sexta-feira, novembro 04, 2016

SERÁ QUE FUI ROUBADO, FURTADO OU SAQUEADO?

 SERÁ QUE FUI ROUBADO, FURTADO OU SAQUEADO?
(Quem furta não se torna proprietário, limita-se a subtrair a coisa.)

Podem crer que já estou a ficar bastante “baralhado”, e já não sei se fui “roubado, saqueado ou furtado”, ou ainda mais uma série de “qualificativos” para os factos de os meus rendimentos provenientes do trabalho e dos descontos de mais de 42 anos, terem sofrido, ou do mesmo foram subtraídos uma parte, durante o desgoverno de Passos e Portas, com um “decréscimo acentuado” e não previsto, cativação pensava eu, mas  que afinal não foi restituída, embora tenha sido declarada inconstitucional pelo respectivo Tribunal Constitucional, mas que o dito desgoverno de Passos e Portas não cumpriu. E eu a pensar que a desobediência ao não cumprir uma lei era crime. Ou já não será?
Mas agora, tendo sido despachada aquela “trupe”, que nos “rapou” e se apoderou de parte dos rendimentos, reformas e pensões, e quando vivemos num clima de paz social, sem crispações entre órgãos de soberania, e com alguma esperança que possamos finalmente, fazer ouvir a nossa voz na Comunidade Europeia e no Mundo, ao contrário de Passos e Portas (entretanto substituído pela Cristas) que nos desgovernou, que não criou paz social, que “arranjou” conflitos sérios com o Tribunal Constitucional e que foram subservientes com a CE e o resto do Mundo, proclamam agora, qual virgem ofendida, a sua paixão pela justiça social e pela luta contra a pobreza e desigualdades, esquecendo-se que já não vamos em cantos de sereias, nem em hipocrisias de última hora.
Claro que temos memória e bem sabemos que com Passos Coelho, a “dita sobretaxa era para manter até 2019”. Esqueceram-se? Esqueceram-se convenientemente de “todas as malfeitorias” muitas vezes ilegais e inconstitucional no Governo PSD-CDS. Por isso, é essa a nossa convicção de que o governo actual, vai de facto “acabar” com esse “surripio” dos rendimentos dos portugueses, já em 2017, não no fim, mas no principio – ou como diria o outro “se rapinar é tanto subtrair com violência como "roubar ardilosamente", então rapinar pode ser sinónimo tanto de roubar como de furtar!”
Na verdade, na linguagem de todos os dias, furto e roubo significam o mesmo. Mas, para a lei, não. Se através do furto, alguém apropria-se de forma ilegítima de um bem de outra pessoa, já quanto ao roubo o mesmo é feito “por meio de violência contra uma   pessoa, de ameaça com perigo iminente para a vida ou para a integridade física, ou pondo-a na impossibilidade de resistir”. Em resumo, no roubo há uma subtracção com constrangimento ou violência; no furto a subtracção não comporta constrangimento ou violência.
A este propósito não deixa de ser “muito interessante” que o tão propalado inquérito parlamentar à Caixa Geral de Depósitos, a dita Auditoria Forense, à mesma ou até a tão noticiada acção do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) de um “ inquérito à Caixa Geral de Depósitos por suspeitas de gestão danosa”, tenha “desaparecido” da “nossa imprensa” e por isso, salvo melhor conhecimento nesta matéria, teríamos que perguntar: Para onde foi o dinheiro que “parece” que desapareceu? Quem foram os beneficiários desses empréstimos? O património pessoal dos principais responsáveis não responde, ou não tem que responder por esses “desvios”? Que garantias havia para esses empréstimos? Ou será que o tal “loby” tão poderoso tomou conta do assunto? Cumpre ainda perguntar, o que aconteceu com o desgoverno de Passos, neste quase cinco anos, que ignorou por completo a existência destes créditos e não fez nada para sanar esta situação?
Como alguém dizia “mentir várias vezes em benefício próprio vai diminuindo a reacção do nosso cérebro à desonestidade. E, assim, mente-se cada vez mais”.  Esperemos que não se trate de mais uma manobra cosmética para “inglês (alemão) ver”. Parece cada vez mais claro que a Europa precisa de um tribunal supra-nacional dedicado a combater crimes financeiros, possivelmente a funcionar nos moldes do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Não faz sentido serem os contribuintes a pagar resgates de bancos por gestão danosa em Portugal ou em qualquer outro País.
Daqui a minha duvida inicial o saber qual a diferença entre roubar e furtar e creio que instituições que empregam um português correcto e profissional também o não sabem!
É normalíssimo porque estamos a assistir a uma grande luta entre os vários grupos de pressão para dividir o que existe. Portugal é um país desenvolvido, é um país rico. Há muito para dividir. E é essa luta entre quem perde e quem ganha que se está a desenvolver. A defesa ideológica de certas posições é isso mesmo, daí tentar atacar.”
(http://expresso.sapo.pt/economia/2016-10-30-O-colapso-financeiro-de-Portugal-segundo-Joao-Cesar-das-Neves)

Sem comentários!!!!

sábado, outubro 29, 2016

SERIA “BURLESCO” SE NÃO FOSSE GRAVE!

SERIA “BURLESCO” SE NÃO FOSSE GRAVE!

Nunca será possível ultrapassar por lei a falta de ética das pessoas. Se alguém não é sério, é uma questão de tempo para isso surgir”. (Dr. Rui Rio ex-presidente da Camara Municipal do Porto)

Num País, como Portugal, onde a imprensa se diz “ livre” e o direito à liberdade de expressão é um valor que tem consagração na Constituição, somos levados a pensar que “vivemos no melhor dos mundos” com condições de exercício de cidadania claros e transparentes, sem ter a “sensação” de que uma prática insidiosa de propaganda politica é introduzida sistematicamente de forma dissimulada, diariamente, e quase sem excepções no chamado “jornalismo”, em “obediência” a suas estratégicas de clara manipulação, quer no tocante a falta de pluralidade de opinião nos painéis consultados, induzindo o público na errada percepção de que há apenas uma solução para um determinado problema; quer a nível opinativo, com opiniões enviesadas que são apresentadas como factos objectivos.
Aliás, cada vez é menos compreensível porque não é seguida a prática de outros países, onde este problema, que enfraquece a nossa democracia, e cuja responsabilidade não pode ser só assacada à classe politica, mas também à comunicação social e à justiça, é controlado através da declaração pública de interesses. Isto é, por cá isso não se passa, e os espaços de informação estão repletos de opinadores que são apoiantes de determinados partidos – muitas vezes, são até filiados nesses partidos –, mas não declaram a sua sensibilidade política.

 Segundo julgamos saber os deputados na Assembleia da República, tem em preparação um “novo pacote da transparência na vida pública”, sendo que na vida pública não se pode considerar apenas os políticos, mas também, “os magistrados, os detentores dos órgãos de comunicação social e os editores desses órgãos, e aqueles que condicionam o que sai, como sai e se saia quem deve ser exigido a respectiva declaração de interesses.

 Num país onde ainda há imenso a fazer pela literacia política e económica dos cidadãos, este tipo de propaganda política, disfarçada de jornalismo independente, é uma das maiores ameaças à nossa liberdade e formação intelectual. Isto é uma receita para o desastre, para a descredibilização do jornalismo. Nos jornais, os “opinadores televisivos” insistem na esquizofrénica teoria de que os trabalhadores devem ter menos direitos laborais e salários mais baixos, pois isso é para seu bem. Nos indicadores económicos, verificamos que a desigualdade distributiva – o fosso entre mais ricos e mais pobres – e o nível de vida dos portugueses têm vindo progressivamente a agravar-se. Se cortar direitos e salários fosse solução para a situação económica do país, Portugal estaria agora a viver uma prosperidade fulgurante. E, no entanto, sabemos que esta política trouxe apenas mais dívida pública, mais desemprego e mais pobreza. Paradoxalmente, hoje sabemos claramente que entre os economistas, tanto em Portugal como no estrangeiro, cada vez é mais forte o consenso em volta da constatação de que a austeridade foi um erro colossal, tendo causado estagnação crónica em alguns países e agravado ainda mais as contas públicas noutros, com impactos gravíssimos nos indicadores da actividade social e económica desses Estados

Mas cá, estranhamente ou talvez não, os zés e os camilos deste país insistem: “isto estava a correr bem e era preciso cortar ainda mais.” E, quando são contestados, lançam a carta da vítima, alegam que estão a ser pressionados e dizem que a Esquerda lida mal com a liberdade. Os tipos que usam o seu papel privilegiado no jornalismo económico português para fazer propaganda pela Direita são os mesmos tipos que alegam que a Esquerda lida mal com a liberdade. Isto é um pouco como a equipa de futebol que não têm capacidade para ganhar um jogo, a queixar-se de que perdeu o jogo por má arbitragem.

Vide nas Redes Sociais
Publicação  de um artigo de Camilo Lourenço e o vídeo com as declarações de José Gomes Ferreira podem ser consultados aqui:

quarta-feira, outubro 19, 2016

"CAN NOT BE SERIOUS! "

 " CAN NOT BE SERIOUS!"

"It will never be possible to overcome by law the lack of ethics of the people. If someone is not serious, it is a matter of time for it arise. " (Rui Rio former president of the Camara Municipal do Porto)

In a country such as Portugal, where the press is said "free" and the right to freedom of expression is a value that has consecrated in the Constitution, we are led to think that "we live in the best of all worlds" with clear citizenship exercise conditions and transparent, without the "feel" that an insidious practice of political propaganda is systematically introduced covertly daily and almost without exception the so-called "journalism" in "obedience" to their strategic light manipulation, and as regards the lack of plurality of opinion in consultation panels, inducing the public the wrong perception that there is only one solution to a given problem; either opinionated level with biased opinions that are presented as objective facts.
In fact, a time is less understandable because it is not followed the practice of other countries where this problem, which weakens our democracy, and whose responsibility can not be only assacada the political class, but also the media and justice, is controlled through public declaration of interests. That is, here it is not true, and information spaces are filled with opinadores who are supporters of certain parties - often are affiliated to these parties - but do not declare their political sensitivity.
 According think we know the deputies in Parliament, is preparing a new "transparency package in public life", and in public life can not be considered only political, but also, "the rulers, the owners of media outlets social and editors of these bodies, and those that affect what comes out, as out and out "who should be required to their declaration of interest.
 In a country where there is still a lot to do for political and economic literacy of citizens, this kind of political propaganda, disguised as independent journalism, is one of the greatest threats to our freedom and intellectual formation. This is a recipe for disaster, to the discredit of journalism. In the newspapers, the "television opinadores" insist on schizophrenic theory that workers should have fewer labor rights and lower wages because it is for their good. Economic indicators, we find that distributive inequality - the gap between the richest and poorest - and the standard of living of the Portuguese have progressively worsen. If you cut wages and rights were the solution to the country's economic situation, Portugal would now be living a dazzling prosperity. And yet, we know that this policy only brought more debt, more unemployment and more poverty. Paradoxically, now clearly we know that among economists, both in Portugal and abroad, is increasingly strong consensus around the fact that austerity was a colossal mistake and caused chronic stagnation in some countries and further compounded accounts other public, with very serious impact on the social and economic activity indicators of those States
But here, oddly or perhaps not, the Zés and Camilos this country insist: "This was going well and had to be cut even more." And when they are challenged, throw the letter of the victim, claim that they are being pressured and say Left deals poorly with freedom. The types that use its privileged role in economic journalism Portuguese to advertise the right are the same types who claim that the Left deals poorly with freedom. This is a bit like the football team who are unable to win a game, to complain that lost the game by poor refereeing.

See on Social Networks
Publication of an article by Camilo Lourenço and the video with the statements of José Gomes Ferreira can be found here:
https://www.facebook.com/UmaPaginaNumaRedeSocial/videos/1064271286966177/
https://www.facebook.com/ostruques/photos/a.410940029103291.1073741828.410931902437437/534054146791878/?type=3&theater
http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/camilo_lourenco/detalhe/bruxelas_devia_chumbar_o_orcamento_de_2017.html

segunda-feira, outubro 17, 2016

“Quando não se tem nada, não há nada a perder.” (Bob Dylan)

“Quando não se tem nada, não há nada a perder.” 
  (Bob Dylan)

Meu Caro li o teu mail, mas o tempo que julgamos ter nem sempre, o “quase sempre passa depressa”, os dias parecem ter menos de 24 horas, quem diria?
Ter um jornal local, ou de outra maneira “sustentar um veiculo de noticias locais” é e será sempre um enorme desafio, e que tens conseguido dar um sinal que estás vivo e se recomenda, também é sinal de mais experiencia, mais sabedoria, mais conhecimento, mais partilha, mais humanidade ao manter um “sitio” de cidadania activa. 
Costuma dizer-se que já sabemos que nem sempre aquilo que parece é; mas convém não esquecer também que nem sempre aquilo que é….é aquilo que parece. E, de facto, sendo um homem como o vinho, como diria Confúcio, que o tempo faz azedar ou apurar, no caso concreto “como o vinho é bom, o tempo vai apurado e melhorando”, um homem é um sucesso se pula da cama de manhã e vai dormir à noite, e, nesse meio tempo, faz o que gosta cumprindo deste modo os seus desígnios de participação activa na vida local.
Não estou, nem podia estar, como dizes “zangado”, talvez a palavra certa que possa dar sentido ao meu “estado” seja de me colocar ao lado dos que  estão a soprar no vento, cansado ou desiludido, se alguma vez tal me passou como “modo de estar” ou melhor dizendo sempre tentando fazer um esforço para não ser considerado na categoria dos que como uns sentem a chuva, outros apenas se molham.” 
Somos levado a acreditar na informação como bem público, na generalidade as pessoas estão desinformadas ou mal informadas, não querendo ou não sabendo que tem de ser preservado a difusão de informação livre , “ninguém é livre, até os pássaros estão presos ao céu” para vivermos em democracia, o que “assistimos” leva-nos a poder concluir que  quantos ouvidos o homem deve possuir até que possa escutar o choro do povo?sendo que,  no próximo ano realizam-se eleições autárquicas e se um voto democrático é um voto bem informado, perante a actual situação qual é a vantagem de lhes pedirmos que votem? É uma coisa importante. Deve ser decidida com base em informação.
Para estar informado é preciso querer saber. E é preciso que alguém trabalhe, “as pessoas não fazem aquilo em que acreditam. Elas apenas fazem o que é conveniente, e então arrependem-se”, para que essa informação seja encontrada, contextualizada, questionada e comentada, daqui a grande importância que pode ser desempenhada pela imprensa local.
Mas, a verdade é que a maioria dos portugueses não acha que um jornal valha o dinheiro do seu café e pastel de nata, dirão que são efeitos de  uma herança cultural de baixa literacia o que é lento, logo ficará muito rápido. Como o presente, que mais tarde será passado. Tudo isto é triste, tudo isto é fado. O fado provinciano que leva algumas das vítimas do saque neoliberal a defender, como se da sua equipa de futebol se tratasse, que o fosso deve ser largo, que os milionários devem ser protegidos de uma crise que deve ser paga com cortes em salários e reformas e pensões, uma crise que esses mesmos milionários ajudaram a criar, com a qual obtiveram lucros fabulosos e pretextos para baixar salários, reformas e pensões e agravar condições de vida de mais de 95% dos portugueses.
Se posso opinar entendo que o actual papel dos "comentadores" (TVs, rádios, jornais nacionais) é semelhante ao dos cortesãos feudais, aconselhando os senhores a mudarem alguma coisa mas sempre no interesse destes,por mais que você seja, você nunca será maior que você mesmo.O seu discurso dominante actual não vai além do que é admitido pelos "senhores" – os oligarcas – nem sai fora dos temas promovidos pelas centrais de (des)informação a nível internacional. Exemplificando vimos os comentários, contradições, tergiversações sobre a aplicação de "sanções" pela UE daria um case study sobre o papel dos media ao serviço da direita. Com o apoio dos seus apaniguados a direita instituiu a mentira como sistema político, o jornalismo independente e deontologicamente profissional foi varrido da imprensa portuguesas, pela precariedade e pelo mercenarismo de "especialistas"/propagandistas, como resistência a este estado de coisas ainda vive a “imprensa local”,
É no combate e participação activa de cidadania contra percepção de que o Estado é incapaz de combater a concentração da riqueza nas mãos de uns poucos (ou que contribui activamente para essa concentração) desligitima a acção dos poderes públicos aos olhos de uma parcela significativa da população. O problema é que isto gera um círculo vicioso, pois quanto menos confiança se tem no Estado, mais difícil se torna mobilizar a população para as reformas sociais que importa levar adiante. É por isso, a melhor coisa que você pode fazer por uma pessoa é inspirá-la, que um governo transformador não pode deixar de trabalhar nas duas frentes: distribuir melhor os recursos sem nunca menosprezar a importância de se credibilizar aos olhos dos cidadãos.
Armindo Bento
(economista-aposentado)


NOTA: As frases a negrito são de Bob Dylan, pois tão surpreendente quanto oportuna, a atribuição do Nobel da Literatura a Bob Dylan, «por ter criado uma nova expressão poética no seio da grande tradição americana da canção». Um reconhecimento que vem além do mais em tempos certos, de necessária mudança, de recuperação da dignidade (em tantas, tantas coisas). Antes que fique demasiado escuro.

domingo, outubro 16, 2016

When you have nothing, there is nothing to lose." (Bob Dylan)

When you have nothing, there is nothing to lose."
  (Bob Dylan)


My Dear read your mail, but the time we think we have not always the "go almost always fast," the days seem to have less than 24 hours, who would?
Having a local newspaper, or otherwise "sustain a vehicle of local news" is and will always be a huge challenge, and you have managed to give a sign that you are alive and it is recommended, it is also a sign of more experience, more knowledge, more knowledge, more sharing, more humanity to keep a "place" of active citizenship.
It is often said that we know that is not always what it seems is; but also should not forget that not always what is ... .it is what it seems. And, in fact, being a man like wine, like say Confucius, that time is sour or determine, in this case "as the wine is good, time will determined and improving", "a man is a success if jumps morning bed and go to sleep at night, and in the meantime, do what you love "thus fulfilling his plans for active participation in local life.
I am not, nor could be, as you say "angry", perhaps the right word that can give meaning to my "state" to put me next to that "are blowing in the wind", tired or disillusioned if ever such I spent as a "way of being" or rather always trying to make an effort not to be considered in the category of that as "a feel the rain, others just get wet."
We are led to believe the information as a public good in general people are uninformed or misinformed, not wanting or not knowing what has to be preserved the dissemination of free information, "no one is free, even the birds are bound to heaven" to we live in democracy, to "watch" leads us to the conclusion that "how many ears the man must have until it can hear the cry of the people?" and, next year are held local elections and a democratic vote is one vote well informed, given the current situation what is the advantage of asking them to vote? It is an important thing. It should be decided on the basis of information.
To be informed you need to want to know. And we need someone to work, "people do not do what they believe. They only do what is convenient, then, "repent for that information to be found, contextualized, questioned and commented, hence the great importance that can be performed by the local press.
But the truth is that most Portuguese do not think a newspaper worth the money from your coffee and pastel de nata, say that are the purpose of a cultural heritage of low literacy 'which is slow, will soon be very fast. Like the present, which will later be past. " All this is sad, all this is fado. The provincial fado that takes some of the victims of the neoliberal serve to defend, as their football team they were, that the gap should be wide, that millionaires must be protected from a crisis that must be paid for with cuts in wages and reforms and pensions, a crisis that these same millionaires helped create, with which obtained fabulous profits and pretexts to lower wages, retirement and pensions and worsen living conditions of more than 95% of Portuguese.
If I can opine understand that the current role of "commentators" (TV, radio, national newspapers) is similar to the feudal courtiers, advising you to change something but always in their interest, "whatever you are, you will never be . greater than yourself "your current dominant discourse does not go beyond what is allowed by the" masters "- the oligarchs - or get out of the themes promoted by the central (dis) information internationally. Exemplifying saw the reviews, contradictions, quibbling about applying "sanctions" by the EU would give a case study on the role of the media in the service of right. With the support of his cronies right instituted the lie as a political system, independent journalism and ethically professional was wiped off the Portuguese press, the precariousness and the mercenaries of "experts" / propagandists, such as resistance to this state of affairs still alive " local press "
It is in combat and active participation of citizens against the perception that the state is unable to fight the concentration of wealth in the hands of a few (or actively contributes to this concentration) desligitima the action of public authorities in the eyes of a significant portion of the population . The problem is that this creates a vicious circle, because the less confidence you have in the state, the harder it is to mobilize people for social reforms which should be put forward. That is why, "the best thing you can do for a person is to inspire it, a transformer government can not stop working on two fronts: better distribute resources without ever underestimate the importance of credibility in the eyes of citizens.
Armindo Bento
(Economist retired)

NOTE: The phrases in bold are Bob Dylan, because as surprising as timely, the award of the Nobel Literature Bob Dylan, "for creating a new poetic expression within the great American tradition of the song." A recognition that comes moreover in certain times of change needed, recovery of dignity (in many, many things). Before it gets too dark.

A hipocrisia da classe politica dita neoliberal

 A maior hipocrisia que um político pode revelar, é a de acabar de sair de um governo que destruiu empregos, famílias e reduziu o país à miséria, que cortou salários que roubou feriados, que nos faz estar-mos a pagar dividas dos bancos privados, e, como quem foi ali lavou a cara maquilhou-se de novo e grita porque desta vês os impostos vão ao encontros dos mais poderosos. 
Este esquecimento chama-se hipocrisia. e na minha opinião, esta hipocrisia tem origem numa clara limitação intelectual. a acção dos intervenientes da direita actual baseia-se na premissa de que o grosso da população portuguesa é desprovida de inteligência, fazem raciocínios demagógicos simplistas e contraditórios, carregados de soundbites catchys apostando no tal esquecimento e numa suposta estupidez que acham ser característica do 'povo'. ora, a minha convicção é que este modus operandi é apenas um refugio para se disfarçar um certo atrofiamento cerebral que eles mesmos têm a noção de possuir
 Foi ontem apresentado o Orçamento do Estado para 2017. À direita, as reações foram as esperadas: para Assunção Cristas do CDS, “abriu a caça ao contribuinte”; já a vice-presidente do PSD, Maria Luís Albuquerque, foi mais longe ao afirmar que o OE “reforça a injustiça social”.Em primeiro lugar, sobre o alegado “aumento de impostos”, o levantamento feito pelo Expresso na edição impressa de hoje não deixa margem para dúvidas: o governo apoiado pelas esquerdas tira com uma mão 462 milhões de euros, para dar com a outra 904 milhões – praticamente o dobro.
quadrooe
Também não é difícil perceber que, do lado das medidas que retiram austeridade, o benefício é transversal. Já aquilo que a direita apelida de “austeridade à la esquerda”, como o reforço de alguns impostos sobre património de luxo, álcool, tabaco e açúcar, afecta exclusivamente os que optam por comprar moradias milionárias, ou consumir produtos cujo consumo excessivo onera o Serviço Nacional de Saúde.
Depois temos aquilo que a direita apelida, inexplicavelmente, “reforço da injustiça social”. Será que se referem ao aumento das pensões congeladas? Ao reforço da Segurança Social com o novo imposto sobre o património de luxo? À atualização do Indexante de Apoios Sociais? Ao aumento do Complemento Solidário para Idosos? À nova prestação para as pessoas com deficiência? Ao alargamento da tarifa social da água? Ao reforço do abono de Família para crianças até aos 3 anos? Aos manuais escolares gratuitos para os alunos do 1º Ciclo do Básico? …é um mistério.
Se nada disto faz qualquer sentido é porque não é suposto fazer. Face à ausência de argumentos, a oposição decide, como tem sido seu apanágio, inventar.

segunda-feira, outubro 10, 2016

Ignorar a História é perigoso! 5 de Outubro. Que comemorações?

Ignorar a História é perigoso! 5 de Outubro. Que comemorações?

Por vezes temos a nítida sensação que grande parte dos nossos políticos não conhecem a nossa História, mas tal deveria constituir uma exigência e condição essencial para se ocupar um cargo de soberania num país com História. E por isso, não nos espanta que o governo anterior de Passos Coelho tenha promovida a retirada das comemorações e o feriado de 5 de Outubro . Já Cícero dizia que «A História era a mestre da vida». Distorce-la é grave, ignora-la é perigoso. Distorce-se a História ,  ignora-se a História, quando se retira e se “pretende apagar da memória colectiva”, factos que marcaram o caminho seguido por um povo.  Um velho provérbio africano diz que enquanto os leões não tiverem os seus próprios historiadores, a história das caçadas será sempre feita das gloriosas histórias dos caçadores.
O actual governo decidiu repor as comemorações e as solenidades inerentes ao 5 de Outubro de 2010 para não deixar que a nossa História fosse reescrita, por interesses obscuros que tentaram destruir e apagar da memoria colectiva os factos e acontecimentos que justificam a nossa existência como povo e como Nação.
A revolução republicana, de 5 de Outubro de 1910 é considerada a 1.ª grande revolução portuguesa do século XX, e teve início em Lisboa na madrugada do dia 4 de Outubro de 1910. No entanto, as razões que originaram esta revolução nasceram muito mais cedo, no século XIX. A juntar ao descontentamento da população com a monarquia, estiveram as ideias de liberdade e igualdade proclamadas pela revolução francesa de 1789, trazidas “nas mochilas” dos soldados de Napoleão, que  participaram nas invasões francesas a Portugal, bem como os ideais proclamados pela Revolução Liberal de 1820. “Os sucessivos governos monárquicos não conseguiram melhorar as condições de vida da população, o rei e a família real eram criticados por gastarem o dinheiro do reino, os pobres estavam cada vez mais pobres e, inversamente, os ricos enriqueciam cada vez mais.
Mas, foi também   no dia 5 de Outubro de 1143, com o Tratado de Zamora e na presença do Legado Pontifício, Cardeal Guido de Vico, que D. Afonso VII de Leão reconhece a existência de um novo Estado, PORTUGAL, como REINO INDEPENDENTE. Não podemos esquecer que o dia 5 de Outubro de 1143 é a data emblemática em que ocorreu a Fundação da nossa Nacionalidade, devido ao esforço e mérito de D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal.

 Temos plena consciência que Portugal viveu neste feriado de 5 de Outubro um enorme momento pela eleição do Engº  Antonio Guterres. É também de salientar o bom momento deste País com um presidente da Republica humanista, culto e conciliador e um governo presidido por António Costa apoiado pelo partido comunista e do Bloco de esquerda que têm ultrapassado as naturais divergências e diferenças no sentido de um consenso para dentro do possível melhorar as condições de vida dos cidadãos, onde o presidente conciliador tem tido um papel importante. Há muito que o país não vivia um tão bom momento. Pode ser um inicio de restaurar da esperança para um país melhor E, este dia 5 de Outubro de 2016, com a eleição do Engº António Guterres para secretario geral da ONU (Organização das Nações Unidas), constitui também, um marco histórico que nos devolveu um pouco daquilo que tem andado tão arredado de nós, nestes tempos de tanto cinismo e egoísmo : a crença de que ainda há, portugueses, que através da luta, da sua capacidade e do seu exemplo, conseguem fazer um Mundo melhor, prestigiando Portugal e os portugueses.

quinta-feira, outubro 06, 2016

UM PASSO DE CADA VEZ – IGNORÂNCIA OU INCOMPETÊNCIA

UM PASSO DE CADA VEZ – IGNORÂNCIA OU INCOMPETÊNCIA


"Fanático é quem não pode mudar de ideia e não quer mudar de assunto." Winston Churchill

Entre as “múltiplas malfeitorias” cometidas pelo “desgoverno” de muito má memória de Passos Coelho, que atingiram com maior incidências as crianças, os jovens e os idosos, realçamos aquela que retirou a obrigatoriedade da “educação física” nas escolas.
De facto, Passos Coelho, ficará nos registos históricos dos governantes responsáveis por graves atrasos civilizacionais ao tomar uma decisão, sem qualquer base cientifica que a sustentasse, como todas as outras que tomou, ao retirar do quadro de avaliação curricular dos alunos a disciplina de Educação Física, tudo em nome de uma “redução de custos do sistema educacional” que mais não foi do que o “sucumbir” à pressão de determinados lóbis preconceituosos e ignorantes sobre a importância da educação física no crescimento saudável das crianças e jovens.
Na verdade, a “trupe” de ignorantes que acompanhou e ainda acompanha Passos Coelho, desconhece que estudos de competências prioritárias identificadas nas empresas, para além das competências técnicas, apreendidas em ambiente escolar, reconhece-se a importância fundamental na aprendizagem de competências comportamentais na educação física e na prática do desporto escolar – realçar a elevada importância e valorização que ao desporto é dado no ensino nos Estados Unidos – enquanto no desgoverno de Passos Coelho assistimos à inaceitável desvalorização desta disciplina, a quem havia sido, dado espaço, importância e tempo, posto em prática nos governo anteriores, e que este Governo já enunciou, no mais curto espaço de tempo ter novamente de repor.
Talvez Passos Coelho não saiba que quando um jovem em pleno jogo, tem de decidir um lance num jogo de qualquer disciplina desportiva, desenvolve o seu raciocínio matemático sobre as probabilidades que se apresentam; quando joga em equipa aprende a importância da responsabilidade individual no colectivo; quando se confronta com problemas de integração aprende a superá-los; quando hesita na actividade desportiva, depressa aprende a  decidir em todas as áreas da sua vida. (in jornal A Bola de 29.10.2016 “Crato foi um retrocesso civilizacional”)
Alguém disse um dia que : "a escola precisa de riso, de entusiasmo, de dinamismo, de palmas, de alegria; precisa que se goste dela. O desporto pode contribuir para isso, com dias desportivos, com competições e torneios internos e externos, com pontos altos na vida escolar. Trata-se de, pelo desporto, integrar mais a vida na escola e a escola na vida", o que resulta, por razões cientificas e não por mera intuição ou preconceito, que o desporto escolar é fundamental na integração comunitária dos jovens e no seu desenvolvimento psicomotor
Apesar de tudo, apesar de todas as promessas falhadas, apesar de todos os orçamentos inconstitucionais, apesar do enorme esbulho fiscal, apesar da austeridade perpétua a que nos quis condenar, e apesar de tantas outras malfeitorias, como o saque dos rendimentos, das reformas e pensões, apesar de tudo, Passos Coelho  desprezando de forma impiedosa e desgraçada, e a pretexto da crise, todo o aparelho escolar em Portugal, porque ainda somos um Estado de Direito o actual governo pode e está a reverter todas essas politicas que o mesmo, eivado dum neoliberalismo fanático quis  aplicar aos portugueses e o nosso País.
(Winston Churchill "A democracia é a pior de todas as formas de governo, exceptuando-se as demais

quarta-feira, agosto 31, 2016

Modernices...chefes vs cozinheiras

CHEFES vs COZINHEIRAS

Um texto de Ruy Vieira Nery sobre as cozinheiras à antiga e os chefes da moda:

"Antigamente as cozinheiras dos bons restaurantes portugueses eram umas Senhoras rechonchudas e coradas, em geral já de idade respeitável, com nomes bem portugueses ainda a cheirar a aldeia – a D. Adozinda, a D. Felismina, a D. Gertrudes – e por vezes com uma sombra de buço que parecia fazer parte dos atributos da senioridade na profissão. Tinham começado por baixo e aprendido o ofício lentamente, espreitando por cima do ombro dos mais velhos. E tinham apurado a mão ao longo dos anos, para saberem gerir cada vez com mais mestria a arte do tempero, a ciência dos tempos de cozedura, os mistérios da regulação do lume. A escolha dos ingredientes baseava-se numa sabedoria antiga, de experiência feita, que determinava o que “pertencia” a cada prato, o que “ia” com quê, os sabores que “ligavam” ou não entre si. Traziam para a mesa verdadeiras obras de arte de culinária portuguesa, com um brio que disfarçavam com a falsa modéstia dos diminutivos – “Ora aqui está o cabritinho”, “Vamos lá ver se gosta do bacalhauzinho”, “Olhe que o agriãozinho é do meu quintal”. Ficavam depois a olhar discretamente para para nós, para nos verem na cara os sinais do prazer de cada petisco, mesmo quando à partida já tinham a certeza do triunfo, porque cada novo cliente satisfeito era como uma medalha de honra adicional. E a melhor recompensa das boas Senhoras era o apetite com que nos viam: “Mais um filetezinho?” “Mais uma batatinha assada?”.

Hoje em dia, ao que parece, nestes tempos de terminologias filtradas, já não há cozinheiros, há “chefes”, e a respectiva média etária ronda a dos demais jovens empresários de sucesso com que os vemos cruzarem-se indistintamente nas páginas da “Caras” e da “Olá”. Os nomes próprios seguem um abcedário previsivel – Afonso, Bernardo, Caetano, Diogo, Estêvao, Frederico, Gonçalo, … – e os apelidos parecem um anuário do Conselho de Nobreza, com uma profusão ostensiva de arcaismos ortográficos que funcionam como outros tantos marcadores de distinção – Vasconcellos, Athaydes, Souzas, Telles, Athouguias, Sylvas… Quase nunca os vemos, claro, porque os deuses só raramente descem do Olimpo, mas somos recebidos por um exército de divindades menores cuja principal função é darem-nos a entender o enorme privilégio que é podermos aceder a semelhante espaço tão acima do nosso habitat social natural. A explicação da lista é, por isso, um longo recitativo barroco, debitado em registo enjoado, em que, mais do que dar-nos uma ideia aproximada das escolhas possíveis, se pretende esmagar-nos com a consciência da nossa pressuposta inadequação à cerimónia em curso.

A regra de ouro é, claro, o inusitado das propostas culinárias em jogo e, preferivelmente, a sua absoluta ininteligibilidade para o cidadão comum. Mandam, pois, o bom senso e o próprio instinto de auto-defesa que se delegue na casa a escolha do menu, sabendo-se, no entanto, que não vale a pena sonhar com que pelo meio nos apareça um pobre cabrito assado no forno, um humilde sável com açorda, ou uma honesta posta de bacalhau preparada segundo qulquer das “Cem Maneiras” santificadas das nossas Avós. Seja o que Deus quiser! E começam então a chegar a “profiterolle de anchova em cama de gomos de tangerina caramelizados, com espuma de champagne”,  o “ceviche de vieira com molho quente de chocolate branco e raspa de trufa”, a “ratatouille de pepino e framboesa polvilhada com canela e manjericão”, e por aí fora, em geral com largos minutos de intervalo entre cada prato e o seguinte, para nos dar tempo de meditar sobre a experiência numa espécie de retiro espiritual momentâneo…

E é de experiência que se pode aqui falar no sentido mais fugaz do termo. Deliciosa ou intragável, a oferta tende a ser, por princípio, “one time only”, porque quando o empregado anuncia, na sua meia voz enfadada, o “camarão salteado em calda de frutos silvestres e açafrão”, o uso do singular não é metafórico – é mesmo um exemplar único da espécie que se nos apresenta em toda a sua glória, ainda que possa reinar isolado no meio de um prato em que em tempos caberia um costeletão de novilho com os respectivos acompanhamentos. Se se detestar, há pelo menos a consolação de que não haverá qualquer hipótese de reincidência do crime; se se adorar – o que há que reconhecer que muitas vezes acontece – ficará apenas a memória fugidia do prazer inesperado. A função do “chefe” é proporcionar-nos no palato esta sucessão de sensações momentâneas  irrepetíveis, todas elas em doses cuidadosamente homeopáticas, um pouco como as configurações sempre novas de um caleidoscópio – ou, se se preferir uma imagem mais forte, como a versão gastronómica de uma poderosa substância alucinogénea, daquelas que faziam as delícias da geração hippie dos anos 60 quando lhe davam a ver, ora elefantes cor-de-rosa, ora hipopótamos azul-celeste. Wow!

Que saudades das Donas Adozindas, das Donas Felisminas, das Donas Gertrudes, mais camponesas ainda do que citadinas, com a sua sabedoria, as suas receitas de família, a sua simplicidade, a sua fartura, o seu gosto de servir bem, o seu sentido de tradição e de comunidade!"

domingo, agosto 28, 2016

O jornalismo tem razões para se arrepender todos os dias

 OPINIÃO

O jornalismo tem razões para se arrepender todos os dias
JOSÉ VÍTOR MALHEIROS 23/08/2016 - 07:45
  
Imaginem que o jornal online Observador, em vez de ser um órgão de propaganda da direita neoliberal, criado e financiado por empresários conservadores empenhados em impor na esfera política e em defender no espaço público uma agenda de privatização de serviços públicos, desregulação económica, liberalização do mercado de trabalho, destruição de direitos sociais e demonização do Estado, fosse um projecto criado e financiado por pessoas ligadas à esquerda, empenhadas em difundir um ideário de combate às desigualdades e à injustiça social e em noticiar a actualidade a partir de um ponto de vista socialmente empenhado e intelectualmente independente dos poderes vigentes.

É evidente que, nessas circunstâncias, não veríamos um elemento do Observador a ocupar um lugar cativo nos painéis de comentadores da RTP e, se por acaso esse jornal fosse alguma vez citado por outros órgãos de comunicação social, seria identificado como “o jornal de esquerda Observador” ou “o jornal Observador, ligado aos meios da esquerda radical” e os jornalistas que assim o identificassem considerariam estar a fazer uma descrição não só objectiva mas necessária da fonte em causa.

Porque é que isso não acontece, simetricamente, e pelas mesmas razões, com o actual jornal Observador e porque é que este não é sempre apresentado como “o jornal de direita Observador” ou “o jornal Observador, ligado aos meios da direita radical”?

Isso acontece devido à hegemonia do pensamento conservador que considera “normal” que se seja de direita, e portanto não digno de ser sublinhado ou sequer referido, e “anormal” que se seja progressista, e portanto exigindo referência que sublinhe esse “desvio”. Para este pensamento hegemónico, ser de direita não é ser nada porque essa é a posição “natural”, enquanto ser de esquerda é ser algo “não natural”. Era precisamente pela mesma razão que, durante o Estado Novo, os apoiantes de Salazar “não faziam política”, por muito radicais que fossem nesse apoio em todas as facetas da sua vida, e os oposicionistas eram considerados “políticos”.

É evidente que os jornalistas, de direita ou de esquerda, sabem que é tão marcadamente ideológico ser de direita como de esquerda, mas por que razão sublinham então uma coisa e passam a outra em branco? Em certos casos, por mimetismo irracional. Muitos querem apenas to blend in e seguem a onda, imitam os colegas, as revistas, os famosos, os gurus que aparecem nos media – e estes são esmagadoramente de direita mesmo quando “não falam de política”. Noutros casos, por mimetismo premeditado. Querem apenas passar despercebidos e não pôr em risco o seu posto de trabalho. Noutros casos por cálculo. Querem fazer carreira, seja onde for, e aprenderam na escola de antijornalismo por onde andaram que a adulação funciona e que não se pisam os calos dos poderosos. Noutros caso por medo. A direita conservadora está no poder e tem o dinheiro, a força e muito da lei do seu lado. Noutros casos, devido ao ritmo industrial de produção imposto na maior parte das redacções, que obriga a aproveitar a informação primária tal como chega de algum centro de poder e a republicá-la sem tempo para a editar, reconstruir, verificar seja o que for ou sequer pensar. Noutros casos por pura distracção, porque o vento reaccionário é tão constante que se torna hipnótico. Noutros casos ainda, uma minoria, por consciente adesão a um modelo ideológico que se pretende reproduzir.

Estas circunstâncias têm todas algo em comum. São todas contrárias à deontologia que rege o jornalismo, que obriga a uma total independência dos poderes e à adopção de uma atitude de equidade e saudável cepticismo em relação à informação recebida das fontes, oficiais ou não.

Seja qual for a razão em cada caso particular, é por isso que continuamos a ver os noticiários cheios de citações nunca contraditadas de Pedro Passos Coelho, diga este as inanidades que disser no seu escasso léxico e por frágil que seja a sua situação política no interior do partido, e é por isso que qualquer pergunta a um político de esquerda está sempre dedicada a tentar encontrar brechas no entendimento parlamentar à esquerda, mesmo quando elas têm de ser inventadas por uma edição imaginativa. Porquê? Porque é preciso sublinhar, em cada momento, a contranaturalidade de um governo apoiado pela esquerda. Pensamento hegemónico da direita dixit. É também por isso que os pivots fazem uma careta quando dizem o nome de um dirigente do PCP mas não quando dizem o nome de um dirigente do PSD, numa demonstração de sectarismo que pode ser inconsciente, mas não é por isso menos sectária. É por isso que, numa entrevista de Catarina Martins publicada neste jornal, tem de ser colocada em título uma frase que dá a ideia contrária ao pensamento expresso pela entrevistada (dando a impressão de que, se fosse hoje, o BE não assinaria o acordo com o PS) mas que é conforme ao ar do tempo, sempre hegemónico, da direita.

quinta-feira, agosto 18, 2016

A AMNÉSIA, O ÓDIO, A INTOLERÂNCIA, A FALTA DE VERGONHA

A AMNÉSIA, O ÓDIO, A INTOLERÂNCIA, A FALTA DE VERGONHA

Há por aí quem afirme que a não utilização das redes sociais, em especial o facebook, twitter e outras mais, será o mesmo que não ler jornais ou ver televisão, no conceito de estar “fora” do Mundo em que vivemos. A justificação é que estar presente nas redes sociais é essencial para compreender o mundo das pessoas, a utilização dos produtos ou serviços das empresas etc. Assim sendo, ao apresentar uma postura passiva ou até mesmo o não ter conta, não será uma boa ideia.
Não temos duvidas que o facebook é uma das redes sociais mais utilizadas a nível global, e por isso há quem defenda que as redes sociais, vieram tornar a vida e a vivência dos cidadãos mais transparente, nomeadamente no exercício de troca de opiniões, de ideias e pensamentos, permitindo dizer o que se pensa e “atingir” um púbico alargado, isto é ter acesso a uma “plateia” que de outro modo nunca seria possível atingir.
Na verdade não sei se será bem assim ou que tenhamos ganho alguma coisa com isso, basta ter em atenção, coisas que são incessantemente repetidas, sem que, muitas vezes, consigamos realmente perceber qual o seu significado ou o que se pretende, naquela azáfama de ter opinião sobre tudo, falar sobre tudo, conhecer tudo, fazendo do que poderia ser uma campo aberto e transparente do exercício de cidadania, num verdadeiro campo de batalha verbal, expresso na forma escrita  e como prova disso é que, cada vez mais, há demasiados comentários nas redes sociais carregados de ódio, intolerância, insultos e extrema violência verbal.
Nesta era dos “sabem tudo”, relembro sempre uma frase atribuída ao filósofo  Sócrates “Só sei que nada sei, e o facto de saber isso, coloca-me em vantagem, sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa.”
Como sabemos (não é desculpabilização por essas atitudes e comportamentos) é mais fácil para o ser humano ter comportamentos mais impulsivos quando não se encontra na presença do outro, isto porque, dependendo de caso para caso, uma vez que não vai encarar a reacção e expressão do outro, sente-se mais livre, à vontade e “protegido” para dizer o que quer e lhe apetece, muitas vezes de uma forma menos apropriada e aqui as redes sociais são apropriadas a essas atitudes e comportamentos.
Chegados aqui chegou o momento de dizer ponto final! Quero ainda acrescer que cada vez mais temos de  ter presente que a vida na nossa sociedade não é apenas o império da liberdade individual ou das suas caricaturas. Há também a moral, a ética, o direito, a lei.”
Nestes tempos em que quase toda a imprensa, escrita, falada e televisiva, sofre de uma crise de amnésia aguda, para assim estar “á altura de alguma classe politica” o que já seria bastante grave, temos no entanto muitas duvidas que não seja uma falta de vergonha grave, o que seria agudo! Demagogia, mentiras, desinformação e terrorismo mediático parecem sobejar-lhes a toda a hora e momento, num grau de impunidade nunca antes atingido.

É por isso, que para uma completa e “saudável limpeza”, nada melhor que fechar este capítulo. E, assim faremos!

domingo, abril 10, 2016

São ladrões, mas não são presos, é tudo legal

São ladrões, mas não são presos, é tudo legal
Por Dieter Dillinger*  21 Março 2016
 
O Estado Português está a ser ROUBADO em mais de 500 milhões de euros pela Holanda que aceita as falsas sedes das grandes empresas portuguesas do PSI 20.
Segundo o jornal Negócios, no final de 2015 foram distribuídos dividendos das empresas cotadas na bolsa - apenas 18 - no valor de 2,23 mil milhões de euros, dos quais dez grupos empresariais nacionais e estrangeiros levaram mais de metade. Cerca de 2/3 desse montante não pagou a taxa liberatória portuguesa de 28%, mas apenas... a holandesa de 5%.

A família que mais recebeu foi a dona da Sociedade Francisco Manuel dos Santos que detém 56,1% do grupo Jerónimo Martins com sede na Holanda que terá recebido 461,7 milhões de euros, roubando ao Fisco 129,27 milhões de euros. E o velho Soares dos Santos ainda tem a lata de vir para a televisão e jornais dar lições aos governos.
 
A EDP vai distribuir aos acionistas chineses, americanos e espanhóis 670 milhões de euros. Só a "China Three Gorges" vai receber 144 milhões e a Guoxin chinesa 20,4 milhões de euros sem pagar impostos. Consta que a EDP está a pagar aos patrões dividendos superiores ao lucro real, reduzindo as suas reservas e contraindo empréstimos para tal.  É o ASSALTO a Portugal.
 
O obeso Queiroz Pereira recebeu 208 milhões pela posição de 64,84% na Semapa através da empresa holandesa que controla. Não sei para que quer ele esse dinheiro pois está com uma papada de doença da tiroide e tudo indica que não vai viver muitos anos e para o seu luxuoso jazigo não levará nada.
 
A falsa empresa holandesa Efanor do Belmiro de Azevedo e filho vai receber 50 milhões sem pagar um cêntimo à Pátria dos portugueses que não é a dos donos da Sonae/Continente. Para esses FdP, Pátria, Deus e Família é o DINHEIRO.
 
O Amorim recebeu na Holanda mais de 120 milhões de euros, resultantes da posição de 55% que tem na Amorim Energia que é dona de 33,84% da Galp e da sua posição maioritária na Corticeira Amorim.
 
Por causa de um ordenado mínimo de 535 euros, estes FdP andam a clamar que não podem pagar, mas distribuem-se a si mais de 2 mil milhões de euros.
 
Para completar a obra destes FdP, o défice de 2015 vai ficar em 4,3% do PIB devido à perda de 1,4% do PIB com a falência do Banco BANIF.
 
Curiosamente, a taxa liberatória holandesa é de quase 50% para os dividendos resultantes de atividades na Holanda e de 5% para os das falsas sedes estrangeiras.
 
A taxa portuguesa é das mais baixas da Europa e não é proporcional. Assim, um taxista que apurou um lucro anual de 5 mil euros paga 28%, ou seja, 1.400 euros, enquanto um milionário que recebe 100 milhões de euros em dividendos paga os mesmos 28% de taxa em sede de IRS sem acumular com outros rendimentos como ordenados de administradores, rendas de casas alugadas, etc.
 
Quando é que a procuradora geral da República Joana Marques Vidal manda investigar os magnatas que possuem falsas sedes na Holanda.
 
Tudo o que é falso é crime, seja uma fatura, a cópia de uma marca ou uma sede no estrangeiro onde ninguém está a administrar seja o que for.


* Dieter Dillinger é o pseudónimo dum jornalista independente alemão, editor, autor de novelas criminais e investigador privado. 



terça-feira, março 15, 2016

Quando deixamos de acreditar nas ideias


Vale a pena lutar pelo que acreditamos com toda a nossa alma. Vale a pena fazermos sempre o melhor que somos capazes. Vale a pena nunca esquecer quem esteve connosco no nosso percurso. Vale a pena ser justo, elogiando os nossos inimigos e criticando os nossos amigos, sempre que isso se revelar necessário, em defesa da verdade. 

Quando deixamos de acreditar nas ideias e no seu poder para mudar o mundo, desacreditamos em nós próprios. Passamos a ser parte de um número, mera estatística em que o nosso pequeno infortúnio tem maior relevância que uma crise humanitária. Nessa altura, estamos a matar o pai, porque a nossa vida nos parece incomparavelmente mais importante que o mundo que nos rodeia.

terça-feira, fevereiro 23, 2016

Que credibilidade tem passos coelho?


Para quem tenha a comida ao lume ou pouco paciência: zero. A credibilidade de Passos em matéria orçamental é zero. Ontem, Augusto Santo Silva questionou "a autoridade daqueles que falharam a consolidação orçamental". E com razão.

Pode parece impossível, para quem não tenha observado ainda o descaramento de Passos, mas quem tanta bravata faz em torno da consolidação orçamental é quem não conseguiu, em nenhum ano, atingir os seus objetivos em matéria orçamental. Ora, vejam:
2016.02.21 Défice, previsto e conseguido por Pass
Percebo que os mais avisados identifiquem e questionem a utilização de valores que incluem medidas extraordinárias. E é o procedimento mais correto para comparar com os valores que Passos e algumas figuras do PSD gostam de referir para o défice de 2010. Mas não se julgue que o exercício que aqui se faz fica diminuído se retirarmos medidas temporárias. Ora vejam:
2016.02.21 Défice, previsto e conseguido por Pass
Os mais atentos notarão um ano em que o Governo de Passos alcança os objetivos, e até ultrapassa, em termos de redução do défice. Nada mais falso. O ano de 2014 está suficientemente documentado como o ano em que a execução orçamental de Passos Coelho foi subvertida pelo Tribunal Constitucional. O Tribunal Constitucional anulou mais de 1000 milhões de austeridade e Passos reagiu em conformidade: pediu uma clarificação técnica, mostrou-se profundamente preocupado com o chumbo, alertou para o impacto orçamental da decisão, cancelou uma viagem ao Brasil dada a complexidade da situação criada pelo TC e até, pasme-se!, questionou a capacidade dos juízes. Não se acredita, portanto, que Passos venha reclamar méritos de uma execução orçamental tão perturbada pelo TC.

Assim, quando vir Passos falar da credibilidade das metas orçamentais, a pergunta que de facto se impõe é: que autoridade tem Passos para falar de objetivos orçamentais?