos olhos é que se podem ler“.  
Ao ultrapassar um século de vida, alguém pediu a Oscar Niemayer que confessasse o segredo da sua longevidade, que, sem nada a esconder aconselhou: “ não viva cada dia como se fosse o último; viva como se fosse o primeiro”. Sendo que na realidade a vida em todas as suas fases, pode ser uma fonte de diversas lições, precisamos de ter é uma mente aberta para as apreender, não se esqueça que a vida é rápida e o tempo é muito curto. “Idoso é quem tem o privilégio de viver uma longa vida…  velho é quem perdeu a jovialidade” como disse Leonardo da Vinci :“o conhecimento torna a alma jovem e diminui a amargura da velhice”.
  A forma como cada um se sente bem e feliz e o que o faz sentir-se bem e feliz é única, e deve ser respeitada o que o outro gosta e quer, não é o mesmo que, porventura você gosta e deseja. Pode até acontecer que gostem de muitas coisas em comum, mas vão existir sempre muitas outras coisas que um gosta e o outro não. Como todos devíamos saber, mas nem sempre assim acontece, “a idade causa a degenerescência das células... a velhice causa a degenerescência do espírito.  É se  idoso quando se sonha… é se velho quando apenas se dorme.  É se idoso quando ainda se aprende… é se velho quando já nem ensina. É se  idoso quando se diverte no que lhe resta de vida...   é se velho quando sofre o que o aproxima da morte.” (anónimo). Gosto de relembrar que uma das coisas mais bonitas sobre os seres humanos, é que estes, no decorrer da “fase da vida”, tem oportunidades ilimitadas de tomar “decisões e escolher opções”,  da melhor maneira que sabem e com o que tem  naquele  momento. Em alguns momentos, isso pode não parecer muito - e em outros momentos, pode parecer uma transformação muito significativa na sua vida.
“Desejar ver a vida de outra forma, seguir outro caminho, pois a vida é breve e precisa de valor, sentido e significado. E a morte é um excelente motivo para buscar um novo olhar para a vida.”– (Ana Cláudia Quintana Arantes, no livro “A morte é um dia que vale a pena viver”. Rio de Janeiro: Editora Casa da Palavra, 2016)
Há palavras que quando nos são ditas, é tamanha a brutalidade que, mesmo ditas com toda a simpatia parece que levamos “um soco no estômago” Porém, há outras palavras que nos abrem as portas na nossa relação com os outros. Há palavras que são pontes. Fazem com que os outros fiquem mais próximos, criam cumplicidades em vez de inimizades. Sobretudo criam à nossa volta uma harmonia que só nos pode trazer felicidade. Aquilo que damos aos outros é-nos restituído sob a forma de felicidade e bem-estar. E isto não vale só para as relações amorosas. Vale para todas as relações que estabelecemos em e na sociedade.
 “Enquanto as pessoas são mais ou menos jovens e a partitura de suas vidas está somente nos primeiros compassos, elas podem compô-la juntas e trocar os motivos, mas quando se encontram numa idade mais madura, suas partituras estão mais ou menos terminadas, e cada palavra, cada objecto, significa algo diferente na partitura de cada um.” (A insustentável leveza do ser - parte 3: As palavras incompreendidas- Milan Kundera)


“Não importa como se sente, levante-se e lute pelos seus sonhos!(Roberta Thornton)

Li esta frase citada por uma pessoa amiga,  e que sintetiza parte do meu pensamento “não existe cedo ou tarde, tempo certo ou tempo errado... as coisas acontecem quando tem que acontecer. Por isso, nunca desista de seus sonhos.”, tudo isto a propósito de uma “das fases da nossa passagem” por esta Terra, em que, de facto, não há consciência sobre a última fase do nosso ciclo de existência – a morte. Sabemos que vamos todos morrer mas fugimos de falar, sobre o tema . Não só não se fala como há também muita dificuldade em lidar com o acontecimento  sobre o qual não temos nenhum controlo.
Todos temos a noção que quando a morte acontece ela só diz respeito ao corpo físico, a pessoa que morre não leva consigo a sua história de vida e que compartilhou com todos aqueles que viveram com ela, e para quem foi e se tornou muito importante ao longo de toda a sua vida. É talvez, por isso, que processo de luto se inicia com a morte de alguém que tem e teve muita importância na nossa vida. Na verdade a experiência de perder alguém importante tira-nos a percepção que cultivámos sobre a estabilidade de viver, sobre a segurança do mundo que nos rodeia, sobre a ilusão do nosso autocontrolo, parece que fomos privados da capacidade de nos reconhecermos como nós próprios somos. Tudo isto porque ao longo da nossa existência não recebemos nenhum tipo de educação para sermos quem somos! “ (adaptado do livro – A morte é um dia que vale a pena viver – Ana Cláudio Quintana Antunes).
Isto é verdade para todos nós. O nosso completo eu real é digno de ser visto. As nossas imperfeições são dignas de serem testemunhadas. A nossa história é digna de ser contada. As nossas verdades são dignas de serem ouvidas. Os nossos medos são dignos de serem compartilhados. A nossa humanidade é digna de ser reconhecida pela humanidade de outra. É aqui que nos sentimos menos sozinhos, que somos lembrados de que pertencemos, que descobrimos o nosso próprio significado e que encontramos uma compreensão mais profunda de nós mesmos e dos outros.
Mas tenho que relembrar que a forma como os familiares e os amigos vivem a morte também condiciona a expressão das nossas emoções. As pessoas lidam mal com as situações negativas e, por isso, evitam-nas a todo o custo. “Precisas de ter coragem”-  é talvez a frase mais dita e que no entanto devia ser evitada “ -  ‘coragem’  –, essas intenções contribuem para que as pessoas se isolem ainda mais,  porque os outros não o (a) querem ouvir, não o(a) compreendem. A sociedade continua a ter dificuldade em ouvir o outro quando atravessa um momento difícil. Sentimos em todo o momento que a sociedade, não só desvaloriza o luto como o apressa.
Na realidade são dias que  se pode viver de muitas maneiras e, não existe nada de errado em se sentir e ficar triste, pois a tristeza  é uma experiência necessária durante todo um processo de luto saudável, apesar de vivermos numa sociedade que sob a falsa impressão, dá a entender, que temos a obrigação de estar sempre a sorrir e felizes – não é proibido sentir-se e ficar triste, pois quanto mais tentarmos ignorar, mais o “sentir a falta de quem morreu” demora a estar resolvido. É melhor quando consegue chorar, zangar-se, revoltar-se, para que possamos “ajudar-nos a trabalhar” as emoções. Quando se obriga a pessoa a pensar sobre o que se passou, consegue-se encontrar respostas. No entanto não podemos também ignorar que um dos problemas da nossa estranha sociedade é que “alegria em demasia”, em período de luto, é algo que não “soa muito bem” : Partimos do princípio que existimos para nos perpetuarmos e quem monitoriza a vida? Essa é talvez a resposta, para perceber como cada um  vive o luto.
” Sonhos são adoráveis. Mas são só sonhos. São fugazes, efémeros, bonitos. Sonhos não se tornaram realidade só porque você sonhou. É o esforço que faz as coisas acontecerem. É o esforço que cria mudança.” Shonda Rhimes, roteirista, cineasta e produtora de filmes e séries norte-americana.









   
  
Todos os nossos sonhos podem realizar-se, se tivermos a coragem de persegui-los.”(Walt Disney)

 Quando, por vezes, somos “ pretensamente convidados” a compararmos com os outros, e a nossa mente reage de forma árdua num esforço para fazer o que sabemos fazer bem, acontece frequentemente que falhamos porque necessariamente podemos não ter o “chamado” dom para tal. É nesses momentos que nunca podemos desistir! Sem dúvida que os objectivos e ambições mais proeminentes na “jornada da vida das pessoas”, é alcançar a felicidade em tudo – tudo isso na realidade só depende de nós próprios. “Desconfie do destino e acredite em si. Gaste mais horas a realizar que a sonhar, a fazer do que a planear, a viver do que a esperar porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.”(Sarah Westphal)
 Nestes tempos que passam, as pessoas em geral — e também os investigadores científicos e outros estudiosos— vão percebendo que a melhor forma de se realizarem passa por se encontrarem a si próprias, através do recolhimento e da reflexão. “Nos seus níveis mais subtis de consciência, ganham uma outra perspectiva da realidade, distanciando‐se das múltiplas pequenas situações do dia a dia, sintonizando com os superiores interesses da Humanidade, sentindo‐se solidariamente como uma partícula do Todo Universal. Essa atitude contemplativa pode proporcionar o equilíbrio interior e exterior necessário para a definição de objectivos mais consentâneos com os superiores interesses do próprio e para a indução da acção mais apropriada, permitindo canalizar a energia de uma forma mais adequada e, por isso, obter apreciáveis níveis de eficácia. Torna‐se possível abandonar interesses pessoais e egoístas, focando a atenção, o pensamento e a acção no que é, de facto, útil para o outro, para o Todo e, por isso, também para si. Dá‐se como que uma ampliação da consciência, que permite a quietude e o silêncio interior, o reforço da autoconfiança e, então, a força serena da acção adequada e capaz de proporcionar as mais bonitas realizações.”(Luis Portela – da ciência ao amor- 2018)
Diz Lao Tsé em O Livro do Caminho Perfeito: “[…] o sábio executa suas tarefas sem agir e transmite ensinamentos sem usar palavras. Todas as coisas agem, e ele não lhes nega auxílio. Produz sem apropriar‐se de coisa alguma. Realiza sua tarefa e não pede gratidão e é justamente porque não se apega que o mérito jamais o abandona e suas obras meritórias subsistem”  .
Uma das únicas coisas que sempre todos nós destacamos é que por trás de todas as coisas externas, as histórias, as dificuldades, as injustiças e as dores, todos nós queremos a mesma coisa: viver a nossa vida.
Para sentir como nós importamos. Para se relacionar com as pessoas. Para ter um senso de propósito. Para aceitar quem somos. Para entrar em acordo com a vida que temos à nossa frente, mesmo que não seja a vida que imaginamos, mais do que palavras, devemos focar-nos nas nossas atitudes. Temos personalidades, temperamentos, gostos, desejos, pensamentos, comportamentos… diferentes, e até perante um mesmo estímulo, pode acontecer sentirmos de forma diferente. Somos únicos! Não existe uma única pessoa no mundo igual a si! Mas, todos temos algo maravilhoso em comum: você, aquela pessoa que se encontra mais perto de si, assim como aquela que mais distante está de si, todos querem sentir-se amados.
  Quando perdemos algum ente querido inesperadamente, percebemos como a vida é efémera e imprevisível. Com a rotina do quotidiano - família, amigos e trabalho, por exemplo - não notamos como tudo pode terminar a qualquer momento e é inevitável não nos questionarmos: é essa a vida que queremos viver? Aprendemos a dar mais valor aos momentos e a vivê-los como se fossem os últimos, evidenciando sempre o amor e os bons sentimentos sobre todas as outras coisas. No entanto, antes de escolher o caminho é preciso saber o que esperar da vida. Depois de traçado o destino,  precisa trilhar o percurso com determinação, esperança e humildade, pois somente assim conseguirá ser feliz e viver a sua vida. A partir de determinada altura, a pessoa habitua-se a viver com a ausência, nunca a aceitando, mas vive-a com nostalgia.“Para realizar um sonho é preciso esquecê-lo, distrair dele a atenção. Por isso realizar é não realizar.” (Fernando Pessoa)




“A esperança é o sonho do homem acordado.” ( Aristóteles)

Quero acreditar que todos estamos de acordo, que cada um de nós foi criado com a capacidade para dar um significado ao “nosso universo” e o resultado de tal feito, é que poderemos contribuir positivamente com o universo que está em nosso redor ou negativamente e  influenciá-lo, na verdade talvez assim seja ou talvez não, mas tudo depende de nós!  Se pensarmos bem o mundo que nos envolve, bem lá no fundo, sempre acaba por ser uma  projecção da nossa vida e do que carregamos dentro de nós, com aspectos agradáveis ou desagradáveis. Tenho plena convicção que todos queremos estar em paz e sermos tão felizes quanto pudermos, o que acarreta num grande desafio de encontrarmos o caminho para conseguir tal realização. Como disse Thomas Edison, como sabem foi um dos maiores inventores da humanidade “Eu não falhei nenhuma vez. Simplesmente descobri dez mil maneiras que não funcionam.”  
Na realidade todos, em certos momentos da nossa vida, temos uma listas de coisas que, ou pensamos ou tentamos provar aos outros: Quantos felizes somos ou estamos, ou que nós realizamos, quanto duro e difícil é o nosso trabalho, que somos muito simpáticos, que somos bem sucedidos, que temos valor, que os nosso relacionamentos são maravilhosos, que amamos a nossa vida, que somos auto-suficientes etc etc. Mas, pensando melhor, será que temos mesmo necessidade disso? Por mim, entendo que não, pois a verdade é que, se reduzimos ou passamos menos do nosso tempo a pensar ou a tentar provar aos outros muitas destas coisas, ficamos com mais tempo para pensar em nós, para perceber e aproveitar tudo o que nos rodeia e os benefícios de viver a nossa vida, não em função dos outros, mas em função de nós próprios.
Acredito que a melhor coisa que podemos fazer para o nosso bem-estar geral é ter em mente do que precisamos em qualquer momento, prestar atenção a essas necessidades e honrá-las de uma maneira que sabemos que funciona para nós – e não tentar dar a parecer, numa “representação imaginária” para todos os outros.
 Como alguém disse, chegou o momento de parar de pensar sobre o que não se tem e procurar por algo novo que faça o seu coração vibrar, para que se sinta satisfeito(a) e desfrute da vida com alegria. “Levante a âncora e siga em frente”.
 Talvez, nos primeiros momentos, possa pensar que os sonhos são apenas e só imensos desejos que gritam no íntimo humano, procurando uma oportunidade para se concretizar, mas na realidade o sonho, qualquer sonho pode  tornar-se real quando se  empenhar a torná-lo real! É bom lembrar que, muitas vezes, a melhor maneira de expandir sua mente e alcançar uma solução é com palavras. As palavras podem levá-lo(a) a lugares que nunca foi, construir pontes entre pessoas, etc
 Vivemos numa sociedade que diariamente parece que nos convida  a  compararmo-nos uns com os outros, e tais maneiras de proceder ou  propostas podem ser uma fonte de tantas frustrações e interrogações pessoais que podem levar a consequências irreparáveis, pior ainda, quando também somos, levados a pensar que dependemos de aprovações externas para nos sentirmos bem com o que fazemos ou decidimos. O resultado é que tudo isso pouco a pouco pode estar destruir o nossa própria auto-estima e a autonomia de pensar e viver a nossa vida.
Na vida, para certos aspectos temos de ser teimosos, e um erro jamais deve ser interpretado como um fim e uma queda como uma perda irreparável, devemos de maneira sóbria vê-los como uma lição a ser aprendida para fazer melhor nas oportunidades seguintes.
Acredito que chegamos aqui onde agora estamos e que já ou começamos a compreender que VIVER EXIGE CORAGEM E TAMBÉM MOTIVAÇÃO. Agora, na realidade o nosso dia a dia fica muito mais complicado e complexo quando não nos dedicamos a aprender a gostar de nós mesmos. É na verdade um caminho complicado… e vale a pena lembrar que o medo é um dos nossos principais inimigos. A experiência e a sabedoria em torno da arte de viver só são adquiridos vivendo, sendo assim, não devemos desperdiçar o que cada dia nos pode oferecer!
“Dentro de vinte anos a partir de agora você irá se arrepender das coisas que você não fez, então solte as amarras e saia da sua zona de conforto, procure o vento nas suas velas. Explore, sonhe, descubra”. (Mark Twain)




“Quem sonha de dia tem consciência de muitas coisas, que escapam a quem sonha só de noite.” (Edgar Allan Poe)

Há quem diga que é sempre importante começar a ler um livro pelo seu prefácio, pois assim podemos descobrir o verdadeiro valor desse livro, e se ele vale a pena ser lido ou se é melhor fechá-lo e não perder o nosso tempo, que como sabemos é sempre escasso, podendo assim escolher um outro livro mais interessante que aquele do qual lemos apenas algumas páginas de apresentação e percebemos logo que não era aquilo que pretendíamos ler. Então vamos pensar e apelar para termos uma atitude positiva, é melhor descobrir que o livro não era o que pensávamos antes de ler, e “fechá-lo” nesse mesmo momento ou ir  até o final do mesmo e perder o nosso tempo, com uma certa angustia, e até desilusão, porque sabemos que não era o que esperávamos ? A atitude mais certa e correcta é  fechar esse livro e pegar  noutro, porque este já   mostrou logo de início que não merece ser lido até o final! “Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte.  (“Carlos Ruiz Zafón – in A sombra do vento”)
Sabia que “quando os japoneses colam objectos quebrados, eles preenchem as rachaduras com ouro. Eles acreditam que quando algo sofre algum dano, tem uma história, e por isso há que ser consertado, vale a pena repará-lo. Quando alguns vasos se quebram, eles não perdem seu valor. De facto, ao consertá-lo, ele torna-se num objecto único e especial. E passa a valer mais do que antes! Ao invés de se envergonharem de suas imperfeições, eles embelezam-nas, para que sejam vistas como uma celebração à vida, nos pequenos e grandes erros cometidos e na possibilidade aprendermos com isso. Parte do que somos é aquilo que tentamos esconder com mais determinação: as nossas falhas e defeitos.”(in livro Kintgukuroi –Tomás Navarro)
Por que não usamos este exemplo dos japoneses para a nossa vida? Por que temos tanto medo de assumir os nossos erros e por que teimamos em esconder as nossas imperfeições? Qual seria a “graça da viver” se ninguém cometesse qualquer tipo de erro? Eu sei que é muito mais bonito e certo quando acertamos, mas os erros existem também para nos ensinar. Algumas pessoas até aprendem melhor quando erram do que quando acertam. Quando a gente erra, não perdemos o nosso valor. Entenda-se que estamos em constante movimento e é mais do que normal tomarmos decisões que às vezes não são as melhores. A nossa vida não acaba porque erramos, sempre há tempo de “ a consertar”, seguir até outro caminho. Os vasos “consertados” japoneses são únicos. Sabe porquê? Não temos  duvidas que todos se quebram de forma diferente e quando são consertados também de forma diferente , e por isso nenhuma fica igual ao outro, todos ficam diferentes.   O mesmo acontece com as pessoas. Tornamo-nos únicos a partir de nossas experiências de vida. Por isso, não tenham medo, não esconda os vossos erros!
Como certamente já repararam eu utilizo esta plataforma de comunicação para “falar” muito e abertamente do meu sentido das coisas e da vida.  Em certas ocasiões dou por mim a interrogar-me, sendo que também já alguns e algumas amigos (as) me chamaram a atenção para isso, se tal não será "demais", mas, logo depois, relembro os  meus valores e o meu sentir de viver a vida, e surge inevitavelmente a pergunta: "qual é o “porquê” em partilhar tudo isto?" A resposta surge de imediato na minha mente e é sempre esta: aumentar e melhorar o nível das relações pessoais e para lembrar aos outros (as), eles(as) não estão sozinhos (as). É como um quebrar as barreiras do poder da nossa mente e assegurar a todos e a todas que  também somos humanos. Estou muito grato por poder acompanhar, compartilhar muitas coisas aqui e por continuar a lidar com toda essas coisas do ser humano.   Nem sempre somos capazes de controlar o que bate à nossa porta, mas temos ... a possibilidade de decidir o que entra e o que fica de fora” (Cleo Wade.)





“Se tem um sonho, lute por ele. Não importa quantas vezes é derrotado, mas sim quantas vezes se levanta e enfrenta tudo" (Lady Gaga)

As oportunidades surgem, mas só aqueles que arriscam, que lutam, que acreditam em si e nos seus sonhos, é que podem alcançar os seus objectivos e podem conhecer o sabor do sucesso. Mesmo sabendo que o caminho para grandes realizações nem sempre é fácil. Mas só nós, e mais ninguém, é que podemos decidir quando dar o primeiro passo para realização de nossos sonhos e encontrar o que nos traria a felicidade de poder viver a nossa vida. Como disse Dale Carnegie “ Tente a sua sorte! A vida é feita de oportunidades. O homem que vai mais longe é quase sempre aquele que tem coragem de arriscar.”
“A maior descoberta de todos os tempos é que uma pessoa pode mudar, simplesmente mudando de atitude.  O que eu aprendi numa idade muito precoce foi de que eu era responsável pela minha vida. E como eu me tornei mais consciente espiritualmente, eu aprendi que todos somos responsáveis por nós mesmos, por isso crie a sua própria realidade, a maneira de pensar e agir . Não passe o tempo    culpar toda a gente, principalmente os seus pais, as suas circunstâncias, porque não são suas circunstâncias. Essas são suas possibilidades. Se  sabe disso, pode fazer qualquer coisa.“ (Oprah Winfrey)
E é neste ponto que é bom sentir que temos bons amigos, que de facto gostem da gente e se preocupam connosco, faz toda a diferença, pequenos gestos, pequenas palavras.... são esses pequenos detalhes que nos conquistam por completo.   Os pequenos gestos engradecem quem os faz, é nos pequenos gestos que descobrimos muitas coisas, é assim que sentimos que  a vida é feita de pequenos gestos, de pequenas coisas e da capacidade de nos maravilharmos diante deles. Observemos a maravilha do sol nascente! Os raios solares infiltrando por entre as folhas  das árvores . O reflexo dourado nas águas de qualquer rio…uma praça que ganha vida nova...É o milagre do amanhecer! É a natureza a cada dia com uma nova roupagem, a natureza que nos convida a nunca desistir.
Devemos ter plena consciência que na nossa vida não existem relações perfeitas, não existem “almas gémeas” que tenham os mesmos gostos, os mesmos pensamentos e opiniões iguais a todo tempo, isso só existe nos sonhos ou em filmes. Todos mais tarde ou mais cedo sofremos decepções, fazem parte do rol das melhores relações humanas, e é nesses momentos que devemos ter a capacidade de pensar de reflectir antes de reagir .  “O silêncio e a tolerância são os vinhos dos fortes, a reacção impulsiva é a embriaguez dos fracos, o silêncio e a tolerância são armas de quem pensa, a reacção extintiva é a arma de quem não pensa. É muito melhor ser lento no pensar do que rápido e machucar, é preferível conviver com uma pessoa simples, sem cultura académica, mas tolerante, do que com um ser humano de libada cultura saturado de radicalismo, egocentrismo, estrelismo. Sabedoria e autocrítica não se aprendem nos bancos de uma escola, mas no traçado da existência.”(Augusto Cury)
Pequenos gestos podem não significar muito para quem os faz, mas podem ser de grande importância para quem os recebe. Há  pequenos gestos que expressam mais que palavras, mas isso só é possível percebermos ,quando aprendemos a dar valor ao simples, a ao que temos, e principalmente aprendemos a dar valor ao que temos por perto. Devemos lembrar que pequenos gestos podem mudar o dia de alguém e o nosso também….um sorriso, um bom dia, um outro cumprimento, talvez não mude o mundo, mas muda tudo. 
Disse alguém que “o segredo não está em ter o que se quer... mas em querer o que se tem.”  Uma das frases erradamente atribuída a Einstein, traduz com fiabilidade a razão de algum cepticismo “insanidade é fazer as coisas sempre da mesma maneira e esperar resultados diferentes”. “Se alguém está tão cansado que não possa te dar um sorriso, deixa-lhe o teu. Um sorriso significa muito. Enriquece quem o recebe, sem empobrecer quem o oferece; dura apenas um segundo, mas a sua recordação, por vezes, nunca se apaga.” (Provérbio chinês)


 “Precisamos de homens que consigam sonhar com coisas que nunca foram feitas.”  (JOHN FITZGERALD KENNEDY)
Sabia que segundo estudos sobre  comportamento humano é no primeiro minuto em que nos deixamos envolver por situações de  “tensão  nervosa“ que cometemos os maiores erros de nossa vida, falamos palavras e temos gestos diante das pessoas de quem gostamos, somos amigos ou  amamos que jamais deveríamos expressar! Tudo porque não pensamos antes de reagir, falta-nos a serenidade, a coerência intelectual, o raciocínio crítico. Todos nós temos vários tipos de necessidades, e as nossas diferentes necessidades exigem que se sejam tratadas de  formas diferentes. Ter uma maior compreensão  e entendimento de todas as nossas necessidades pode ser muito útil para determinar como cuidar de nós mesmos, quando nos sentimos esgotados em uma determinada área. Quando identificamos necessidades diferentes, pode parecer menos impressionante e mais fácil identificar o que exactamente pode ser favorável, dependendo de qual a área que mais precisa da nossa concentração e atenção. Na verdade e por vezes esquecemo-nos que a nossa vida é feita de histórias. “A nossa história é o que temos e teremos sempre. É algo que devemos assumir como nosso “ (Michele Obama).
Será que já “parou” para reparar como hoje é muito reduzido, eu diria até em grande parte inexistente, o papel da família no desempenho e transmissão do sentido familiar das suas raízes, não só, os usos e costumes, da sociedade onde se insere como  da “cultura própria familiar”? Hoje, o que assistimos é a uma completa predominância da “cultura das redes sociais” que promove o “empavonamento” fazendo realçar “ o eu individual” num impulso irresistível de “captar” a atenção dos outros, por via do “espectáculo do próprio eu”.
Na verdade muitas pessoas “fecham-se” como um modo de se  proteger, afastando das e as outras pessoas, anoto uma mensagem no livro “ O Pequeno Príncipe”( Antoine de Saint-Exupéry) que incentiva as pessoas a criarem mais laços, mais pontes, alimentando a proximidade e amizade, combatendo a solidão. “As pessoas são solitárias porque constroem muros ao invés de pontes.”
Acredito que na generalidade, todas as pessoas tem consciência das diferentes necessidades que cada um de nós tem à sua maneira,  e no seu próprio caminho, e como resultado disso surgem algumas perguntas, que podemos colocar a nós próprios, num sentir de exigência  por clareza e compreensão no nosso modo de viver.
 Começo pelas chamadas necessidades básicas dos seres humanos: Estou a comer e a beber o suficiente? Estou a descansar e dormir o suficiente? Eu sinto-me estável e no lugar certo onde moro? O ambiente onde vivo e convivo é seguro? É seguro ser meu o verdadeiro eu? Eu sou capaz de cuidar de mim mesmo?  A que se seguiria as necessidades das nossas relações sociais: Sinto que tenho relacionamentos satisfatórios e de apoio de pessoas? Eu tenho contactos regulares com pessoas que gosto e amo? Eu sinto que há um cuidado por mim das pessoas, que considero” da minha vida”? Estou ligado à minha comunidade? Eu sou capaz de definir alguns limites?As necessidades emocionais: pratico auto-critica regularmente? Eu sou capaz de sentir os meus sentimentos? Eu por vezes sinto um certo entorpecimento? Há sentimentos que tenho medo de “abrir” e de dar a conhecer aos outros? Estou consciente de como me sinto? Eu tenho “um recurso próprio” de ferramentas emocionais? Necessidades de crescimento pessoal: exploro diversas maneiras de crescer? Existem actividades que me inspiram? Eu envolvo-me em coisas que me dão propósito e sentido de vida? Estou ligado às minhas próprias aspirações e objetivos? Eu permito-me mudar e mudar à medida que vou aprendo e admito os meus erros? Necessidades intelectuais: admito novas formas de entender a mim mesmo e o mundo? Estou a tentar dar a conhecer o que já sei? Estou aberto, a novos conhecimentos, a novas informações e pontos de vista? Eu procuro conhecimento e sabedoria? Eu sinto-me intelectualmente satisfeito?  Necessidades espirituais: Estou ligado a algo maior que eu? Eu sinto uma sensação de honrar minha própria existência? Há maneiras de me envolver com meus rituais e práticas espirituais? Estou a abrir um espaço para o que a espiritualidade preenche na minha vida?
Cada um dos nossos círculos pode parecer único, mas ter consciência em torno das diferentes partes de nós mesmos pode ajudar-nos a nos apoiar no nosso dia a dia e tornar esses momentos únicos.
Se nos “deixarmos” viver debaixo de uma ditadura “da resposta”, da necessidade compulsiva de reagir quando pressionados cometeremos erros, alguns muito graves. Vivemos numa sociedade barulhenta que frequentemente detesta o silêncio, cada vez mais percebemos que as pessoas estão a perder o prazer de silenciar, se interiorizar, reflectir, meditar. “O ditado popular “de contar até dez antes de reagir” é imaturo, não funciona. O silêncio não é aguentar para não explodir o silêncio é o respeito pela própria inteligência, é o respeito pela própria liberdade, a liberdade de se obrigar a reagir em situações de stresse”.(Augusto Cury)
Só se pode sentir a evidência das coisas até um certo ponto: além disso, ou nos rebaixamos ou nos aproximamos do sentimento superior que nos liberta. De facto, o verdadeiro estado de liberdade é o de ultrapassar a imaginação.“ (Agustina Bessa-Luís)
*” De acordo com o psicólogo, Abraham Maslow, o indivíduo rege sua vida de acordo com as suas necessidades, que podem ser divididas em: 1)Fisiológicas: ar, água, comida, exercício, repouso e saúde;2)Segurança: abrigo, estabilidade, segurança;3)Social: se sentir querido, pertencer a um grupo, ser incluso;4)Estima: poder, reconhecimento, prestígio e autoestima;5)Autorrealização: desenvolvimento, criatividade, autonomia, realização. De acordo com Maslow, as necessidades fisiológicas são as necessidades básicas do ser humano. Ao alcançá-las, ele consegue avançar para o alcance das necessidades de segurança — e assim sucessivamente, até atingir as necessidades de autorrealização.”