sexta-feira, maio 10, 2019

“ Quando se sonha sozinho é apenas um sonho. Quando se sonha juntos é o começo da realidade.” (Miguel de Cervantes)


“ Quando se sonha sozinho é apenas um sonho. Quando se sonha juntos é o começo da realidade.” (Miguel de Cervantes)

Somos levados a admitir que “construção de uma vida” encontra-se, actualmente, mais em poder dos factos do que das convicções de cada um. E, é nesse sentido que penso que todos nós em certos momentos já nos interrogámos, qual a razão porque há algumas pessoas que parecem encantar toda a gente à sua volta mal abrem a boca e outras, que podem até ter coisas mais interessantes para dizer, mas cuja voz não chega sequer a ser ouvida. A nossa resposta poderá ser porque talvez sejam pouco assertivas, ou até tímidas, ou então não conseguem expressar bem as suas ideias. “A luz se foi e agora nada mais resta, a não ser esperar por um novo sol, um novo dia, nascido do mistério do tempo e do amor do homem pela luz.“ (Gore Vidal)
Lembrei-me de recuperar estes pensamentos porque muitos de nós lutam de vários modos durante a vida para permitir aparecer, ser vistos ou ser reconhecidos. Muitos de nós sentimos, em certos momentos, que talvez não tenhamos o direito de ser importantes. Muitos de nós sentimos até que não merecemos os nossos próprios sonhos ou presentes que sempre querem significar algum acontecimento. Muitos de nós sentimos que ao ocuparmos um espaço, isso significa deixar menos espaço para os outros fazerem o mesmo. E muitos de nós somos levados a  permanecer pequenos por toda a vida porque é mais fácil do que passar por nossa própria dúvida e aparecer, repetidamente, até começarmos a acreditar que realmente somos dignos de existir e viver a nossa vida, porque é o prazer de viver que dá todo o sentido à nossa vida. Como disse Alvin Toffler :"O futuro é construído pelas nossas decisões diárias, inconstantes e mutáveis, e cada evento influencia todos os outros."   
Quando nos perguntam como vai a vida, desde a família, aos filhos, à saúde, no geral respondemos que  tudo está, se não muito bem, no mínimo bem. É interessante que nessas alturas ninguém tem problemas com a esposa ou com o esposo, com os filhos, com os amigos, com os empregados, ou até com os vizinhos. O que transparece é que tudo é tão perfeito na vida dos outros, que não nos atrevemos sequer a nos queixar ou a lamentar sobre o que nos aborrece ou nos entristece. E há tantas coisas que nos aborrecem e outras tantas que nos entristecem!
 Quantas vezes é que não ouvimos alguém  queixar-se ou lamentar-se de que não se está sentindo muito bem, ou de que simplesmente que está triste? E muito menos que esse estado “de alma” se tem prolongado no tempo? Talvez porque achamos que  raramente conhecemos alguma pessoa de bom senso, além daquelas que concordam connosco. No entanto segundo JOSH BILLINGS “Bom senso é a capacidade de ver as coisas como são e fazê-las como devem ser feitas.”.
E porque assim é,  e se queremos estar  bem com todos no “nosso mundo e no mundo dessas pessoas”, sejamos então alegres, não falemos nunca de dramas, de problemas, da falta de dinheiro, de angústias várias. É que desta forma, ninguém nos vai achar problemático, complicado, ou um maçador e  ter de nos evitar a cada momento. Mas, quando ficamos exaustos de tanto nos contermos, sem podermos “abrir o coração e a boca”, até porque ninguém nos ouviria mesmo, não sabemos ainda as consequências de tanta contenção, pois se de facto preocupar-se é um hábito, que consideramos nocivo, e que se disfarça por trás de uma intenção real de resolver uma situação problemática, pelo contrário a resolução de problemas, a preocupação geralmente não leva a lugar algum e tem uma tendência a sair do nosso controlo. Além disso, os psicólogos apontam que a preocupação é quase sempre inútil, não nos devemos preocupar com o que ainda nem sequer aconteceu, e pode até mesmo atrapalhar os nossos processos de pensamento. Daí o conselho de  Winston Churchill “É bom ter livros de citações. Gravadas na memória, elas inspiram-nos bons pensamentos.”
É nesta altura cabe aqui perguntar: Será que só nós temos problemas? Ou será que há sempre alguém em pior situação que nós? A vida não é um “programa de computador” para ser vivida  de forma “ perfeita sem problemas e sem dramas”, temos que ter consciência que nem tudo nas nossas vidas tem de estar bem, nem da nossa , nem dos outros , que podemos e devemos falar dos nossos problemas, sejam eles de que natureza forem, que nem sempre estamos  alegres ou  de bom humor, como disse José Saramago :“A solidão é enriquecedora, mas isso depende directamente da possibilidade de se deixar de estar sozinho.“
Certo é que estamos, por cada dia que passa, a perder o que de melhor há na vida e nos relacionamentos humanos, que é a troca de experiências, de partilharmos o nosso modo de viver a vida, na troca de esperanças, de ideais - da vida, em suma - e ir  atrás do que na verdade nos interessa e que nenhum enfeite disfarça mas nos faz viver a vida. Como dizia Albert Einstein : “Só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem. A segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre.

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