sábado, agosto 12, 2017

O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS 
(VI Parte - continuação)

 O CUMPRIMENTO  DA LEI É ASSIM TÃO DIFICIL? OU O “REQUERIMENTO QUE SE “PERDEU” NOS CORREDORES DO MINISTÉRIO DAS FINANÇAS!!

“Quando o Governo não cumpre nem  faz cumprir a lei, algo não está bem

AS “CHAMADAS COMPENSAÇÕES INDEMNIZATÓRIAS” A PRIVADOS NOS SERVIÇOS PÚBLICOS DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS.

Exemplificando, a CP-Caminho de Ferro Portugueses, entre 2005 e 2010, recebeu de indemnizações compensatórias por todo o serviço internacional, nacional, regional e suburbano a verba de cerca 196,5 milhões de euros, enquanto a FERTAGUS (privada), por uma única linha suburbana, recebeu no mesmo período cerca de 60,6 milhões de euros”

Tanto mais que, segundo julgamos saber  que um dos pressupostos de base na privatização da Rodoviária Nacional era que ás empresas privadas daí resultantes, teriam obrigação do cumprimento das respectivas concessões de serviço público, mas não lhe seria atribuídas indemnizações compensatórias

Como diz o povo, no seu desespero e quando não encontra alternativas – “É um fartar, vilanagem” – expressão que historicamente é uma versão das palavras ditas «É fartar, vilanagem» por Álvaro Vaz de Almada, conde de Avranches, no final da batalha de Alfarrobeira, quando já não podia resistir à força dos seus inimigos. ( in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa) . É uma expressão a que acho particularmente graça e se bem que nos pacotes de café com que comecei a explorar este género de frases feitas, ela não viesse mencionada,  está muito actual e que tem uma enorme abrangência disso ninguém duvida.

De acordo com um “pretenso” “Estudo internacional de Mobilidade em Portugal”, referido na revista do ACP nº 757 (Outubro 2016), e divulgado em Portugal pela PRP-Prevenção Rodoviária Portuguesa, apenas 9% dos inquiridos usam os transportes públicos como principal meio de transporte, 17% afirma andar a pé e 70,4% usa o carro como principal meio de transporte ([1]) – pode-se contestar ou não a credibilidade deste estudo, mas parece-me que o mesmo será de grande preocupação para o Governo e a tutela, de um sector com graves problemas estruturais, acumulação de endividamento insustentável,  nada mais difícil do que continuar a assistir a esta situação em que os cidadãos das regiões do interior e centro, suportam os custos da ineficiência e dos benefícios dos cidadãos de Lisboa e Porto! Se o resto do País não tem, porque é que há-de sustentar lisboetas e portuenses?
E, se volto ao assunto, e creio que pela última vez, deve-se apenas e só, julgar novamente ser meu dever de cidadão tentar, que o actual poder tutelar do sector do serviço público de transporte de passageiros, ao nada ter sido feito, pelo menos visível, neste sector, para inverter a actual situação de insustentabilidade económico-financeira do mesmo e, por estar convicto que foram  infringidas  normas de controlo e de regras económicas de uma gestão que se quer racional, nomeadamente a partir de Junho de 2002, a que pode ser imputado a  provocação de danos patrimoniais públicos pela “ eventual violação de regras de gestão”,  podendo V.Exa requerer ( ou diria melhor dever) as respectivas Auditorias forenses, que não apenas   meras auditoria financeiras às contas, como normalmente acontece. O objectivo será perceber se as medidas, regras e normas técnicas de gestão e de controlo foram cumpridas e, pela primeira vez responsabilizar quem infringiu as normas legais por eventual  violação de regras de gestão;
Convêm reafirmar que para nós é lamentável, uma ideia generalizada de que na gestão da “coisa pública” não são o mérito e a competência que comandam as decisões, mas sim os arranjos políticos, os pagamentos de favores, a resolução de problemas particulares etc, Todos nós com consciência sabemos que “há perigo de a vida económica portuguesa ser dominada, ou já será dominada ??? por grupos de interesses que se opõem às transformações substituíveis de beliscar os seus privilégios.” E que, talvez  “ o maior défice do Estado não é de natureza orçamental. É de credibilidade. É de respeitabilidade. As instituições deixaram de se dar ao respeito. E as pessoas deixaram de as respeitar; (entre outros vide este exemplo ([2]) do grupo que mais benefícios teve e têm em detrimento do serviço publico de transporte de passageiros)

Como é possível a concessão das ditas “compensações indemnizatórias “ sem regularizar primeiramente a situação de incumprimento do serviço público, reiteradamente, por parte daquelas empresas?”

INDEMNIZAÇÕES COMPENSATÓRIAS ÀS EMPRESAS DO SECTOR EMPRESARIAL DO ESRADO QUE PRESTAM  SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS ([i])- (em 2010 foram distribuídas mais 237 milhões de euros dos quais cerca de 32,5 milhões a privados). Não nos admira que se procure imputar esta dívida, na afirmação que a mesma reflecte, anos de indemnizações compensatórias inferiores às necessárias para compensar a diferença entre custos e preços e que o facto de o Estado não pagar devidamente a subsidiação dos preços,([3]), o que corresponde a alguma realidade, omitindo-se “quem criou” condições para uma gestão menos criteriosa (défices em crescendo, diminuição da procura, degradação das tarifas (que nem sequer têm acompanhado a inflação), aumento de custos, aumentos descontrolados dos custos com pessoal, insuficiência das indemnizações compensatórias do serviço público.)  A contratualização, deverá passar pela definição de indemnizações indexadas aos custos operacionais das empresas, pela responsabilização dos gestores e pela aplicação de medidas saneadoras do actual “caos da negociação colectiva”, incentivando deste modo uma gestão mais eficiente. Neste domínio é fundamental que se estabeleçam objectivos concretos de eficiência. Por outro lado há que estabelecer critérios claros, sendo um serviço público essencial que o é e pelas suas vantagens ambientais e sociais sobre o transporte individual, os transportes públicos sempre terão de ser financiados em grande parte pelos impostos. Mas não existe nenhuma razão para uma política geral de tarifas degradadas (a subsidiação deve incidir sobre os passes sociais) nem para que os encargos sejam suportados somente pelo Estado, mesmo quando se trata de transportes urbanos ou metropolitanos, ou seja, serviços públicos locais, que deveriam ser suportados pelos respectivos municípios beneficiários, como sucede no resto do País. Ora, tirando a Refer e a CP, todas as demais empresas (Metro de Lisboa, Carris, Transtejo, STCP) operam em Lisboa e no Porto.
Mesmo que o Estado deva assegurar as infra-estruturas (por exemplo, as redes de metro), estar o orçamento do Estado a suportar a exploração de transportes locais é ilógico e injusto, tanto mais que se trata das cidades mais ricas do País. Os municípios de Lisboa e o Porto não têm que ter tal privilégio. Por isso sendo verdade que a degradação tarifária tendo contribuído para o acumular de dívida pública que, no actual figurino, onera todos os contribuintes, sendo que os défices gigantescos que as baixas tarifas geram têm permitido acomodar brutais ineficiências, mas acima de tudo a muita irresponsabilidade de gestão, nomeadamente, e sobretudo, nas relações laborais sindicais, como verdadeiros privilegiados sem equiparação nos Países mais desenvolvidos na Comunidade Europeia.
Por outro lado devemos referenciar que as chamadas COMPENSAÇÕES A OPERADORES PRIVADOS ([4]) ([5]) – (só começaram a receber em 2004 e até 2010 já receberam mais de 113 milhões de euros) por uma Resolução do Conselho de Ministros foi autorizada a realização de despesa, no montante total de 9,1milhões euros, (em 2004 foram apenas 5 milhões de euros) no âmbito do acordo a celebrar entre o Estado e os operadores rodoviários privados de transporte público de passageiros da área metropolitana de Lisboa, relativo à manutenção da oferta dos títulos de transporte integrados, vulgarmente designados «passes sociais». O Estado irá celebrar um acordo com a Rodoviária de Lisboa, S.A., Transportes Sul do Tejo, S.A., Vimeca Transportes, Lda. e Scotturb, Lda., mediante o qual estas empresas se obrigam a manter a oferta dos títulos integrados de transporte vulgarmente designados por «passes sociais» (L1, L12, L123, L123SX, L123MA, 12, 23 e 123). Esta medida visa, assim, assegurar um sistema de apoio e incentivo à utilização dos transportes públicos, em detrimento do transporte individual.
De certo modo surpreendente esta atribuição de indemnizações compensatórias aos operadores privados, tanto mais que um dos pressupostos de base na privatização da Rodoviária Nacional era que ás empresas privadas daí resultantes, teriam obrigação do cumprimento das respectivas concessões de serviço público, mas não lhe seria atribuídas indemnizações compensatórias - É evidente que os transportes públicos devem incluir compensações pela sua componente de serviço público. Mas por que é que no caso de transportes locais de Lisboa e Porto e os municípios limítrofes essas indemnizações de serviço público devem ser encargo do Estado e não dos municípios beneficiários?

Que medidas foram tomadas, ou vão ser tomadas pela Direcção Geral dos Transportes sobre a retirada unilateralmente, em situação de incumprimento claro da concessão, de mais de 500 ligações , diárias, a que se encontrava obrigada a realizar a empresa Transportes Sul do Tejo, no  domínio da intermodalidade com as estações fluviais do Seixal e de Cacilhas? Que medidas foram tomadas pela mesma Direcção Geral dos Transportes Terrestres em resultado do inquérito realizado em  Junho de 2001 e que concluía que “ a maioria das empresa públicas do sistema estão a subsidiar os operadores privados que, por essa via, recebem uma compensação indirecta do Estado” ?  Só o grupo  já referido recebeu entre 1997-2000 mais cerca de 3,9 milhões de contos (cerca de 20 milhões de euros!). Antes de se tomar estas medidas avulsas, que nada solucionam, apenas e só contribuem para a manutenção de privilégios inaceitáveis de alguns, não seria muito mais importante acompanhar as medidas corajosas de combate a situações injustas, é que ninguém as compreende, muito menos que não terminem com estas situações imorais que se criaram  em relação ás empresas públicas de transporte de passageiros?  Como é possível a concessão destas compensações sem regularizar primeiramente a situação de incumprimento do serviço público, reiteradamente, por parte daquelas empresas?


Pelos vistos, não existem somente privilégios profissionais, mas também territoriais.

Pelos vistos é mesmo  um fartar vilanagem…à custa de recursos públicos que são de todos os portugueses.  Nos seus Cadernos de Lanzarote, José Saramago dá a melhor resposta a estes políticos público-privados : «Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos

(continua)








[1]  Os dados a que o DN teve acesso mostram que em 2014 entravam em Lisboa 355 mil carros por dia, número que aumentou para 366 mil em 2015 e para 370 mil este ano (estimativa para o primeiro semestre do ano). Em 2010, ou seja, antes da chegada da troika, as deslocações de carro eram 367 500 mil por dia. "Temos inscritos em Lisboa 160 mil veículos e entram todos os dias cerca de 360 mil, o que significa que por cada três carros a circular, dois vêm de fora. É insustentável", admite o vereador do planeamento Manuel Salgado.( http://www.dn.pt/sociedade/interior/em-dois-anos-lisboa-ganhou-mais-15-mil-carros-por-dia-5467350.html)
[2]   http://expresso.sapo.pt/politica/2016-10-16-Governo-revoga-perdao-de-19-milhoes-a-empresa-do-grupo-Barraqueiro-e-a-TST
[3]  Um segundo factor para o crescimento desta dívida é o subfinanciamento. Ao longo dos anos o Estado decidiu (bem, mas cada vez menos) uma política de preços inferior aos custos de produção, pelas quais deveria pagar às empresas de transporte as correspondentes indemnizações compensatórias, que paga tarde e, no caso das públicas, por valores inferiores aos reais! Esta política, praticada durante mais de 20 anos, e com o diferencial sempre acrescido ao endividamento das empresas, é um forte contribuinte para a situação actual. Exemplificando, a CP, em 2010, recebeu de indemnizações compensatórias por todo o serviço internacional, nacional, regional e suburbano a verba de 34,7 milhões de euros enquanto a Fertagus (privada), por uma única linha suburbana, recebeu 9,7 milhões.
[4] A este propósito em 2002 escrevíamos ao então Secretário de Estado dos Transportes “ Que medidas foram tomadas pela Direcção Geral dos Transportes sobre a retirada unilateralmente, em situação de incumprimento claro da concessão, de mais de 500 ligações, diárias, a que se encontrava obrigada a realizar a empresa Transportes Sul do Tejo, no  domínio da intermodalidade com as estações fluviais do Seixal e de Cacilhas? Que medidas foram tomadas pela mesma Direcção Geral dos Transportes Terrestres em resultado do inquérito realizado em Junho de 2001 e que concluía que “ a maioria das empresa públicas do sistema estão a subsidiar os operadores privados que, por essa via, recebem uma compensação indirecta do Estado” ?  Só o grupo referido em epígrafe recebeu entre 1997-2000 mais cerca de 3,9 milhões de contos (cerca de 20 milhões de euros!). Antes de se tomar estas medidas avulsas, que nada solucionam, apenas e só contribuem para a manutenção de privilégios inaceitáveis de alguns, não seria muito mais importante acompanhar as medidas corajosas de combate a situações injustas, é que ninguém as compreende, muito menos que não terminem com estas situações imorais que se criaram  em relação ás empresas públicas de transporte de passageiros?  Como é possível a concessão destas compensações sem regularizar primeiramente a situação de incumprimento do serviço público, reiteradamente, por parte daquelas empresas?”
1.        [5]  Em 2006 num artigo publicado no jornal Negócios, que aqui reproduzo: “É evidente que os transportes públicos devem incluir compensações pela sua componente de serviço público. Mas por que é que no caso de transportes locais de Lisboa e Porto e os municípios limítrofes essas indemnizações de serviço público devem ser encargo do Estado e não dos municípios beneficiários? Pelos vistos, não existem somente privilégios profissionais, mas também territoriais . Como atrás foi escrito o Governo vai assumir todo o passivo das empresas públicas de transporte, cujo montante total ascende a cerca de 8,7 mil milhões de euros, por forma a que seja possível encontrar uma base “zero” nas contas destas empresas, aliviando-as directamente deste encargo, trata-se de uma medida de largo alcance e que agora se vem juntar mais a atribuição de 9,1 milhões de euros, sem que tais medidas  ossem devidamente acompanhadas pela exigência e rigor da respectiva gestão, por exemplo que medidas foram tomadas para a retoma dos mais de 30 milhões de passageiros que deixaram de utilizar o serviço público de transporte de passageiros, (na sua quase totalidade foram perdas do serviço fluvial)? Que medidas foram tomadas pela Direcção Geral dos Transportes sobre a retirada unilateralmente, em situação de incumprimento claro da concessão, de mais de 500 ligações , diárias, a que se encontrava obrigada a realizar a empresa Transportes Sul do Tejo, no  domínio da intermodalidade com as estações fluviais do Seixal e de Cacilhas? Que medidas foram tomadas pela mesma Direcção Geral dos Transportes Terrestres em resultado do inquérito realizado em  Junho de 2001 e que concluía que “ a maioria das empresa públicas do sistema estão a subsidiar os operadores privados que, por essa via, recebem uma compensação indirecta do Estado” ?  Só o grupo referido em epígrafe recebeu entre 1997-2000 mais cerca de 3,9 milhões de contos (cerca de 20 milhões de euros!). Antes de se tomar estas medidas avulsas, que nada solucionam, apenas e só contribuem para a manutenção de privilégios inaceitáveis de alguns, não seria muito mais importante acompanhar as medidas corajosas de combate a situações injustas, é que ninguém as compreende, muito menos que não terminem com estas situações imorais que se criaram  em relação ás empresas públicas de transporte de passageiros?  Como é possível a concessão destas compensações sem regularizar primeiramente a situação de incumprimento do serviço público, reiteradamente, por parte daquelas empresas”



quinta-feira, agosto 10, 2017

O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS ( V parte)

O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS 
(V Parte - continuação)

 O CUMPRIMENTO  DA LEI É ASSIM TÃO DIFICIL? OU O “REQUERIMENTO QUE SE “PERDEU” NOS CORREDORES DO MINISTÉRIO DAS FINANÇAS!!

“Quando o Governo não cumpre nem  faz cumprir a lei, algo não está bem

O CASO ESPECIFICO DO SERVIÇO PÚBLICO FLUVIAL DE PASSAGEIROS (Transtejo e Soflusa)([1])

Porque se trata de um verdadeiro “case study”, não podíamos de deixar e exemplificar com este caso concreto, tudo o que “descrevemos anteriormente”. Ou como uma empresa do sector empresarial do estado – serviço público de transporte de passageiros – passou de 2001 para 2015 de uma das maiores do Mundo, e a maior da Europa (em 2001 era considerada a segunda maior operadora fluvial de transporte de passageiros do Mundo) e de resultados positivos, capitais próprios positivos, sem endividamento, e com mais de 50 milhões de passageiros, para em 2015 se constatar a sua completa falência e inviabilidade, de resultados negativos e prejuízos consecutivos, destruição completa de todo o seu património – mais de 220 milhões de euros de endividamento e transportando pouco mais de 15 milhões de passageiros (isto é perdeu cerca de 35 milhões de passageiros/ano)  trata-se sem dúvida de uma clara violação de todos os princípios de uma boa gestão de dinheiros públicos, sem que até hoje tenha sido apurada as responsabilidades e determinadas as causas ou motivos que conduziram à actual situação de completa inviabilidade desta actividade estratégica no transporte de passageiros no Rio Tejo.

AS PERGUNTAS QUE NÃO FORAM RESPONDIDAS.

E, mais:

a)      A saber qual a razão que levou a que desde 2001, mais de 35 milhões de passageiros deixaram de utilizar o serviço publico fluvial entre as duas margens do Tejo? Que medidas/acções de relançamento/recuperação e captação de clientes para o serviço público de transporte de passageiros, para a retoma progressiva dos passageiros que “ abandonaram” o sistema e captação de novos clientes ao serviço de transporte individual, valorizando o serviço de transporte de passageiros, competitivo em termos de qualidade, comodidade, rapidez e segurança foram tomadas? Que fontes de financiamento tem sido procuradas?

b)       Em 1999 foram transportados mais de 50 milhões de passageiros, em 2014 apenas cerca de 15 milhões (Anotamos o encerramento da maior linha fluvial foi temporariamente encerrada, por impedimento da construção da estação do metro no Terreiro do Paço em Junho de 2000);

c)      Em 2001 nas duas empresas trabalhavam cerca de 705 trabalhadores, em 2014 eram apenas cerca de 472 trabalhadores. Sendo que os custos com pessoal foram de cerca de 12,8 milhões de euros em 2001 e de cerca de 12 milhões de euros em 2014; Qual as causas que conduziram a este aumento significativo dos custos com pessoal?;

d)      Em 2001 as receitas totais atingiram mais de 32 milhões de euros e os custos operacionais cerca de 30,1 milhões, enquanto em 2014 as receitas totais foram de 30,5 milhões e os custos operacionais cerca de 31 milhões de euros. Sendo que as amortizações do imobilizado se situaram em 2001 em mais de 6,3 milhões de euros e em 2014 apenas cerca de 2,5 milhões de euros;

e)       Em 2001 os resultados líquidos do grupo foi positivo (cerca de 1,6 milhões de euros) em 2014 negativo em mais de 6,2 milhões de euros!!!!, apesar de as indemnizações compensatórias atingirem em 2014 mais de 8,7 milhões de euros, enquanto em 2001 foram apenas cerca de 5,4 milhões de euros. A justificação, não fundamentada, para a redução dos resultados negativos em 2014, em relação a 2013 foi “imputada” a uma redução dos custos de manutenção (que se pode configurar como administração danosa de bens públicos)([2]), e aumento de rendimentos!!!; Ao não proceder às acções de manutenção exigidas pelos navios da respectiva frota, conduziu a que a maior parte da frota se encontre operacional - “Na Transtejo, é quase na ordem dos 50 por cento, em consequência da falta de manutenção da frota, das avarias não resolvidas e da falta de renovação dos certificados de navegabilidade. Isto provoca a supressão de cada vez mais carreiras, com claros prejuízos para os utentes"([3]) – parece-nos salvo melhor conhecimento nesta matéria uma situação que se pode tipificar como administração danosa, acção dolosa, omissão negligente e até abuso de poder…será que irá ser desencadeado o respectivo procedimento de responsabilização?

f)       Em 2001 o grupo Transtejo não tinha qualquer situação de endividamento, utilizando os recursos e meios próprios de financiamento das suas actividades, nomeadamente os investimentos, (todos os grandes investimentos em navios, terminais e pontões foram realizados até 2001), sem recurso ao aval do estado, enquanto em 2014 esse endividamento bancário ultrapassava mais de 180 milhões de euros, em 2016 certamente terá aumentado a situação insustentável de endividamento. Porque é que entre 2001 e 2014 foram acumulados resultados líquidos de exercício negativos, em mais de 200 milhões de euros? Será que ninguém é responsabilizado?

g)      Os capitais próprios em 31 de Dezembro de 2001, eram positivos (53 milhões),([4]) em 2014 o grupo Transtejo apresentou capitais próprios negativos de mais de 170 milhões de euros. Qual o será o valor negativo em 2016? Não há qualquer tipo de responsabilização por esta continua violação das normas legais?;

h)       “Para capitalizar as duas empresas, individualmente, e repor os respectivos capitais sociais perdidos eram necessários, à data de 31-12-2009, 167,4 milhões de euros (143,6 milhões na Transtejo e 23,8 milhões na Soflusa). (Auditoria do Tribunal de Contas 49/2010);

i)        Qual a razão que levou ao encerramento da sua maior linha fluvial (Cacilhas-Terreiro do Paço, em média 21 milhões de passageiros/ano) e da ligação ao Parque das Nações do Barreiro e do Seixal (com uma previsão de 600 mil passageiros/ano)?
ü  A ligação CACILHAS-TERREIRO do PAÇO, que foi interrompida em Junho de 2000 devido aos incidentes resultantes da construção da estação do Metropolitano no Terreiro do Paço e que era previsível que em 2003 fosse novamente reposta. Tratava-se tão só da maior, em termos de passageiros,  ligação fluvial de transporte de passageiros entre as duas margens, que atingia cerca de 21 milhões de passageiros transportados/ano,(cerca de 45% do total dos passageiros que utilizaram este serviço publico de passageiros) sendo a ligação com maior volume de passageiros no Tejo e garantida por seis cacilheiros. Alias, só se entende este impedimento à luz da “protecção ao comboio na ponte sobre Tejo (Fertagus)”, prejudicando nitidamente não só a população nas suas deslocações, como o serviço publico fluvial de transporte de passageiros;
ü   Porque foram interrompidas as ligações entre o Barreiro, Seixal e Parque das Nações, que foram introduzidas de modo a permitir a um elevado número de pessoas, que se tem que deslocar para o Parque das Nações, como alternativa ao transporte rodoviário e com ganhos substanciais de tempo de deslocação, que demorava apenas e só 25/30 minutos?;

j)        Qual a razão operacional que levou a que as ligações ao Seixal e ao Montijo deixassem de ser feitas para o Terreiro do Paço, tendo passado para os Cais Sodré?  As ligação fluvial de Lisboa para o Montijo foram, desde sempre, a partir do Terreiro do Paço, qual a razão operacional ou outra que levou a promover a alteração das ligações para o Cais Sodré? É que, para além de aumentar os riscos inerentes às dificuldades de navegabilidade no Rio Tejo, obriga que a duração das ligações aumentem cerca de 10/15 minutos, o que implica mais cerca de  5/7,30 horas/dia,ou seja 1500-2100 horas/ano, em relação às ligações originais para o Terreiro do Paço.
Será que alguém teve o cuidado de determinar os custos desta alteração? A quem serve? Será que alguém não “quer ver” o nítido prejuízo que daqui resulta em termos de custos operacionais e de imagem do serviço público fluvial?
A mesma situação em relação às ligações ao Seixal, cuja duração aumenta mais 5/10 minutos;

k)      Porque é que todas as carreiras de ligações fluviais passaram a ser a partir de 2002 economicamente deficitárias? Salvo melhor conhecimento nesta matéria esta situação pode ser imputada às alterações no sistema de gestão da estrutura-organizacional da prestação do trabalho completamente “desehierarquizado” a partir de Junho/2002, que não respeita a especificidade da actividade de transportes públicos (horários de trabalho e os múltiplos e os variados complementos salariais integrando um sistema de múltiplas e variadas remunerações acessórias). Com implicações directas e incidência na efectividade do tempo de trabalho, desorganização na distribuição dos tempos/individuais de trabalho, por exemplo o tempo efectivo de trabalho, em algumas das empresas, nomeadamente no Metropolitano e na Soflusa situam-se nos cerca 40% do horário de trabalho global). A saber também o porquê da organização do trabalho, salários, horários outros múltiplos benefícios concedidos não estejam devidamente publicados nos Boletins do Ministério de Trabalho de acordo com as exigências legais?([5] );
 
l)        Porque foi encerrada a ligação Barreiro, Seixal Parque das Nações – que permitia que mais de um milhão de passageiro/ano se deslocasse ao Parque das Nações numa viagem entre 25 a 30minutos;

m)   Qual é a situação dos parques de estacionamento de apoio aos Terminais do Seixal, Cacilhas, Barreiro e Montijo e do restante património da Transtejo, nomeadamente a sede na rua do Ouro;

n)      Porque não é realizada a ligação Cais Sodré-Porto Brandão potenciando as ligações à Universidade, fora das horas de ponta;

o)      Porque é que ainda não é feita a ligação do Montijo à Zona do Parque das Nações?  Criação de uma ligação ente o Montijo e o Parque das Nações dado a previsão do aproveitamento da Base Aérea do Montijo para as companhias lowcost, permitindo deste modo rapidez no acesso a Lisboa e à rede do caminho de ferro e do metropolitano; Porque foi “abandonado” o Terminal do Parque das Nações?

Tanto mais que é de maior relevância estratégica a importância o modo de  transporte fluvial entre as duas margens da foz do rio Tejo,  apresenta-se como relevante porque reforça os transportes públicos nos movimentos pendulares casa-trabalho que ocorrem entre as margens do rio na região de Lisboa, para além de que devemos acrescer ser de primordial importância o desenvolvimento de uma estratégia de apoio ao futuro aeroporto “lowcost”, a surgir no MONTIJO, com ligações rápidas (10/15 minutos) aos diversos meios de transporte no Parque das Nações (ligação por catamaran Parque das Nações-Montijo) e porque surge, também, como alternativa necessária à ligação pelas pontes, quer para as viaturas que por imposição do Código da Estrada nelas não podem circular, quer como prevenção em caso de impedimentos na circulação nas mesmas ou em no caso  de uma catástrofe natural na área de Lisboa.


“Liberdade é podermos dizer aos outros, sem ofensa, o que eles não gostam de ouvir.” (anónimo)



[1]  Entre 1996-2001 podemos demonstrar que era possível de uma empresa deficitária ( TranstejoSA) torná-la, eficiente, redução de custos, aumento de receitas e resultados positivos e elaborar o “ PROGRAMA ESTRATÉGICO DE REESTRUTURAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE FLUVIAL” como suporte de base de todas as decisões de desenvolvimento deste serviço público.
[2]   Qual a decisão de gestão que levou a que, a partir de 2002 se “abandonasse” as acções/tarefas de manutenção preventiva? (Redução de custos???? Tanto quanto sabemos de ouvir dizer e de ler na imprensa, grande parte da frota de navios está inoperacional, chegando-se até ao “inacreditável de andar a retirara peças de um navio para outro poder funcionar;
[3]   http://sicnoticias.sapo.pt/economia/2016-04-19-Doze-dos-20-navios-da-Transtejo-estao-imobilizados
[4]  Cf Relatório e Contas de 2001, aprovado por proposta do Conselho de Administração a redenominação e renominalização do capital social de empresa, fixando-o em 53 milhões de euros (capital próprio positivo)
[5]  (Tanto quanto se sabe o acordo de Empresa celebrado entre a Transtejo e os sindicatos signatários, publicado no B.T.E., 1.a serie, n.o 28 de 29 de Julho de 1999, com as alterações introduzidas pelo B.T.E. n.o 17 de 08 de Maio de 2002, e acordo celebrado entre a TRANSTEJO S.A. e os Sindicatos em 16 de Abril de 2004; e o  acordo de Empresa celebrado entre a Soflusa e os sindicatos signatarios, publicado no B.T.E., Ia serie, no 41 de 8 de Novembro de 2001, com as alterações introduzidas pelo Acto de Gestão de 2003 e B.T.E., Ia serie, n.o 45, de 8 de Dezembro de 2005;)

quarta-feira, agosto 09, 2017

O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS (IV parte)

O SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS 
 (IV parte)   - continuação

O CUMPRIMENTO  DA LEI É ASSIM TÃO DIFICIL? OU O “REQUERIMENTO QUE SE “PERDEU” NOS CORREDORES DO MINISTÉRIO DAS FINANÇAS!!

“Quando o Governo não cumpre nem  faz cumprir a lei, algo não está bem
Transportes: “Se este Governo não der resposta, será cúmplice do anterior"([1])

No geral, hoje as empresas querem e tentam agradar aos seus clientes, quando de facto deviam era tentar compreender as necessidades dos seus clientes. Um gestor com conhecimentos adequados pode e deve introduzir medidas estratégicas adaptadas ao respectivo sector, quer seja numa unidade empresarial pública ou privada, de modo a que possa atingir os objectivos de redução dos custos operacionais/aumento de produtividade.  Mas será que nestas empresas, os administradores em exercício de funções tem, na sua quase totalidade estas capacidades?
Ora, um dos grandes princípios das modernas tendências da gestão pública tem a ver justamente com mandatos claros dos serviços e seus dirigentes, ampla autonomia de gestão e sobretudo responsabilidade dos dirigentes pelo desempenho dos serviços, com reflexos sobre a retribuição deles e dos respectivos agentes. Estes princípios não são, obviamente, compatíveis com sistemas de autogestão ou de co-gestão, sempre que isso implique confusão de lealdades e responsabilidades e quando quem tem de responder politicamente pelos resultados não tem meios de exigir responsabilidades aos respectivos gestores.


O CASO ESPECIFICO DO SERVIÇO PÚBLICO FLUVIAL DE PASSAGEIROS (Transtejo e Soflusa)([2]) PORQUE NÃO FOI ATÉ HOJE (Março de 2017)  A SOFLUSA EXTINTA?


A Soflusa SA foi criada em 1993, pela CP, com o objectivo de garantir a ligação a entre a estação Sul e Sueste e a estação do Barreiro, articulando desse modo a rede ferroviária a Norte e a Sul do estuário do Tejo. Com a criação do “comboio na ponte”, a mesma “extinguiu” o objecto para que foi criada e em 2001, e em totalidade do seu capital social foi adquirido pela Transtejo. Pelo despacho 2058-A/2001 - SETF de 28.12.2001 o secretário de Estado do Tesouro e Finanças determinou a sua  integração na Transtejo, “numa perspectiva de desenvolvimento e optimização do transporte fluvial de passageiros e de gestão da frota”, tendo sido concedido à Transtejo para a “cobertura financeira desta operação cerca de 9,2 milhões de eurosNuma auditoria, o Tribunal de Contas([3])sugere-se   ao Governo que proceda à fusão destas duas empresas, de modo “a extinguir as ineficiências decorrentes da manutenção”. De facto até esta data não foi cumprida tal determinação.

Por outro lado sabendo-se que em 2001, a Transtejo SA adquiriu a totalidade do capital social da Soflusa SA, passando a gerir e a explorar todas as carreiras fluviais no rio Tejo. Causa-nos uma certa “estranheza” o não cumprimento do Despacho Conjunto do Secretário de Estado Adjunto dos Transportes e do Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças de 27.12.2001 ( oficio 55 de 08.01.2002 , Procº 7.19.6- 405/96 ) anexava a informação 1901/01 de 28 de Dezembro de 2001 da Direcção Geral do Tesouro, que mereceu a respectiva concordância do então Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças (28.12.2001) que determinava que “ numa perspectiva de desenvolvimento e optimização do transporte fluvial de passageiros e de gestão de frota, que esta empresa ( SOFLUSA) seja integrada na Transtejo.” Qual as razões que até hoje o mesmo não fosse cumprido? Será que vai ser avaliado os prejuízos acumulados imputados a este não cumprimento desta decisão governamental? Será que vão ser atribuídas e imputadas as respectivas responsabilidades?
 Não deixa de ser caricato, mas duma enorme gravidade o que se pode ler De referir que, para os efeitos do disposto no artigo 34º, do Decreto-Lei n.º 133/2013, de 3 de fevereiro4, em 09.12.2015 o Conselho de Administração da Transtejo apresentou à Direcção-Geral do Tesouro e Finanças (DGTF), com conhecimento à tutela operacional (Secretaria de Estado do Ambiente), enquadramento jurídico da proposta de fusão por incorporação entre a Transtejo – Transportes Tejo, S.A. (Sociedade incorporante) e a Soflusa – Sociedade Fluvial de Transportes, S.A. (Sociedade incorporada), complementado por estudo demonstrativo do interesse e da viabilidade da pretendida operação de fusão. (in “Grupo Transtejo-Plano de Actividades Orçamento 2016). Só agora? O que é que se andou a fazer desde 2002? 

a)       Qual as razões/os motivos  por que até hoje o mesmo não fosse cumprido? ([4]) Sendo certo que a responsabilidade dos membros do conselho de administração para com a sociedade está definida no artigo 72° do CSC cujo n°1 estabelece que os gerentes respondem para com a sociedade "pelos danos causados por actos ou omissões praticados com preterição dos deveres legais ou contratuais “ na verdade não conhecemos nenhum “gestor”, que até hoje tivesse sido  responsabilizado  pela incapacidade e desconhecimento e instrumentos de gestão, sendo certo que na sua quase maioria limitam-se a “fazer” a gestão da “coisa política”, quando devia ser da “coisa pública” , na chamada “gestão de costas voltadas” – ou seja “!hoje seguras-me tu , que amanhã seguro-te eu “.
b)       Tribunal de Contas, numa auditoria  ao “denominado grupo Transtejo”(Transtejo e Soflusa) de Dezembro de 2010, e elaborou um parecer, que como conclusão dos “resultados dessa auditoria,  “o Governo deve proceder à fusão destas duas empresas, de modo “a extinguir as ineficiências decorrentes da manutenção” da Transtejo e Soflusa, que perderam 23,8 milhões de passageiros entre 1998 e 2009, o que significa uma quebra de 46 por cento na procura aos transportes fluviais”, (Auditoria às empresas do grupo Transtejo ( Transtejo e Soflusa),  Relatório de Auditoria n.º 49/2010 ([5]), omite, certamente por desconhecimento que há muito tal já havia sido determinado pelo Governo. Inexplicavelmente nada nos é dito sobre esta situação de incumprimento. Em nome do rigor e da transparência e do necessário apuramento de responsabilidades, que deve informar as acções das Instituições públicas, convêm esclarecer, aquilo que este “relatório de auditoria”, não esclarece ou noutras situações, certamente por omissão ou desconhecimento, a abordagem conclusiva sofre de algum “enviesamento ou se preferir algum “desfasamento” perante a realidade que se pretende retratar – sendo realmente um “parecer” arrasador, o mesmo não esclarece porque é que de uma situação sólida e sustentável – económica, financeira e sócio-laboral em 2001 - foi conduzida para a situação de clara falência técnica com um endividamento brutal de mais de 170 milhões de euros, em 2009? De maior gravidade é que o Tribunal de Contas era conhecedor desta situação, pelo menos desde 2004/2005? Porque não foi concretizada a fusão entre a Transtejo - Transportes Tejo, S. A. e a Soflusa - Sociedade Fluvial de Transportes, S. A. de modo a extinguir as ineficiências decorrentes da manutenção dessas duas empresas», que foi determinada pelo Despacho Conjunto do Secretário de Estado Adjunto dos Transportes e do Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças de 27.12.2001 ( oficio 55 de 08.01.2002 , Procº 7.19.6- 405/96 ) anexava a informação 1901/01 de 28 de Dezembro de 2001 da Direcção Geral do Tesouro?

De acordo com várias normas legais em vigor, e salvo melhor conhecimento nesta matéria os Gestores Públicos são penal, civil e financeiramente responsáveis pelos actos e omissões praticados durante a sua gestão, nos termos da lei e estão sujeitos às normas de ética e às boas práticas decorrentes dos usos internacionais, designadamente em matéria de transparência, respeito pela concorrência e pelos agentes de mercado
Nos termos do Artigo 23.º Responsabilidade (Estatuto do Gestor Público) Os gestores públicos são penal, civil e financeiramente responsáveis pelos actos e omissões praticados durante a sua gestão, nos termos da lei.”
A obrigação de prestar contas faz parte de um amplo dever de informação a cargo de quem gere o que não é seu, tendo por objecto o apuramento e a aprovação das receitas e despesas realizadas. Existe mesmo um princípio geral de que quem administra bens o interesses alheios tem de prestar contas ao respectivo proprietário. Este é um daqueles princípios que, no dizer de Karl Larenz, se deduzem da «regulação legal, da sua cadeia de sentido, por via de uma “analogia” ou do retorno à ratio legis»(Metodologia da Ciência do Direito, 4.ª edição, tradução de José Lamego, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2005, p. 674 ).
 Assim sendo, porque não se cumpre a Lei?

(continua)



[1]   https://www.publico.pt/politica/noticia/transportes-precisamos-agora-e-de-nao-defraudar-as-expectativas-1750107
[2]  Entre 1996-2001 podemos demonstrar que era possível de uma empresa deficitária ( TranstejoSA) torná-la, eficiente, redução de custos, aumento de receitas e resultados positivos e elaborar o “ PROGRAMA ESTRATÉGICO DE REESTRUTURAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE FLUVIAL” como suporte de base de todas as decisões de desenvolvimento deste serviço público.
[3]   Auditoria ao Grupo Transtejo – Tribunal de Contas- Dezembro de 2010
[4]   Não esquecendo que o não cumprimento, por incapacidade o conivência com “lobbies de interesses”, gerou prejuízos acumulados, desde 2001 de muitos milhões de euros), em termos de custos directos. (tendo em atenção de que se trata apenas e só de uma linha da exploração fluvial – ligação Barreiro-Lisboa), mas cujos erros de gestão serão estimados em vários milhões de euros, nomeadamente na aquisição de catamarans inadequados ( 50 milhões de euros) e cuja maior parte, há dias ( segundo me informaram  7 dos 9 estavam inoperacionais); Porque não foram apuradas as responsabilidades pelos actos de gestão praticados?
[5]   http://www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2010/audit-dgtc-rel049-2010-2s.pd