segunda-feira, setembro 04, 2017

O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS (XXI Parte - continuação)

O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS 
(XXI Parte  - continuação)

  “Os cidadãos começam a perceber que informação é poder

UM MEMORANDO PROSPECTIVO SOBRE O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS

ALGUMAS NOTAS DISPERSAS

 “À responsabilidade civil, por actos ou omissões dos gestores no exercício do mandato, são aplicáveis as disposições e princípios do direito civil”

Neste sentido foi meu entendimento, dado o carácter da análise, segundo o meu ponto de vista da actual situação desse serviço público, como complementar, quase em exclusivo dos passageiros que utilizam os serviços do Metropolitano de Lisboa (ligações no Cais Sodré e muito pouco no Terreiro do Paço) completar esse meu trabalho, numa perspectiva de reestruturação e sustentabilidade do serviço público fluvial de transporte de passageiros, na convicção de que se torna efectivamente necessário tomar as medidas que permitam a sustentabilidade financeira, económica, social e ambiental deste serviço publico de passageiros entre as duas margens do Tejo, quer considerando como um serviço estratégico de transporte de passageiros, único que pode dar resposta entre as duas margens do Tejo, em casos de catástrofe naturais ou outros impedimentos ou considerando apenas como um serviço complementar das linhas do Metro.

 Estatuto do Gestor Público (EGP) nacional, constante do Decreto-Lei nº 71/2007, de 27 de Março, alterado e republicado pelo Decreto-Lei nº 8/2012, de 18 de Janeiro

EXERCÍCIO DA GESTÃO - No que toca ao exercício da gestão, o mesmo caracteriza-se pelos poderes de orientação e fiscalização por parte do sócio ente público (directa ou indirectamente), os quais, para além de se traduzirem nos poderes gerais de emitir directrizes e orientações estratégicas, traduzem-se também no poder de fiscalização e avaliação de desempenho da gestão. Os contractos de gestão são para além dos deveres gerais previstos na lei, uma fonte de parâmetros de avaliação da gestão e do cumprimento de objectivos, com reflexo na cessação fundamentada do mandato (no caso de violação dos deveres) ou de remuneração variável, quando era aplicável (no caso de superação de objectivos). Uma última referência, não despicienda, ao exercício de funções administrativas, mesmo por entidades empresariais, que deverão respeitar os princípios gerais do direito administrativo, conforme preceitua o art.º 9º do EGP 6 .

“Os resultados provêm do aproveitamento das oportunidades e não da solução dos problemas.” (Peter Drucker)

  Temos defendido sempre a mesma posição porque se trata de um verdadeiro “case study”, não podíamos de deixar e exemplificar com este caso concreto tudo o que “descrevemos anteriormente”, ou seja de ser importante “saber ou ter a noção” de como uma empresa do sector empresarial do estado – serviço público de transporte de passageiros – passou de 2001 para 2016 de uma das maiores do Mundo, e a maior da Europa (em 2001 era considerada a segunda maior operadora fluvial de transporte de passageiros do Mundo) e de resultados positivos, capitais próprios positivos, sem endividamento, e com mais de 50 milhões de passageiros, para em 2016 se constatar a sua completa falência e inviabilidade, de resultados negativos e prejuízos consecutivos, destruição completa de todo o seu património – mais de 220 milhões de euros de endividamento e transportando pouco mais de 15 milhões de passageiros, trata-se sem dúvida de uma clara violação de todos os princípios de uma boa gestão de dinheiros públicos, sem que até hoje tenha sido apurada as responsabilidades e determinadas as causas ou motivos que conduziram à actual situação de completa inviabilidade desta actividade estratégica no transporte de passageiros no Rio Tejo.
Por isso não podemos, nem nunca concordámos que, pelo facto de uma empresa ser do sector empresarial do estado (empresa de capitais públicos) seja "sinónimo" de "mal gerida" e vulgarmente aceite, com “normalidade”, que exercício após exercício seja" considerado normal” e como algo inevitável a acumulação de resultados negativos ( prejuízos) e do progressivo endividamento insustentável das mesmas?

O grave problema nas empresas de serviço publico de  transporte de passageiros assenta fundamentalmente na ausência de uma estratégia de política laboral, que conduza a alterações estruturantes na organização laboral ( horários de trabalho, tempo de trabalho, sistema remuneratório, polivalência funcional), mas tal só será possível com equipas de gestão capazes, conhecedoras de instrumentos técnicos de gestão e organização, sendo que o sucesso na gestão das empresas públicas de transporte, passa
 pelo necessário redimensionamento da sua força laboral , na reestruturação empresarial , na sequência de adaptações a experiências inovadoras de reorganização do trabalho, na exemplaridade de procura alternativa criativa, capaz de associar o interesse económico das organizações à responsabilidade social e não no método de “despedimento indemnizatório que tem vindo a ser seguido, com graves prejuízos para o erário público e que não tem solucionado o problema da improdutividade das empresas. (em contrapartida com ganhos substanciais para os avençados prestadores de serviços)

EVOLUÇÃO Nº DE PASSAGEIROS
LIGAÇÕES FLUVIAIS
1997
1998
1999
2000
2001
2008
2009








MONTIJO
1.871.699
1.725.555
1.521.220
1.427.717
1.612.017
1.749.749
1.719.010
SEIXAL
2.674.683
3.052.386
2.647.768
2.063.275
2.341.291
1.817.587
1.800.303
CACILHAS (T.PAÇO) (1)
21.092.581
20.355.318
17.284.514
7.461.798
0
0
0
CACILHAS-RIB.NAUS (2)
0
0
0
709.974
8.600.262
0
0
CACILHAS (C.Sodré)
10.578.982
11.667.696
12.550.502
19.384.089
12.552.047
13.340.083
13.239.483
TRAFARIA (3)
1.372.615
1.399.625
1.222.084
1.107.479
846.722
864.099
831.539
Parque das Nações (4)
0
0
0
0
148.268
0
0
PORTO BRANDÃO
457.478
442.979
358.517
342.535
279.456
0
0
TOTAL
38.048.038
38.643.559
35.584.605
32.496.867
26.380.063
17.771.518
17.590.335
BARREIRO
11.672.430
11.436.640
11.099.760
10.454.456
11.099.760
10.674.469
10.753.976






TOTAL
49.720.468
50.080.199
46.684.365
42.951.323
37.479.823
28.445.987
28.344.311
1) acidente metro T.Paço, obrigou a encerrar esta linha
2) alternativa ao encerramento T.Paço
3) Passou a juntar apartir de 2008 Porto Brandão
4) Ligava Parque das Naçoes ao Barreiro e Seixal


“Não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo.” (Paul Pilzer)








Tribunal de Contas. Auditoria ao Grupo. TranstejoTranstejo, SA e Soflusa, SA. Relatório n.º 49/2010 

Tribunal de Contas Relatório incide sobre a execução orçamental – receitas e despesas – da Administração Central no ano de 2014


Auditoria de seguimento às recomendações formuladas em relatórios de auditoria a empresas do sector dos transportes públicos:


www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2010/2s/audit-dgtc-rel007-2010-2s.pdf



www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2004/rel001-2004-2s.pdf

www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2006/dgtc/audit-dgtc-rel049-2006-2s.pdf


http://www.dgsi.pt/pgrp.nsf/7fc0bd52c6f5cd5a802568c0003fb410/78cb8e6fd1bf8c7e80257c86005923f6?OpenDocument
  

DOCUMENTOS OFICIAIS DO GRUPO TRANSTEJO

Situação em 4 de Setembro de 2017 ( Os relatório e Contas de 2014, 2015 e 2016 aguardam aprovação)








Relatório de Gestão e Contas Consolidadas de 2007

Relatório de Gestão e Contas Consolidadas de 2008


sexta-feira, setembro 01, 2017

CAVACO – O SENHOR PROFESSOR ESTÁ RESSABIADO

CAVACO – O SENHOR PROFESSOR ESTÁ RESSABIADO?

Trata-se de mais um historieta fictícia e enganosa – isto é tudo uma grande treta, embora não discordo daqueles que dizem que é antes uma grande tanga! No fundo vai ter tudo ao mesmo sítio – o homem saiu pela porta pequena, com o mais baixo índice de aprovação dos portugueses 12,5%, ressabiado com a dita “falta de gratidão dos portugueses”, para quem ele foi o principal mentor do senhor passos coelho e das politicas do “seu governo” que, no geral se fundamentaram na retirada de direitos, nos cortes das remunerações do trabalho, das reformas e pensões, nos aumentos do IVA nos bens essenciais, do aumento brutal do IRS para a classe média, reformados e pensionistas, juntando ainda a “famigerada” taxa extraordinária, da “expulsão” de milhares de jovens de Portugal, da venda ao desbarato de empresas lucrativas do estado, dos casos BES, BPN etc,. E só não foi mais, porque o Tribunal Constitucional, na defesa dos interesses públicos dos portugueses e de Portugal não o permitiu. Em suma o senhor professor cavaco, pela falta de sentido de Estado que a sua intervenção revelou, não passa de um político ressabiado que nunca soube governar apenas soube destruir com o seu “grupinho de saqueadores”. (os portugueses ainda não foram devidamente esclarecidos dos prejuízos graves ocasionados pela sua intervenção e do senhor passos coelho, em vésperas da “falência do BES”, isto é, naquele espaço temporal quem comprou e quem vendeu os produtos financeiros do BES?)

Por outro lado, o senhor professor cavaco parece-nos estar muito mal preparado – ou então terá aderido ao sistema dos factos alternativos – ao contrário do que afirmou  de que “Portugal tinha uma das maiores cargas fiscais entre os países do sul e do leste europeu”, tal não corresponde à verdade pois não só “entre 2015 e 2016, Portugal foi o segundo país da OCDE com uma maior redução dos impostos sobre o trabalho para famílias com dependentes”, mas também com esta descida, Portugal fica de fora dos valores vermelhos registados na Europa do Sul, onde as famílias com dependentes têm uma carga fiscal (impostos sobre o trabalho e Segurança Social) entre 38% e 40%. São os casos da Grécia, Itália e França, mas também da Bélgica, Finlândia e Suécia.  Certamente para “o seu ressabiamento notório”, o sucesso alcançado, contra a sua vontade, pelo actual modelo de governo, Portugal saiu-se bem quando se olha para o global dos impostos praticados no País. Entre 2015 e 2016, a carga fiscal aumentou em 20 países e caiu em 14; ficou inalterada em apenas um. Portugal foi o terceiro país que mais cortou nos impostos.
Tendo chegado a esta provecta idade e exibindo uma vasta experiência política e académica, seria expectável que este senador da República Portuguesa fosse capaz de produzir intervenções de fundo, sobre os tempos que vivemos, fugindo à espuma dos tempos e aos assuntos corriqueiros e superficiais da politiquice. E, no entanto, nada há de espantoso no comportamento desta aventesma: hoje, como sempre, mesquinho, pequenino, incapaz de ver um palmo à frente dos olhos ou de dar ao País e à sociedade portuguesa mais do que exemplos de um pensamento miserabilista, fomentando o ódio e a separação dos portugueses, numa demonstração de desconforto com a política de devolver rendimentos, reformas e pensões,  e repor às pessoas mais qualidade de vida, bem-estar, e coesão social politicas seguidas pelo actual governo, na confirmação do político, de registo mesquinho,  que fingiu durante anos, não ser político, deu mais uma lição de vacuidade, o que, afinal, até faz sentido face às posições assumidas pelo actual PSD.
Por outro lado terá parecido estranho, certamente a muitos cidadãos que senhor professor cavaco tenha “atacado a imprensa”, quando a imprensa, e os comentadores são praticamente todos de direita, e a orientação das televisões e dos jornais é empolar as falhas e limitações do actual governo e, ao mesmo tempo, minimizar ou ocultar mesmo,  os seus sucessos, e por isso o senhor professor cavaco devia colocá-los no altar em vez de os denegrir. Mas, o senhor professor cavaco tem sempre uma algo escondido, e a razão para esta atitude até nos parece bem simples, pois a direita já iniciou o processo de destituição do senhor passos coelho, porque não quer apostar de novo num cavalo perdedor. Desde o Expresso/SIC, passando pelo Observador, e pelo CM, todos estão a trabalhar com denodo para acelerar a queda do senhor passos coelho a curto prazo. E é por isso que o senhor professor cavaco zurze nos comentadores e nos jornalistas. Estão a atacar o seu prosélito, dilecto e obediente seguidor, e por isso foi uma “aula” de perfídia e de insensatez. Nada que os “jotinhas” não admirem, mas que não mereceu mais do que sorrisos amarelos e aplausos tíbios com risinhos e sussurros à mistura.
Era bom que Cavaco se convencesse de uma vez por todas que se deve apenas dedicar a escrever as suas memórias. Mas que as guarde para si e para os seus descendentes e não as publique nem as partilhe com a Nação. Porque as memórias de Cavaco são tristes memórias que Portugal se esforça por esquecer, um pecadilho e uma falha dos portugueses que elegeram mais que uma vez para os governar  um personagem de tão limitadas qualidades e de tão mesquinho e provinciano ideário.

Armindo Bento ( economista aposentado)


quinta-feira, agosto 31, 2017

O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS (XX Parte - continuação)

O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS 
(XX Parte  - continuação)

  “Os cidadãos começam a perceber que informação é poder


UM MEMORANDO PROSPECTIVO SOBRE O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS




O QUE É ISSO DE “CORPORATE GOVERNANCE”?

Livro Branco sobre Governance: Pode afirmar-se que este é o texto base e incontornável na União Europeia acerca do corporate governance e do seu papel no combate à fraude. Em Portugal, tem se iniciado à parte de alguns anos a discussão sobre este tema na governação da coisa pública, onde os meios para gerir provêm dos impostos e contribuições dos cidadãos e onde se tem vindo a exigir mais da sua boa gestão.
O conceito de governance no seio desta discussão assenta sobretudo em dois pilares, a responsabilidade e a transparência. Por um lado a responsabilidade da tomada de decisão na gestão dos meios públicos e por outro a transparência das decisões tomadas com base em critérios previamente definidos e rigorosos assumem-se como fundamentais e exigíveis pela sociedade.

De acordo com um “pretenso” “Estudo internacional de Mobilidade em Portugal”, referido na revista do ACP nº 757 (Outubro 2016), e divulgado em Portugal pela PRP- Prevenção Rodoviária Portuguesa, apenas 9% dos inquiridos usam os transportes públicos como principal meio de transporte, 17% afirma andar a pé e 70,4% usa o carro como principal  meio de transporte ([1]) – pode-se contestar ou não a credibilidade deste estudo, mas parece-me que o mesmo será de grande preocupação para o Governo e tutela, de um sector com graves problemas estruturais, acumulação de endividamento insustentável, nada mais difícil do que continuar a assistir a esta situação em que os cidadãos das regiões do interior e centro, suportam os custos da ineficiência e dos benefícios dos cidadãos de Lisboa e Porto! Se o resto do País não tem, porque é que há-de sustentar lisboetas e portuenses?;
Os dados a que o DN teve acesso mostram que em 2014 entravam em Lisboa 355 mil carros por dia, número que aumentou para 366 mil em 2015 e para 370 mil este ano (estimativa para o primeiro semestre do ano). Em 2010, ou seja, antes da chegada da troika, as deslocações de carro eram 367 500 mil por dia. "Temos inscritos em Lisboa 160 mil veículos e entram todos os dias cerca de 360 mil, o que significa que por cada três carros a circular, dois vêm de fora. É insustentável", admite o vereador do planeamento Manuel Salgado


E, ainda
De acordo com noticias na imprensa acabou de ser revogado um despacho do anterior Governo (PSD/CDS), por haver dúvidas sobre a “boa aplicação dos dinheiros públicos” num pagamento a mais de quase 19 milhões de euros, em 2012 e 2013, a duas empresas: €9,9 milhões à Rodoviária de Lisboa (RL), do grupo Barraqueiro, liderado por Humberto Pedrosa (que entretanto se tornou um dos proprietários da TAP, num processo liderado pelo então secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, um dos autores do despacho agora visado pela IGF); e €8,8 milhões à Transportes Sul do Tejo (TST). Aqueles montantes referem-se às compensações financeiras a operadores de transporte colectivo de passageiros da Área Metropolitana de Lisboa (AML), pela sua adesão ao passe social”. Segundo julgamos saber o cálculo dos montantes tem sido feito a partir de uma chave de repartição elaborada com base num inquérito à mobilidade de 2007. O tempo foi revelando que tal grelha estava distorcida face à realidade (com prejuízo de umas empresas e benefício de outras). Não deixa de ser algo caricato, que em resposta à reposição da legalidade foi publicitado pela imprensa há alguns dias atrás que “o dono da Barraqueiro, Humberto Pedrosa, ameaça abandonar já no final deste mês o sistema de passes sociais nos transportes, deixando de praticar este tarifário com desconto na Rodoviária de Lisboa. O empresário exige uma solução urgente ao Governo e à Área Metropolitana de Lisboa (AML) e, caso não obtenha resposta, admite processar o Estado pelos 18 milhões de euros que alega serem devidos à empresa para a compensar pela diferença entre a receita da venda destes passes e os custos de transportar os passageiros nos últimos três anos “([2])
Será que  Estado ( o Governo) não deveria impor às empresas públicas as melhores práticas de governação societária, devendo ser o primeiro a dar o exemplo e contemplar as melhores práticas de informação por parte dessas empresas , á semelhança do que acontece para as empresas cotadas em bolsa as empresas publicas, deveriam comunicar os factos mais significativos ocorridos na vida das empresas, transparência da informação, rigor no controlo dos custos, e responsabilização pelos actos praticados pelos gestores públicos? Ou será que “a impunidade reinante no sector” omite tais obrigações? Ou por outro lado será “um sintoma da incapacidade” e desconhecimento de elaboração de tais instrumentos, básicos, de gestão? Como se pode “moral e eticamente” justificar prejuízos diários, em média,  de mais de 2,5 milhões de euros e um endividamento que já ultrapassa os 12,7 mil milhões ? Será que “ninguém” percebeu que só o serviço da dívida ultrapassa anualmente os 600 milhões de euros ?

Estamos certos que não há nenhuma “mensagem de uma campanha publicitária  que “apague” a completa degradação do serviço público de transportes. Mas será que alguém assume as responsabilidades políticas por estas situações ? Ou será que a tutela  apenas existe para “colocar em lugares de administradores” das  respectivas empresas os “amigos” sem cuidar de cumprir as normas sobre esta matéria. É que de acordo com os requisitos legais “ os gestores públicos são escolhidos de entre pessoas com comprovadas idoneidade, capacidade  e experiência de gestão, bem como sentido de interesse público “ ( arº 12º do DL 71/2007) . Segundo sabemos de ouvir dizer,  em nenhuma das inúmeras nomeações feitas, este requisito  foi sequer cumprido, dado que, nas empresas referidas, a maior parte dos nomeados , se por um lado não tem habilitações na área de gestão, por outro nem sequer tinham exercido essas funções. Certo é que os resultados  estão á vista! .Como se pode verificar, a obrigação legal de publicitação  “dos elementos curriculares de todos os membros dos órgãos socais” (  nº 25 ( Anexo)  à Resolução do Conselho de Ministros nº 49/2007 de 28 de Março de 2007) , nem sequer, foi até hoje cumprida.([3])

Se o Governo quer, ou tem a vontade politica, de introduzir na sociedade e na vida política um conjunto de critérios de rigor, exigência e esforço democrático “ esse comportamento e cultura de exigência,  ainda não chegou ás empresas do sector empresarial do estado do sector público de transporte de passageiros como se evidencia claramente no relatório de 2007 referente ao Sector Empresarial do Estado  e necessariamente reflectir sobre as palavras do senhor Primeiro Ministro “ o nosso caminho é governar com rigor e com responsabilidade. Porque só o rigor e a responsabilidade geram confiança. E os resultados falam por si: hoje os portugueses sabem que têm um Governo em que podem confiar para pôr as contas públicas em ordem! “
No entanto  ao contrário do afirmado pelo senhor Primeiro Ministros  estamos num mau caminho, de enorme injustiça para todos os cidadãos, que não beneficiam de todas estas “benesses”, mas que ao longo deste dois anos tiveram de suportar o rigor da política económica, necessária para a recuperação do nosso País. Será que um sector que gera por dia mais de 2 milhões de euros de prejuízo não preocupa o Governo?
  “De facto, as empresas do Grupo Transtejo dependem do endividamento bancário para operar, dado que sustenta os défices anuais de exploração e parte dos investimentos realizados, mas também é por intermédio de mais endividamento bancário que é possível ir pagando, à medida que se vão vencendo, os empréstimos já contraídos. Aliás, na Transtejo, em 2009, a totalidade do activo não era suficiente para pagar o endividamento bancário que contraiu, que excedia aquele em 1,51 vezes. Já na Soflusa o endividamento representava 61% do activo total.”([4])
Não podia continuar em silêncio, ( apesar de continuar a sofrer as consequências desta minha postura …. ) (Almeirim, 24 de Setembro 2007) sem cumprir o meu dever de lealdade para com todos os profissionais que desempenham as suas tarefas nestas empresas e ficar silenciosamente cúmplice  de uma inacção tutelar de incapacidade mas que tem denotado, em exclusivo a “protecção dos interesses individuais e particulares em detrimento do interesse público”  e se ao longo destes últimos anos temos vindo regularmente a produzir documentos de base técnica com as previsões destes acontecimentos, infelizmente para o País a realidade é muito mais gravosos que as nossas previsões – até quando será permitido esta situação ?
  Temos de sermos cada vez mais rigorosos na gestão, sermos cada mais ambiciosos na tentativa de aumentar o mercado utilizador dos sistema de transportes e temos também de termos a arte e o engenho de lidar com as heranças do passado – para isso é preciso a MUDANÇA, ser exigente, rigoroso nos prazos, nos custos, na qualidade.Se o Governo tem vindo a introduzir na sociedade e na vida política um conjunto de critérios de rigor, exigência e esforço democrático “ esse comportamento e cultura de exigência,  ainda não chegou ás empresas do sector empresarial do estado do sector público de transporte de passageiros. Porque só o rigor e a responsabilidade geram confiança. E os resultados falam por si: hoje os portugueses sabem que têm um Governo em que podem confiar para pôr as contas públicas em ordem! Posso sugerir-lhe estas ,medidas estratégicas e pode acreditar que também pode por na ordem este sector público – a opção é de V.Exa?

Todos nós temos o dever de saber quer os comportamentos mudam-se com incentivos, com formação, com comunicação organizacional, com chefias competentes, com gestão adequada, no que assenta a uma estratégia de compromisso com a Excelência na Gestão das Empresas que se pretende implementar uma cultura de mérito e de avaliação da performance, à semelhança das melhores práticas de gestão, e neste contexto o Sector Empresarial do Estado não pode ficar fora do rumo definido pelo Governo de elevar Portugal, de melhorar o desempenho, de aumentar a competitividade, o crescimento e os níveis de eficiência do nosso País.  (Almeirim, 15 de Abril de 2008)

GRUPO TRANSTEJO
2001
2014
evol%
Nº Total de passageiros transportados
37.397.033
15.282.618
-59,13%
Nº Trabalhadores
705
472
-33,05%
Nº de viagens efectuadas
205.934
134.430
-34,72%
Nº de horas
94.822
52.967
-44,14%





RECEITAS/ Passageiros (euros)
0,40 €
0,97 €
141,39%
PROVEITOS TOTAIS/ Passageiros (euros)
0,86 €
2,00 €
132,29%





CUSTOS / Passageiros ( euros)
0,82 €
2,42 €
195,52%
Custos Exploração/passageiros ( euros)
0,62 €
1,85 €
199,07%
RECEITAS TOTAIS/ CUSTOS TOTAIS
105,1%
82,6%
-21,39%
Custos com pessoal/ por trabalhador ( anual) euros
18.215,24 €
24.681,30 €
35,50%





Custo Totais/hora efectuada ( euros)
323,03 €
698,36 €
116,19%
Custos operacionais/Hora ( euros)
318,05 €
589,33 €
85,29%


São necessários 20 anos para construir uma reputação e apenas cinco minutos para destruí-la.” Warren Buffett


(continua)



[1](http://www.dn.pt/sociedade/interior/em-dois-anos-lisboa-ganhou-mais-15-mil-carros-por-dia-5467350.html)

[2] http://expresso.sapo.pt/politica/2016-10-16-Governo-revoga-perdao-de-19-milhoes-a-empresa-do-grupo-Barraqueiro-e-a-TST

[4]  Tribunal de Contas – Auditoria ao grupo Transtejo - Relatório n.º 49/2010 – 2.ª Secção