WE ARE ABLE TO DO OUR BEST! “É das coisas, que os sonhos são feitos.” It is about things, that dreams are made." (William Shakespeare
terça-feira, maio 05, 2026
SOLIDÃO – Sou eu e mais o meu cão!!!
SOLIDÃO – Sou eu e mais o meu cão!!!
Essa frase evoca uma imagem poderosa e, muitas vezes, reconfortante de companheirismo absoluto. Para muitos, a solidão acompanhada por um cão não é uma solidão vazia, mas uma forma de estar no mundo preenchida por uma lealdade incondicional. Os cães são os amigos que "sempre vão lamber as nossas feridas" e estão lá quando ninguém mais está! “A solidão portuguesa tem a ver com que o que faz falta, isto é, com a falta que os portugueses conseguem fazer. Portugal é uma fábrica de ausências. Ninguém é capaz de inventá-las tão bem como nós. Ninguém é capaz de se convencer com tanto êxito da grande falta que podem fazer as coisas inexistentes.”(Miguel Esteves Cardoso)
Já li em qualquer lado que existem certos tipos de solidão que nos aliviam a sensação de estar só, é evidente que tal só acontece em determinadas circunstâncias, estar de fora, não se encaixar, pode ser uma fonte de satisfação e até de prazer, é uma espécie de férias ou até mesmo de cura.
Hannah Arendt que foi uma filósofa política alemã de origem judaica, defendeu a existência de três formas de estar sozinho: solidão, estar só (abandonado) e isolamento. “A solidão implica que, embora esteja sozinho, estou com alguém (ou seja, comigo mesmo). Significa que sou dois em um, enquanto o isolamento e o sentimento de abandono não conhecem essa forma de cisão, essa dicotomia interior na qual posso colocar perguntas e receber uma resposta.”
Acresce que Georges Moustaki, um judeu romaniota (cultura grega) de Alexandria, escreveu talvez um dos mais belos elogios a essa solidão de que falava Hannah Arendt: “Por ter tantas vezes dormido/ com a minha solidão,/ quase fiz dela uma amiga/ uma doce rotina,/ não me larga nem um passo/ fiel como uma sombra./ Seguiu-me aqui e ali,/ aos quatro cantos do mundo./ Não, nunca estou realmente só/ com a minha solidão.”
Temos uma completa noção de que a solidão é uma experiência humana comum – todos e todas a podemos sentir, em algum momento da nossa vida. Mas, apesar de ser tão frequente, é também uma das experiências mais difíceis de definir, de compreender e de admitir. Por isso, torna-se necessário uma reflexão profunda e muito precisa sobre a natureza da solidão:
• "Difícil de confessar": A solidão ainda é vista por muitos como um sinal de fracasso social ou pessoal. Confessá-la gera vergonha ou medo de parecer "indesejável", o que leva ao isolamento silencioso.
• "Difícil de categorizar": Não é apenas estar sozinho (isolamento físico), mas sentir-se só. Alguém pode estar rodeado de pessoas e sentir-se profundamente só, ou estar fisicamente sozinho e sentir-se preenchido.
• "Cruza-se com a depressão": Embora diferentes, a solidão crónica e a depressão alimentam-se mutuamente. A solidão pode levar à depressão, e a depressão gera um isolamento que causa solidão.
• "Entranhar-se no tecido de uma pessoa": Quando não tratada, a solidão deixa de ser um sentimento passageiro e torna-se parte da identidade e da forma como a pessoa vê o mundo, afetando a saúde física e mental .
É uma ferida invisível, mas que dói tanto quanto uma ferida física, como indicam estudos neurocientíficos que mostram que a rejeição social activa, as mesmas áreas do cérebro que a dor física. Reconhecer essa "dificuldade de categorizar" é o primeiro passo para a empatia, tanto connosco próprios como com os outros.
Como disse Fernando Pessoa: ”Quando estou só reconheço que existo entre outros que são como eu sós. E se sinto quanto estou verdadeiramente só, sinto-me livre mas triste. Vou livre para onde vou, mas onde vou nada existe.”
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