sexta-feira, julho 15, 2022

“Would we be the same if we knew what awaits us beyond space and time?” (Richard Bach 1936)

“Would we be the same if we knew what awaits us beyond space and time?” (Richard Bach 1936) In these uncertain times when it seems that “nobody calls us anymore to know if we are even here”, the anguish in the form of insomnia sets in waiting for us to be blessed by the luck of the cell phone ringing. We live in starvation of any signal, as if the cell phone validated our existence: like the tunnel that leads us to the light still halfway.” Never forget that there is always light at the end of the tunnel. Just don't wait for this light to come to you, go to it. Who knows if you'll find the one you're looking for there, and maybe this someone is also trying to find you.” (Tumblr) In fact, life is too serious to waste time with “things that seem to be unimportant in the eyes of others”, in the almost unfathomable mysteries of being human, but which were not even said eye to eye, in fact it is easier to say all this with “the pain well organized”, before getting to the written words that can, because it is easier to invent the readings that are not there, but that, eventually, can give us the strength to move on. As Augusto Cury said: “Whoever has external light walks without stumbling, whoever has internal light walks without fear of living.” We all have moments when we think that we are just what we are, that we just exist and whatever happens has happened, as Paulo Coelho said that “when we want something, the whole universe conspires to make it happen.” We don't know if it will be like that? Whether we like it or not, there are, as it were, material limits to our resistance; however, the expansion of each “possible heartbreak” reaches them and, at times, surpasses them, hence the impression that each pain, each heartbreak, is infinite. They are, indeed, but only for us, for the limits of our hearts; and even if it had the dimensions of vast space, our sufferings would be even more vast, because every pain replaces the world and from each grief makes another universe. “Only chance can be interpreted as a message. Let things go by themselves in the right direction, because no matter how hard you try, when people have to get hurt or hurt you they will get hurt or they will really hurt you. Is life." (HARUKI MURAKAMI)

“Seriamos os mesmos se soubéssemos o que nos espera para lá do espaço e do tempo?“ (Richard Bach 1936)

“Seriamos os mesmos se soubéssemos o que nos espera para lá do espaço e do tempo?“ (Richard Bach 1936) Neste tempos tão incertos em que parece que “já ninguém nos liga para sabermos se ao menos ainda cá estamos”, a angústia em forma de insónia instala-se à espera de sermos bafejados pela sorte de o telemóvel tocar. Vivemos à míngua de um sinal qualquer, como se o telemóvel validasse a nossa existência: como o túnel que nos leva à luz ainda a meio do caminho.” Nunca esqueças que há sempre uma luz no fim do túnel. Só não esperes que esta luz chegue até ti, vai até ela. Quem sabe se lá encontras aquele(a) que tanto procuras, e quem sabe este alguém esteja também tentando encontrar-te”.(Tumblr) De facto, a vida é demasiado séria para perdermos tempo com as “coisas que parecem aos olhos dos outros não ter importância”, nos mistérios quase insondáveis por sermos humanos, mas que não foram sequer ditas olhos nos olhos, de facto é mais fácil dizer tudo isto com “a dor bem arrumada”, antes de chegar às palavras escritas que podem , por ser mais fácil inventar as leituras que não estão lá, mas que, eventualmente, nos podem dar força para seguir em frente. Como disse Augusto Cury :“Quem tem luz exterior caminha sem tropeçar, quem tem luz interior caminha sem medo de viver.“ Todos temos momentos em que pensamos que apenas somos o que somos, que apenas existimos e o que acontecer aconteceu, como disse Paulo Coelho que “quando queremos alguma coisa, todo o universo conspira para que possa realizar o seu desejo.” Não sabemos se será bem assim? Quer queiramos quer não existem como que limites materiais para nossa resistência; entretanto, a expansão de cada “ eventual desgosto “ os alcança e, às vezes, os ultrapassa, daqui deriva a impressão de que cada dor, cada desgosto, são infinitos. Eles o são, na verdade, mas somente para nós, para os limites de nosso coração; e mesmo que este tivesse as dimensões do vasto espaço, os nossos sofrimentos seriam ainda mais vastos, pois toda dor substitui o mundo e de cada desgosto faz outro universo. “Só o acaso pode ser interpretado como uma mensagem. Deixa as coisas seguirem por si mesmas na direcção acertada, pois, por mais que te esforces, quando as pessoas tiverem que se magoar ou te magoar elas vão se magoar ou vão mesmo te magoar. É a vida.” (HARUKI MURAKAMI)

sábado, julho 09, 2022

It is useless to try to dissuade fanatics.

It is useless to try to dissuade fanatics. It is useless to try to dissuade fanatics. We should always try to understand both sides of a poorly told story. However, when the true side is discovered, we never understand the hypocritical side of those who continue to insist on lying. This is about the alleged “lack of doctors” in the SNS (National Health Service), we have to “applaud the football laws” in which it says that if a player from a club wants to go to another that pays him more, the club where you are says to you:" you only go if you or the club where you want to go pay the costs we had with your training..." Do they have a "small idea" how much it costs, of our taxes", the training of a doctor? According to official statistics in 2005, 109399 babies were born in Portugal and there were 1418 obstetricians and 1434 pediatricians, in 2021 only 79582 babies were born in Portugal (27.26% less) and there were 1861 obstetricians (31.24% more) and 2297 pediatricians (more 60.18%), in this statistical curiosity, everyone draws the conclusions they want!!! Juan Luis Cebrián, founder of El País, defined news as information that at least one person would like not to be made public. Nothing more than a warning between “fiction and reality” in this caricatured mismatch, of which we are all victims and culprits at the same time, for being the “support” of this fanaticism, in which there is fundamental truth about what moves these “pseudo -political doctors - opportunism, cowardice, propensity for expediency and subterfuge. "Fanaticism is the only form of willpower accessible to the weak." (Friedrich Nietzsche) I recall that Margaret Thatcher, liked to pour water into this boil : “Many journalists have given in to the conspiracy theory of governance. I assure you that they would produce better work if they adhered to the theory of blunder”. Having to agree. What as a rule justifies polemics are not great and unfathomable conspiracies, engendered by superior minds; they are blunders provoked by the most basic human flaws, such as vanity or thirst for protagonism, incompetence, complicity or personal rivalry. But Manichaeism =(based on the existence of two opposing and irreconcilable principles) does not serve this debate. “Only after climbing a great mountain do you discover that there are many other mountains to climb”. (Nelson Mandela - From the autobiography “The long road to freedom”, 1994). When the fact that an apple is not a banana is lost in the chain of comments, tweets, pages, blogs, a fight is won that unfortunately is increasingly victorious. When, later, journalists accept to amplify it as a “fact” that after all an apple is a banana, or that social networks “boil” with what they say is a “banana” and it turns out to be an apple, a form is lost. fundamental way of mediating reality by a profession whose function is to inform in order to make us better citizens. The same is true of the systematic devaluation of professional and technical knowledge, with a form of egalitarianism that results in an apology for ignorance. As Voltaire said. “Fanaticism has produced more evils than atheism.” The reality is when you pack a journalist's license and use a clairvoyant's license instead, the facts, which, as we know are capricious, insist on not giving you reason. with a feeling of deep sadness and the feeling that we are witnessing live and in color the involuntary (?) The most tragic thing is that no one ever imagined that journalists themselves would kill him.”

É inútil tentar demover fanáticos.

É inútil tentar demover fanáticos. Sempre devemos tentar compreender os dois lados de uma história mal contada. Todavia, quando se descobre o lado verdadeiro, nunca entendemos o lado hipócrita daqueles que continuam a insistir na mentira. Isto a propósito da pretensa “falta de médicos” no SNS (Serviço Nacional de Saúde), temos que ”bater as palmas às leis do futebol” no qual se refere que se um jogador de um clube quiser ir para outro que lhe pague mais, o clube onde está diz-lhe:” só vais se tu ou o clube para onde queres ir pagar os custos que tivemos com a tua formação…” Será que fazem uma “pequena ideia” quanto custa, dos nossos impostos”, a formação de um ou uma médico(a)? Segundo as estatísticas oficiais em 2005 nasceram em Portugal 109399 bebés e havia 1418 obstetras e 1434 pediatras, em 2021 nasceram em Portugal apenas 79582 bebés (menos 27,26%) e havia 1861 obstetras (mais 31,24%) e 2297 pediatras (mais 60,18%), nesta curiosidade estatística, cada um tire as conclusões que quiser!!! Juan Luis Cebrián, fundador do El País, definiu notícia como a informação que pelo menos uma pessoa gostaria que não fosse do conhecimento público. Nada mais que alerta entre a “ficção e a realidade” neste desfasamento caricato, de que todos nós, somos ao mesmo tempo vítimas e culpados, por sermos a “sustentação” deste fanatismo, no qual há verdade fundamentais sobre o que move estes “pseudo-médicos políticos – o oportunismo, a pusilanimidade, a propensão para o expediente e o subterfúgio.”O fanatismo é a única forma de força de vontade acessível aos fracos.”(Friedrich Nietzsche) Relembro que Margaret Thatcher, gostava de deitar água nessa fervura: “Muitos jornalistas cederam à teoria conspirativa da governação. Asseguro-vos de que produziriam trabalho mais acertado se aderissem à teoria da trapalhada”. Tendo a concordar. O que por regra justifica as polémicas não são grandes e insondáveis conspirações, engendradas por mentes superiores; são asneiras provocadas pelas falhas humanas mais básicas, como a vaidade ou a sede de protagonismo, a incompetência a cumplicidade ou a rivalidade pessoal. Mas o maniqueísmo =(baseado na existência de dois princípios opostos e inconciliáveis) não serve este debate. “ Só depois de escalar uma grande montanha se descobre que existem muitas outras montanhas para escalar”. (Nelson Mandela - Da autobiografia “O longo caminho para a liberdade”, 1994). Quando se perde lá longe na cadeia de comentários, tweets, páginas, blogues o facto de que uma maçã não é uma banana, está ganho um combate que infelizmente é cada vez mais vitorioso. Quando, depois, jornalistas aceitam amplificar como sendo um “facto” de que afinal uma maçã é uma banana, ou que a redes sociais “fervem” com aquilo que dizem ser uma “banana” e afinal é uma maçã, perde-se uma forma fundamental de mediação da realidade por uma profissão cuja função é a de informar para nos tornar melhores cidadãos. O mesmo se passa com a sistemática desvalorização do saber profissional e técnico, com uma forma de igualitarismo que resulta numa apologia da ignorância. Como dizia Voltaire. “ O fanatismo tem produzido mais males que o ateísmo." A realidade é quando se arruma a carteira de jornalista e usa em seu lugar a licença de vidente, os factos, que, como sabemos são caprichosos, teimam em não lhe dar razão. Termino com um sentimento de profunda tristeza e a sensação de que estamos a assistir ao vivo e a cores ao homicídio involuntário (?) do jornalismo.” O mais trágico é que nunca ninguém imaginou que fossem os próprios jornalistas a matá-lo.”

segunda-feira, julho 04, 2022

“A imaginação é mais importante que o conhecimento.” (Albert Einstein)

“A imaginação é mais importante que o conhecimento.” (Albert Einstein) Nestes tempos, como noutros tempos, haverá momentos em que somos confrontados com situações que nos “parecem” surpreendentes. Nesses momentos existem três possibilidades: seguir o nosso destino e acreditar nele, deixar acontecer naturalmente e não pensar em amanhã ou acreditar na nossa intuição e construir o nosso próprio caminho. Como disse Sigmund Freud:“Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro “ Há quem diga que devemos deixa tudo acontecer naturalmente... porque as melhores coisas da vida acontecem quando a gente menos espera. Na realidade a vida é bela, mas também pode ser muito cruel e difícil para algumas pessoas, na verdade é que em algumas situações, por mais extremas e desesperadoras que possam parecer, devemos manter o pulso firme e o equilíbrio mental, pois esta será a melhor maneira de conseguir “enxergar a luz no fim do túnel!” “Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor.”(Johann Goeth) Realmente vivemos um tempo de perigos. É a COVID19 que não nos larga. Nova vacinação de reforço pode ser generalizada para breve, envolvendo muitas mais faixas etárias. E tudo porque o vírus vai e vem e, quando menos se espera, aí está ele a proliferar de novo e sem controlo. Também a chamada monkeypox - a varíola-dos-macacos - começa a dar que pensar perante o aumento de casos. Mais uma! Nunca como agora estivemos tão desprotegidos e cercados por vírus que podem espreitar a cada canto ou situação. Enfim, males num todo ambiente que já teve melhores dias. “ Nas nossas ruas, ao anoitecer,/Há tal soturnidade, há tal melancolia,/Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia/Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.” (Cesário Verde) Por isso, a nossa sugestão é: explore, ouse e não tenha medo de ter dúvidas nesta vida! Viva as experiências que deseja viver, aprenda com os erros e não tenha receio de tentar novamente após um eventual “fracasso”. Como disse Plutarco : “O ser humano não pode deixar de cometer erros; é com os erros, que os homens de bom senso aprendem a sabedoria para o futuro.” Acrescentando esta frase de Sigmund Freud “Só a experiência própria é capaz de tornar sábio o ser humano.” Mas somos algo ingénuos ao ponto de sentirmos que nos estamos a ver ao espelho naquele episódio do “economista maneta”(1) e numa das mais belas citações de Gandhi: "Primeiro, eles ignoram-nos. Depois, riem-se de nós. Depois, combatem-nos. Finalmente, nós vencemos". Somos tão tolos e vaidosos que às vezes até nos imaginamos na terceira fase, a de ser combatidos. Se calhar temos de nos tratar "Os sábios aprendem com os erros dos outros, os tolos com os próprios erros e os idiotas não aprendem nunca."Provérbio Chinês (1) É por detestar meias tintas que uma das minhas histórias preferidas é a do Economista Maneta. Um dia, o presidente Henry Truman pediu ao seu "chief of staff" que lhe agendasse encontros com um pequeno grupo de economistas que o ajudassem a tomar uma decisão importante na área económica. Quando acabou de os ouvir, Truman pediu ao "chief of staff" que lhe arranjasse um economista maneta, pois estava já farto de ouvir economistas que lhe diziam "on this hand this..., but on the other hand that..." (por um lado isto.., mas por outro lado aquilo...). O presidente americano queria um que defendesse uma só posição. Não queria aturar mais economistas indecisos e medrosos. Ao contrário de uma imensa maioria, não me parece que a virtude esteja no meio e aplico esta teoria a quase tudo na minha vida.

sexta-feira, junho 24, 2022

“Humanity must become aware of the uncertainty of the future and of their common destiny.” (Edgar Morin)

“Humanity must become aware of the uncertainty of the future and of their common destiny.” (Edgar Morin) In these times when destructive criticism travels at the speed of light and praise often doesn't even reach its destination, the Internet, especially "so-called social networks", has amplified and normalized hate. This is a phenomenon that affects the whole of society and politics is no exception. Not only are the expression and discussion of opinions a pretext to offend and belittle, but online often contaminates offline, with serious consequences for democracy where everyone has the right to have an opinion.” Human beings are social creatures, and feeling valued by others is the very foundation of community life.” (Dalai Lama) It will not be news to anyone that in today's times books are not read, programs are not watched, images are not known, facts are not facts, but a court of followers repeats and repeats and repeats rude statements and opinions, falsehoods, misrepresentations, which, if not true, end up gaining a competitive status with the truth and, according to the old journalistic maxim, news “it is not a dog that bites a man, it is a man that bites a dog”. Even so, for there to be news, the man must have actually bitten the dog. Increasingly, we don't "listen" to the Dalai Lama's teachings: "Keep an open mind, as well as the ability to care for humanity and the awareness of being a part of it.") The reality is that most people only hear what they want to hear, always has been and always will be. They look for reinforcement, not doubt. The door is closed to discrepancy, to knowing more, to the omnipresence of the heterogeneous that makes life something with ambiguities, nuances and edges. Without questioning and willingness to listen to other reasons, our arguments become beliefs, commonplaces, prejudices or dogmas. We pay attention and give credibility to what you credit us with. We avoid anything that jeopardizes us. Our grandparents complained of lack of information. We in excess. In the face of this saturation, in defense, we return to the convictions that confirm us, or we accept false ideas.” The greatness of a human being is not in how much he knows, but in how much he is aware that he does not know.” (Augusto Cury) The excess of images and reports saturates opinion and consciences. Worse still, it makes people habituated and insensitive. The excess of information makes war and violence everyday and usual. Those who can, use all possible means to inform, defend, attack, justify and denounce. Or to manipulate, intoxicate, deceive and accuse. The image, both photographic and television, is currently a powerful means of information, perhaps the most effective. With images, words acquire value. Even without text, images have a power of their own. Without images, texts and words lose influence. About the relationships between images, truth, reason and feelings, everything and its opposite are said. And in almost everything there is truth. And falsehood. There is generic noise and it becomes difficult to discern relevant information from trivial or false information. It is up to each one to have this awareness. “The greatness of life does not consist in never falling, but in getting up every time we fall”. (Nelson Mandela - From the autobiography “The long road to freedom”, 1994)

“A humanidade deve tomar consciência da incerteza do futuro e de seu destino comum.”(Edgar Morin)

“A humanidade deve tomar consciência da incerteza do futuro e de seu destino comum.”(Edgar Morin) Nestes tempos em que a critica destrutiva viaja à velocidade da luz e o elogio muitas vezes nem atinge o destino, a Internet, em especial “as chamadas redes sociais”, tem amplificado e normalizado o ódio. Este é um fenómeno que afecta toda a sociedade e a política não é excepção. Não só a expressão e discussão de opiniões são pretextos para ofender e diminuir, como o online contamina muitas vezes o offline, com graves consequências para a democracia onde todos tem direito a ter uma opinião.” Os seres humanos são criaturas sociais, e sentir-se valorizado pelos outros é a própria base da vida em comunidade.”(Dalai Lama) Não será novidade para ninguém, que nos tempos de hoje os livros não são lidos, os programas não são vistos, as imagens não são conhecidas, os factos não são factos, mas uma corte de seguidores repete e repete e repete afirmações e opiniões grosseiras, falsidades, deturpações, que, não sendo verdadeiras, acabam por ganhar um estatuto competitivo com a verdade e, segundo a velha máxima jornalística, notícia “não é um cão que morde um homem, é um homem que morde um cão”. Ainda assim, para que haja notícia, é preciso que o homem tenha mordido o cão, de facto. Cada vez mais não “escutamos” os ensinamentos do Dalai Lama: “Mantenham a mente aberta, assim como a capacidade de se preocupar com a humanidade e a consciência de fazer parte dela.”) A realidade é que a maioria das pessoas só ouve o que quer ouvir, sempre assim foi e sempre assim será. Procuram o reforço, não a dúvida. Fecha-se a porta à discrepância, ao saber mais, à omnipresença do heterogéneo que faz da vida algo com ambiguidades, nuances e arestas. Sem questionamento e disponibilidade para escutar outros motivos, os nossos argumentos tornam-se crenças, lugares-comuns, preconceitos ou dogmas. Prestamos atenção e atribuímos credibilidade ao que nos credita. Evitamos o que nos ponha em causa. Os nossos avós queixavam-se de falta de informação. Nós, de excesso. Perante essa saturação, por defesa, regressamos às convicções que nos confirmam, ou aceitamos ideias falsas.” A grandeza de um ser humano não está no quanto ele sabe mas no quanto ele tem consciência que não sabe.”(Augusto Cury) O excesso de imagens e de reportagens satura a opinião e as consciências. Pior ainda, torna as pessoas habituadas e insensíveis. O excesso de informação faz com que a guerra e a violência sejam quotidianas e usuais. Quem pode, usa todos os meios possíveis para informar, defender, atacar, justificar e denunciar. Ou para manipular, intoxicar, enganar e acusar. A imagem, tanto fotográfica como televisiva, é actualmente um poderoso meio de informação, talvez o mais eficaz. Com imagens, as palavras adquirem valor. Mesmo sem texto, as imagens têm força própria. Sem imagens, os textos e as palavras perdem influência. Sobre as relações entre as imagens, a verdade, a razão e os sentimentos, diz-se tudo e o seu contrário. E em quase tudo há verdade. E falsidade. Existe um ruído genérico e torna-se difícil discernir a informação relevante daquela que é trivial ou falsa. Compete a cada um ter essa consciência. “A grandeza da vida não consiste em não cair nunca, mas em nos levantarmos cada vez que caímos”. (Nelson Mandela - Da autobiografia “O longo caminho para a liberdade”, 1994).

terça-feira, junho 21, 2022

“Despite everything I still believe in human goodness” (Anne Frank)

“Despite everything I still believe in human goodness” (Anne Frank) At a time when novel lightning journalism, almost always superficial, imprecise, speculative and even manipulated (when not manipulative) occupies a large part of the media space and time, the (pseudo-journalistic) work in recent days on the SNS is a example of journalism that does not investigate with seriousness and perseverance – and that is very bad for the soul of journalism…“Ethics must always accompany journalism, as the buzz follows the beetle.” (Gabriel Garcia Marquez) We expected much more from the written, spoken and especially televised press with regard to reports on the National Health Service and in particular on obstetric emergencies. We expected them to explain why this happens suddenly and at the same time in several places in the country: last week there were doctors and not this week? Did they say goodbye? Did you have a long weekend? And only in obstetrics? And especially in Lisbon? I confess that this reminds us of old episodes, such as the births in ambulances, which ended as soon as Minister Correia de Campos left. Too many coincidences, always (or almost always) the doctors, the Ordem dos Médicos, the trade unionist Roque, with their agendas and with the private lurking. All those who dedicate themselves to the profession of journalist should know that “the journalist's mission is to inform with impartiality and rigor, it is not to uncritically reproduce the theses of third parties, however commendable they may be.” The journalistic investigation does not depend on investigations by the Medical Association or the trade unionist Roque and the independent journalist is not an acolyte of this Professional Order, trade unions or other entities. The information that enters our house daily, due to the omissions it contains, does not fulfill the mission of informing with impartiality, rigor and credibility.” “I don't want to do anyone's job, journalists have to write something and if they don't have anything real to write they make it up.” (Elvis Presley) The training of a specialist physician is long, demanding and involves multiple assessments. Without it, it would be impossible to have the high level of quality of medicine that is practiced in our country. There are six years of teaching at a medical school, one year of general training and four or six years of specialized training within the scope of the medical internship, depending on the specialty in question. A doctor fulfills a demanding stage of 11 to 15 years to acquire differentiated autonomy as a specialist doctor. The question seems simple to us, how much does it cost the public purse (from our taxes) to train a specialist doctor? What is the reason that a doctor does not have or should not reimburse, for a period of time, for example 3 years, these costs at the end of specialist training in the public health service? As a citizen who feels a great honor to be Portuguese and to have a National Health Service like ours, here I leave this “lesson” for Dr Marta Themido (Minister of Health) by Winston Churchill “The lesson is this: never give up , never never never. In nothing. Big or small, important or not. Never give up. Never surrender to force, never surrender to the seemingly overwhelming power of the enemy. ”

“Apesar de tudo eu ainda acredito na bondade humana” (Anne Frank)

“Apesar de tudo eu ainda acredito na bondade humana” (Anne Frank) Numa época em que o novel jornalismo-relâmpago, quase sempre superficial, impreciso, especulativo e até manipulado (quando não manipulador) ocupa grande parte do espaço e do tempo mediáticos, o trabalho (pseudo-jornalistico) nos últimos dias sobre o SNS é um exemplo do jornalismo que não investiga com seriedade e perseverança – e que faz bem mal à alma do jornalismo…“A ética deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro.” (Gabriel Garcia Marquez) Esperávamos muito mais da imprensa escrita, falada e em especial televisionada no que diz respeito às reportagens sobre o Serviço Nacional de Saúde e em especial das urgências de obstetrícia. Esperávamos que explicassem porque é que isso acontece de repente e ao mesmo tempo em vários sítios do País: a semana passada havia médicos e esta não? Será que se despediram? Fizeram um fim de semana longo? E só em obstetrícia? E especialmente em Lisboa? Confesso que isto nos faz recordar episódios antigos, como os nascimentos nas ambulâncias, que terminaram logo que o ministro Correia de Campos saiu. Demasiadas coincidências, sempre (ou quase sempre) os médicos, a Ordem dos Médicos, o sindicalista Roque , com as suas agendas e com o privado a espreitar. Todos os que se dedicam à profissão de jornalista deviam saber que “ a missão do jornalista é informar com isenção e rigor, não é reproduzir acriticamente as teses de terceiros, por muito louváveis que elas sejam.” A investigação jornalística não depende das investigações da ordem dos Médicos ou do sindicalista Roque e o jornalista independente não é um acólito dessa Ordem Profissional, sindical ou de outras entidades. A informação que nos entra pela nossa casa diariamente, pelas omissões que comporta, não cumpre a missão de informar com isenção, rigor e credibilidade.” “Eu não quero acabar com o trabalho de ninguém, jornalistas tem que escrever algo e se eles não tem nada real para escrever eles inventam.”(Elvis Presley) A formação de um médico especialista é longa, exigente e com múltiplas avaliações. Sem ela, seria impossível termos o elevado nível de qualidade da medicina que é praticada no nosso país. São seis anos de ensino numa escola médica, um ano de formação geral e quatro ou seis anos de formação especializada no âmbito do internato médico, dependendo da especialidade em causa. Um médico cumpre uma etapa exigente de 11 a 15 anos para adquirir autonomia diferenciada como médico especialista. A questão parece-nos simples, quanto custa ao erário publico (dos nossos impostos) a formação de um médico especialista? Qual a razão que finda a formação de especialista um médico não tem ou deve ressarcir, durante um espaço de tempo, por exemplo 3 anos, esses custos, no serviço público de saúde? Como cidadão que se sente como muita honra em ser português e ter uma Serviço Nacional de Saúde como o nosso, aqui deixo esta “lição” para a Dra Marta Themido (ministra da saúde) de Winston Churchill “A lição é a seguinte: nunca desista, nunca, nunca, nunca. Em nada. Grande ou pequeno, importante ou não. Nunca desista. Nunca se renda à força, nunca se renda ao poder aparentemente esmagador do inimigo. ”

sexta-feira, junho 17, 2022

“There are no easy methods to solve difficult problems.” (René Descartes)

The greatest teaching we have during our lifetime - is learning. This is constant in its various phases, some lonely others not so much. In reality the challenges are different but nothing teaches us more than the people around us. “Try it once, twice, three times and if possible, try a fourth, fifth and as many times as necessary. Just don't give up on the first ones, persistence is the friend of achievement. If you want to get where most don't, do what most don't. " (Bill Gates) Those who push us, there are also those who push us back, but from all of us we learn lessons at the end of each day willingly, with humility, resilience and perseverance, we learn that we just don't get what we don't really want. “There has never been a person like us before, there is no one in this world like us now and there never will be. Look at the respect life has for all of us. We are a work of art — impossible to repeat, incomparable, absolutely unique.” (Osho With the passage of years and experiences, all this becomes more evident. However, the important thing is also to understand that the more difficult the overcoming, the greater the solidity, the lesson and the achievements we have. Everything is worth it. We cannot give up on living and "fighting". Einstein)

“Não existem métodos fáceis para resolver problemas difíceis.”(René Descartes)

O maior ensinamento que temos durante o tempo da nossa vida - é a aprendizagem. Esta é constante nas suas várias fazes, algumas solitárias outras não tanto. Na realidade os desafios são diferentes mas nada nos ensina mais que as pessoas à nossa volta. “Tente uma, duas, três vezes e se possível, tente uma quarta, a quinta e quantas vezes for necessário. Só não desista nas primeiras, a persistência é a amiga da conquista. Se quer chegar aonde a maioria não chega, faça aquilo que a maioria não faz. ” (Bill Gates) Quem puxa por nós, há também quem nos empurra para trás, mas de todos tiramos ensinamentos no fim de cada dia com vontade, com humildade, resiliência e perseverança aprendemos que só não conseguimos o que não queremos verdadeiramente. “Nunca existiu uma pessoa como nós antes, não existe ninguém neste mundo como nós agora e nem nunca existirá. Veja só o respeito que a vida tem por todos nós. Nós somos uma obra de arte — impossível de repetir, incomparável, absolutamente única.”(Osho Com o passar dos anos e das experiências, tudo isto fica mais evidente. No entanto, o importante é também entender que quanto mais difícil a superação, maior é a solidez, a lição e as conquistas que temos. Tudo vale a pena. Não podemos desistir de seguir vivendo e "lutando".“Gostaria de uma sociedade mais justa, menos corrupta, com menos hipocrisia, mais digna, com mais amor ao próximo, menos preconceito, menos rancor e principalmente mais paz na alma.”(Albert Einstein)

segunda-feira, junho 13, 2022

“Faith alone removes mental clutter and restores clarity of mind.” (Dalai Lama)

“Faith alone removes mental clutter and restores clarity of mind.” (Dalai Lama) “If we have any ounce of humanism, our attention should be on the Horn of Africa: Ethiopia, Somalia, South Sudan and northern Kenya are facing a food crisis that could kill millions of people if we don't act now.” As optimistic as we may be, it is important to recognize that the world is increasingly dangerous and that we are going through one of the most complicated moments in human history. We are not so naive as to think that we can go through this life as if it were a “fast lane as fashionable as the scuts”, without any “citizen, even if they have the profession of journalist” considering themselves scruffy, with the habit of expressing opinions as freely as if you were chatting with friends at the coffee table or at the end of a dinner, not having to pay tolls, and even occasionally paying severe fines for not being protected by a “green lane” ” and to have passed absentmindedly under a portico without paying. “In time, a cynical, mercenary, demagogic and corrupt press will form a public as vile as itself” (Joseph Pulitzer) Today, in the newspaper “O Público” a “chronicle” is published, subscribed by an intensive care physician (Gustavo Carona). titled “DON'T PRETEND YOU DON'T KNOW…. At this moment, in Ethiopia, the country where all our ancestors come from, because here humanity was born, we are facing the biggest food crisis in recent decades. We really have to get this issue in our heads. It could be our children. to invite you to come with me. It's a beautiful journey, it's a journey into the heart of humanity, and it's not far, it's just around the corner. I'm sure you've gone further, if only in your thoughts. Now come here: Lalibela. do you know? It is a small town that is more than 2500 meters high. The name comes from a king of the same name, who one day ascended to the heavens and brought a message from God to build churches that resembled the clouds over which they walked in this conversation. And so, in the mountains of northern Ethiopia, King Lalibela sets out on his life's mission, and with the help of hundreds of thousands of men and as many angels, all together, they begin to build, or rather to sculpt, or even better to excavate, cutting solid stone so that the whole church is made as if it were a tunnel in the sand, but with dozens of meters high and a church carved in stone inside, with doors, windows, several rooms and ornaments. , all carved in the hard stone, and they last until today intact. Whoever passes to the surface only sees the mass of giant stones that look like clouds, as the king promised to God, and whoever approaches and enters is lost in its charms. The first European to see such a wonder was a missionary priest named Francisco Alvares, who, in the context of Pêro da Covilhã’s travels, wrote in his travel diary in 1520 something like: “I will not write about these constructions because no one will believe me, and I will be accused of being a liar...”, such was the beauty and surprise that invaded him. The history, the stories, the spirituality, the mysticism, the panoramic view of a beautiful Africa to infinity, the sunset the color of burning flame, and the salt of the Earth; people. The most surprising thing is that in the midst of an extremely poor population, children all go to school dressed in the same color. This color varies according to age. It's so beautiful to see this palette of colors dressed in smiles, games, running around and curious glances at the world. Slim face cutouts, deep brown eyes, and different shades of chocolate skin. Here, black Africa intersects with Arab Africa, so we see different shades of melanin mixture and features that arouse our curiosity. In her hair, braids are drawn that form ornaments that look like labyrinths of a royal garden. And if we look closely, some have orange shades in the middle of their brown hair. Do you know why they have orange hair? I had to rewind some forgotten knowledge from medical school. It is called Kwashiorkor disease, which, in the Ghanaian dialect in which the disease was described, translates to “the disease that appears to the child when a new baby arrives” or the “disease of the deposed child”, and consists of a deficiency of protein and vitamins. , that is, malnutrition, that is, hunger. And, at this moment, in Ethiopia, the country where all our ancestors come from, because here humanity was born, we are facing the biggest food crisis in recent decades. If we have any shred of humanism, our attention should be on the Horn of Africa: Ethiopia, Somalia, South Sudan and northern Kenya are facing a food crisis that could kill millions of people if we don't act now.After alarming periods of drought caused by environmental phenomena secondary to climate change, two years of pandemic followed in which humanitarian aid suffered the worst of the consequences. And now we have the blocking of corn and wheat from Ukraine's ports, catapulting this problem to levels that are chilling for the heart. And of course, the wars we don't know about: South Sudan is at war, Northern Ethiopia is at war, and Somalia hasn't known what peace is since the 90s of the last century. It is estimated that around 17 million people are at risk of starvation in this region. There are no adjectives enough to describe what it is like for a mother to look, helplessly, at her child dying, slowly, for something as simple to deal with as hunger. In Somalia alone, in 2011/12, 260,000 people died because the international community reacted late and did not pay attention to the warning signs, which are now even louder and the aid provided in monetary terms does not reach 20% of the estimated be necessary. (Data from FEWS NET, Famine Early Warning Systems Network) How can we keep our family from crying tears of blood? World Food Programme, Action Contre la Faim, Doctors Without Borders are some of the best examples, but above all what we need is to bring this information into our hearts, into our reflections, into our opinions, taken of position and collective conscience. I said it was a beautiful journey, and to the heart of humanity, I didn't say it was easy. But believe me, it's beautiful to be part of the solution, because if you don't, you will be part of the problem. Any of us knows how to treat hunger. It's just wanting" “If we're not racist, if we're not xenophobic, if we don't discriminate against people because of their skin color or geographic location, then we do, but we really have to get this issue in our heads. They could be our children.” In the reality of this life we ​​all know that nothing is forever, but can we continue to pretend that we know nothing about this? https://www.publico.pt/2022/06/13/impar/cronica/nao-finjam-nao-sabem-2009869

“Somente a fé remove a desordem mental e devolve a clareza de espírito.”(Dalai Lama)

“Somente a fé remove a desordem mental e devolve a clareza de espírito.”(Dalai Lama) “ Se temos algum pingo de humanismo, as nossas atenções deveriam estar apontadas para o Corno de África: Etiópia, Somália, Sudão do Sul e norte do Quénia, estão perante uma crise alimentar que pode matar milhões de pessoas se não agirmos já.” Por muito optimistas que sejamos, importa reconhecer que o mundo está cada vez mais perigoso e que atravessamos um dos momentos mais complicados da história da humanidade. Não somos tão ingénuos ao ponto de pensarmos que podemos atravessar esta vida como se ela fosse uma “via rápida tão em moda como as scuts”, sem que um “qualquer cidadão, mesmo que tenha a profissão de jornalista” que se considere desalinhado, com a mania de emitir opiniões tão livremente como se estivesse a conversar com os amigos à mesa do café ou no fim de uma jantarada, não tenha de pagar portagem, e até de vez em quando liquidar multas severas por não estar protegido por uma “via verde” e ter passado distraído debaixo de um pórtico sem pagar. “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”(Joseph Pulitzer) Hoje, no jornal “O Público” encontra-se publicada uma “crónica” subscrita, por um médico intensivista ( Gustavo Carona) . assim titulada “NÃO FINJAM QUE NÃO SABEM…. Neste momento, na Etiópia, país de onde vêm todos os nossos antepassados, pois aqui nasceu a humanidade, estamos perante a maior crise alimentar das últimas décadas. Temos mesmo que pôr este assunto nas nossas cabeças. Podiam ser os nossos filhos. de vos convidar a vir comigo. É uma viagem bonita, é uma viagem ao coração da humanidade, e não é longe, é logo ali ao virar da esquina. Tenho a certeza de que já foram mais longe, mesmo que apenas nos vossos pensamentos. Agora venham aqui: Lalibela. Conhecem? É uma pequena cidade que fica a mais de 2500 metros de altura. O nome vem de um rei com o mesmo nome, que um dia subiu aos céus e trouxe um recado de deus para construir igrejas que se parecessem com as nuvens por cima das quais caminhavam nesta conversa. E então, nas montanhas do Norte da Etiópia, o rei Lalibela entrega-se à missão da sua vida, e com a ajuda de centenas de milhares de homens e outros tantos anjos, todos juntos, começam a construir, ou melhor a esculpir, ou melhor ainda a escavar, picando pedra maciça para que toda a igreja é feita como se de um túnel na areia se tratasse, mas com dezenas de metros de altura e uma igreja escavada na pedra lá dentro, com portas, janelas, várias salas e ornamentos, tudo esculpido na pedra dura, e duram até hoje intactas. Quem passa à superfície apenas vê o maciço de pedras gigantes que parecem nuvens, tal como prometeu o rei a deus, e quem se aproxima e lá entra perde-se nos seus encantos. O primeiro europeu que viu tal maravilha terá sido um padre missionário chamado Francisco Alvares, que no âmbito das viagens de Pêro da Covilhã escreveu no ano de 1520 no seu diário de viagem algo como: “sobre estas construções não escreverei porque ninguém acreditará em mim, e serei acusado de mentiroso...”, tal foram a beleza e a surpresa que o invadiram. A história, as estórias, a espiritualidade, o misticismo, a vista panorâmica de uma África bonita até ao infinito, o pôr do sol cor de chama ardente, e o sal da Terra; as pessoas. O mais surpreendente é que no meio de uma população extremamente pobre, as crianças vão todas vestidas da mesma cor para a escola. Cor esta que varia consoante as idades. É tão bonito ver esta palete de cores vestidas em sorrisos, brincadeiras, correrias e olhares curiosos para o mundo. Recortes de cara finos, olhos profundos castanhos, e pele de diferentes tons de chocolate. Aqui se cruza a África negra, com a África árabe, daí que vejamos vários tons de mistura de melanina e de feições que nos aguçam a curiosidade. No cabelo desenham-se trancinhas que formam ornamentos que parecem labirintos de um jardim da realeza. E se olharmos com atenção, alguns têm tons laranja no meio do cabelo castanho. Sabem porque é que têm o cabelo cor de laranja? Tive que rebobinar alguns conhecimentos esquecidos da faculdade de medicina. Chama-se doença Kwashiorkor que, no dialecto do Gana em que foi descrita a doença, se traduz “a doença que aparece à criança quando chega um novo bebé” ou a “doença da criança deposta”, e consiste num deficit de proteína e vitaminas, ou seja, desnutrição, ou seja, fome. E, neste momento, na Etiópia, país de onde vêm todos os nossos antepassados, pois aqui nasceu a humanidade, estamos perante a maior crise alimentar das últimas décadas. Se temos algum pingo de humanismo, as nossas atenções deveriam estar apontadas para o Corno de África: Etiópia, Somália, Sudão do Sul e norte do Quénia, estão perante uma crise alimentar que pode matar milhões de pessoas se não agirmos já. Depois de períodos de seca alarmantes causados por fenómenos ambientais secundários às alterações climáticas, seguiram-se dois anos de pandemia onde a ajuda humanitária sofreu as piores das consequências. E, agora, temos o bloqueio da saída de milho e trigo dos portos da Ucrânia, catapultando este problema para níveis arrepiantes para quem tem coração. E claro, as guerras que nós não conhecemos: o Sudão do Sul está em guerra, o Norte da Etiópia assim o está, e a Somália não sabe o que é paz desde os anos 90 do século passado. Estima-se que cerca de 17 milhões de pessoas estejam em risco de morrer à fome nesta região. Não há adjectivos que cheguem para descrever o que é uma mãe a olhar, impotente, para o seu filho a morrer, lentamente, por algo tão simples de tratar como a fome. Só na Somália, em 2011/12 morreram 260.000 pessoas porque a comunidade internacional reagiu tarde e não prestou atenção aos sinais de alerta, sinais esses que agora estão ainda a soar mais alto e a ajuda prevista em termos monetários não chega a 20% do estimado ser necessário. (Dados da FEWS NET, Famine Early Warning Systems Network) Como evitar que a nossa família fique a chorar lágrimas de sangue? Programa Mundial Alimentar, Action Contre la Faim, Médicos Sem Fronteiras são alguns dos melhores exemplos, mas acima de tudo o que nós precisamos é de trazer esta informação para dentro do nosso coração, para dentro das nossas reflexões, para dentro das nossas opiniões, tomadas de posição e consciência colectiva. Eu disse que era uma viagem bonita, e ao coração da humanidade, não disse é que era fácil. Mas acreditem que é bonito fazer parte da solução, até porque se não o fizerem serão parte do problema. Qualquer um de nós sabe tratar a fome. É só querer” “Se não somos racistas, se não somos xenófobos, se não discriminamos pessoas pela sua cor de pele, ou localização geográfica, então temos, mas temos mesmo que pôr este assunto nas nossas cabeças. Podiam ser os nossos filhos”. Na realidade desta vida todos sabemos que nada é para sempre, mas será que conseguimos continuar a fingir que nada sabemos sobre isto? https://www.publico.pt/2022/06/13/impar/cronica/nao-finjam-nao-sabem-2009869

quinta-feira, junho 09, 2022

“To make reality bearable, we all have to cultivate some small follies in our hearts.” (Marcel Proust - In Search of Lost Time)

“To make reality bearable, we all have to intimately cultivate some small follies.”(Marcel Proust - In Search of Lost Time) Nowadays, we compete almost with our own shadow, in the search to always do better, more beautiful and grander. So we consume "our time"….in these things that make us live mired in a fictitious world of propaganda and counter-propaganda and we are unable to think and discuss the real problems of life. Theoretically it is known that the earth rotates, but in fact we don't notice it, the ground we walk on doesn't seem to move and we live peacefully. This is what happens with “Time in life!” As Plato said: “Try to move the world - the first step will be to move yourself. Don't wait for a crisis to find out what's important in your life.” All these signs, it is better to repeat, may just be the foam of our days. But they denote an ethical lack of respect for dignity and human rights, including the right to think differently and individual freedom for all citizens. And they also show the risk of civilizational regression that democracy is experiencing today. “The ignorant affirm, the wise doubt, the sensible reflect. There never was great intelligence without a streak of madness.” (Aristotle) ​​We should all be fully aware that the purpose of disinformation is not to make people believe propaganda, but to ensure that people don't know what they should believe. . And therefore feel that you cannot believe in anything. Nobody knows what the world will be like tomorrow, but we think it makes perfect sense to make three wishes for you. We are inspired by the images that enter us daily, whether we like it or not, “inside the house”, especially about the war in Ukraine (a country that is increasingly destroyed) and the United States (a country where political power has neither lucidity nor courage to put an end to the growing number of massacres in schools), which we summarize in this phrase by John Locke: "Where there is no law, there is no liberty." Believe it and believe it (especially the younger ones): Life can be beautiful and exciting. Everything is in our hands. As Socrates – the Greek philosopher – said: “The unexamined life is not worth living. Wise is he who knows the limits of his own ignorance.” Perhaps this first sentence by David Hume is the inspiration for the maxim beauty is in the eye of the beholder? “The beauty of things exists in the mind of those who contemplate them.” And isn't that right? Everything we see is relative and built according to our cultures, experiences, etc. And finally, if politicians “claim to be vital” for the European Union to increase the budget for defense, it will not be even more important to increase the budget for education and culture? Because only then will we be able to make “Bellum sine Bello”!!!! As Vergilio Ferreira said: “A life only has a story from the beginning to the end, if you have it from the end to the beginning.”

“Para tornar a realidade suportável, todos temos de cultivar intimamente algumas pequenas loucuras.”(Marcel Proust - Em Busca do Tempo Perdido)

Para tornar a realidade suportável, todos temos de cultivar intimamente algumas pequenas loucuras.”(Marcel Proust - Em Busca do Tempo Perdido) Nos tempos de hoje, competimos quase com a nossa própria sombra, na procura de fazer sempre melhor, mais bonito e mais grandioso. Assim consumimos o "nosso tempo"….nestas coisas que nos fazem viver atolados num mundo fictício de propaganda e contra-propaganda e somos incapazes de pensar e discutir os verdadeiros problemas da vida. Teoricamente sabe-se que a terra gira, mas de facto não damos por isso, o chão que pisamos parece que não se mexe e vivemos tranquilos. É o que se passa com o “Tempo na vida!” Como disse Platão:” Tente mover o mundo - o primeiro passo será mover a si mesmo. Não espere por uma crise para descobrir o que é importante na sua vida.” Todos estes sinais, é melhor repetir, podem ser apenas espuma dos nossos dias. Mas denotam um deslassar ético em relação ao respeito pela dignidade e pelos direitos humanos, entre eles o direito de pensar diferente e de liberdade individual de todos os cidadãos. E mostram também o risco de regressão civilizacional que vive a democracia hoje em dia. “O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete. Nunca existiu uma grande inteligência sem uma veia de loucura.”(Aristóteles) Todos nós devemos ter plena consciência de que o objectivo da desinformação não é fazer com que as pessoas acreditem em propaganda, mas garantir que as pessoas não sabem aquilo em que devem acreditar. E, por isso, sintam que não podem acreditar em nada. Ninguém sabe como será o mundo no amanhã, mas pensamos que faz todo o sentido fazer-vos três pedidos. Inspiramo-nos nas imagens que diariamente, quer nós queiramos quer não nos entram “pela casa dentro”, em especial sobre a guerra na Ucrânia (país cada vez mais destruído) e dos Estados Unidos (país onde o poder político não tem lucidez nem coragem para pôr termo ao crescente número de massacres nas escolas), que sintetizamos nesta frase de John Locke:” Onde não há lei, não há liberdade.” Podem acreditar e acreditem que(especialmente os mais jovens) : A vida pode ser bela e empolgante. Tudo está nas nossas mãos. Como disse Sócrates – o filósofo grego: “A vida não examinada não vale a pena ser vivida. Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância.” Talvez esta primeira frase de David Hume seja a inspiração para a máxima a beleza está nos olhos de quem vê? “ A beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla.”. E não é mesmo isso? Tudo que enxergamos é relativo e construído de acordo com as nossas culturas, vivências e etc E finalmente se os políticos “afirmam ser vital “para a União Europeia aumentar o orçamento para a defesa, não será ainda mais importante aumentar o orçamento para a educação e cultura? Pois só assim conseguiremos fazer “Bellum sine Bello”!!!! Como disse Vergilio Ferreira: “Uma vida só tem história do princípio para o fim, se a tiver do fim para o princípio.”