sábado, julho 27, 2019

“O amor é o único sonho que não se sonha” (Paul Fort)


“O amor é o único sonho que não se sonha” (Paul Fort)

Há quem diga que uma pessoa amada porta-se de uma maneira diferente, é mais caprichosa, é mais segura, tem menos medo de dizer a verdade, já dizia Albert Einstein que “se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor lembre-se: se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor com ele  conquistará o mundo.  A questão parece difícil, mas é simples pois é a própria pessoa que decide a sua vida, o que é melhor para si e o que a faz feliz. Se passa por viver sozinho que o seja! O mais importante é o que pensa! As pessoas são todas diferentes e vivem o período de luto também de forma diferente, consoante os seus recursos psicológicos e emocionais. É preciso ter momentos de lucidez e redireccionar a tristeza para a alegria de ter tido aquela pessoa na sua vida e gratidão por tudo o que passaram juntos. “É difícil em tempos como estes: ideais, sonhos e esperanças permanecerem dentro de nós, sendo esmagados pela dura realidade. É um milagre eu não ter abandonado todos os meus ideais, eles parecem tão absurdos e impraticáveis. No entanto, eu me apego a eles, porque eu ainda acredito, apesar de tudo, que as pessoas são realmente boas de coração.” (ANNE FRANK)
Todos nós em certos momentos interrogamo-nos sobre o que de facto  nos inspira? É uma pergunta que explora a diferença entre duas emoções diferentes que podem ser usadas para nos motivar – a paixão e medo. Devemos procurar a nossa    motivação sempre através da paixão, nunca pelo medo! A paixão nasce do optimismo, energia e gratidão, enquanto o medo vem do julgamento, culpa e ressentimento. A escolha é o de tenta deixar levar-te pela paixão ao invés de deixar-te arrastar pelo medo. Nem sempre é assim tão simples, não existe uma abordagem única para todos os casos e não consertamos tudo. Às vezes, porém, criar espaço para reconhecer a maneira como estamos a falar connosco e introduzir algo de novo pode permitir-nos  mudar a forma como reagimos ao nosso diálogo interior. Ao fazer essas perguntas, não estamos a eliminar o nosso pensamento;  estamos apenas a introduzir um pouco de curiosidade, o que muitas vezes nos dá o espaço que precisamos para girar e (gentilmente) nos lembrar de que nem tudo o que pensamos ou sonhamos  é realmente verdade. Quanto mais praticamos uma pausa, reflectir e criar espaço para algo diferente, mais poderemos ouvir nosso crítico interior, honrá-lo e depois silencia-lo com algo mais favorável.  Sem sonhos, a vida não tem brilho. Sem metas, os sonhos não têm alicerces. Sem prioridades, os sonhos não se tornam reais. Sonhe, trace metas, estabeleça prioridades e corra riscos para executar seus sonhos. Melhor é errar por tentar do que errar por se omitir! “(Augusto Cury)
Todos sabemos ou devíamos saber que os relacionamentos interpessoais são extremamente importantes para o nosso bem-estar,  mas as pessoas normalmente confundem “estar bem” somente quando estão acompanhados de uma pessoa feliz ou bem-sucedida, ou com a mesma forma de pensar que a sua. Na verdade, é possível expressar sua própria opinião sem confrontar ninguém, e aceitar as opiniões dos outros. O importante é aproveitar a boa companhia delas. Sempre procure e saliente as qualidades dessas pessoas antes de apontar os defeitos, pois todos nós temos ambos. É muito melhor fazer um novo amigo do que um inimigo. E quanto mais transmitir isso às outras pessoas e fazê-las sorrir, melhor irá se sentir. Ser-se amado sem ter feito nada por isso, poderá até parecer um estranhíssimo milagre. As pessoas que têm essa sorte — desinibidas, fartas, mal habituadas — não sabem a sorte que têm. É nesse não saber — nem ter de saber — que está o que mais se aproxima da felicidade. “Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Prós erros há perdão; prós fracassos, chance; prós amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar a alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em si mesmo. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planeando vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu”.(Sarah Westphal)

"Não há nada como um sonho para criar o futuro." (Victor Hugo)


"Não há nada como um sonho para criar o futuro." (Victor Hugo)    

Parto do principio que todos nós conhecemos aquele antigo ditado: “viva cada dia de sua vida como se fosse o último.”  Ou de outro modo “viva cada momento como se fosse o primeiro e o último, não sabemos qual será o próximo passo!” Mas, na verdade, tudo isto não será assim tão simples. Por exemplo quando estamos a falar com alguém de quem gostamos, podemos perguntar-nos, se nos sentiríamos bem, se por acaso aquela fosse a última conversa entre nós?? Ou se por exemplo se um dia feriado fosse o ultimo da nossa existência??? Assim talvez o mais adequado seja pensarmos ou tentarmos viver cada dia, da nossa vida com fosse o último , porque não sabemos o dia do amanhã...Como disse  Mahatma Gandhi : "A diferença entre o que fazemos e o que somos capazes de fazer resolveria a maioria dos problemas do mundo".  
Os nossos pensamentos determinam aquilo que somos. No geral o ser humano moderno, em especial os portugueses, estão habituados a pensar negativamente o tempo todo. "Por que sempre eu?" ou "Por que é que tudo isto acontece comigo?" Provavelmente são questões que já devem ter feito a si mesmo no passado, ou quase todos os dias. Esta nossa característica, se por um lado gostamos de nos autoflagelar e por  outro de estar mais do lado dos problemas do que das soluções, mas a verdade ou a realidade é que o mundo não conspira contra nós! Nós somos aquilo que pensamos, por isso mesmo, assim como pensamentos negativos atraem coisas negativas, as ideias positivas atraem o optimismo e a positividade. Por experiência basta-nos inverter a pergunta negativa para positiva: "Como é que me tornei tão afortunado, tão sortudo, tão realizado?". Assim, agradeceremos todas as coisas boas que temos. Gratidão é um ingrediente poderoso a ser somado na dose de felicidade na nossa vida e, desta forma, banimos quaisquer sentimentos de raiva ou frustração, que porventura nos “torna a vida difícil”!  Norman Vincent Peale afirmou: “Tu não és o que pensas que és; tu és o que tu pensas!”
A verdade, é que se pensarmos em coisas felizes, seremos certamente  felizes. Se pensarmos em desgraças, seremos talvez uns desgraçados. Se pensarmos em coisas assustadoras, viveremos sempre com medo. Se pensarmos em doenças, vamos ficar provavelmente doentes. Se pensarmos em falhar, é certo que falhamos mesmo. Se ficarmos mergulhados em autocomiseração, vão todos afastar-se de nós e evitar-nos.
Estou convencido, sem qualquer sombra de dúvida, que o maior problema que temos de enfrentar - na realidade, trata-se praticamente do único problema que temos de enfrentar - é a escolha dos pensamentos certos. Se conseguirmos, estaremos no caminho certo para resolver todos os nossos problemas. Marco Aurélio, o grande filósofo que governou o Império Romano, resumiu esta questão em onze palavras — onze palavras que podem determinar o seu destino: “A nossa vida é aquilo que os nossos pensamentos fazem dela” (Dale Carnegie in "Como Deixar de Se Preocupar e Começar a Viver")

“O homem vive de razão e sobrevive de sonhos.” (Miguel Unamuno)


“O homem vive de razão e sobrevive de sonhos.”  (Miguel Unamuno)
Há momentos na nossa vida que sentimos que algo não vai bem... talvez seja melhor parar um pouco, respirar, reflectir, ou até  mudar de direcção, dar um tempo a si mesmo, repensar melhor, distrair-se, reinventar-se, conversar com um amigo, absorver bons conselhos, decida-se, no entanto, não deixe a vida cair na monotonia porque pode recomeçar quantas vezes for preciso, baseando-se nas experiências passadas para mudar o rumo do seu viver.  Bem sabemos que na realidade os limites são complexos. Eles não são preto-e-branco, e não há maneira certa ou errada de entendê-los. O que mais importa é que começamos a entrar em sintonia com nossa própria voz interior, necessidades e desejos para que possamos nos mover de uma forma que nos honre, mesmo quando isso signifique desapontar alguém. (o que muitas vezes requer muito desaprender, praticar e fundamental autoconfiar em…) "Felicidade, não em outro lugar, mas neste lugar ... não por mais uma hora, mas nesta hora." - Walt Whitman
Talvez nunca tenha reparado ou experimentado que depois de olhar para uma montanha, se fecharmos os olhos e imaginarmos a paisagem no nosso íntimo, temos tendência para nos fixarmos nos pormenores importantes; a massa da informação visual é interpretada e as características mais evidentes da montanha identificadas: os picos de granito, os glaciares, a neblina que paira acima da linha das árvores – pormenores que teríamos visto antes, mas aos quais não tínhamos prestado atenção.
Como disse Allan Pease: “Somos diferentes porque o nosso cérebro está “ligado”de maneira diferente. Isso faz-nos perceber o mundo de maneiras diferentes e ter valores e prioridades diferentes. Não é melhor nem pior – é apenas diferente. ”
Todos sabemos que temos diferentes maneiras de ver o mundo... um certo dia, decidimos experimentar isso, e mostrar aos outros o quanto diferente são os nossos pensamentos! E para nosso espanto, quando pensamos que os nossos olhos já viram todos os encantos deste mundo, surge uma nova amizade, mas mantenha sempre o seu  espaço para seus sentimentos. O mundo pode ser duro, então vamos tentar oferecer a nós mesmos e aos outros compaixão enquanto navegamos nele. “Só se escreve com intensidade se vivermos intensamente. Não se trata apenas de viver sentimentos mas de ser vivido por sentimentos. O bom do caminho é haver volta. Para ida sem vinda. Basta o tempo.” (Mia Couto).
O luto é uma experiência que toca a todos nós, mas cada um experimenta-o à sua maneira. Não é fácil acordar, manter rotinas e adormecer sozinho, após tantos anos de uma boa e sã convivência conjugal. Há memórias demasiado presentes e uma ausência que persiste nos gestos quotidianos mais simples, apesar de todos os esforços para virar a página e prosseguir com o que se entende por retorno à normalidade. Ninguém pode substituir o lugar deixado vago no nosso coração. Mas restaurar o desejo de conduzir a nossa vida é possível. Mesmo apesar dos sentimentos de revolta, tristeza e abatimento, inevitavelmente associados à perda     e dos projectos sonhados a dois. Todos temos direito às nossas escolhas. Se for um desejo nosso o retomar a vida acompanhado, a primeira coisa a ter em conta é não boicotar esse sentimento genuíno (por exemplo, imaginar-se, aos olhos dos que lhe são próximos, como "um viúvo alegre", que não sabe preservar o legado do bom, nem gratidão pelo  que a vida já lhe deu, ou que soube construir).
“Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite”. (Clarice Lispector)

segunda-feira, junho 10, 2019

No dia 10 junho os ex-combatentes não podem ser esquecidos?


A possibilidade de realizarmos um sonho é o que torna a vida interessante.” (Paulo Coelho)
“Os sonhos devem ser ditos para começar a se realizarem. E como todo projecto, precisam de uma estratégia para serem alcançados. O adiamento destes sonhos desaparecerá com o primeiro movimento.” (Paulo Coelho)

Neste sábado, 8 de junho de 2019, teve lugar perto da localidade de Chamadouro - Santa Comba Dão, mais um encontro, à semelhança de muitos outros, que todos os fins de semana tem um lugar no nosso País, de ex-militares,  que na sua juventude ( á volta dos 20 anos de idade)  foram recrutados e mobilizados para cumprir o seu serviço militar nas Forças Armadas Portuguesas na chamada, “guerra de África” nas  ex-províncias ultramarinas entre 1961-1974, em especial na Guiné, Angola e Moçambique, no nosso caso em  1970 e para Cabinda, onde na nossa juventude ,  passámos e vivemos na mata do Mayombe (Cabinda) durante 24 meses (julho 1970 a agosto de 1972). Ficou já previsto que o “encontro comemorativo dos 50 anos , 25 de julho de 2020, se irá realizar , previsivelmente no local onde tudo começou, - Abrantes”.
Como já foi escrito por alguém “existem homens que lutam um dia e são bons; existem outros que lutam um ano e são melhores; existem aqueles que lutam muitos anos e são muito bons. Porém, existem os que lutam toda a vida. Estes são os imprescindíveis.” Porque nunca vamos desistir, enquanto um de nós existir nesta vida”.
Cabe, talvez agora perguntar o que leva todos estes cidadãos, de um pequeno País,  que até pode não ser a coisa mais espectacular do mundo mas... é Portugal!,  já menos jovens, (idosos é a qualificação dada pela organização Mundial de Saúde)  em todos os anos, ou desde sempre, sem excepções, promover tais encontros anuais, talvez seja uma mistura de um sentir de saudade, pela possibilidade de rememorar não só os tempos difíceis de dor, e de incertezas, mas também de muita amizade, fraternidade e no cimentar de algo que, ainda ninguém descreveu, por pertence a cada um de nós - no sentir de injustiça, pelo não reconhecimento e gratidão  que houve , num período da nossa História que , talvez, mais de um milhão de jovens foi objecto de recrutamento para servir as Forças Armadas Portuguesas, e que deram tudo do melhor que tinham, incluindo a própria vida – ou talvez mais facilmente “um grupo de cidadãos que vive no presente o passado da sua história de vida.
Na realidade, também queremos evitar que aquele período,  da história de Portugal, seja esquecido, por hoje nos parecer irreal que o “futuro previsível temporal para milhares de jovens fosse limitado aos seus primeiros pouco mais de 20 anos de vida”! Paralelamente a isso, o País tem uma dívida de gratidão para com as várias milhares de jovens que, naquela época, foram furtados às famílias, às escolas, aos empregos e ao seu meio ambiente para irem combater por uma causa que, á época era entendida como um dever de ser português, e muitos deles dando a sua vida ou ficando estropiados ou deficientes, para todo o sempre.
Um sonho não basta sonhar. Temos que realizar. Não basta falar. Temos que agir. Não basta querer.  Temos que merecer. Os sonhos existem para serem realizados, por isso não olhamos para trás nem escutamos as  palavras de desânimo!
Isto tudo hoje, vêm também a propósito de pela, primeira vez, um ministro dum governo da nossa República reconhecer que, há ainda uma geração inteira que viveu o sofrimento das suas memórias quase em silêncio. Muitos deles nem à família contaram por o que passaram. Quanto muito, dividiram as lembranças com os seus camaradas de armas. E há milhares de homens com mazelas físicas ou psicológicas que o País foi ignorando e, em demasiados casos, deixando no mais absoluto dos abandonos. “Morrer pelo país ou por ele sacrificar o bem-estar ou a vida é um ato de bravura única, que coloca os combatentes num patamar de sacrifício que não é exigido em nenhum outra função do Estado”. (”Ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho)”.
Por isso a   proposta de lei relativa ao Estatuto do Antigo Combatente representa não apenas «um reconhecimento simbólico e material pelo serviço prestado pelos militares que combateram por Portugal», mas também «um reconhecimento formal há muito reclamado pelos antigos combatentes. Esta proposta de lei consagra medidas muito concretas como a criação do cartão do antigo combatente, «que se constitui como elemento facilitador na relação com o Estado», em concreto no acesso aos benefícios e apoios a que cada um tem direito e tem a vantagem de «clarificar e promover o conhecimento aos cidadãos do regime legal aplicável, e que muitos parecem ainda desconhecer».
Hoje dia -7 de Junho de 2019)- insertas na imprensa, noticias de que a “proposta do governo do Estatuto de Antigo Combatente é bem vista por todos os partidos mas,   baixa à especialidade sem votação para se encontrar "um denominador comum" que possa incluir benefícios concretos para os destinatários”, a ser realidade, constitui acima de tudo, um acto de coragem politica numa matéria politica-ideológica partidária que dividiu e divide muitos portugueses, configura-se , também, claramente como uma tentativa de praticar um acto politico de reconciliação no presente, com a nossa História, com o passado dos portugueses.
Como disse Agustina Bessa Luís :“As palavras não significam nada se não forem recebidas como um eco da vontade de quem as ouve”. Aguardamos que não aconteça o mesmo que aos combatentes portugueses na grande guerra na Europa de  2014-18 que só viram esse reconhecimento pela aprovação do Código dos Inválidos em 1929, isto é 11 anos após o fim do conflito, num período em que o tempo “ médio de vida era de menos de 40 anos”,( o qual, embora lhes tenha dado um estatuto digno após revisões sucessivas, não evitou que ficassem na miséria e que muito poucos ou quase nenhuns combatentes chegassem ao 25 de Abril de 1974, com pensões degradadas, sem direito à assistência médica ou quaisquer regalias sociais.)
Na verdade,  “O Estado tem obrigação de dar (aos ex-combatentes) apoio e às suas famílias nas dificuldades físicas e mentais que advêm da experiência da guerra, e tem responsabilidade de o fazer ao longo de toda a sua vida”.(Ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho)
Como disse Mia Couto “Não penso na velhice, tenho medo que a velhice pense em mim”. De forma construtiva aqui deixo algumas ideias que podem ser consagradas no enquadramento jurídico-constitucional,  de aplicação mediata, cujos impactos sociais e políticos ultrapassam em muito os “mínimos impactos de custos económicos e financeiros”,  que provavelmente, alguns procuraram “como justificativo” para “ a burocracia” usual no tempo de criação do suporte jurídico-constitucional para as mesmas:
a)     Criação de Centros de Acolhimento e Repouso exclusivo para ex-combatentes, aproveitando e adequando os aquartelamentos militares que tem sido abandonados, como contrapartida de  uma prestação adequada a parte do  rendimento da respectiva pensão ou reforma  de cada um - PROJECTO CASA-ABRIGO PARA EX-COMBATENTES DA GUERRA DO ULTRAMAR;
b)    Criação de uma Rede Nacional de Apoio aos ex-combatentes portugueses  portadores de perturbação psicológica crónica resultante da exposição a factores traumáticos de stresse no decorrer da sua participação nas comissões militares nas guerras nas ex-províncias ultramarinas;
c)     Permitir o acesso aos ex-combatentes, por meio da identificação, do cartão do combatente, a todos os serviços de saúde, exclusivo de militares, dos diversos ramos das Forças Armadas Portuguesas;
d)    Apoio económico e social efectivo a todos os ex-combatentes no processo de envelhecimento, com adequado apoio hospitalar, nomeadamente do hospital das Forças Armadas;
e)     Permitir o acesso, de acordo com o preçário praticado nas mesmas, aos ex-combatentes , ás respectivas messes de qualquer ramo das Forças Armadas;
f)      Criação da figura de “cuidadora de um ex-combatente” e determinação da concessão do respectivo subsídio inerente a essa função;
g)     Isenção do pagamento de qualquer verba pelos serviços prestados pelo serviço nacional de saúde, quer nos centros de saúde, quer nos hospitais públicos, para si e respectivo cônjuge;
h)    Concessão gratuita dos respectivos medicamentos, e dos meios necessários de apoio á sua saúde física e motora, não só para o próprio, mas também para a esposa;
i)       Isenção do imposto sobre o valor acrescentado (IVA), na aquisição de veículos próprios e apropriados para a sua locomoção;
j)       Isenção total do pagamento do imposto municipal sobre imóveis (IMI), da sua residência habitual;
k)     Isenção total do Imposto sobre rendimento de pessoas singulares (IRS) que recai sobre o rendimento das pensões dos ex-combatentes;
l)       Isenção total pela utilização dos meios públicos de transporte de passageiros;
m)  Direito de preferência de usufruir da utilização dos meios e recursos disponíveis nos hotéis pertencentes ao INATEL, contra o pagamento de 50% da prestação, diária, normal;

Sendo verdade que todos os povos cometem muitos erros, por ser inerente ao ser humano, mas com o erro há sempre alguém que beneficia – e nunca são as vitimas. Como diz a frase o “dinheiro não consegue comprar a história”, e a história faz-se sempre com alegrias ou tristezas, dramas ou glórias, sucessos e frustrações, trabalho ou preguiça. No fundo como a vida.
 Na realidade os políticos no nosso País trataram, até hoje, muito mal os Portugueses que viveram as guerras. Não é exclusivo de Portugal. Mas a expressão "ex-combatentes" foi um símbolo. E o poder politico , em geral, esqueceu-se dos milhares de cidadãos portugueses   por de trás    palavra – “ex-combatentes”. No entanto, temos que assumir que não se trata de um comportamento exclusivamente português. Acontece em todos os países quando as guerras não se ganham ou não se querem. As queixas dos veteranos portugueses da guerra no ex-províncias do ultramar português são as queixas dos veteranos americanos da guerra do Vietname e do Iraque: quando voltam a casa não os espera a gratidão dos seus compatriotas. Na melhor das hipóteses, espera-os a indiferença.
Concluindo: Temos a consciência e a noção que por muito que alguns tentem, e tem-no tentado, nunca conseguem alterar a verdade da história de um povo , como dizia a canção “há sempre alguém que resiste/há sempre alguém que diz não”. Tenho muito orgulho em ser português e tenho a noção clara que sou cidadão e vivo num dos melhores países do Mundo, como uma das mais antigas nações do Mundo, em todos os aspectos da vida de qualquer ser humano, apesar dos períodos negros de “porque temos passado na politica”, em  que em certos períodos, quase se destruiu o conceito de dignidade humana dos portugueses, e tentando apenas e só gerar o ódio entre gerações” nós sempre temos sabido sair com toda a dignidade humana. “A vida é o pouco que nos sobra da morte.“ (Walt Whitman)
Na realidade tudo isto parece tratar-se de um absurdo de “ausência de medidas politicas de justiça e cidadania”, a que esta proposta de lei pretende consolidar, não só o reconhecimento que “participámos numa guerra”, mas de todos os direitos de que podem usufruir os ex-combatentes, e por outro lado reconhecer   que  foi o "ex-combatente" que fez a revolução. Os soldados, os sargentos e os oficiais de baixa patente que fizeram a guerra foram os que nos trouxeram a liberdade - os que foram enviados para as “Guerras de África” ou os que estavam na iminência de o ser. Na verdade, a expressão "ex-combatente" foi sempre usada sem nunca se estar realmente a referir a pessoas. Ela foi um conceito político. E as pessoas concretas, com os seus dramas reais, acabaram por ser punidas por isso. Passados  mais de 45 anos, está chegada a hora do País fazer as pazes com a sua memória. E fazer justiça à geração da guerra. Sabendo que a “guerra do ultramar “não foi decidida por eles e que eles foram, com os povos das ex-províncias ultramarinas portuguesas, as suas principais vítimas. São eles que carregam as feridas do nosso passado. E o poder politico falhou ao ignorá-las!
Tudo isto parece hoje óbvio. Mas nem sempre foi. E é natural que não fosse. Os povos também precisam de tempo para sarar as feridas da guerra e começar a falar do assunto. E quando finalmente o conseguem fazer é muitas vezes tarde demais. Esperamos que à semelhança do que aconteceu aos jovens portugueses combatentes na guerra de 2014-18 não venha acontecer o mesmo aos, ainda vivos, talvez mais de 400 mil, combatentes nas guerras de Africa, dos mais de um milhão que por lá passaram.
"Dizem que o tempo muda tudo, mas, na verdade, somos nós que temos de fazer as mudanças." (Andy Warhol)

Armindo Bento – ex-combatente que serviu as Forças Armadas Portuguesas (Batassano –Floresta do Mayombe-Cabinda Julho de 1970 a Agosto de 1972)

Qual a razão porque o dia de Portugal se celebra a 10 de Junho?


Qual a razão porque o dia de Portugal se celebra a 10 de Junho? No dia 10 de Junho celebra-se em Portugal o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. O Feriado nacional, nesta data presta homenagem ao poeta Luís Vaz de Camões, autor d´Os Lusíadas, a maior obra épica de Portugal, que faleceu no dia 10 de junho de 1580.  
Até ao 25 de Abril, o 10 de Junho era conhecido como o Dia de Camões, de Portugal e da Raça, este último epíteto criado por Salazar na inauguração do Estádio Nacional do Jamor em 1944. A partir de 1978 este dia fica designado como Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
 No entanto, o 10 de Junho foi estipulado como feriado, na sequência dos trabalhos legislativos após a  implantação da República a 5 de Outubro de 1910. No decorrer desses trabalhos legislativos, foi publicado um  decreto a 12 de Outubro, que definia os feriados nacionais. Alguns feriados foram eliminados, particularmente os religiosos, de modo a diminuir a influência da  Igreja Católica e com o objectivo de consolidar a laicização da sociedade.
O decreto que definia os feriados nacionais dava ainda a possibilidade dos municípios e concelhos escolherem um dia do ano que representasse as suas festas tradicionais e municipais. Lisboa escolheu para feriado municipal o 10 de Junho, em honra de Camões, uma vez que a data é apontada como sendo a da morte do poeta.
 Durante o regime  do Estado Novo de 1933 até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974, o dia 10 de Junho era celebrado como o “Dia da Raça: a raça portuguesa ou os portugueses”. Foi aproveitado para exacerbar as características nacionais. Como Camões foi uma figura emblemática, associada aos Descobrimentos, foi usado como forma de o regime celebrar os territórios ultramarinos e o sentimento de pertença a uma grande nação espalhada pelo mundo, com uma raça e língua comum.

sexta-feira, maio 10, 2019

"Um sonho é um escrito, e muitos escritos não são mais do que sonhos." (Umberto Eco)


"Um sonho é um escrito, e muitos escritos não são mais do que sonhos."  (Umberto Eco)  

 Diz-se que aquele que sabe viver a vida percebe que vale mais a pena recordar os momentos felizes em vez de relembrar os seus erros e as suas mágoas. Como na generalidade toda a gente, também me lembro do passado, mas não com um sentido de melancólico, mas sempre com muita saudade, e também com a sabedoria da maturidade, o  que me faz projectar no presente aquilo que, sendo ou consideramos os melhores momentos e também os menos bons, não se perderam nem nunca se perdem. Devemos considerar que a maturidade permite-nos olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade, querer com mais doçura e perceber que não volta mais ao nosso convívio quem perdemos e que marcou de forma definitiva a nossa vida. Amadurecer significa deixar a nossa visão egocêntrica para compreender que existe um mundo maior e mais complexo, um mundo que muitas vezes nos coloca à prova e que nem sempre satisfará nossas expectativas, os sonhos e as ilusões da nossa vida. E, no entanto, quando amadurecemos, podemos viver em paz naquele mundo, aceitando tudo de que não gostamos, mas com a plena consciência que  não  podemos mudar o passado.  Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
É por isso que amadurecer talvez seja descobrir que sofrer perdas no nossa vida é inevitável, mas que não precisamos nos agarrar à dor para justificar nossa existência. Como disse William Arthur Ward : ” Cometer erros é humano e tropeçar é comum; a verdadeira maturidade é poder rir de si mesmo “.  
Na realidade a verdadeira maturidade psicológica surge quando somos capazes de ter a capacidade emocional de aceitarmos esses acontecimentos , e quando olhamos a realidade para os nossos olhos e, em vez de os descermos, e olhar-mos o chão,  nos perguntamos: ” Qual é o próximo passo? ” Isto significa que, embora a realidade possa ser dolorosa, não ficamos presos no papel de vítimas sofrendo em vão, mas protegemos o nosso equilíbrio emocional adoptando uma atitude proactiva, pois na generalidade a  maioria de nós não ouve com a intenção de entender o que nos está a ser dito, mas  ouvimos com a intenção de responder. “ A sabedoria não está em não falhar ou sofrer, mas usar nossas falhas para amadurecer e nosso sofrimento para compreender a dor dos outros.” (Augusto Cury)
Há quem diga que por vezes, viver na ilusão pode ser mais cómodo do que encarar “a triste realidade de viver a vida” . Aliás, é exactamente por isso que nos deixamos nos enganar. Por que muitas verdades doem na alma, esmagam o nosso coração e nos jogam , como diz o povo “na sargeta!. Então, é por isso que  mesmo sem se dar conta, a pessoa finge que não vê o que está bem claro, nega aquilo que é evidente e deixa-se enganar até por si mesma. Entretanto, ser ludibriado pela fantasia pode nos levar a um desperdício do nosso tempo, porque no mundo da lua não existe vida, e para seguir adiante no mundo real é preciso ter os pés no chão, e quanto mais firmes, mais largos os nossos passos em direcção a verdadeira felicidade de viver a nossa vida.  “Tenho a idade em que as coisas se olham com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo. Tenho os anos em que os sonhos começam a se acariciar com os dedos e as ilusões se tornam esperança. Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma louca labareda, ansiosa para se consumir no fogo de uma paixão desejada. E outras, é um remanso de paz, como o entardecer na praia. Quantos anos tenho? Não preciso de um número marcar, pois meus desejos alcançados, as lágrimas que pelo caminho derramei ao ver minhas ilusões quebradas. Valem muito mais do que isso. O que importa se fizer vinte, quarenta, ou sessenta! O que importa é a idade que sinto. Tenho os anos que preciso para viver livre e sem medos. Para seguir sem temor pelo atalho, pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus desejos.” (José Saramago)

“ Quando se sonha sozinho é apenas um sonho. Quando se sonha juntos é o começo da realidade.” (Miguel de Cervantes)


“ Quando se sonha sozinho é apenas um sonho. Quando se sonha juntos é o começo da realidade.” (Miguel de Cervantes)

Somos levados a admitir que “construção de uma vida” encontra-se, actualmente, mais em poder dos factos do que das convicções de cada um. E, é nesse sentido que penso que todos nós em certos momentos já nos interrogámos, qual a razão porque há algumas pessoas que parecem encantar toda a gente à sua volta mal abrem a boca e outras, que podem até ter coisas mais interessantes para dizer, mas cuja voz não chega sequer a ser ouvida. A nossa resposta poderá ser porque talvez sejam pouco assertivas, ou até tímidas, ou então não conseguem expressar bem as suas ideias. “A luz se foi e agora nada mais resta, a não ser esperar por um novo sol, um novo dia, nascido do mistério do tempo e do amor do homem pela luz.“ (Gore Vidal)
Lembrei-me de recuperar estes pensamentos porque muitos de nós lutam de vários modos durante a vida para permitir aparecer, ser vistos ou ser reconhecidos. Muitos de nós sentimos, em certos momentos, que talvez não tenhamos o direito de ser importantes. Muitos de nós sentimos até que não merecemos os nossos próprios sonhos ou presentes que sempre querem significar algum acontecimento. Muitos de nós sentimos que ao ocuparmos um espaço, isso significa deixar menos espaço para os outros fazerem o mesmo. E muitos de nós somos levados a  permanecer pequenos por toda a vida porque é mais fácil do que passar por nossa própria dúvida e aparecer, repetidamente, até começarmos a acreditar que realmente somos dignos de existir e viver a nossa vida, porque é o prazer de viver que dá todo o sentido à nossa vida. Como disse Alvin Toffler :"O futuro é construído pelas nossas decisões diárias, inconstantes e mutáveis, e cada evento influencia todos os outros."   
Quando nos perguntam como vai a vida, desde a família, aos filhos, à saúde, no geral respondemos que  tudo está, se não muito bem, no mínimo bem. É interessante que nessas alturas ninguém tem problemas com a esposa ou com o esposo, com os filhos, com os amigos, com os empregados, ou até com os vizinhos. O que transparece é que tudo é tão perfeito na vida dos outros, que não nos atrevemos sequer a nos queixar ou a lamentar sobre o que nos aborrece ou nos entristece. E há tantas coisas que nos aborrecem e outras tantas que nos entristecem!
 Quantas vezes é que não ouvimos alguém  queixar-se ou lamentar-se de que não se está sentindo muito bem, ou de que simplesmente que está triste? E muito menos que esse estado “de alma” se tem prolongado no tempo? Talvez porque achamos que  raramente conhecemos alguma pessoa de bom senso, além daquelas que concordam connosco. No entanto segundo JOSH BILLINGS “Bom senso é a capacidade de ver as coisas como são e fazê-las como devem ser feitas.”.
E porque assim é,  e se queremos estar  bem com todos no “nosso mundo e no mundo dessas pessoas”, sejamos então alegres, não falemos nunca de dramas, de problemas, da falta de dinheiro, de angústias várias. É que desta forma, ninguém nos vai achar problemático, complicado, ou um maçador e  ter de nos evitar a cada momento. Mas, quando ficamos exaustos de tanto nos contermos, sem podermos “abrir o coração e a boca”, até porque ninguém nos ouviria mesmo, não sabemos ainda as consequências de tanta contenção, pois se de facto preocupar-se é um hábito, que consideramos nocivo, e que se disfarça por trás de uma intenção real de resolver uma situação problemática, pelo contrário a resolução de problemas, a preocupação geralmente não leva a lugar algum e tem uma tendência a sair do nosso controlo. Além disso, os psicólogos apontam que a preocupação é quase sempre inútil, não nos devemos preocupar com o que ainda nem sequer aconteceu, e pode até mesmo atrapalhar os nossos processos de pensamento. Daí o conselho de  Winston Churchill “É bom ter livros de citações. Gravadas na memória, elas inspiram-nos bons pensamentos.”
É nesta altura cabe aqui perguntar: Será que só nós temos problemas? Ou será que há sempre alguém em pior situação que nós? A vida não é um “programa de computador” para ser vivida  de forma “ perfeita sem problemas e sem dramas”, temos que ter consciência que nem tudo nas nossas vidas tem de estar bem, nem da nossa , nem dos outros , que podemos e devemos falar dos nossos problemas, sejam eles de que natureza forem, que nem sempre estamos  alegres ou  de bom humor, como disse José Saramago :“A solidão é enriquecedora, mas isso depende directamente da possibilidade de se deixar de estar sozinho.“
Certo é que estamos, por cada dia que passa, a perder o que de melhor há na vida e nos relacionamentos humanos, que é a troca de experiências, de partilharmos o nosso modo de viver a vida, na troca de esperanças, de ideais - da vida, em suma - e ir  atrás do que na verdade nos interessa e que nenhum enfeite disfarça mas nos faz viver a vida. Como dizia Albert Einstein : “Só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem. A segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre.

“Enquanto houver sonho, amor e fantasia, haverá esperança." (William Shakespeare)


   “Enquanto houver sonho, amor e fantasia, haverá esperança." (William Shakespeare)  
 
Como acontece com grande parte das pessoas  vejo o tempo passar, e ao mesmo tempo “parece” começar a sentir uma “espécie de preguiça crónica” que nos quer fazer esquecer de olharmos para as coisas que nos rodeiam. Causa-me um certo espanto o tempo que agora passa. Cheguei à conclusão que o tempo é a única coisa terrível que existe. O tempo, que neste tempo passa sem quase dar por isso e leva de arrasto, aparentemente aleatório, a juventude que já foi nossa e a dos outros. Não é uma situação de  amargura, é apenas a realidade da vida. Como disse Josh Billings acerca da solidão como “ um lugar bom de visitar uma vez ou outra, mas ruim de adoptar como morada.”  É por isso, que temos que aprender a observar, porque a realidade sem o sonho e a fantasia não tem nenhuma utilidade para a nossa “estadia” e modo de viver a nossa vida. E continuamos a sonhar que venham novas histórias, novos sorrisos e novas pessoas!
Como todos já alguma vez sentimos a solidão nunca vem sozinha, pois como  devemos saber, ela traz consigo a dor, a saudade, a tristeza e o vazio.
Há quem diga que saudade é não saber! Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que parem o nosso pensamento, não saber como “parar” as lágrimas quando ouvimos uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio, naqueles momentos em  que nada nos preenche. Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos “machuca”, é não conseguir ver o futuro que nos convida! Saudade é sentir que existe o que não existe mais! “Aqueles que nunca sofreram não sabem nada, não conhecem nem os bens nem os males, ignoram as pessoas , ignoram-se a si próprios.”( François Fénelon)
Todos devemos saber que existem algumas formas de honrar a memória das pessoas. É um exercício interessante, porque estimula o significado das histórias compartilhadas, quando a pessoa não esteja mais cá, o que nos faz “relembrar” que o que vivemos juntos permanece vivo sob a forma de sabedoria, de crescimento, de motivação. Mesmo que exercícios como criar álbuns de fotografias, visitar locais especiais, celebrar até aniversários, etc, possam trazer lágrimas, também revelará sentidos que se “mantiveram” escondidos nos casos em que tais memórias, por um motivo ou outro “já se tinham dissipado” na nossa mente. Não apaguem nada, tentem compreender tudo, flutue livremente por entre as suas  histórias. Chore o que tiver que chorar, abrace tudo que surgir até que os primeiros sorrisos comecem a florescer.“A vida é apenas isto: um encadeamento de acasos bons e maus, encadeamento sem lógica, nem razão; é preciso a gente olhá-la de frente com coragem e pensar, mas sem desfalecimentos, que a nossa hora há-de vir, que a gente há-de ter um dia em que há-de poder dormir, e não ouvir, não ver, não compreender nada.”(Florbela Espanca)
Não foi por acaso que num destes dias surgiu-me a ideia de que  a “saudade” não se encaixa muito bem, ou mesmo nada com a  “solidão”, já que a “saudade” é bastante mais do que isso. Saudade é ver uma miragem no final de uma estrada deserta, é andar de braços dados com o sonho e esperança, é tentar enganar-se pela milésima vez caminhando no sentido contrário do tempo. Pelo contrário a solidão é uma espécie marcha lenta, é o degradar  de qualquer tipo de sentimento,  é o aprender a dançar sozinho, beber sozinho, sonhar de forma avulso sem sentido de coisa alguma,
 é o olhar para os lados e descobrir que a saudade continua a bater à porta, não a sua porta, mas sim a de qualquer outro.  “Nada é para sempre, dizemos, mas há momentos que parecem ficar suspensos, pairando sobre o fluir inexorável do tempo“.( José Saramago)
Considera-se que é de facto incrivelmente, um óptimo meio ou recurso de tratamento, como terapêutica adequada o conversar sobre os sentimentos que cada um sente. A morte da esposa ou do marido ou de outro qualquer familiar ou amigo mais chegado, é um evento fortemente traumático para o qual ninguém está preparado. Pode levar anos para processar todos os sentimentos que ficam e atribuir significado às histórias compartilhadas. Lembrar estas experiências pode trazer conforto e até alegria, um passo crucial para a solução e recuperação da vontade de viver. É por isso que, devemos de procurar não só as  pessoas que tenham ou estejam a passar pela mesma situação, mas também com sentimentos genuínos de compaixão para poder escutar o que tem ou quer dizer.  “A vida, que parece uma linha recta, não o é. Construímos a nossa vida só nuns cinco por cento, o resto é feito pelos outros, porque vivemos com os outros e às vezes contra os outros. Mas essa pequena percentagem, esses cinco por cento, é o resultado da sinceridade consigo mesmo”. (José Saramago)

Os cães vivem muito pouco, para o amor que lhes ganhamos “ (José saramago)


Os cães vivem muito pouco, para o amor que lhes ganhamos “ (José saramago)

Olhar esse animal que nos olha do outro lado do espelho do mundo mas todavia próximo de nós, significa pensar o que significa viver, falar, morrer, ser, ser feliz, estar no mundo e com o mundo. O animal que nos olha olhando-nos no desamparo da nossa solidão e nudez, para lá do bem e do mal, bem pode ser este cão de José Saramago. Deixou-nos com um pensamento basilar: “Há uma coisa em que as vitórias e as derrotas se parecem: É que, nem umas nem outras são definitivas”( José Saramago ).
Quantas vezes já ouvimos um dono a falar do seu cão, do cão da família, do seu cão que pensa que é um membro da família, tudo muito simples e até  engraçado, sem sabermos explicar o porquê? Não é que tal explicação tenha qualquer interesse, a realidade é que um dos benefícios inesperados de ter um cão é a forma como eles afectam a nossa vida, o nosso modo de sentir e  viver a vida, pondo uma certa beleza no mundo, como imortais na vivência pessoal dos que sabem ver e também sentir.
Como deixou escrito Cora Coralina : “Embora não possamos acrescentar dias à nossa vida, podemos acrescentar vida aos nossos dias.”
Como é agradável ao sentir aqueles benefícios mais fantásticos dos  cães que é a sua extraordinária capacidade de nos fazerem sentir calmos, o que tem um efeito brilhante na nossa saúde. Acariciar o nosso animal de estimação por apenas alguns minutos pode fazer o nosso cérebro libertar substâncias químicas que nos fazem sentir bem e, em alguns casos, até reduzir a nossa pressão arterial .
Tudo isto é óptimo para a nossa saúde em geral. A nossa pressão arterial tem um grande efeito no nosso bem-estar. Por isso, da próxima vez que sentir algum “stresse,” ou simplesmente precisar de parar, dedique algum tempo a mimar o seu animal de companhia. Ambos beneficiarão disso! Como disse  Milan Kundera “Os cães são o nosso elo com o paraíso. Eles não conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento. Sentar-se com um cão ao pé de uma colina numa linda tarde, é voltar ao Éden onde ficar sem fazer nada não era tédio, era paz.
Como muito bem sabemos o nosso  cão vai faz-nos sair de casa e experimentar coisas que nunca tínhamos considerado, nomeadamente o aumento de forma significativa da nossa actividade física regular, sem que se apercebamos disso, mas para além disto o que torna o nosso  passeio diário do nosso cão muito mais interessante, é conhecer novas pessoas .
É pouco provável que na nossa azáfama diária possamos parar para falar com um estranho que se cruza connosco na rua, mas ao contrário todos sabemos que tal não acontece quando passeamos o nosso cão e como é fácil falar com outras pessoas, enquanto o nosso cão  procura  fazer novos amigos. Na verdade temos algo em comum: os nossos cães são sociáveis e amigáveis. “Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas”. (Cora Coralina)
Por vezes não temos motivação para  fazer uma caminhada sozinhos, mas quando sabemos que o nosso cão precisa de fazer exercício, não pensamos duas vezes. Todos os passeios nos parques e aventuras no campo ou  praia são momentos extra de exercício físico. Um dos maiores benefícios de ter um cão é a forma como eles nos encorajam a ser mais activos, o que suporta tanto a nossa saúde como a deles.
É quase impossível sentir-se sozinho ao lado do seu cão e por uma boa razão. A maioria dos cães é muito sociável e adora ter companhia, seja canina ou humana. Quando o seu cão o recebe cheio de alegria, quando chega a casa, ou lhe mostra que quer dar o seu passeio preferido, sabe que terá sempre um amigo ao seu lado.
 Parece que os nossos cães estão sempre prontos para nos animar e nós também queremos que eles sejam o mais felizes possível. As relações maravilhosas que temos com os nossos cães são um testemunho das suas personalidade, lealdades e felicidade. Eles são de facto os melhores companheiros do mundo!
 Aqui fica um poema de Manuel Alegre para o seu cão Kurika: “Como nós eras altivo/fiel mas como nós desobediente./Gostavas de estar connosco a sós/mas não cativo/e sempre presente-ausente/como nós. Cão que não querias ser cão/e não lambias a mão/e não respondias à voz./Cão como nós.”
“ São precisamente as perguntas para as quais não há resposta, que marcam os limites das possibilidades humanas e que traçam as fronteiras de nossa existência. (A alma e o corpo, de A insustentável leveza do Ser-Milan Kundera)